Paulo Paiva (1970-2060)

Paulo PaivaQuem sou eu? Hoje é clichê dizer que não se sabe quem é. Sou inseguro, disso tenho certeza, ou talvez nem tanta certeza assim. Minha vida é uma história de desilusão e de revelação, e, parece, só tenho encontrado comigo na medida em que essa história avança.

Primeiro achei que eu era o centro do universo, mas minha irmã candidamente me revelou que não. Aí achei que eu era o cara mais feio e magro do universo, e uma namorada me revelou que não. Fiz o curso de engenharia achando que eu era engenheiro, mas a convivência com os engenheiros me revelou que não. Depois pensei que eu poderia me adaptar tranquilamente em qualquer lugar do universo, e minha estada na Alemanha me revelou que não, pois as adaptações são sempre turbulentas e falar alemão é difícil. Achei que meu destino era mesmo fazer contas, e três anos diante de planilhas numa empresa me revelou que não. Achei que eu poderia mudar o mundo trabalhando com meio ambiente e ecologia e após seis anos de trabalho no governo, a burocracia estatal me revelou, em três vias de cores diferentes, que mudar o mundo não é um bom objetivo na vida. Achei até que o próprio mundo conspirava a meu favor e uma bancarrota me revelou que não, finalizando assim com o ignorado Paulo Coelho que existia em mim. Achei que o amor era uma prisão e a falta de amor me revelou que não, a prisão é não amar. Achei que o auto conhecimento me protegeria de sofrer e a vida didaticamente me revelou que não. Achei que sexo era só sexo, mas a Kundaline me revelou que não. Achei lá atrás que eu não era engenheiro, mas meu gosto pelo planejamento e organização cada vez mais me revela que, de fato, sou. E agora ando achando que sou um cara cada vez mais aberto à felicidade, pois sei que sou cheio de ilusões, inclusive, talvez, esta.

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