Arquivo para a categoria "Viagens"




Monday, May 1, 2006

A Máquina Do Mundo

paulo paiva, 11:17 am
Filed under: Arte, especulativas
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Este poema de Carlos Drummond de Andrade foi considerado o melhor poema brasileiro de todos os tempos por um grupo de escritores e críticos, a pedido do caderno “MAIS”, da Folha de São Paulo em 2000. Ele aborda a eterna busca pelo sentido da Vida, o Universo e Tudo o Mais e o que acontece quando o encontramos. É duca.

A Máquina do Mundo

Carlos Drummond de Andrade

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

(Continua…)

Sunday, April 30, 2006

O Desejo II

pedro novaes, 9:43 am
Filed under: Viagens, interiores
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Você viu o que fizemos com o tempo? Viu o temporal que despencou sobre a cidade, derrubando árvores e alagando essas casas da periferia? Viu o caos, a falta de luz e os transformadores explodindo em grande clarões no crepúsculo de chumbo? Viu também como, apesar das pesadas e inesperadas nuvens, o Sol insistia em penetrar por certas frestas numa luminosidade amarela densíssima que revelava o perfil dos fios de água em seu trajeto entre o céu e a terra? Tudo porque fomos nos apaixonar.

Saturday, April 29, 2006

O Desejo

pedro novaes, 6:59 am
Filed under: Viagens, interiores
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O que me espanta e angustia é toda a calma. Toda essa calma, enquanto sob nossos pés ruge essa corrente violenta, veloz e ameaçadora. Eu olho para os quadros, parados e em pleno esquadro na parede e sinto o tremor sob a planta dos meus pés. Olho para os livros na estante, comportados e, com o canto do olho, vejo o turbilhão lamacento sobre o qual flutuamos no vazio. Os copos, as facas e os garfos, em seu insuspeito toque frio, e o rio. O rio, sempre o rio. Ai de mim. Outro dia, me deixei distrair e, inadvertido, mergulhei o pé na corrente vermelha e espumosa. Fui tragado instantaneamente. E não sei nadar.

Wednesday, April 26, 2006

Entre Nagasaki, Chernobyl e a Rua 57 em Goiânia

pedro novaes, 11:39 am
Filed under: Cotidiano, Viagens, especulativas, meio ambiente, tecnologia
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Completam-se hoje 20 anos do maior acidente nuclear da história, a explosão do reator da Usina de Chernobyl, na Ucrânia, à época parte da URSS. Pouco mais de um ano depois, deflagrava-se o maior acidente radiativo já ocorrido no Brasil e quiçá também um dos maiores do mundo: a tragédia latino-americana do Césio 137, em que catadores de sucata romperam a cápsula com material radiativo de um aparelho radiológico abandonado, levando à morte de quatro pessoas e à contaminação de milhares de outras bem aqui, a alguns quilômetros da minha casa.

Vinte anos depois, a humanidade se vê às voltas com a possibilidade da retomada da opção nuclear e de nova corrida armamentista. Aquela para a geração de energia, em função do aquecimento global fomentado pela queima dos combustíveis fósseis; esta, em função da loucura fundamentalista.

O dia enseja uma reflexão. Por isso, acho que vale publicar um texto meu escrito há cerca de um ano e meio atrás, após um passeio de bicicleta passando pela famigerada Rua 57 num feriado de finados. Assim como vale à pena assistir ao filme The Last Atomic Bomb, do americano Robert Richter, sobre as vítimas da bomba atômica de Nagasaki, um triste e bonito manifesto pelo fim das armas nucleares, selecionado para o VIII Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, que acontecerá entre 6 e 11 de junho na Cidade de Goiás (GO) (há uma cena
muito impressionante do encontro e diálogo entre um sobrevivente de campo de concentração nazista e uma velhinha japonesa sobrevivente da bomba de Nagasaki - de arrepiar).

VIAGEM URBANA NO DIA DE MORTOS
(Texto escrito em dezembro de 2004)
Neste feriado de mortos, tive uma viagem urbana.
Tenho duas pessoas que moram dentro de mim. Por isso, gosto da cidade, da urbanidade, assim como gosto do mato. Sou cético e, ao mesmo tempo, profundamente esperançoso.
Duas coisas me atraem na cidade: a decadência em toda a sua humanidade, assim como a humanidade em toda a sua decadência.

(Continua…)

Discussão

paulo paiva, 8:50 am
Filed under: Cotidiano, Política, especulativas
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Dois amigos no topo de uma chapada, ao final da tarde, o céu explodindo em cores sobre um campo de veredas.

- O que você acha do Alckmin?
- Hein?
- O que você acha do Alckmin!
- …
- …
- Cê tá louco?
- Porque, você vai votar no Lula?
- …
- E então?
- …
- Ei! Onde cê vai? Ôu! Putz, esses esquerdistas…

Monday, April 24, 2006

Eu e o sem-fim

elv peka fluss, 3:43 am
Filed under: Viagens, amigos, extraordinárias
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Cinco

[1][2][3][4]
 

Ouviu a música com espanto, à espera de sua fonte. Aguardou, quieto, ainda afastado, e ouviu o seu fim. Veio o silêncio, a expectativa. Do portal, em vez da melodia, partiam batidas ritmadas, secas. Uma a uma, mais e mais rápidas, mais e mais próximas, uma para cada vida de seu peito. Uma a uma, passo a passo, foram se aproximando até por fim pararem.

Olhos fixos à frente, o peito vivo a tornar-se tenso, viu grossos dedos tocarem o portal e em seguida os olhos brilhantes. Yuri olhou para baixo e viu as batidas.

Tuesday, April 11, 2006

Jean-Nõel Jeanneney e o Google Books

yuri vieira, 4:54 pm
Filed under: especulativas, livros, sites, tecnologia
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Concordo com Jean-Nõel Jeanneney, diretor da Biblioteca Nacional da França, quando afirma que a difusão de livros pela Internet será uma revolução tão grande quanto a da invenção da imprensa. Mas esse papo de que o Estado precisa controlar o processo não me dá nem raiva mais, me dá é preguiça. Diz ele:

“O livro [Quando o Google Desafia a Europa: Em Defesa de uma Reação] foi conseqüência de um artigo que escrevi no Le Monde no início de 2005, logo após o anúncio do Google [Google Books]. É claro que é bom ter acesso à informação, mas é preciso que seu controle não fique só com uma empresa, que seu financiamento não se dê só pela publicidade e que essa grande quantidade de informação seja ordenada. Não se pode deixar a cultura e a difusão da língua só nas mãos do mercado. Quem é a favor dessa liberdade absoluta acha que tudo se resolverá se não houver controle, mas posso afirmar, como historiador, que não é isso que acontece.”

(Continua…)

Monday, April 10, 2006

Mensagem cifrada

rodrigo fiume, 4:53 pm
Filed under: Cotidiano, especulativas
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Como diabos isto pode servir para alguém? Do Quiroga, no Estadão

Virgem 

“As pessoas andam compartilhando com extrema generosidade seus problemas, criando dificuldades ainda maiores àquelas que enfrentam individualmente, dado umas se somarem às outras. Quando se compartilhará os benefícios assim também?”

Câncer

“Os sonhos com que sua alma andou refestelando no silêncio do coração fizeram seus olhos físicos se abrirem para uma realidade bem inferior àquilo que é buscado. Essa discordância é dolorida, mas também motivadora de maior esforço.”

A traição de Judas

yuri vieira, 12:00 pm
Filed under: Livro de Urântia, Religião, especulativas
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Acabei não indo assistir - apesar da insistência do meu bróder, o artista-plástico Juliano Moraes - ao documentário da National Geographic sobre o famigerado Evangelho de Judas. Aliás, creio que ele não ouviu - na festa em que nos encontramos, ocupado que estava em discutir com certo Barbosa sobre “arte crítica”, “crítica de arte”, gnosticismo e “religião enquanto mítica” - o motivo da minha preguiça. Na verdade, após todos os alcoóis, até mesmo eu acabei por me esquecer do meu argumento contra a validade dessa idéia de Judas ter apenas obedecido a Jesus quando de sua traição. Graças ao De Gustibus, veio-me a lembrança e vejo que não fui o único a levantar a questão, aliás, uma questão óbvia. Também o Cláudio - e provavelmente mais alguns milhões de pessoas mundo afora - no blog Se Liga:

Desculpem a minha ignorância nesses assuntos, mas se Judas não fez nada mais que atender a um pedido do próprio Jesus quando o traiu, por que ele se enforcou depois?

Claro que alguém poderá dizer: e quem pode ter certeza se ele realmente se suicidou? Bem, nesse caso darei um sorrisinho pseudo-fundamentalista e voltarei à leitura do meu livro de Urântia, que dá uma boa idéia da piração do revolucionário Judas, o qual esperava ver seu Mestre convertido no Messias político de sua crença e à cabeça duma luta armada pela emancipação do povo hebreu. Judas achava que, feito o Neo da Matrix, Jesus, caso fosse realmente o prometido Messias - àquela altura, devido à aparente contradição de certas atitudes do mestre, Judas já acumulava muitas dúvidas e rancores pessoais -, assim que se visse nas mãos dos seus inimigos, poderia partir pra porrada cósmica. Seu raciocínio era: se o Mestre é quem diz ser, se livrará sozinho de seus perseguidores; se não o é, não terei feito mais que minha obrigação ao livrar o mundo de um falso Messias. Sim, porque esse papo de “meu Reino não é deste mundo” não entrava na cabeça do confuso apóstolo, para quem este mundo era tudo o que de fato existia. Ainda assim, segundo consta, sua traição foi um “chover no molhado”, um ato completamente desnecessário à consecução dos planos do Mestre. Judas se deixou meramente levar pelo orgulho ferido e pela vergonha de participar de um grupo que definitivamente não pretendia aderir à batalha política contra o invasor estrangeiro.

Eis o capítulo 4, do Documento 179 (A última ceia), que trata d’As últimas palavras ao traidor: (Continua…)

Eu e o sem-fim

elv peka fluss, 3:39 am
Filed under: Viagens, amigos, extraordinárias
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Quatro

[3] [2] [1]
 

Os olhos suspensos não piscaram depois que o reflexo opaco tremeu. Pescoço e tronco levantaram-se, enquanto braços permaneciam inertes.

Esperou e viu novamente o reflexo tremer mais forte e a porta transparente iniciar um movimento voluntário. Pouco a pouco, ela descolou-se, correu para a frente, tomou devagar a direção do lado, tornando-se por um instante um filete e depois, aos poucos, outro retângulo. Deixara para trás o portal. A transparência abrira-se.

Yuri permaneceu em pé à espera. Inclinou-se, contorceu-se, mas nada viu por entre o portal. Afastado, esperou.

Não soube ao certo o que era. Um som suave e distante. Notou a melodia saindo do portal. Pouco a pouco, tornava-se mais e mais próxima, até poder ser totalmente percebida. Um som alegre e agradável, de um só instrumento.

Sunday, April 9, 2006

Nacionalidades no espaço

yuri vieira, 11:21 am
Filed under: Ciência, Viagens, tecnologia
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Segundo este artigo, os países que já enviaram homens ao espaço são os seguintes: EUA, Rússia, Alemanha, China, Cuba, República Tcheca, Hungria, Polônia, Mongólia, Bulgária, Vietnã, Romênia, Índia, França, Arábia Saudita, Itália, Espanha, México, Canadá, Japão, Holanda, Grã-Bretanha, Austrália, Bélgica, Suíça, Ucrânia, Afeganistão, Áustria, Cazaquistão, Eslováquia, Síria, África do Sul e Israel. Ou seja, são estes os países que estão cagando e andando pro fato de o Brasil ter entrado no time. Os demais devem estar com inveja.

Bom, se tudo der certo, eu também irei ao espaço sábado que vem. Depois dou os detalhes, isto é, provavelmente através do livro Eu odeio terráqueos!!.

Saturday, April 8, 2006

Lá vem o astronauta

yuri vieira, 6:54 pm
Filed under: Ciência, Viagens, exteriores
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Este post é apenas para desejar uma feliz aterrissagem ao astronauta brasileiro Marcos Pontes, afinal, todos sabemos que o maior perigo das escaladas está na descida e que, enfim, pousar nas estepes do Cazaquistão não é algo tão suave quanto cair no oceano. Que o diga esse astronauta indiano…

Wednesday, April 5, 2006

O guru da NOM

O guru da Nova Ordem Mundial:

Quando o Prof. Peter Singer afirma resolutamente os direitos humanos das galinhas, estendendo às diferenças entre espécies animais o mesmo preceito que obteve tanto sucesso no que diz respeito às diferenças entre culturas, ele está sendo rigorosamente kantiano.

Monday, April 3, 2006

Eu e o sem-fim

elv peka fluss, 3:31 am
Filed under: Viagens, amigos, extraordinárias
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Três

[1] [2]

Yuri sentou-se no chão inexistente, como faz um adolescente. Tornozelos cruzados, o tronco curvado, mãos juntas sobre os pés, antebraços escorados nas coxas. Olhava a porta a distância, a cabeça apontando para baixo, os olhos na direção do reflexo. Olhos outrora cerrados com vigor, agora abertos com descrença. O peito ainda vivo esperava o inesperado.

Não havia tempo na escuridão. Só pensamentos. Refez o caminho do cérebro, contou como pôde quantos deles conseguiu lembrar-se e constatou um tempo imaginário: passaram-se muitos pensamentos.

Os olhos suspensos não piscaram depois que o reflexo opaco tremeu.

Sunday, April 2, 2006

Libertários, estatistas, Friends, Jivago e Islã

Aaah, então o Daniel também tem crenças absolutas: “o indivíduo é pura ficção”, diz ele, num comentário ao texto do Paulo. A autoconsciência humana e o livre-arbítrio são, portanto, segundo essa perspectiva, desvios virtuais da nossa existência absolutamente animal e coletiva: não temos individualidade, somos meramente a “espécie humana”. Interessante mais essa confissão do nosso amigo, com a qual discordo. Mas ele tem razão em certo aspecto. No estágio em que estamos, sem um fiozinho sequer de Estado, cairíamos mesmo na barbárie, e como prova disso basta uma greve da polícia, que aliás já experimentamos.

Eu, porém, considero o Estado um tipo de gesso sobre o esqueleto fraturado da sociedade. (Continua…)

Minha pequena confissão

rodrigo fiume, 12:23 am
Filed under: Viagens
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Depois de 14 Estados brasileiros (mais o DF; e 11 parques nacionais), 11 americanos (mais o DC), 3 países sul-americanos, 1 caribenho e 7 europeus (mais o Vaticano),  eu troquei a minha mochila por uma mala com rodinhas, que não detona as minhas costas nem amassa todas as roupas. Confesso que estou adorando…



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