Yogananda e João Gilberto
Esta noite tive um sonho muito nítido. Estava num grupo que esperava a visita de Paramahansa Yogananda. Estávamos todos sentados num enorme tapete, num pátio ao ar livre. Yogananda chegou com sua irmã e um outro acompanhante que não sei quem era. Conversou com cada um de nós individualmente. Lembro de algumas coisas que ele me disse, mas não irei afirmar que acredito ter sido uma experiência real. (Extrafisicamente falando, é claro.) Ando muito relapso para merecer tais atenções. Depois, sonhei que estava no apartamento do João Gilberto! Claro, pura piração onírica. Passamos por três portas cheias de trancas e travas, uma coisa totalmente paranóica. Lá dentro rolava uma feijoada e tinha uma mulher pê da vida porque alguém estava soltando rojões dentro de casa…
Pessoa sempre afirmou ser um neurastênico (categoria muito difundida hoje em dia), sendo, além disso - eis seu diferencial - capaz de criar uma personalidade para cada sentimento que lhe acometesse: “Dar a cada emoção uma personalidade, a cada estado de alma uma alma”, escreveu. Daí seus heterônimos. Mas a lucidez, não sendo uma emoção, mas um “enxergar apesar de toda emoção”, não era uma prerrogativa do, digamos, Álvaro de Campos. Bernardo Soares era, como “outros Pessoas”, muito lúcido também. Veja como ele possuía, na primeira metade do século vinte, a clara noção do estado de coisas que se prolonga até os nossos dias:
Li recentemente o livro 





