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Friday, January 13, 2006

Pão em coreano

yuri vieira, 10:31 pm
Filed under: Religião, exteriores, interiores, Índios
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Assisti ao filme coreano citado pelo Pedro Novaes - Casa Vazia, de Kim-ki Duk - ainda em São Paulo. Também gostei apesar da forçação de barra do final. (Nossa, sensação mais esquisita, acho que nunca havia escrito forçação na minha vida, imagine, uma palavra com dois c-cedilhas!) Na mesma semana em que o assisti, fui a uma festa com o Sunami Chun, diretor-presidente da Monkey Lan House. Lá, o Chun me apresentou “Marcelo”, assim entre aspas porque, na verdade, “Marcelo” era da Coréia do Sul e, depois de quase dois anos no Brasil, decidiu adotar um nome que, além de ser “sexy para as mulheres”, não fosse impronunciável por seus amigos brasileiros. Misturando português com um tanto de inglês (de Tarzã), conversamos longo tempo sobre seu país, seu cinema atual, sua história, a língua, a influência chinesa, japonesa, portuguesa e assim por diante. Porém, como neste exato momento estou com meu módulo baiano ativado, e por isso estou com uma preguiça de rachar o chão, me limitarei a descrever apenas alguns pontos desse papo. (Atenção, baianos, não estou sendo preconceituoso: realmente herdei alguns legítimos genes baianos dos meus avós paternos e, tanto como o Caymmi, sei do que falo.)
(Continua…)

O sonho

elv peka fluss, 11:45 am
Filed under: Viagens, extraordinárias, interiores
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Dirijo o carro. Não sei qual cidade é. Não sou daqui. Os nativos falam uma língua que não conheço, mas eu a entendo perfeitamente. O trânsito está complicado. Decido deixar o carro.

Caminho por uma rua estreita e inclinada. Tem calçamento de pedras. Desço-a. A via está tomada por pedestres e tem muitas lojas pequenas. Parecem lojas para turistas.

Sinto uma sensação estranha. Vislumbro a rua estreita à minha frente. Sinto vontade de correr. Devo percorrê-la. Preciso chegar até o seu fim. Parto. Corro. Corro bem rápido. Devo chegar ao fim da rua.

O tempo está nublado. Há muitas nuvens escurecidas. Corro. Começo a ver o mar, as nuvens sobre o mar. Ainda é dia, há sol também, mas a noite já começa a surgir. Ainda corro. Estou chegando perto do mar, estou chegando. Vejo um pequeno píer. Não há embarcações. Do lado direito, uma montanha.
(Continua…)

Thursday, January 12, 2006

Meu Aniversário

paulo paiva, 9:25 am
Filed under: interiores, memória
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Hoje é meu aniversário e resolvi postar um balanço de minha vida até o momento. Divirtam-se.

Quem sou eu? Hoje é clichê dizer que não se sabe quem é. Sou inseguro, disso tenho certeza, ou talvez nem tanta certeza assim. Minha vida é uma história de desilusão e de revelação, e, parece, só tenho encontrado comigo na medida em que essa história avança. Primeiro achei que eu era o centro do universo, mas minha irmã candidamente me revelou que não. Aí achei que eu era o cara mais feio e magro do universo, e uma namorada me revelou que não. Fiz o curso de engenharia achando que eu era engenheiro, mas as aulas de concreto armado me revelaram que não. Depois pensei que eu poderia me adaptar tranquilamente em qualquer lugar do universo, e minha estada na Alemanha me revelou que não, pois as adaptações são sempre turbulentas e falar alemão é difícil. (Continua…)

Wednesday, January 11, 2006

Memory Places

pedro novaes, 5:24 pm - portugues
  • Lugares não são lugares. Lugares são memórias. Óbvio. É claro que lugares bonitos e paisagens grandiosas têm muita chance de figurar em nossa galeria pessoal de locais favoritos no coração. Mas é evidente que, se passamos por maus momentos nesses lugares ou se os cruzamos em meio a um mau estado de espírito, dificilmente eles constarão dessa lista. Por outro lado, locais aparentemente bestas e desprovidos de maiores atrativos podem se tornar grandiosos na lembrança, conforme o vivido. Um quarto sujo e mofado de hotel na decadente zona portuária de Cádiz pode ter sido o palácio de uma grande paixão; um boteco comum em São José dos Campos, palco de um memorável debate filosófico; os bancos apertados de um ônibus entre a Cidade do México e Guadalajara, a oportunidade de conhecer alguém que se tornaria um grande companheiro de aventuras.

    Quero compartilhar alguns dos meus lugares favoritos, começando com o especialíssimo Mirante das Três Gargantas. Seria bacana ouvir de outros seus lugares favoritos também.
    (Continua…)

    Barra do Superagüi

    pedro novaes, 8:40 am
    Filed under: Viagens, interiores
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    Visão de 270 graus: as ilhas, um vão - através do qual o imenso Atlântico se revela para além de um farol - a longa restinga, a vasta Serra do Mar em sucessivas camadas de montanhas - do preto ao cinza embaçado. Contra esse céu largo, o vôo de um biguá solitário, o mar, o mar, o mar e a luz amarela densa desse fim de dia deixando mais existentes as madeiras desse barco que singra as águas dessa baía, cortando esse ar frio e intenso. E essa mulher de sombrancelhas grossas do outro lado do convés me instilando sentimentos e fantasias de me largar no mundo, sem tempo, nem dia.
    (Continua…)

    Thursday, January 5, 2006

    Por Baixo da Correnteza

    pedro novaes, 11:47 am
    Filed under: Cotidiano, Viagens, interiores
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    Foi quando descobriu que havia sempre uma outra conexão com as coisas acontecendo. Uma segunda troca por baixo da primeira, cotidiana, com os olhos e a fala. E era uma corrente febril, tormentosa – como rio inchado depois da tempestade, que ruge e tropeça em paus e folhas num afã descontrolado de seguir em frente. Dava medo submergir nessa corrente ruidosa e violenta, mas lá embaixo reinava uma paz grande porque se deu conta de que podia ser observador de si mesmo sob a corrente febril, onde tocava, envolvia as coisas e se deixava envolver por elas com o corpo – uma corda lhe saía do estômago e do intestino. Arqueado, a barriga espichada, ele subia como um balão no meio da correnteza, que era calma lá embaixo, puxava as coisas e era puxado por elas. E, súbito, individualidade dissolvida, só havia o meio, o turbilhão tranqüilo, o encontro, o interagir.

    Sunday, November 13, 2005

    Discutindo… Deus!

    yuri vieira, 12:07 am
    Filed under: Religião, especulativas, interiores
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    No blog do Janer Cristaldo andou rolando um desses debates inúteis entre ateus, agnósticos e crentes, dos quais já estou mais que cansado, tendo participado de inúmeros justamente nas três posições citadas, aliás, migrando duma a outra nessa mesma ordem aí descrita. Vale dizer: me sinto melhor hoje… Bem, a questão é que o Olavo acabou aparecendo na discussão com um texto excelente: Discussões vãs. Não deixe de ler.

    Saturday, October 15, 2005

    Arte de Amar

    yuri vieira, 2:00 am
    Filed under: escritores, interiores
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    Isto é do Manuel Bandeira:

    “Se queres a felicidade de amar, esquece a tua alma.
    “A alma é que estraga o amor.
    “Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
    “Não noutra alma.
    “Só em Deus - ou fora do mundo.
    “As almas são incomunicáveis.
    “Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
    “Porque os corpos se entendem, mas as almas não.”

    Tuesday, September 20, 2005

    A internet estimula a humildade

    yuri vieira, 9:36 pm
    Filed under: Umbigo, interiores, internet
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    Quem passou pela adolescência física e mental - isto é, o período que vai dos 14 aos 25 anos de idade aproximadamente - antes do advento da internet, entenderá o título desta entrada. Nesta fase de intensa ebulição interior, é muito fácil - falo daqueles que sempre se interessaram por literatura, filosofia, ciência e arte - é muito fácil acreditar que se é um tipo de gênio, uma luz em meio à escuridão massificada. Principalmente se, aos dezesseis, enquanto vivia ilhado numa província da província Brasilis, devorou “Homens representativos”, de Ralph Waldo Emerson. Aliás, ainda bem que não havia internet entre 1985 e 1996. Talvez eu até tivesse ficado “famoso” - como muitos blogueiros hoje acreditam ser - com o registro de minhas especulações, viagens e surtos (hoje muito bem guardados), e , no entanto, nos dias que correm, com a chegada desses lampejos de maturidade que ora me assediam, eu estaria envergonhado comigo mesmo e certamente passaria mais tempo deletando textos e entradas de blog que propriamente escrevendo… Sim, embora a Vontade de Criar possa nos aproximar muito da Vida, na medida mesma dessa aproximação, mais e mais vamos nos sentindo como que elevados diante dos demais. E tudo, claro, não passa de vaidade, vaidade das vaidades. Antes da internet eu achava que meus, digamos, pares ou já estavam mortos ou muito próximos de morrer. Com uma única exceção, que não vem ao caso, praticamente não tinha interlocutores. Claro, possuía amigos e professores cuja inteligência admirava, mas nunca encontrava “pretensões de criar” tão grandes quanto a minha. Depois, com a internet - e já morando com a Hilda Hilst - descobri que esses pares não constituem dezenas, senão milhares de pessoas espalhadas pelo mundo, a maioria muito mais disciplinada e produtiva do que consigo ser. E os maiores dentre eles, percebi, não são os que se colocam mais ao alto, junto a seus ídolos, e sim exatamente aqueles que, em sua sabedoria escrita, demonstram a verdade da fraternidade de todos os homens, isto é, que somos todos nós, terráqueos, pares no sentido mais universal do termo. Enfim, obrigado, internet, por não me deixar enlouquecer (de novo), obrigado por ajudar a provar a mim mesmo que não sou nenhum suprassumo da humanidade, mas um mero contador de “causos”. (Adeus, aborrescência!!) Se Nietzsche tivesse um blog à sua disposição, teria certamente trocado idéias com Dostoiévski - cujo livro “Notas do subterrâneo” ele leu - e o grande romancista russo o teria então alertado sobre o maior (e talvez único) de seus erros. Qual? Amadureça e descubra. (Até lá medite sobre o arcano 16, A Torre, do tarô…)

    Monday, September 5, 2005

    A Vaidade da Fogueira

    yuri vieira, 12:37 am
    Filed under: Cotidiano, interiores
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    Desde épocas remotas a humanidade sempre teve o costume de sentar-se ao redor do fogo, à noite, para conversar e trocar impressões sobre o dia, sobre a vida, a morte e o universo. Os intervalos entre os diálogos eram pontuados de meditação espontânea tendo o brilho do fogo como catalisador. Qualquer um que já acampou - ou curtiu uma noite numa chácara - sabe o que é isso. Há aquele silêncio no qual a voz do coração fala mais alto, aprofundando o nível da charla ulterior. Isto é tão atávico em todos nós que até hoje as cozinhas - onde ainda há um resquício de fogo - costumam ser verdadeiras salas de reunião em nossas casas. (Continua…)

    Thursday, July 28, 2005

    A despedida

    yuri vieira, 8:50 pm
    Filed under: Religião, interiores, memória
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    Coube a mim fazer o panegírico, de improviso, diante de parentes, amigos e desconhecidos, à minha avó materna, em seu funeral. Eu nunca havia discursado ao lado de um caixão, quanto mais do caixão de uma pessoa amada. O Espírito baixou e, ao contrário dos demais, já nem me lembro do que disse. Foi uma experiência metanóica.

    Tuesday, June 28, 2005

    Zaratustra

    yuri vieira (SSi), 1:17 am
    Filed under: escritores, interiores, literatura, livros
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    Terminei de reler um livro para todos e para ninguém: Assim falava Zaratustra, de Friedrich Nietzsche. Desta vez, foi a tradução de Mário Ferreira dos Santos, com notas explicativas da simbólica nitzscheana. Eu diria que a leitura do Mário Ferreira é das mais luminosas - ele é fã do Nietzsche - mas sob uma ótica totalmente distinta das que costumamos ver por aí. A maioria vê o copo ou meio vazio ou toma o vazio pelo cheio. Mário Ferreira consegue ver com exatidão o copo cheio e aponta com real sabedoria onde o próprio Nietzsche demonstra confusão de conceitos: “Como Nietzsche pouco conhecia a Teologia escolástica, tinha do Deus dos cristãos uma visão falsa. A culpa não era dele, mas sim do seu século, ignorante da filosofia medieval (do que não isentamos o nosso), e que tinha da religião uma visão exotérica, que em parte a culpa cabe à mentalidade de sacristia de muitos crentes e muitos padres, que cooperam, desta forma, para que se faça do Deus cristão uma verdadeira caricatura, fácil, depois, para combater. Nietzsche desprezava os estudos escolásticos, como o fazem hoje muitos, que pensam haver ultrapassado a filosofia medieval e, no entanto, patinam nos velhos erros já refutados”. Mário Ferreira também escreveu, a respeito de Nietzsche, outro livro: “O Homem que Nasceu Póstumo“, que ainda não li. E não pensem que ele se limita a corrigir o pensador prussiano. Não. Ele o esclarece e purifica. “O meu amor à obra desse grande poeta e a minha lealdade para com o seu pensamento não me permitiram que procedesse de outro modo.”

    Friday, June 24, 2005

    A previsão de Jung

    yuri vieira (SSi), 5:33 am
    Filed under: extraordinárias, interiores
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    “Pouco antes de sua morte em 1961, C.G. Jung teve uma série de visões de uma futura grande catástrofe. Segundo Marie-Louise von Franz, que manteve a custódia das anotações e cartas relativas a essas declarações, Jung viu uma catástrofe de extensão global, possivelmente da natureza de um abrasador holocausto, a ocorrer nos próximos cinqüenta anos (isto é, por volta de 2010).”
    (Do livro Jung and the Lost Gospels, de Stephen Hoeller, citado por J.R. Nyquist.)

    Friday, May 20, 2005

    Droga do medo

    yuri vieira (SSi), 3:03 am
    Filed under: Cotidiano, interiores
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    Eu sei que praticamente todas as drogas podem trazer a experiência do inferno, a paranóia total. Mas ninguém as toma por esse motivo. Logo, como é que pode alguém experimentar uma coisa chamada Droga do medo, uma substância cuja viagem dura pra lá de 30 horas?! Puts, meu Santo Daime! Se querem viagem forte, por que não vão tomar a Droga do vômito? Antes chamar o juca que se borrar de pânico…

    Saturday, May 14, 2005

    Caverna

    yuri vieira (SSi), 3:42 am
    Filed under: Religião, interiores
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    Nunca me esqueço de certa passagem da Autobiografia de um Iogue Contemporâneo, de Paramahansa Yogananda. Ele conta que, aos 14 anos, fugiu de casa com o intuito de ir até o norte da Índia encontrar certo guru famoso e, sob orientação deste, pretendia internar-se numa caverna do Himalaia para meditar sobre o amor de Deus. Driblou a polícia, viu seu colega de fuga desertar do empreendimento e, após dias de caminhadas e buscas, achou o tal guru. Este, após ouvir as ansiosas súplicas do garoto, apenas perguntou: “Você tem um quarto só seu na casa dos seus pais?” Tenho, respondeu Yogananda. “Então, volte para lá, sente-se e medite. Seu quarto é a sua caverna.” Parece que ele tinha razão…

    Monday, May 2, 2005

    Província

    yuri vieira (SSi), 9:51 am
    Filed under: cinema, exteriores, interiores
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    Continuo procurando loucamente uma cópia da carta “From New York to Paulo Francis”, escrita pelo Glauber Rocha, aliás engraçadíssima, na qual ele explica porque Nova York é, como toda grande cidade, um mero agrupamento de cidades do interior, de tribos e pequenas províncias. Depois ele fala de grandes criadores que nunca botaram o pé fora de seus países e da roda-viva dispersante que tais viagens podem efetivamente ser. Se alguém tiver uma cópia dessa carta, por favor, me envie porque há anos não consigo encontrar a que eu tinha. Sempre achei o Glauber melhor escritor que cineasta.



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