Universo esquisito
“O universo não é apenas mais estranho do que imaginamos; é mais estranho do que tudo o que podemos imaginar…” (J.B.S. Haldane, biólogo inglês)
Em suma: o universo é freak.
“O universo não é apenas mais estranho do que imaginamos; é mais estranho do que tudo o que podemos imaginar…” (J.B.S. Haldane, biólogo inglês)
Em suma: o universo é freak.
“A maneira mais simples de promover o entendimento será o de promover uma língua que seja compreendida por todos.” (Arthur Koestler)
Apesar de o “Livro” afirmar a mesma coisa, isso certamente não será possível em menos de mil anos…
A concha está para o caracol assim como o carro está para o homem moderno. Para este, quem não possui carro não passa de uma lesma. Não vejo a hora de reaprender a voar.
“Que o sol se levantará amanhã é uma hipótese; e isso quer dizer: não sabemos se ele se levantará.”
Ludwig Wittgenstein
(Essa é uma frase ótima pra se dizer a alguém que acabou de tomar uma ayahuasca, um cogumelo ou afins. Esses austríacos entendem mesmo de tortura psíquica.)
Tudo o que um civil (são) deseja em meio a uma guerra - ou sob o jugo dum Estado Totalitário - é ser salvo, não importa por quem.
“Guerra diverte - o demo acha.” (Riobaldo, narrador de Grande sertão: veredas)
Jorge Luis Borges está numa biblioteca do mundo astral, onde se encontra o acervo (em duplo astral) do que antes foi a biblioteca de Alexandria - destruída pelos muçulmanos em 641DC. Pesquisa os livros que foram lidos, em Alexandria, por Jesus. (Por que não?)
Segundo o último senso, há 3.840.101 planetas habitados no universo local de Nébadon. O sistema de Satânia, no qual estamos, possui 619 mundos habitados. (Sim, mundos porque alguns não são planetas, mas satélites de algum outro planeta habitado ou não.)
Minha sobrinha, que acaba de completar seis anos de idade, ficou satisfeitíssima com o presente de aniversário que ganhou de um colega de escola: um sutiã! Pra esconder o quê?, pensei cá comigo. Não interessa, o importante, segundo ela mesma relatou à minha irmã, é que agora não é a única da turma a ir estudar com os “seios” nus. (!!!) O que diriam a esse respeito as inceneradoras de sutiã dos anos 60?
Já que curto mesmo brincar com essas coisas, vou verificar se esse negócio de numerologia tem alguma coisa a ver mesmo. Jorge Ben mudou para Jorge Ben Jor porque a somatória deste dá 11, um número fodão. (Jorge Ben dava 4, um número fodinha.) O yuri vieira dos santos, que também dá 11, foi yuri v. santos por algum tempo, que dá 3, e agora voltou a ser 11, só que assinando apenas yuri vieira. (Talvez o Ryoki Inoue, meu primeiro editor, estivesse certo nesse ponto - ele não gostava do trocadilho “yuri vê santos”.) E só.
E já que estamos falando de física, quando é que algum pesquisador irá se debruçar sobre essa informação pirada do livro de Urântia: “O ultímaton, a primeira forma mensurável de energia, tem como núcleo o Paraíso. (…) Os ultímatons funcionam por atração mútua, respondendo apenas à atração circular da gravidade da Ilha Estacionária do Paraíso. Sem a reação à gravidade linear, eles mantêm-se vagando assim em um espaço universal. (…) A atração mútua mantém cem ultímatons juntos na constituição do elétron; e nunca há mais nem menos do que cem ultímatons em um elétron típico.”
Minha querida Míriam Virna, diretora teatral brasiliense, me enviou o texto abaixo sobre uma das efusões de José Celso Martinez Corrêa no Plano Piloto, texto esse - O Guru do Cu ou o Cu do Guru - bastante esclarecedor se não do trabalho pelo menos da personalidade do conhecido diretor. (Bom, na verdade, trata-se do excerto de um ensaio.) Noutra ocasião, escreverei a respeito de minha própria experiência com o Guru do Cu - graças a Deus, não com o inverso - quando, durante uma apresentação de sua montagem d’As Bacantes (1996), fui seqüestrado para o palco. Nossa, por incrível que pareça, me diverti bastante…
O Guru do Cu ou o Cu do Guru
O teórico Frederic Jameson nos chama a atenção para essa incapacidade de assombro que assola a Arte e aquele que a frui, e é ainda mais contundente quando adverte-nos sobre a complacência com que são recebidas certas manifestações de delírio bárbaro. Ora, desconectado do sentido do divino, ou pelo menos da noção do “EU” como sujeito e não como objeto, o homem acabou por perder até mesmo a capacidade de ser ultrajado.
Algo que venho notando na moçada da minha geração - nasci em 1971 - é que não conseguem evitar de forma alguma o impulso de ir ao cinema assistir Matrix, mas - uma vez acabado o filme - só sabem meter o pau, em geral um pau oco, ainda que cheio de sutilezas irônicas. Tudo bem, concordo que a vida em Zion é uma bela porcaria, mas a história é boa. Até o poeta Bruno Tolentino, com quem assisti ao primeiro filme lá na casa da Hilda Hilst, curtiu o dito cujo. Se bem que ele é suspeito: adora filme de Kung fu, diz que é ótimo para relaxar o cérebro…
(Continua…)
O PT tá afim de processar o Garotinho por racismo, simplesmente porque o panaca disse que iria “desinfetar”, antes da posse de sua mulher, o escritório da Governadora Benedita da Silva. Isso é típico de fanáticos, sejam eles políticos ou religiosos: não há o menor traço de senso de humor, só querem saber de colocar mordaça nas pessoas. Afinal, o garoto não fez qualquer referência à raça da governadora. Será que o PT não sabe que é preciso desinfetar a cadeira onde qualquer político tenha sentado? Seja ele branco, preto, amarelo, rosado ou anil? Será que eles acham que só se desinfeta as cadeiras de políticos negros? Então, de quem é o racismo afinal?
Semana passada assisti ao documentário dos irmãos Jules e Gedeon Naudet sobre o atentado ao World Trade Center. (Para um documentarista, nada como estar no lugar certo na hora certa - aliás, para os não-documentaristas, hora mais que errada.) Semelhante testemunho só seria rivalizado por alguém que tivesse filmado o naufrágio do Titanic ou, para ser mais exato - já que, indo além do que diz Baudrillard, um atentado terrorista pode parecer mas não é um evento da natureza, é só maldade mesmo -, ou por alguém que tivesse filmado a noite de 23 de Agosto de 1572, a Noite de São Bartolomeu, quando, instigado por sua mãe (Catarina de Médicis), o rei Carlos IX ordenou que se executassem todos os Huguenotes, todos os protestantes que se encontravam em Paris para o casamento de sua irmã com Henrique de Navarra. Morreram cerca de 25.000 pessoas. A grande diferença entre esses atentados de origem pseudo-religiosa estaria apenas na pirotecnia do mais recente, uma vez que este não se igualou ao primeiro, em número de vítimas, por uma mera questão de horário. E o mais interessante é que muita gente pressentiu o acontecimento…
(Continua…)
Eugênio Bucci, em sua crítica ao filme Cidade de Deus (Jornal do Brasil-04/09), pega como mote o comentário do personagem Buscapé - “se o tráfico de drogas não fosse crime, o bandido Zé Pequeno seria o homem de visão do ano” - para com ele concluir que todo executivo, que todo empresário, enfim, que todo empreendimento capitalista é killer, é do mal. Ora, aquela afirmação corresponde a esta: se expressar preconceitos não fosse uma miopia mental, certos colunistas ganhariam o Prêmio Esso de jornalismo. E, no entanto, o fato de ele ser sim um colunista equivocado não atenta contra a profissão do jornalista em si mesma. Afinal, a maldade evidente do personagem Zé Pequeno nasce de sua motivação interior, ela já existia antes de que ele se tornasse um “negociante de drogas”. Querer excluir todo mercado, todo executivo, todo empresário da face da Terra, a partir desse raciocínio, seria o mesmo que banir todas as facas de todas as cozinhas apenas porque é possível cortar gargantas com elas. Capital é ferramenta.
(Continua…)
Não deixe de ler o artigo “O homem-relógio” da autoria de Olavo de Carvalho. É um dos melhores textos que já li sobre a importância da imaginação. Claro, da imaginação sadia, porque quem tem uma imaginação biruta - tal como a minha - necessita incluir esse trecho nas suas orações diárias: “Senhor, não me deixeis errar pelos caminhos perversos da minha imaginação…”
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