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Friday, January 5, 2007

Melhores do Ano IV

pedro novaes, 5:38 pm
Filed under: Cotidiano, Umbigo
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MELHOR FRASE DO ANO

Ainda no balanço de 2006, me lembrei da melhor frase que ouvi em 2006:

“Ou sai do chão ou sai no jornal.”

Do nosso piloto, Marcelo, na cabeceira da pista da Aldeia Panará, no Pará, ao ser perguntado se o monomotor decolaria com tanto peso numa pista tão curta e com um barranco de uns 20 metros seguido pela densa floresta na ponta oposta. Como depreenderão as mentes mais argutas, decolamos.

Sunday, December 17, 2006

Fazer cinema no Brasil… um cu!

Pedro
O roteiro de curta-metragem Espelho (antigo No Espelho do Cinema) foi um presente de dia dos namorados que dei à Cássia há dois anos, quando ainda estávamos juntos. Se o roteiro foi aprovado numa lei de incentivo (20 mil e não 30) o mérito é todo dela, porque, além de eu achar uma chatice toda a burrocracia envolvida, sem falar das panelinhas, me sinto sim um peixe completamente fora d’água nessa questão vampiresca, tanto que não receberei cachê pelo projeto, pelo roteiro e pelo trabalho que eu por ventura ainda venha a ter com ele. Já disse a ela que não quero nada e vc pode confirmar. Quanto ao meu PC, eu o paguei com dinheiro que recebi de um trabalho como monitor do Dib Lutfi (aliás, fui praticamente diretor da coisa, porque ele mesmo pediu para ser dirigido ou a coisa não iria andar) e como roteirista do making of do FICA, juntamente com uma grana emprestada por minha irmã. (Meu eterno obrigado a vc pela oportunidade, não esqueço essas coisas.) Se o dinheiro era do Estado ou da sua produtora, Pedro, isso não importa para quem vende a própria força, talento e capacidade de trabalho, o que é muito diferente de a pessoa ganhar aquilo que ela mesma estipula num orçamento muitas vezes arbitrário. (Aliás, quatro anos atrás, fiz 19 roteiros para uma agência publicitária de Brasília, que fazia a campanha do Detran e do Procon, e nunca fui pago, não porque abri mão da grana, mas porque eram desonestos mesmo. Prometeram, prometeram e no final nada. Quem mandou eu confiar em petistas e não exigir contrato de trabalho? Quem trabalha tem de receber, porra!) E, falando em orçamento arbitrário, o Eduardo Castro, que está montando aquele documentário explosivo sobre a Guerrilha do Araguaia, me falou sobre um certo documentário bobo, a que assisti no Festcine, que, segundo ele, não custou mais de R$3000 mas recebeu da lei R$50.000. Onde foi parar essa grana? Está certo isso?

Na minha opinião, o Ricardo deveria receber não 80 mil reais, mas 80 mil dólares para fazer seu curta. Só que esse dinheiro deveria vir de empreendedores, não de produtores indiretos e compulsórios, tal como é agora, mas de gente que queira viver do cinema e ter lucro com ele. (Daí meu manifesto para estudantes de administração e empreendedores em geral. Porra, já existiram empresas de cinema nos anos 50 do século passado, por que não podem existir agora?) E se um curta não dá retorno financeiro, é porque se trata dum cartão de visitas, dum trabalho de marketing para quem o fez. E isso também seria vantajoso para quem quisesse se estabelecer como produtor de cinema.

Eu acho que esse sistema de incentivo está viciado sim, e tem muita gente por aí comprando até carro com a grana. (Eu ando de Caravan 1983 até hoje.) Conheço gente em Brasília que abriu editora e, para cada livro que lança, entra com um projeto diferente numa lei de incentivo. E ainda ganha mais que o triplo do autor! Ou seja: é uma empresa privada cujo capital de giro vem sempre do Estado! Isso é muuuuito esquisito e só funciona para quem tem o famigerado Q.I., o Quem Indica. A Cássia mesmo tentou me convencer várias vezes a publicar meus livros através dessas leis, mas nem fodendo, não me meto mesmo com isso, prefiro ficar na internet. Só não me tornei editor (de mim mesmo) este ano porque minha família não aprovou a venda de um terreno nosso, que eu propus especificamente para isso, por 80.000 reais. Dinheiro nosso!!! Aceitei a decisão porque afinal tenho três irmãs, meus pais estão mais vivos do que eu e, por isso, não posso pretender ser o único herdeiro de algo que ainda pode ser usufruído por toda a família. Além de publicar dois novos livros que tenho engatilhados, eu iria reeditar A Tragicomédia Acadêmica e sair arregimentando vendedores (estudantes interessados, Centros Acadêmicos, etc.) pelas universidades do país, divindo o lucro pau a pau. Mas… a vida não é mole, principalmente para quem tá cagando e andando para esses incentivos que só têm incentivado uma maioria de gente muito ruim, sem qualquer talento, pretenciosa, amoral e com o ego nas nuvens. Até parece que isso irá levar o cinema a algum lugar. Faz-me rir…
(Continua…)

Wednesday, December 13, 2006

Falência epistolar

yuri vieira, 2:48 am
Filed under: Avisos, Cotidiano, amigos, internet
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Chega, esto ya me tiene podrido!! Quero declarar publicamente minha falência epistolar: cheguei aos 373 emails com estrelinhas - sinal indicativo de mensagem importante no Gmail - aos quais não consigo mais responder em sua totalidade. Às vezes fico feliz por conseguir responder a cinco num dia e, no seguinte, chegam mais quinze. Depois dos podcasts com o Olavo de Carvalho então - que só pelo You Tube já foram ouvidos 37660 vezes -, a coisa fugiu ao controle. E isso sem contar todo o spam e as mensagens que posso responder com, sei lá, duas ou três linhas. Pelo amor de Deus, se vc é meu amigo ou minha amiga, e acha que estou fazendo doce pra vc, não é verdade, eu sou é muito indisciplinado. Bastam dois dias de acídia para que minha correspondência vire um verdadeiro monstro de letras. Hoje, quando passei os olhos pelo conteúdo de algumas dessas mensagens que esperam meu feedback, fiquei quase deprimido. A internet encurtou o espaço, mas de modo algum esticou o tempo… :(

Tuesday, December 5, 2006

Second Life: Solte Sua Imaginação

Era esse o nome do Projeto do qual fiz parte anos atrás em São Paulo: Solte Sua Imaginação. Na verdade, não foi além de um site que dividi com o fotógrafo Dante Cruz e com o VJ Alexis Anastasiou, tendo cada qual uma página para apresentar suas próprias viagens pessoais. (Hoje é apenas o site do atual estúdio do Dante.) O Dante, obviamente, pretendia incluir mais um monte de artistas, músicos, cineastas, DJs, estilistas e escritores que pudessem dar asas às suas respectivas imaginações, gente que íamos conhecendo nas raves que frequentávamos. Mas o Projeto SSi não foi pra frente. Claro que tudo teria sido muito diferente se fôssemos programadores e não um bando de artistas. Porque, quando me lembro das conversas que eu tinha com o Dante, vejo que a realização de tudo o que ele sonhava então - liberdade, criatividade, interatividade, internacionalismo - se chama hoje Second Life. Ainda não é grande coisa - e para muitos pode não passar de um vício besta e de pura perda de tempo - mas essa tal “SL”, como se costuma dizer ali dentro, já está pirando a cabeça de aproximadamente 1.790.000 pessoas.

(Senhor, não me deixeis errar pelos caminhos perversos da minha imaginação…)

Monday, December 4, 2006

Pela Privatização do Banco do Brasil

pedro novaes, 10:13 pm
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Mais uma vez, quem vem defender privatizações é o dito esquerdista do blog. Neste caso, entretanto, não se trata de nenhum tipo de convicção liberal, mas de puro e rasteiro interesse pessoal mesmo. Estou cagando para o patrimônio do povo brasileiro e pro que fazem com o dinheiro público, só não aguento mais ser cliente desta grande instituição pública que é o Banco do Brasil e gostaria que ela fosse privatizada simplesmente para que seus funcionários e seu espírito institucional deixassem de ser públicos e fossem todos à merda.
Infelizmente, possuo hoje quatro contas correntes no mencionado banco oficial: uma como pessoa física e três de pessoa jurídica para uma das empresas de que sou sócio, uma produtora de cinema e televisão. Não as opero nesta instituição por meu desejo, mas porque assim me obrigam: a de pessoa física para o recebimento de uma bolsa de pesquisa ora já encerrada, as da empresa para recebimento de recursos incentivados pela Lei Rouanet. Infelizmente, a despeito de já ter acabado o projeto de pesquisa a que me dediquei e pelo qual fiz jus à dita bolsa, não pretendo tampouco por agora fechar a conta corrente porque sei que, mais dia menos dia, algo me obrigará a abrir novamente uma conta neste maldito banco. (Continua…)

Thursday, November 30, 2006

Domingo no Parque

yuri vieira, 3:09 pm
Filed under: Humor, Mídia, memória
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Este vídeo mostra direitinho por que a Hilda Hilst costumava trocar o termo criança pelo neologismo crionça. A saia foi tão justa que quase não deu saudades do Domingo no Parque. Mas o Sílvio Santos teve um jogo de cintura espantoso. (Cá entre nós, nunca entendi por qual motivo minha escola nos levou ao programa do Torresminho e Pururuca, na Bandeirantes de SP, e nunca nos levou ao Domingo no Parque. Graças a Deus, eu teria tido um ataque de paranóia só de me imaginar naquela cabine do “você quer trocar um carro zero quilômetro por um band-aid usado?”)


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P.S.: Acabo de ver que o vídeo foi retirado do You Tube por questões de Copyright. Sei… Na verdade, o Sílvio Santos deve ter grilado com essa pérola sacada do fundo do baú da infelicidade. Eis o que rolou: conforme costumava fazer, ele perguntou a uma menina da platéia se ela conhecia alguma charada - caso ele não soubesse desvendá-la, ela ganharia um prêmio - e o que ele ouviu foi o seguinte: “Qual a diferença entre a mulher, o bambu e um poste de rua?” E o Sílvio: “Ih, lá vem besteira. (risos) Não sei. Qual é a diferença?” E a japonesinha: “É que o poste dá luz por cima e a mulher dá luz por baixo”. O Sílvio repete essa resposta e então diz: “É, tá certo. Mas e o bambu?” E a garota: “Enfia no teu cu!” A cara dele é impagável. A criançada ri em uníssono. Mas, na minha opinião, ele ainda se saiu bem da história, afinal, é o Sílvio Santos.

Tuesday, November 14, 2006

Where are the girls?

pedro novaes, 12:26 pm
Filed under: colírio, este blog
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Fernanda

Aproveitando e explicitando a onda (re)introduzida pelo Fiume, voltamos a implorar por maior presença feminina neste blog. Eu nem ia falar nada sobre isso, mas quando me deparei com este ensaio da sempre número um no meu ranking de mulheres lindas Fernanda Lima, não resisti. No Paparazzo.

Ameaça ao eDitador

rodrigo fiume, 2:05 am
Filed under: Avisos, Humor, este blog
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Caros, passo a partir de agora a postar imagens femininas para lembrar o eDitador de balancear um pouco mais a participação entre colaboradores e colaboradoras no blog. Começo, propositalmente, pela deusa Vênus. Abs. R.

botticelli_birth_venus_2.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sunday, November 12, 2006

Aquilo que nos distingue

pedro novaes, 12:05 pm
Filed under: Umbigo, internet
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Uma amiga americana, que conheci na Tailândia, de curiosidade googlou “Goiânia” para saber algo sobre a cidade onde vivo. Como resposta, dezenas de páginas sobre “acidentes radiativos” e “Césio 137″.

Me escreve: “You didn’t tell me you were radioactive?”

Nada como aquilo que nos distingue dos demais.

Monday, November 6, 2006

Quarto bate-papo com Olavo de Carvalho - “lado A”

Este é o “lado A” do meu quarto bate-papo via SkypeOut com o escritor Olavo de Carvalho. “Lado A” porque nossa conversa durou cerca de uma hora e meia, o que me obrigou a dividi-la em duas partes. Assim que a segunda parte estiver editada, será postada neste blog, no podcast, no Odeo, no Archive.org e no You Tube. (Ufa!)

Neste podcast, Olavo comenta a condenação de Saddan Hussein, fala sobre a pena de morte, sobre George W. Bush, religião, universidade, intelectualidade, filosofia, literatura, Bruno Tolentino, etc.

    Se o “vídeo” acima for muito pesado para sua conexão, clique no player abaixo (arquivo mp3 com a metade do tamanho):

Sunday, November 5, 2006

Minha nova confissão

rodrigo fiume, 3:54 pm
Filed under: Cotidiano, Humor, este blog
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Vez por outra, o pessoal aqui do Garganta faz uma confissão. Bem, como hoje lá fora tá um céu azul e um sol danado e eu estou de castigo, vou me dar o direito de, calmamente, fazer uma confissão bem mal-humorada. Não, não me desculpe.

Confesso, tranqüilamente, que não suporto mais ouvir algo sobre o Juscelino de Tal.

Primeiro, porque não sou ligado a coisas do tipo e tal (não, não me desculpe).

Segundo, porque ele não traz nenhum ganho. Não gera riqueza, não dá emprego, não traz conforto. Afinal, ele nos dá um caminho a seguir? Alguma pista, ao menos? Ele nos mostra como nos conhecermos melhor? Um psicólogo (para quem pode pagar, claro) pode fazer melhor que ele. Até um padre pode fazer isso melhor que ele. Sem falar naquele amigo do peito, para quem você conta aquela sua fraqueza mais tola ou mais suja (sim, todos as temos) e os dois terminam a “sessão” em meio a leves gargalhadas.

Enfim, que ensinamento ele nos dá? Que podemos ver o futuro? Ah, se isso fosse mesmo verdade… De qualquer forma, até conheço pessoas que “vivem” no passado, mas sei de nenhuma que “mora” no futuro.

Acho que, no máximo, o Juscelino de Tal vale como entretenimento. Mas, daí, prefiro um piquenique.

Ah, já ia me esquecendo: por favor, não me desculpe.

Saturday, November 4, 2006

De volta ao quarto mundo em grande estilo

pedro novaes, 6:16 am
Filed under: Umbigo, Viagens
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I’m back, folks. Já devem ter se dado conta pela presença de acentos no texto.
Como todo retorno de viagem um pouco mais dilatada ao estrangeiro, chegar, mais que um mero desembarque, demanda algum processo de readaptação. Ele começa pelo jet lag e termina com um reajuste à própria vida cotidiana, suspensa durante o período em que se esteve fora.
Ontem, de forma um pouco forçada, acho que concluí meu ajuste de regresso tomando um choque de realidade.
Felizes da vida fomos, Juliana e eu, assitir a um espetáculo de dança. Andávamos até mesmo iludidos com uma aparente efervescência cultural na mais provinciana das metrópoles nacionais (aos chegantes ou desatentos, moramos em Goiânia), dada a coincidência de várias programações culturais, incluindo este “Goiânia em Cena”, um festival de artes cênicas promovido pela Prefeitura Municipal com patrocínio da Petrobrás. Consultamos a programação, escolhemos um dos espetáculos programados e saímos de casa. (Continua…)

Friday, November 3, 2006

RoutHost rocks!

yuri vieira, 6:32 pm
Filed under: este blog, internet
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Foi por pouco: quase caímos. Mas graças ao nosso serviço de hospedagem - Routhost.com - permanecemos todo o mês de Outubro online. Os caras nos deram mais 5Gb de banda e terminamos o dia 31/10 com uma taxa total de transferência de 44,78Gb!!! Mais alguns megas e o site teria caído, uma vez que, além de ultrapassar nosso limite de 40Gb mensais, ainda teríamos ultrapassado os 5Gb que ganhamos de lambuja.

Já falei outras vezes sobre isso aqui: não vale a pena hospedar um site no Brasil. Veja, por exemplo, a Locaweb. O plano mais barato deles oferece 500Mb de espaço e 25Gb de limite de transferência de dados (banda). “Tudo isso” por R$29,00 mensais, o que dá R$348,00 por ano. (Nem vou falar das vantagens de se ter um domínio internacional que, além de ser muito mais barato, está fora das burrocracias estatais brasileiras, essas que exigem CPF, CnPJ, digitais, uma foto 3X4 de frente e outra de perfil.) Já nosso plano na Routhost, o Silver, nos oferece 2Gb de espaço e um limite de banda de 40Gb mensais. E isso por U$49,95/ano, isto é, R$106,98!!! (Continua…)

Thursday, November 2, 2006

Uma vela para os meus mortos

daniel christino, 7:32 pm
Filed under: Cotidiano, especulativas, extraordinárias, interiores, memória
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Vai acabando o dia de finados. Ano passado escrevi uma pequena crônica sobre este dia que ficou enterrada no meu antigo e abandonado blog. Para mim o dia de finados é todo pôr-do-sol, é todo crepúsculo. Eis a crônica:

O dia de finados transcorreu normalmente. Céu nublado, muita gente nos cemitérios, muitas flores, choros e longos suspiros de saudade. Algumas pessoas passeavam com o olhar perdido, um longo olhar. Outros permaneciam parados até, de repente, girar a cabeça num movimento brusco, como se tivessem ouvido ou visto alguma coisa. Depois retornam para dentro de si mesmos, contemplando mudamente as lápides como a um espelho. “Ó espelho meu, o que de mim neste morto morreu?”

Meus mortos aumentaram este ano. Por isso este post. Uma vela para os meus mortos, simbólica, cibernética.

Estou ouvindo uma missa composta por Palestrina. Como são belos os meus mortos, congelados em lembranças alegres ou graves. Acompanho-lhes os movimentos em detalhe, acompanho-lhes a precisão dos gestos. Meus mortos não se perdem, nem fazem o que não deviam. Quando me olham, que doçura!!, estão em paz. Hoje é o dia no qual converso com todos.

“Como vão as coisas?”, “O que o senhor tem feito, meu Tio? Continua fechado em si mesmo? É a morte para o senhor tão solitária quanto foi a vida?”.

“Vó, aprendeu mais algum ponto sofisticado no crochê? Há sapos por aí? Sei que senhora não os suporta. Olha, estou morando na sua casa, seu bisneto foi visitar-lhe o túmulo hoje, viu como está grande?”.

“Tio, How are you? Sentimos sua falta na mesa de pôquer”.

“Jordino, como estás rapaz? Sinto falta dos seus conselhos, do seu humor capenga, da sua silhoueta torta pelos corredores da faculdade.”

O meu olhar não pode mais alcançar sua diáfana existência. Apenas a memória persiste. Nela fico atrás da porta, logo após a curva, para tentar alcançá-los desprevenidos, surpreendê-los com um susto ou num gesto inédito, espontâneo. Mas nunca. Sempre os mesmos movimentos, a mesma doçura e a mesma paz. Sempre no museu de cêra dos meus pensamentos.

Tuesday, October 31, 2006

Locutorio

rodrigo fiume, 3:30 am
Filed under: amigos, sites
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Simone é uma das pessoas mais doces que conheci. Apresento-lhes Locutorio, por Simone Iwasso. Porque sim.

Sunday, October 22, 2006

Nova Infância

ronaldo brito roque, 1:36 am
Filed under: interiores, literatura, memória
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Para Danielle Arieiro Jones

Aqui onde é a sala, era o meu quarto. As bonecas disputavam espaço com os ursos, e sempre ganhavam. Mas perdiam para mim quando eu queria dançar. Mamãe reclamava da música alta, mas não da bagunça, porque eu já era organizada. Diferente da Táti, que não sabia guardar nem o seu riso destrambelhado. Mas as outras meninas moravam longe, e eu brincava com a Táti mesmo. Eu era sempre a princesa, porque era mais bonita. Em troca, ela puxava meu cabelo, e eu chorava, chorava, chorava até a hora de a gente brincar de novo. O rancor não cabia no meu coração de seis anos.

Aos domingos mamãe me levava ao culto. Eu ainda não sabia cantar os salmos, mas adorava dar a “paz de Cristo”. Não gostava era dos meninos, que vinham me mostrar besouros e percevejos. Mas mamãe me protegia, e me dava pipoca doce pr’eu não chorar. Mais tarde meu corpo se arredondou, e os meninos continuaram a me incomodar, mas agora queriam me mostrar carros e músculos. Dei meu primeiro beijo, rasguei minha primeira foto, e fiquei muito triste, porque a vida não estava parecendo as estórias bonitas que minha mãe me contara. Mas minhas amigas também rasgavam algumas fotos, e isso me dava certo alívio. Juntas nós ríamos das lágrimas que chorávamos sozinhas.
(Continua…)



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