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Tuesday, 18 de November de 2003

Cachorro da cachorra

yuri vieira (SSi), 1:20 pm
Filed under: amigos, música
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Não apenas a galera de Brasília, mas também a de outras cidades, deve se lembrar da excelente banda “Os cachorros das cachorras”. Os caras eram músicos de verdade, tocavam rock, jazz e alguns inclusive participavam da Orquestra Sinfônica de Brasília. O baixista, Alfredog Soriano - hoje, Alfredo bello - dividia apartamento comigo e mais dois amigos. Figuraça - às vezes ia no show de saia ou vestindo só a calcinha da mãe com um coração na bunda - sem falar em seu talento, força de vontade e disciplina. Chegou posteriormente a tocar com Oto e Naná Vasconcelos. Hoje, ele e sua garota, a percusionista Simone Soul, levam adiante o Projeto Cru. Não deixe de conferir.

Monday, 17 de November de 2003

Meu exemplar do Cânone

yuri vieira (SSi), 10:57 am
Filed under: Umbigo, amigos, escritores, livros
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Se eu continuar nessa minha dureza acabarei tendo de leiloar no Mercado Livre meu exemplar de “O Cânone Ocidental” (Harold Bloom). O fato de a Hilda Hilst o ter enchido de rabiscos e anotações provavelmente o torna caro aos fetichistas culturais de plantão. :) Sim, também o emprestei ao poeta Bruno Tolentino - que aliás foi colega de Bloom em Essex - quem talvez tenha deixado algumas marquinhas e impressões digitais… “Ah”, já dizia Dostoiévski, “o dinheiro… essa coisa maldita que a mim tanta falta faz…”

Ironias

yuri vieira (SSi), 10:00 am
Filed under: amigos, livros
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Engraçado, foi só eu citar, numa entrada anterior, os livros que ando lendo que já apareceu uma ex-namorada - amiga querida - pedindo que eu lhe devolva um dos referidos. Coisas da Internet…

Sunday, 16 de November de 2003

Lei da Anistia

yuri vieira (SSi), 6:07 am
Filed under: Política, Umbigo
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Nosso presidente é muuuuito gente boa. Essa onda de dispensar do Imposto de Renda a todos os anistiados é mais uma forma de parasitose muito bem bolada. Também quero participar, já que também fui guerrilheiro nos anos 70. Eis a prova: minha foto diante do aparelho do meu grupo: CU - Crianças Unidas. Talvez assim finalmente me sobre um trocado. Esse negócio de escritor é um miserê só.

Saturday, 15 de November de 2003

Hebe Camargo das letras

yuri vieira (SSi), 9:13 pm
Filed under: Umbigo, amigos, escritores
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Outro dia estava ao telefone com um amigo, também escritor - inclusive premiado pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) - quando ele começou a me contar um fato picante que rolou entre ele e uma famosa escritora. De repente ele estacou no que dizia e soltou: “Peraí, Yuri, não vai botar isso no seu blog não que você já tá parecendo a Hebe Camargo da literatura…” Essa foi boa, até hoje dou risada. Mas não vou contar qual Prêmio Nobel da literatura latino-americana é um maconheiro inveterado e nem qual escritor brasileiro - ainda vivo (vivíssimo) - já foi líder de uma sociedade secreta. (Não, não se trata do Paulo Coelho.) Sou bem informado, mas também tenho meus princípios… :grin:

Thursday, 13 de November de 2003

Inclassificável?

yuri vieira (SSi), 7:55 am
Filed under: Mídia, Umbigo, amigos
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Acabo de responder ao email de um amigo de Brasília, Alex Cojorian, que me pediu um texto pra revista que está lançando. Pedi que me desse o “target”, pois estou cansando de ser cortato nas versões finais. Escrevi: “Já sou preconceituoso pelos outros comigo mesmo. Acho meus textos loucos demais, não no bom sentido, talvez no ruim mesmo. São bem escritos, mas nada a ver com o mundão. Tenho sempre a impressão de que não me encaixo em nenhum veículo. Sou muito ‘direita’ pra imprensa oficial, muito ‘doidão’ pro pessoal da direita, muito ‘tarado’ pros religiosos e esotéricos e muito ‘espiritual’ pra turma underground”. Quem irá me adotar?

Tuesday, 11 de November de 2003

Por quê?

yuri vieira (SSi), 7:25 am
Filed under: Umbigo
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Às vezes eu me pergunto por que eu me pergunto tanto…

Wednesday, 9 de July de 2003

Um ano blogando

yuri vieira (SSi), 4:34 pm
Filed under: este blog, internet, software
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Amigos, este blog completou um ano em Maio e, de Junho pra cá, finalmente pude - com a ajuda do Movable Type - reformulá-lo e assumir total poder sobre ele. Agora já não haverá aqueles problemas pentelhos do Blogger, que ora estava em manutenção, ora sumindo com meus arquivos, ora ignorando meus templates, além de outras chatices técnicas. Com o Movable Type este site ganha novas funções, tais como o trackback - que servirá de ponte para outros blogs -, o sistema automático de notificações - agora associado aos meus livros on line - e um sistema próprio de comentários, o que o livrará da sacanagem da Yaccs de engolir todo comentário que ultrapasse os dois meses de idade. Claro que alguns detalhes ainda devem ser corrigidos, como por exemplo a incapacidade que o script de importação de comentários apresentou em compreender os caracteres acentuados, e semelhantes, da língua portuguesa. Nada que uma revisão minuciosa não possa corrigir. O importante é que estou livre desses sistemas gratuitos que, a longo prazo, acabam saindo muito caro, principalmente para quem pretende realizar um trabalho sério.

Outro detalhe digno de nota é o fato de que agora este blog está “RSSficado”, clique aqui. Não sabe o que é isto? Então informe-se:

“O RSS (Rich Site Sumary) é um formato padronizado mundialmente para troca de notícias e usando RSS você pode ler as manchetes de seus sites preferidos sem precisar visitá-los a toda hora. A idéia do Projeto RSSficado é permitir que você acesse notícias de diversas fontes (fontes estas que geralmente disponibilizam notícias apenas para acesso via navegador HTML) em um único programa (RSS reader), permitindo que você se mantenha informado e otimize seu tempo. Geralmente as notícias no formato RSS fornecem um título, resumo da manchete e um link através do qual você pode obter maiores informações, dessa forma você só abre o seu navegador para ler aquilo que realmente lhe interessa.

RSS readers em vários sistemas operacionais. Um que recomendamos é o Feedreader, disponível para usuários do Windows. Outros leitores podem ser encontrados aqui.”

Bom, espero que desfrutem da mudança.

[Ouvindo: Where It's At - Beck ]

Thursday, 12 de December de 2002

A minha pessoa

yuri vieira (SSi), 2:56 am
Filed under: Umbigo
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Pólo positivo

A minha pessoa tem andado muito grilada ultimamente. Mil probleminhas conjunturais, logísticos, financeiros. Até sua auto-estima está abalada. Tem se sentido meio burra inclusive, contrariando todos os prognósticos de genialidade advindos da famiglia. É a vida, né. Minha pessoa queria estar dando aulas, dirigindo filmes, terminando livros, criando até mesmo filhos, mas… minha pessoa é dostoievskiana. Não pro lado do autor, mas de seus personagens. Mil tormentos escorpianos. Ainda bem que ainda existem os amigos, como o Gustavo Lima, o Daniel Christino, o Dante Cruz, o Alex Cojorian, o Alfredo Bello, o Ricardo Calaça, o Paulo Paiva, o MD Oziel, o Eduardo Ferreira que, vezenquando, aparecem pra dar um puxão de orelhas amigo na otária da minha pessoa. Sem falar na Gláucia, minha querida amiga, ex-namorada, que me veio com a notícia ótima de que está grávida de quatro meses de seu marido!! Que bom, minha pessoa fica contente com a felicidade dos amigos. A Thelma Regina, citada abaixo, também apareceu, assim como a Paola Monteiro. Minha pessoa fica contente com os amigos que voltam das esquinas do tempo. Minha pessoa também fica contente com a Míriam Virna, diretora e amiga maravilhosa (ex-namorada também), que me intima a escrever peças e a co-dirigir um filme. Minha pessoa fica contente porque Cássia Queiroz, a namorada gata da minha pessoa, fez aniversário e também quer um roteiro de presente de Natal. Minha pessoa fica contente por ter três irmãs lindas e pais excelentes. Minha pessoa só fica puta mesmo é com minha pessoa. Ô figura complicada, que tenta sem parar ser coerente, virtuosa, equilibrada, mas é uma louca de pedra. Tem até amigos extraterrestres, veja só. E ainda quer dar liçãozinha de moral em mil assuntinhos bestas! Se ainda fosse uma bicha louca bandida tipo Madame Satã, que sai dando testada viada por aí, falando “minha pessoa” toda vez que fala de si mesma, ainda teria algum glamour, afinal, nada mais in do que ser gay, bandido e rebelde. Mas minha pessoa é só um escritorzinho hétero que ainda não se leva a sério e, por isso mesmo, não é levado a sério pelos demais. Tudo porque minha pessoa só é rebelde com seu próprio ser, arrastando consigo essa eterna insatisfação de jamais unificar pensamento e ação, de jamais unir coração e mente. Minha pessoa só é respeitada por quem a conhece bem, nunca por quem só a viu de relance. E, claro, infelizmente minha pessoa tem mais alma inglesa que de malandra carioca, não se permitindo a deselegância de berrar FODA-SE a todo aquele que a atinge de alguma maneira. Aliás, quer saber de uma coisa, minha pessoa? Vá se danar! fuck you!


Pólo negativo

Ô coisa dura é crer em Deus, no destino e na vida eterna e não ver mais o menor significado na palavra suicídio. Se as pessoas soubessem como é muito mais fácil ser niilista e acreditar no conforto de um futuro nada… Saber que há um dharma dá uma canceira mental dos diabos. Por favor, minha pessoa, sua motherfucker, vai dormir e me deixa relaxar um pouco. Já dizia aquela outra pessoa shakesperiana: “morrer, dormir, sonhar talvez”…

[Ouvindo: Balada para un Loco - Astor Piazzola]

Thursday, 14 de November de 2002

Scandisk mental

yuri vieira (SSi), 10:02 am
Filed under: Arte, Umbigo
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Amigos, o Yuri estava aqui, dentro de mim, desfragmentando o cérebro e fazendo um scandisk mental. Logo mais dará notícias. Como já dizia Van Gogh ao seu irmão, Theo, “é preciso ter uma paciência de boi pra ser artista”. Ou, quem sabe, uma herança. Afinal a incapacidade de pastar pode nos levar a cortar uma orelha, assá-la e tal. Espetinho autofágico…

Thursday, 10 de October de 2002

Saudades do Chico

yuri vieira (SSi), 10:17 am
Filed under: Cotidiano, escritores, memória
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Não, não é o Buarque, é o das Chagas mesmo, o caseiro da Casa do Sol. Claro que estou, meses e meses após ter saído de lá, com saudades das conversas malucas com a Hilda Hilst. Mas é que o Chico fazia um contraponto excelente a esses papos mirabolantes. Bem humorado, cheio de ditados populares, a mente ágil, o geminiano Chico sempre teve o dom de levantar o astral à sua volta. A Hilda, divertida, estava sempre recorrendo ao dicionário para compreendê-lo totalmente, como quando ele disse estar com “estalicídio”, que descobrimos ter origem no latim stillicidiu e que não era outra coisa senão “coriza”. Uma vez, enquanto eu estava no computador, o Chico veio me trazer um recado e me perguntou se aquilo era a famosa Internet. Sim, respondi, e lhe expliquei mais ou menos o que significa e como funciona este meio de comunicação revolucionário, o qual tem prendido a atenção de milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo. Em seguida, tendo o computador travado em meio ao blablablá - era um 486 DX100 - ele me sugeriu que eu fizesse a “reza da cabra preta” cada vez que fosse ligá-lo. Dei risada e lhe disse que isso talvez funcionasse lá na cidade dele, no interior do Rio Grande do Norte. E ele:
(Continua…)

Wednesday, 28 de August de 2002

Revista Geek #13

yuri vieira (SSi), 4:14 pm
Filed under: Humor, Imprensa, Umbigo
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Não sei dizer de que mês é, mas a revista de informática Geek, ano 3 número 13, traz em seu CD, além dos programinhas de praxe, dois dos meus livros digitais (ebooks). A eles meu muito obrigado pelo apoio.

Carta da Besta

E falando em coincidências e na Geek #13, olha só a carta que um leitor enviou pra revista (favor ler até o fim):

“Pegue o nome UOL. ‘U’ em algarismos javaneses representa 166. ‘O’ representa 0 (zero) por ser parecido. ‘L’ representa 50 em algarismos romanos. Então, ‘L’ é igual a 50, seguido por 0 é igual a 500: 500+U=500+166=666!

“Outro exemplo: www, ‘w’ repetido três vezes, representa o número 3. O ponto representa um sinal de multiplicação. Na palavra IG, o ‘I’representa o 1 em romanos. ‘G’ parece o número 6. Portanto ‘www.IG’ é igual 3X(1 e 6). Três vezes 1 é 3. E três vezes 6 = 666! (seis repetido três vezes).

“Quer mais? Terra: ‘T’ não significa nada. ‘E’ minúsculo de ponta cabeça fica igual a um 6. O ‘r’ de ponta cabeça é parecido com um ‘L’ (50 em romanos). ‘A’ é a primeira letra do alfabeto, representa 1, mas vem depois de dois ‘r’, portanto = 11. Associando ‘rr’ e ‘a’, temos: 100+11=111. Associando o ‘e’ com 111, temos: 111.6=666!

“Não pára por aí: BOL: ‘O’ é uma circunferência, portanto 360º. Como o ‘O’ de BOL é a letra do meio, equivale a 6. ‘B’ significa BRASIL, que tem 6 letras. ‘OL’ significa ‘on line’, que também tem 6 letras. Portanto: 666!

Agora o mais assustador: Geek: ‘G’e a letra ‘e’ parecem o número 6 (o ‘e’ de cabeça pra baixo). ‘K’ é de kapeta, portanto ‘666 Kapeta’!”

Aí a galera da redação da Geek comenta:

“Sabe o que é mais impressionante? As palavras maluco, doente e xarope também têm seis letras. Ou seja: 666!”

Sem falar na foto de um corcunda de Notre Dâme paranóico que os caras botaram como sendo a foto do leitor, e a legenda:

“A imagem prova que o leitor é uma pessoa 100% normal (aliás, essa palavra também tem 6 letras!)”

Simplesmente impagável… :))

Tuesday, 23 de July de 2002

Se não aqui, ao menos lá

yuri vieira (SSi), 12:12 am
Filed under: Imprensa, Umbigo, literatura
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Bom, vou começar esta semana convidando meus poucos e fiéis leitores para a leitura da entrevista que concedi ao suplemento literário do jornal Nicaragüense La Prensa. Já vou dizendo que deveria ter me demorado mais em algumas questões, evitando assim ser mal interpretado em certos assuntos. O problema é que tive apenas um dia para responder - em espanhol - ao pacote de perguntas enviado pelo Ezequiel D’León Masís, aliás, gente finíssima. Ao ler novamente minhas respostas não fiquei plenamente satisfeito - comigo, é claro - mas… fazer o quê? Bom, taí pra quem quiser ver o que eu pensava de certas coisas naquele dia. (E você aí, rapaz!, é, você mesmo, não vem me dizer que por causa dessa última oração sou eu também um relativista! O Mais Importante será sempre o mais importante para mim.)

Ps.: A foto que ilustra a matéria foi tirada no dia do aniversário de 70 anos da Hilda Hilst (04/2000) - na casa dela, claro - por um alemão que me enganou com seu notebook-câmera-fotográfica. (Logo a mim que assistia a todos os episódios do Agente 86…)

Friday, 5 de July de 2002

Richard Wilhelm

yuri vieira (SSi), 5:57 pm
Filed under: Umbigo, extraordinárias, livros
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Tenho estado ocupado com a ilusão de que conseguirei fazer TUDO AO MESMO TEMPO AGORA: escrever dois livrecos on line, dois roteiros de cinema, uma peça de teatro e, como se não bastasse, traduzir este site para o espanhol. Estou com a cuca fundida, sem falar que - ao invés de dar seis passos no andamento de pelo menos um desses projetos - dou apenas um em cada um dos seis. Disciplina, cazzo! Disciplina!

Bom, pra compensar minha ausência, segue este “causo” - citado por Colin Wilson - a respeito de Richard Wilhelm, amigo de Carl G. Jung e tradutor do I Ching:

“Richard Wilhelm encontrava-se em um longínquo vilarejo chinês que sofria com a estiagem. Um fazedor de chuva foi mandado de um vilarejo distante. Pediu uma cabana nos arredores da vila e ali ficou por três dias. Caiu, então, uma forte chuva, seguida de neve - uma ocorrência jamais verificada naquela época do ano. Wilhelm perguntou ao velho homem como ele fizera aquilo; o velho respondeu que não havia feito. ‘Veja o senhor’, disse ele, ‘venho de uma região onde tudo está em ordem. Chove quando deve chover, o que é muito agradável quando se precisa. As próprias pessoas estão bem. Mas as pessoas neste vilarejo estão fora do Tao e de si mesmas. Logo que cheguei fui imediatamente afetado por este estado; por esta razão, pedi uma cabana nos arredores da vila, para que pudesse ficar sozinho. Quando retornei ao Tao, a chuva caiu.”

[Ouvindo: Over The Rainbow - Miles Davis, Ornette Coleman]

Monday, 17 de June de 2002

Mais um texto e mais…

yuri vieira (SSi), 7:23 pm
Filed under: Umbigo, amigos
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Tentar sobreviver como escritor neste país é ridículo. Acho até que vou começar a usar um macacão tipo fórmula 1, cheio de anúncios publicitários. Se é possível escalar montanhas com patrocínios, por que não o seria escalar livros?

Bom, esta entrada é apenas para anunciar que coloquei uma carta de amor nos “textos seletos“.

Aos que me escreveram perguntando sobre minha amiga extraterrestre, por enquanto basta saber que é uma velhinha de setenta anos de idade - casada com um cara de vinte e cinco - ambos donos de uma padaria numa cidade do interior. Ela afirma ser uma “entrante” e me conta os “causos” mais improváveis. Alguns amigos me dizem que ou ela é louca ou é muito esperta. Eu a acho uma grande personagem. Logo mais falarei sobre ela.

Thursday, 23 de May de 2002

Meu blog

yuri vieira (SSi), 6:46 pm
Filed under: Umbigo, este blog
Tags: , , ,

Hesitei por muito tempo antes de iniciar meu próprio blog. Sim, pois não queria montar aqui um mero confessionário on line no qual meus parcos leitores não vissem senão o óbvio: que sou “apenas” um ser humano. (Talvez devesse acrescentar: um ser humano metido à besta, já que parece ser este o blogueiro típico.) Pois é, precisei antes definir uma linha, um alvo, sem ficar no banal do dia-a-dia. Afinal, as pessoas adoram comprar biografias só para descobrir, por exemplo, que Poe, além de “poedar”, também peidava (desculpe, não resisti); que Maupassant era, além de genial, um azarado que pirou graças à sífilis contraída muito provavelmente de uma prostituta (dizem as boas línguas que foi hereditária); que Freud desmaiava frescamente cada vez que se deparava ou com o porvir inexorável da própria morte, ou com a possível morte de seu legado; que Chaplin, em sua autobiografia, e talvez por trauma à pobreza passada, passa mais tempo falando de dinheiro que de sua família; que Chopin era, no dia-a-dia, a “esposa” da George Sand; que Henry Miller abandonou uma filhinha de três anos e só a reviu trinta anos depois; que Uccello largava na cama sua injuriada mulher para ficar suspirando diante de uma tela: “que coisa doce é a perspectiva!”; que Einstein, sem sofrer a mesma discriminação equívoca, era tão disléxico quanto George Bush jr; que Jimmi Hendrix foi paraquedista do exército e acreditava, para espanto dos integrantes de sua banda, que a ação norte-americana no Vietnã era legítima; que Albert Camus quase morreu de tédio em sua viagem pelo Brasil; que David Lynch guarda, sobre a lareira da sua casa, um vidrinho com o útero de uma amiga mergulhado em formol (eca!); que boa parte do tom rancoroso de Karl Marx, em “O Capital”, deve-se, segundo ele mesmo, aos doloridos furúnculos e carbúnculos que lhe infestavam a bunda; que Krishnamurti viveu um triângulo amoroso inusitado com um colaborador e a mulher deste; que certo “benfeitor” de Van Gogh usava seus quadros para tapar os buracos dum galinheiro; que Lima Barreto criou a Liga Brasileira Contra o Futebol e achava um absurdo a crença geral de que tal esporte “levaria longe o nome do Brasil”; que Goethe, para horror do pavio curto do Beethoven, inclinou-se reverentemente diante de Napoleão; que Mishima fazia protestos estudantis, não pintando a cara, mas o chão com suas próprias tripas; e, finalmente, que São Francisco de Assis, além de ser um grande homem, também peidava. Santamente.

Sim, é verdade, as pessoas amam descobrir as pequenezes alheias para se sentirem maiores por dentro. Querem rebaixar os grandes para elevarem-se a si mesmas. Mas eu… bem, não quero ser apenas um fofoqueiro de mim mesmo, não quero exibir minha mediocridade - ou pior, minha animalidade - para alcançar uma identificação rasteira com quem me lê. O que me atrai é o “fantástico”. (Não estou falando do programa da Globo não, engraçadinho.) Tampouco quis reunir um elenco de literatos viciados em Borges, Bioy Casares, Bulgakhov, Poe, Lovecraft, etc. para falar do “fantástico” de tabela. Prefiro ser direto, buscando as fontes, acreditando, como os antigos gregos, que se a Arte é um tipo de “cópia” (mímese) do mundo real, então vamos buscar o fantástico na realidade, sem fazer “cópia” da “cópia”, sem mimetizar, enquanto tema, as obras já consagradas.

E, claro, vezenquando não farei outra coisa senão falar e refalar de literatura, política, religião, arte, ciência, enfim, da realidade cotidiana, esse fluxo fantástico de tempo-espaço sobre um eixo eterno e transcendente: a Vida.

Seja o que Deus quiser!



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