Jiv Jâgo
Carol, eu aprendi a cantar “Jiv Jâgo Jiv Jâgo” ouvindo o CD Vaisnava Songs do Atmarama Dasa. Muito bom. (É mais fácil cantar em sânscrito que em alemão.)
Carol, eu aprendi a cantar “Jiv Jâgo Jiv Jâgo” ouvindo o CD Vaisnava Songs do Atmarama Dasa. Muito bom. (É mais fácil cantar em sânscrito que em alemão.)
Eu ainda não havia percebido tal sincronicidade: a Hilda Hilst faleceu exatamente sete anos depois do Paulo Francis, ambos num dia 4 de Fevereiro. Ele em 1997, ela em 2004.
Duas pessoas - Saruya e Vinícius Oliveira - me têm escrito com freqüência, mas toda vez que envio a resposta o email retorna. Ambos são usuários do Bol. Espero que percebam que a culpa não é apenas da minha atemporal indisciplina. Ah, claro: também estou devendo uma resposta ao Flávio Fontes, cujo email muito me tocou, e ao Ronaldo Roque, que me enviou um ensaio. Valeu!
Alguns amigos andam pensando que me tornei “esotérico” - naquele sentido mais ordinário e vulgar que a palavra adquiriu nas últimas duas décadas - simplesmente porque o personagem de um livro que venho escrevendo é passível de se encaixar nessa definição. Nada mais bobo do que identificar totalmente um autor a um de seus personagens. Se, pronto o livro, alguém ainda insistir no rótulo, só poderei mesmo é dar boas risadas. Como já dizia o Henry Miller, “os últimos a compreender o que vai pela cabeça do escritor são seus velhos amigos”.
Moscada, tem quase um mês que estou no Orkut, a convite do meu amigo Rodrigo Fiume, do Estadão. Até que é divertido. A idéia de saber quem é o amigo do amigo do amigo do amigo é bem interessante. Dizem que estamos no máximo a seis pessoas de distância de qualquer outra no mundo. Veremos. Agora, cá entre nós. Acho de uma aborrescência sem tamanho essa onda de falar mal do sistema, tachando-o de passatempo de adolescentes. Adolescentes, na verdade, são é aqueles que morrem de medo de cometer infantilidades. (Quem não percebeu isso ainda não amadureceu.) Aliás, tampouco acho o Orkut uma grande “revolução”. Acredito apenas que a Internet está saindo das fraldas.
Uma das melhores coisas de encontrar um Sentido pra vida conectado a uma Visão de Mundo, digamos, ampla e irrestrita - :)) - é perder totalmente o medo do sobrenatural. Já me reencontrei com a Hilda e com o Sandro - ambos falecidos este ano - e foi do caralho. Já estão se recuperando do baque. Como já dizia Wittgenstein, “a morte não se vive”.
Esse é o Labyrinthos, blog do meu amigo Daniel Christino, o figura com quem tive minha primeira polêmica acadêmica. (Nem me lembro mais qual…) Hoje, claro, ele é professor de filosofia na ALFA.
Amigos, estive afastado da vontade de escrever desde o suicídio do músico e compositor Sandro Soares, meu cunhado, em São Paulo, no dia 14/05. Foi uma perda e tanto, o cara era fera. Para quem quiser entender os motivos que o levaram a tal ato extremo, sugiro a leitura de “O tempo dos assassinos”, ensaio de Henry Miller, a partir dos casos de Van Gogh e Rimbaud, sobre essa época tardia da Cultura que estrangula e leva ao desespero boa parte de seus talentos.
Observando “noveleiros” da minha família e amigos - a própria Hilda adorava uma novela - percebi que, no fim das contas, para eles novela não é senão um jogo de futebol mais longo e complexo. Mesmo quando a novela vai mal das pernas, quando as reviravoltas e peripécias são inverossímeis, continuam lá, firmes, assistindo e torcendo para uma melhora do enredo. Reclamar reclamam, mas não arredam pé da frente da TV. (A Hilda Hilst, por exemplo, fazia críticas e comentários impagáveis. Por conta disso cheguei não exatamente a assistir com ela uma novela, mas a assisti-la assistindo uma novela.) Enfim, reclamam, criticam, mas continuam cheios de esperança. Não é este exatamente o comportamento dos torcedores de futebol?
Pois é, hoje é seu aniversário, Hilda. Parabéns! Foi bom finalmente sonhar com vc após seu passamento.
Ronaldo Roque me enviou um site com algumas piadas de comunista bem engraçadas. Resolvi adaptar uma delas (Nº 95) em homenagem ao governo petista:
O orador começa a enumerar as conquistas da “Agenda Positiva”:
– Na cidade X foi criado um assentamento modelo para o MST…
Uma voz da sala:
– Acabei de vir de lá. Não existe por lá nenhum “assentamento modelo”, apenas uma favela rural!
O orador continua:
– Na cidade Y o Fome Zero é um grande sucesso…
A mesma voz: — Estive lá a semana passada. Apenas dez pessoas receberam o cartão, o resto dos cartões desapareceram!
O orador não se contêm:
– E o Sr., camarada (vou manter “camarada”, mais esclarecedor que “companheiro”), deveria ouvir mais o programa de rádio do Lula e parar de bater pernas por aí!
Para quem acha que o governo segue uma política econômica avessa ao socialismo, saiba que Lenin fez exatamente o mesmo que Palocci vem fazendo: manteve a economia saudável e o mercado livre enquanto, por baixo dos panos, o verme político ia comendo tudo. Até que…
Outro cara bacana é o secretário do Bruno, o Antônio Ramos, que também morou lá na Hilda Hilst. Ex-presidiário (era usuário e não traficante), ex-interno de sanatório espírita, ex-obreiro evangélico, ex-morador de rua e sempre marceneiro. (Reformou o teto e as portas da casa da Hilda.) Conversamos muito: inteligente, fraco para tentações, mas grande coração. Tipo o cara ali do espelho. Tanto estudante querendo ser secretário do Bruno e ele escolhe logo o carinha que dormia na Praça da República. E tem gente que ainda acha o poeta um escroto sem coração. Até parece.
Um amigo meu, Edmilson, que estudava Engenharia Florestal na UnB, sempre me consultava sobre quais livros deveria ler. Eu dizia, “Pesadelo refrigerado”, e ele lia, “Crime e Castigo”, e ele tchuns, “Lobo da Estepe”, e ele pá. Ô cara pra confiar. Só que me arrependi depois de lhe indicar “O Idiota”, do Dostoiévski. Sempre que ele me via no ceubinho (UnB), berrava: “E aí, seu IDIOTA?” Todo mundo olhava, eu embaraçado, e só a gente entendendo. O pior é que sou um idiota mesmo…
Gente, quem encontrar o Bruno Tolentino numa dessas esquinas da vida, diga a ele que não me esqueci da promessa que ele me fez lá na casa da Hilda. Poxa, ô cara difícil de se achar. Pior do que eu. Esses meus chapas escorpianos…
Pois é, dia 21/04 é aniversário da Hilda Hilst e talvez o pessoal faça uma festinha lá na Casa do Sol. Conseguirei comparecer?
E esse, galera, é o Pulse Studios, em São Paulo-SP.
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