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Tuesday, 11 de March de 2008

Na América Latina, a vida imita a arte

pedro novaes, 10:12 am
Filed under: Política, escritores, literatura
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A Folha de hoje noticia que o exército equatoriano tem um serviço de garotas de programa para “aliviar a barra” dos soldados em operações na selva. Vargas Llosa inspirando a vida.

Até soldados carregaram “lembranças”

DA ENVIADA ANGOSTURA

A cena do bombardeio visitada ontem pela comissão da OEA já era o resultado das intervenções pós-ataque das forças colombianas e equatorianas e ainda das caravanas de jornalistas que passaram pelo local desde 1º de março. Os próprios militares carregavam “lembranças”.
Na quarta-feira, primeiro dia em que a Folha visitou a área, um soldado se esforçava para arrancar um aplique com o rosto de Che Guevara de uma tenda militar. Destroços foram movidos de lugar e a chuva modificava as crateras deixadas pelas bombas. A OEA minimizou as alterações, dizendo que sua vistoria era “política” e não técnica.
O Exército equatoriano fez um esforço para dar à imprensa acesso ao local. A repórter pernoitou em um acampamento militar. Os soldados queriam contar as agruras da selva e seus atenuantes. Um deles é um “serviço de garotas”, gerido pelo Exército, mas pago com desconto no soldo, como em “Pantaleão e as Visitadoras”, de Mario Vargas Llosa.
Ex-responsável pelo serviço, o capitão Pablo Cortéz aceitou o satisfeito o apelido de “Pantaleão equatoriano”. “Católico que sou, vivia xingando as prostitutas. Agora sei que elas têm um trabalho difícil e muito útil”, justificou. As mulheres recrutadas pelo Exército ganham US$ 4 por programa, disse Cortéz, e há as que saem com até US$ 3.000 depois de 15 dias de serviço. “O nosso salário em média é de US$ 600.” (FLÁVIA MARREIRO)

Tuesday, 26 de February de 2008

Corrupção e ignorância

yuri vieira, 2:17 pm
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Parece um título da Jane Austen. Mas acho que se aplica a este vídeo aqui, o qual só não é mais engraçado porque já conhecia o drama real do coitado do apresentador.

Sunday, 24 de February de 2008

Editando Bíblias

ronaldo brito roque, 4:28 pm
Filed under: Política, Religião
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Um dia eu acordei e percebi que estava sem dinheiro. Fiquei chocado, pois isso nunca tinha me acontecido. Papai havia me sustentado na juventude, depois arrumei facilmente um emprego de funcionário público — por que as pessoas acham tão difícil passar em concurso?— e ainda fiz alguns trabalhos para editoras e jornais, como freelancer. Eu nunca tinha passado pela situação constrangedora de receber uma fatura de cartão e não ter como pagar.

Então olhei para o teto e pensei: preciso ter alguma idéia brilhante. Fiquei aguardando alguns minutos em meditação, até que a idéia apareceu, rápida e clara, luminosa e precisa como reflexo de prata.

Peguei o catálogo, procurei pelo número de uma conhecida igreja protestante da região, e marquei uma entrevista com o pastor.

Chegando lá, fui direto ao assunto:

— Olha, senhor pastor, não sei se eu deveria fazer isso, mas é que trabalho numa gráfica e esta semana recebemos um pedido de cinco mil exemplares de Bíblias Católicas. Como sou protestante, fiquei preocupado. Será que eles estão convertendo tanta gente assim? Por que será que precisam de tantas Bíblias?

O pastor agradeceu muito pela conversa e disse que em breve voltaria a falar comigo. Na mesma semana ele me ligou, encomendando duas mil bíblias protestantes. Repassei minha encomenda à gráfica, e adicionei minha comissão ao preço final.

Imediatamente liguei para a paróquia e marquei uma entrevista com o padre. Disse que as igrejas protestantes estavam tendo um crescimento vertiginoso. Mencionei o jornal da Igreja Universal, com tiragem cada vez maior, e a recente encomenda de duas mil bíblias protestantes na minha gráfica. O padre agradeceu meu alerta e disse que ia conversar com o bispo. Tive o cuidado de deixar o meu cartão, e dizer que, como eu era católico, faria de bom grado um desconto de vinte por cento, caso eles viessem a negociar comigo. Na semana seguinte – a administração da Igreja Católica é mais lenta – recebi um telefonema do bispo encomendando o trabalho. Tive o cuidado de exigir um depósito como sinal, pois já tinha ouvido falar que esse pessoal de batina é meio descuidado com finanças.

Assim meu negócio foi crescendo. Mas eu sentia que ainda não era hora de parar. Sentia que podia ir mais longe.

Meu amigo Marcel Bilucas dirigia uma pequena ONG a favor do aborto. Apesar de modesta, a ONG contava com mais de 20 funcionários, que realizavam tarefas de muita importância, como pegar os filhos de Marcel na escola, pagar suas contas, etc. Liguei para ele, e mencionei as encomendas católicas e protestantes, disse que estava havendo um revival do cristianismo, como mostrava o sucesso inesperado do filme do Mel Gibson.

— Se continuar desse jeito, eles logo vão chegar ao poder, e aí adeus ONG’s laicas.

Marcel era um homem inteligente. Percebeu rapidamente o tamanho do problema, e ficou desesperado. Felizmente eu tinha a solução. Minha proposta era lançar uma coletânea de artigos de renomados ateus, denunciando toda a falsidade e charlatanismo das religiões. Esses “renomados ateus”, graças a Deus, estavam todos mortos e não nos cobrariam os direitos autorais. Eu, como ateu militante, e sócio de uma nova gráfica, cobraria apenas os custos da edição. Alguns livros seriam vendidos, outros distribuídos em escolas públicas, trabalho mais do que justo, já que era necessário prevenir as crianças contra a ilusão entorpecente da justiça divina.

Marcel ficou comovido com minha atitude, e disse que não era justo eu lhe cobrar apenas os custos. Ele levantaria dinheiro público e pagaria a gráfica e meus honorários com o maior prazer.

O livro “Deus — Uma ameaça” foi um sucesso, e muitos artistas compareceram à festa de lançamento (também patrocinada com dinheiro do estado). Marcel ficou contente com minha atuação e combinamos que reuniríamos artigos de gente famosa da mídia para mais uma coletânea no ano seguinte. Disse que esse trabalho tinha de ser pelo menos anual, não podíamos deixar a idéia morrer no número um. Fiquei contente, apenas lamentei que os autores que ele mencionou – intelectuais e jornalistas – estavam vivos e teríamos de lhes pagar os direitos autorais. Mas Marcel tinha conexões na política e talvez conseguisse mais dinheiro do estado.

Tirei umas férias em Cabo Frio e foi lá que descobri Henrique Shuzman, um cabalista do maior calibre, ainda desconhecido do grande público por mera falta de oportunidade. Falei-lhe da importância de divulgar a religião judaica em nível mais abrangente. Se o cristianismo voltasse a crescer – mencionei o filme de Mel Gibson – quem poderia garantir que os judeus não perderiam direitos nos estados cristãos? Henrique era um homem inteligente, compreendia a importância da guerra cultural. Em pouco tempo me mandou seus manuscritos, os quais eu mesmo revisei e mandei editar. O faturamento da editora já me permitia pagar o bufê da festa de lançamento.

Nesse meio tempo larguei o emprego de funcionário público. Pode parecer loucura, mas minha presença na editora rendia mais dinheiro. Procurei me aproximar de diversas entidades religiosas, mostrando a importância da guerra cultural para expandir os horizontes da religião e atrair mais fiéis. O pessoal da comunidade muçulmana encomendou uma edição luxuosa do Corão. Fiquei tão emocionado que quase me converti, mas lembrei que isso me deixaria em dificuldades com meu amigo Belucas e aí, adeus dinheiro do estado. Também tive relações estreitas com o pessoal da Ubanda, e fiquei surpreso com sua consciência da importância de difundir os valores e símbolos da cultura negra.

E foi basicamente assim que consegui dinheiro para pagar várias faturas de cartão de crédito. Um dia notei uma coisa interessante. As mesquitas muçulmanas da minha cidade ficavam próximas a uma igreja protestante. Tive uma idéia um pouco macabra, e tentei evitá-la. Mas um dia as faturas voltaram a me incomodar e tive de colocar a maldita idéia em prática. Liguei para os protestantes e falei:

— Olha, isso pode parecer estranho, mas os muçulmanos estão se armando. Tenho uma importadora de armas, e eles encomendaram 60 peças de mão esta semana. Estou avisando porque sou protestante e detestaria ver a nossa igreja em dificuldades…

Na mesma semana eles me ligaram de volta.

Ah, Deus sabe o quanto eu amo a diversidade religiosa.

Saturday, 23 de February de 2008

Ibama investe em recuperação de área devastada

daniel christino, 8:21 am
Filed under: Economia, Política, meio ambiente
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Não sei porque todo esse mafuá em relação aos gastos do Ibama via Siafi. Eu acho normal. Vejam a matéria abaixo, direto do Popular

Depois dos cartões corporativos, agora é o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) que pode estar sendo utilizado para gastos irregulares de recursos públicos. O POPULAR apurou que a Superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Goiás gastou pelo menos R$ 23,39 mil com serviços de uma clínica de estética entre 2005 e 2007. O próprio Ibama e o Ministério Público Federal (MPF), que já estão investigando o suposto desvio, acreditam que o rombo pode ser ainda maior.

Os pagamentos, segundo as investigações, seriam efetuados de forma irregular pelo Siafi, camuflados juntamente com outras transferências de valores referentes a despesas regulares do órgão, como pagamento de conta telefônica. O Ibama teria detectado a suposta irregularidade no último dia 15, após ser questionado por um jornal carioca sobre despesas com a empresa Angela Karina Centro de Estética Ltda. As informações estavam no Portal da Transparência, que publica os gastos do governo federal.

Segundo a prestação de contas do instituto, em 2005 foram gastos R$ 3.837,42 com o centro de estética. Em 2006 foram R$ 9.523,87 e em 2007, R$ 10.038,64. A discriminação dos supostos serviços prestados pela empresa, segundo publicado no Portal da Transparência, indicam gastos com “locação de mão-de-obra”, “material de consumo” e “outros serviços”. A clínica, que fica no Setor Marista, segundo funcionários, oferece tratamentos estéticos como limpeza de pele, maquiagem definitiva, peeling, hidratação, drenagem linfática e banho de lua.

Ora, toda área devastada merece investimento para sua recuperação.

Wednesday, 20 de February de 2008

Café preto no Ministério

yuri vieira, 1:49 pm
Filed under: Cotidiano, Política
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Talvez seja apenas um preciosismo de gente chata, mas não consigo deixar de me perguntar o porquê de o ministro da Igualdade Racial ter de ser sempre um negro. Um amigo de São Paulo me disse que conheceu um ótimo advogado, formado no Brasil, mas nascido no Irã. Aposto que há menos persas no Brasil que negros. Não poderiam convidar esse advogado para ministro da Igualdade Racial? Há ainda muitos coreanos, chineses, japoneses. (Um amigo meu, coreano, é capaz de afundar o nariz de quem quer que afirme serem esses três povos membros da mesma raça.) E nem falamos dos judeus… Ei! Espere aí! E os índios? O ministro não poderia ser um índio? Nada mais natural. Claro, isso poderia iniciar uma briga entre diferentes etnias indígenas, cada qual apresentando o seu candidato, mas seria um primeiro passo. Ou será que só a raça negra precisa ser… igualada? Eu tive uma tataravó negra que, digamos, “igualou” com meu tataravô italiano. Depois de várias igualadas mais — com portugueses, índios, cristãos novos (judeus) — surgi eu. Isso é que é igualar? Se é, não precisamos de ministérios, mas de casamenteiros. Acho que Gilberto Freyre concordaria.

Não me lembro quem me contou o causo a seguir. O sujeito estava viajando de Brasília para Goiânia e, no meio do caminho, sonolento que estava, decidiu parar e tomar um café. Entrou numa dessas lanchonetes de posto de gasolina e pediu:

“Por favor, me vê um café preto?”

O atendente fez um muxoxo, pegou uma xícara e foi à máquina. Voltou com o café fumegante.

“Tá aqui. Mas, olha, não precisa falar comigo desse jeito. Eu sou preto mas sou limpinho.”

O freguês arregalou os olhos, sem saber o que dizer. Na terra dele — Minas? Paraná? — era costume dizer “café preto”, talvez uma redundância perceptível apenas em outras regiões. Mas, poxa vida, ao fazer seu pedido, ele não fez nenhuma pausa entre o café e o preto. Como o atendente podia pensar que ele era capaz de se dirigir a alguém daquela forma? Ficou tão constrangido que achou melhor não tentar esclarecer nada, a emenda poderia sair pior que o soneto. Bebeu tudo num gole, pagou, saiu de fininho. Percebeu que outros fregueses, chegados apenas momentos antes da fala do atendente, o olharam cheios de censura, quase com rancor. Nunca mais pisou ali…

Eu jamais seria hipócrita a ponto de afirmar que não há racismo no Brasil. Ou em qualquer outro lugar. As diferenças raciais, em seus aspectos físicos (o fenótipo), são evidentes, por mais que venham nos dizer que os genes (o genótipo) são praticamentes iguais. Creio que haja outras diferenças, em termos de temperamento, por exemplo, bastante marcantes e que seria horrível se eliminadas. A variedade é sempre bem-vinda. Assim, a intenção de igualar só pode ser justificada no tocante aos direitos. Mas, para tanto, não basta que a Justiça seja… justa? E este não é o trabalho do Ministério da Justiça? Qual é então a função desse ministério da Igualdade Racial? Vigiar os tribunais de justiça? Policiar a polícia? Enquadrar cidadãos racistas?

Meus pais tiveram, anos atrás, uma diarista negra. Talvez ela tivesse tido mais sucesso como humorista do que como empregada doméstica, mas, enfim, foi contratada não para fazê-los rir e sim para arrumar a casa. No entanto, ela não deixava de contar casos hilariantes do Tocantins, seu estado de origem. Seu personagem cômico preferencial: o índio. Contava ela que nunca, em seus vinte e um anos de vida, nunca vira um índio a andar solitário pelas ruas ou pela estrada.

“Os índios vivem em cardume”, dizia.

“Um dia, eu viajava pra Porto Nacional com meu tio, numa D-20, e então, mais adiante, à beira da estrada, vimos um índio pedindo carona. ‘Vou parar’, disse meu tio, que então perguntou ao índio aonde ele pretendia ir. Esse respondeu que até Porto Nacional. ‘Pode subir’, murmurou meu tio, orgulhoso de sua boa vontade. O índio então virou-se para trás e gritou ‘Ouuuuuhhhh!!’, deixando-nos assustados. Era um ponto da estrada em que, de ambos os lados, havia barrancos, já que aquele trecho havia sido aterrado para evitar as cheias do riacho próximo. Assim que o índio gritou, surgiram dos dois lados da pista cerca de vinte outros índios que, sem a menor cerimônia, foram subindo na carroceria da caminhonete, que chegou a empinar a dianteira com todo aquele peso. ‘Mas que filho da mãe!’, sussurrou meu tio, puto da vida. ‘Por que ele não disse que estava acompanhado pela tribo inteira? Que safado!’ E assim seguimos até Porto, onde o cardume saltou sem dizer um ai sequer de agradecimento.”

E ela tinhas outras histórias.

“Uma vez, eu tava na casa da minha mãe, conversando com ela e com uma vizinha, quando alguém então bateu palmas na porta de casa. Fui olhar: era um índio. Estava só e queria saber se podia pegar algumas mangas no quintal de casa. Mamãe adorava fazer doces e, por isso, tinha ali um pomar bem variado, embora naquela ocasião apenas a mangueira estivesse carregada de frutos. Minha mãe foi à porta, achou-o simpático, disse-lhe que poderia se servir de quantas quisesse, voltando em seguida para dentro de casa, onde, pois, continuamos a conversa. De repente, ouvimos uma algazarra tão grande, que parecia haver uma parada na rua. Ao olhar pela janela, vimos cinco índios trepados na mangueira, enquanto outros doze colhiam as frutas que os primeiros jogavam para baixo. Eram tantos e tão animados, que não sabíamos se ficávamos com medo ou com raiva deles. Desta vez, o índio que pediu autorização veio nos agradecer, mas fingiu que não entendeu quando mamãe reclamou por ele não ter avisado que eram tão numerosos. Foram embora com sacos e sacos de mangas. Quando chegamos ao pé, não havia restado um fruto sequer. Lá em casa, ninguém confia em índio…”

Eu pergunto: há racismo nessa última afirmação? Se há, o ministério da Igualdade Racial se pronunciaria a respeito? Ou o verdadeiro nome do ministério é Ministério da Raça Negra? (Lembre-se: essa diarista era negra.) Eu realmente não entendo essa ausência de rodízio racial na direção do dito cujo. Não apenas o novo ministro também é negro como os candidatos preteridos também o eram. Eu pensaria duas vezes se, caso fosse funcionário ali, decidisse seguir as tradições do soporífero serviço público e fosse até a cozinha pedir um café preto

Saturday, 16 de February de 2008

Tropa de Elite vence em Berlim

yuri vieira, 5:43 pm
Filed under: Política, cinema
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Pronto, agora já posso me aposentar enquanto advogado de defesa (de boteco) do filme Tropa de Elite: esse filmaço acaba de receber o Urso de Ouro em Berlim, de um juri presidido pelo Costa-Gavras. (Hehehehehe!!) Qualquer hora irei descrever a hilariante discussão que tive, durante um festival de cinema em 2007, com o curador de um festival carioca, um desses ranzinzas anti-Tropa de Elite. (Discussão essa que, desconfio, acabou afastando a até então, segundo me disseram, a até então “garantida” participação do meu curta no festival dele. Sim, meu curta, no qual o protagonista reclama dos filmes que “só fazem a gente achar bandido gente boa, saca?”)

E neguinho ainda estava impressionado com a crítica boba da Variety! O otário do jornalista estava tão ideologicamente azedo que, com seu senso estético politicamente ofuscado, chegou a detonar a ótima fotografia e a excelente câmera do Lula Carvalho. Incrível.

Conforme discutíamos eu e o Pedro no Google Groups do Garganta, onde temos escrito muito mais do que no próprio blog:

Eu: “neguinho ideologizado só vê ideologia no comportamento e na opinião alheia. lembra do que conversamos no Mercado, durante o show de jazz? o Bope tortura e mata de fato. puxar a sardinha pro Bope teria sido não mostrar que fazem isso. mas o filme mostra, logo, não há heróis de verdade no filme, apenas gente perdida em diferentes níveis. o problema da crítica esquerdista, no fundo, é a narração em off que gera empatia pelo Capitão Nascimento. se essa empatia é colocada pelo público acima da razão — essa razão que nos diz que torturar e executar sumariamente é um mal — isso não é culpa do Padilha. é culpa, sim, dos próprios revolucionários, uma vez que sempre acusaram a consciência moral de mera frescura “burguesa”. foram eles que relativizaram a questão moral, difundindo em seguida, no ambiente cultural, tal ponto de vista. ou seja: para eles, vale executar e torturar pela causa esquerdista, não pelos princípios e valores tradicionais, quais sejam, no caso, a ordem e a família. e não percebem que torturar e executar sumariamente é errado em qualquer das situações. do contrário, por que não falam sobre as arbitrariedades cubanas, chinesas, coreanas? apenas a tortura de direita é do mal? o filme é muito bom. tomar no culo esses caras. ”

E o Pedro
: “É o que falamos aquele dia tb, Yuri. No fundo acho que as pessoas se borram de pavor ao depararem consigo mesmas, all of a sudden, sentindo empatia pelo Capitão Nascimento. Como posso empatizar com um torturador? Logo, ele é humano, logo eu tb poderia ser um torturador. Resultado, pavor. Conclusão, melhor negar.”

Friday, 15 de February de 2008

Os cartões do Füher de Brasília

yuri vieira, 2:48 pm
Filed under: Humor, Podcast e videos, Política
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Este vídeo, que flagra Lula recebendo as notícias sobre o escândalo dos cartões corporativos, está tão engraçado quanto aquele sobre o Xbox

A porta estreita

daniel christino, 1:09 am
Filed under: Cotidiano, Imprensa, Política, Religião, internet, sites
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É realmente estreita. Já dizia André Gide, num romance homônimo que tomei emprestado da Rosa há muito tempo. A expressão, na verdade, é do evangelho de Mateus (”Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição”). Significa o que você acha que significa: é difícil seguir pelo caminho correto, porque é cheio de sacrifícios.

Obviamente tinha a ver com a época - “naquele tempo” os cristão eram perseguidos, torturados, queimados ou devorados vivos por leões, além, é claro, da crucificação que dispensa comentários. Então escolher o cristianismo era quase sempre escolher a dor e o sacrifício. Mais fácil seria contemporizar com o poder.

Atualmente a expressão tem outro significado. Ainda significa que há um custo existencial muito pesado em ser cristão (em qualquer denominação). Nada exemplifica melhor isso do que um post do Tio Rei sobre a morte do terrorista Imad Mughniyeh. Justificando sua felicidade com a morte do assassino, diz Tio Rei

O que fazer diante desse delírio? Entregar-se em holocausto? Ficar esperando o próximo ataque dos Imads? Oferecer a outra face? A nossa face ou a face da imensa massa de inocentes mundo afora? Olhem aqui: não preciso recorrer a Deuteronômios para endossar o ato. Apelo ao direito à autodefesa. Temos de fazer, nesse caso, como Nasser fez no Egito, em 1966, com Sayyd Qutb, então principal ideólogo da terrorsita Irmandade Muçulmana: forca. Anuar Sadat, lembram-se dele?, resolveu relaxar o cerco à turma. Foi assassinado. A morte de qualquer homem nos diminui. A de um terrorista nos eleva e consola. E nada nos impede de rezar por sua alma.

Pois é. Em outro lugar ele diz coisas como “dá pra matar, de modo cristão (afinal, aquele livro do Velho Testamento é acatado pelos católicos), apelando à letra do texto bíblico”. Obviamente, ele não poderia citar o Novo Testamento.

Tio Rei faz parte de um grupo de católicos associados a um tipo ideal (Weber) de religioso exemplificado pelo personagem de Robert De Niro no filme A Missão - o outro tipo, também ideal, é o personagem de Jeremy Irons. Se vocês se lembram do filme, enquanto uma expedição espanhola se preparava para dizimar a tribo indígena na qual estão os dois religiosos, cada um assume uma postura diferente diante do destino. Enquanto o personagem de Irons organiza um procissão, De Niro organiza uma defesa: arma os índios e prepara armadilhas. Representam duas formas de catolicismo, igualmente presentes no livro (e filme) A Última Tentação de Cristo: a cruz e o machado. Já sabemos a opção de Cristo.

O problema com a postura do Tio Rei é apenas um: sob determinadas condições, a vida deixa de ser um valor. Simples assim. Quais as condições? Autodefesa (dele? como assim?). E quando nossas vidas estão em perigo? Quem é o juíz disso? Quem, no mundo humano, está em condições de julgar a vida de um indivíduo? Difícil.

Eu sei que nem preciso dizer, mas direi assim mesmo: se alguém quiser me matar, vai encontrar resistência. Pelo simples motivo de que quero continuar vivo. Se precisar matar quem me ameaça, eu o farei. E não irei para o inferno por isso. Logo, eu não tenho problema com a morte de um terrorista. Poderia justificar a pena de morte pelo mesmo argumento? Sim, mas não justifico, porque o problema da pena de morte é assumir que uma entidade abstrata e não humana, o Estado, tenha condições de julgar sobre a vida ou a morte de alguém.

Mas um cristão tem um problema um pouco maior do que o meu. Vejam, Moisés foi punido por matar um egípcio. Porra, Moisés era o cara que conversava com Deus - ele não falava com mais ninguém! Será que ele não se arrependeu? Provavelmente, mesmo assim o Deus-Pai (e não o Deus-Trino) do antigo testamento não permitiu-lhe entrar na terra prometida. Pedro foi admoestado por Jesus por cortar a orelha de um centurião romano. Uma pletora de Santos poderia ter resistido e lutado contra seus algozes, mas morreram como mártirs. Os exemplos abundam.

O que o Reinaldo está fazendo é perigoso para um católico. Lembrou-me aqueles monges com crucifixos em riste para que os hereges pudessem beijá-los enquanto ardiam nas fogueiras. Joana D´arc talvez seja o melhor exemplo de todos. Queimada viva e depois canonizada. É coisa da teologia medieval, dos milles Christi. Do que estou falando? Da relação entre uma ação e as conseqüências morais que daí derivam. Desconfio que o critério do Tio Rei é por demais utilitarista. Afinal, quantas pessoas não saíram lucrando com a morte do terrorista? Mas o princípio moral cristão não é utilitarista. Ele não pergunta quem sai ganhando com isso. Se o fizesse, justificaria todas as mortes em nome do bem comum. Justificaria também as mortes do Estado em nome do bem coletivo. Em certo sentido, não há nenhuma diferença entre Stálin e Tio Rei neste particular - apenas, é óbvio, uma diferença de intensidade. A justificativa para a morte é a mesma: o bem dos outros. Ou Tio Rei teme um atentado terrorista islâmico na porta da casa dele?

A porta estreita a que me referia é o fato de que, para um cristão, é melhor dar a vida do que tirá-la de alguém. O cristão confia em Deus, um princípio metafísico que vigora no mundo. E sua confiança é tamanha que ele é capaz de apostar sua vida nisso. O fato de que precisamos matar para nos defender diz apenas que nossa fé na intervenção divina é menor do que deveria. Um cristão não está indefeso diante de um terrorista, ele está com Deus e não há proteção maior. É uma loucura pensar assim? Se for, meu amigo, então é cada um por si, porque a “bala perdida” está mesmo perdida. É tudo randômico e nós temos que cuidar de nós mesmos. Se não é assim, então eu posso me tranqüilizar e continuar vivendo minha vida normalmente, porque Deus está comigo.  

Talvez ele não tenha pensado bastante sobre isso, mas não creio que seja o caso. Ele já defendia postura igual na época da revista Primeira Leitura. Também não dá para imaginar que ele não tenha entendido direito o catolicismo, ele corrige até tradução de texto do Papa. Quando eu disse, noutro lugar, que havia uma “luxúria de morte” incrustrada na teologia cristã, era a isso que eu me referia.

Thursday, 14 de February de 2008

O delírio, segundo Dawkins

daniel christino, 11:47 pm
Filed under: Ciência, Política, Religião
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O livro, como um todo, não passa de um grande panfleto. É escrito em linguagem comum e, realmente, não creio que seja sensato esperar de um cientista uma argumentação filosófica erudita e profunda sobre um fenômeno que, claramente, o incomoda apenas em seu aspecto político. Dawkins já resolveu, para si mesmo, a questão; e está discutindo com o cidadão médio que ele acredita ser capaz de cair nas armadilhas retóricas de gente como o tal patriarca da família maluca que o Louis Theroux mostrou no documentário (eu vi e até agora acho difícil acreditar).

Por outro lado isso não invalida o núcleo de sua argumentação. De tudo o que eu li, o argumento que o Dawkins considera mais relevante é contra a inferência do Design, ou seja, a idéia de que podemos derivar da complexidade de um objeto o fato de que ele foi feito por uma consciência racional. O contra-argumento dele envolve uma analogia muito interessante com um 747. Vou citar o Dawkins:

O nome vem da interessante imagem do Boeing 747 e do ferro-velho de Fred Hoyle. (…) Hoyle disse que a probabilidade de a vida ter surgido na Terra não é maior que a chance de um furacão, ao passar por um ferro-velho, ter a sorte de construir um 747.

(Continua…)

Sunday, 10 de February de 2008

O cidadão americano

daniel christino, 12:22 am
Filed under: Política, especulativas, literatura
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Direto do blog do Hermenauta - e das minhas saudosas aulas de Antropologia no curso de Jornalismo da UFG, em 1991.

O cidadão norte-americano  
Ralph Linton, antropólogo 

“O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão, cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos esses materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.

Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário tem a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do séc. XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.

De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast, com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abssínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente

Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple inventado pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de alguma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no norte da Europa.

Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano.”

LINTON, Ralph. O homem: Uma introdução à antropologia. 3ed., São Paulo, Livraria Martins Editora, 1959. Citado em LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 16ed., Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2003, p.106-108]

Tuesday, 22 de January de 2008

Fé no Ministério

pedro novaes, 9:16 am
Filed under: Política, meio ambiente
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Marina

Será que vale o barulho? E se o pastor trabalha de verdade? Cabem cultos religiosos no interior de prédios públicos? Se pode culto evangélico, pode fazer despacho também? O Eco noticia o cargo e as atividades de um pastor da igreja da ministra Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente.

MINISTÉRIO DA FÉ

Aldem Bourscheit

19.01.2008

Um pastor da Assembléia de Deus, mesma igreja freqüentada pela ministra Marina Silva, integra os quadros do Ministério do Meio Ambiente (MMA) desde Agosto de 2005. Ele já usou a estrutura do órgão público para auxiliar na organização de ao menos um evento religioso, em 2007. E, segundo fontes ouvidas no ministério, não foi a única vez. Ele também dirige cultos evangélicos nas salas destinadas ao serviço público federal, freqüentados por servidores de todos os escalões.

A série de palestras, vídeos e debates Os Cristãos e a Criação – Responsabilidade Socioambiental, que começou em 25 de junho e se estendeu até 30 de julho de 2007, lançou a chamada Rede Jubileu da Terra no Distrito Federal. Um panfleto distribuído na ocasião, no Congresso e outros pontos de Brasília, traz o nome do pastor Roberto Vieira e dois números de telefone, um fixo e outro celular. O número fixo é do Ministério do Meio Ambiente, o mesmo divulgado como contato ao pé da página principal da 2º Conferência Nacional do Meio Ambiente – 2ª CNMA, onde Vieira trabalha. O impresso traz um retoque manual, já que os prefixos do MMA foram alterados na mesma época.

O pastor é o carioca Roberto Firmo Vieira, contratado como consultor pelo MMA com dinheiro do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para ajudar a organizar da Conferência Nacional do Meio Ambiente, evento bienal que reúne ONGs, setor privado e governos estaduais . Aos 50 anos, ele já trabalhou na Empresa de Correios e Telégrafos (1982-1984), no Ministério dos Transportes (2002-2003), na Câmara dos Deputados (2001-2002) e no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1985-1986), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Sua experiência na organização de eventos inclui experiências como o encontro Com Jesus são Outros 500, na Esplanada dos Ministérios (2000) e ainda a Marcha para Jesus e o Dia dos Evangélicos (2001).

(Continua…)

Tuesday, 8 de January de 2008

Enquanto a caravana passa…

Francisco Guides, um visitante deste blog, num post sobre o “desabafo de Alexandre Garcia” contra a corrupção geral dos nossos políticos, a falta de segurança, a Constituição Cidadã idiota, os impostos e assim por diante, escreveu: “Enquanto os cachorros latem, a caravana passa”. Isto é, o Alexandre Garcia — e por conseguinte nós, deste blog — somos os cães a latir enquanto a caravana petista comandada por Lula passa. Repliquei: “A caravana dos porcos, faltou dizer. [Vide A Revolução dos Bichos (O Triunfo dos Porcos), de George Orwell, e conheça a radiografia dos lulistas, petistas e esquerdopatas de plantão.]” Mas a verdade é que os esquerdopatas daqui logo logo irão aprender com o amigo do Lula, Evo Morales, a fazer o mesmo que a caravana boliviana de ponchos rojos, literalmente a tribo dele, anda fazendo com os cachorros de lá…

Ah, a gente faz o mesmo com vacas e galinhas, né mesmo? Eu sei, se viva estivesse, a Hilda Hilst cairia morta ao ver uma cena dessas, mas, no fundo, tudo não passa de um mero choquezinho cultural… (Não! O problema, senhoras e senhores, é que eles estão apenas demonstrando o que pretendem fazer com seus oponentes políticos caso seus interesses sejam contrariados.)

Monday, 7 de January de 2008

Dois docs políticos

pedro novaes, 7:00 pm
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A amiga Carolina Paraguassu, diretora e produtora, finaliza seu doc Resistência.doc, sobre a trajetória política do governador goiano Mauro Borges. O trailer pode ser conferido aí acima e o material promete.

Além dele, o polêmico Guerrilha do Araguaia - As Faces Ocultas da História, dirigido pelo Eduardo Castro, terá sua versão televisiva exibida no próximo dia 27, às 21 horas, na TV Cultura, para todo o país. Veja também o trailer na tela acima.

Thursday, 3 de January de 2008

O Paquistão e a iminência das guerras quentes

pedro novaes, 8:00 pm
Filed under: Política
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Artigo de Newton Carlos na Folha de hoje traça quadro sombrio da segurança internacional, tendo como nó central o Paquistão pós-assassinato de Bhuto.

A segurança internacional em ruínas

NEWTON CARLOS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Os jogos de guerra sobre “riscos paquistaneses” reuniram em Washington um pequeno grupo de especialistas militares e de inteligência, integrantes de uma nova modalidade, a dos atentos à proliferação dos engenhos de destruição maciça e de possíveis descontroles.
Entre os cenários e opções traçados figurou inclusive uma operação de alto risco, a de isolamento dos “bunkers” onde estão as armas nucleares do Paquistão. As áreas em volta seriam seladas de modo inviolável, com “dezenas de milhares” de minas jogadas de aviões e municiadas contra tanques e pessoas.
Um dos luminares dessa nova comunidade, o professor Scott Sagan, da Universidade de Stanford, acha que a melhor maneira de garantir a segurança do arsenal nuclear paquistanês é comportar-se de modo cooperativo com as Forças Armadas do país da Ásia Central, colado ao Afeganistão.
Mas existe o perigo de quebra tanto das instituições políticas quanto militares e não passou despercebido o fato de que a ajuda bilionária dada pelos EUA ao Paquistão se voltou sobretudo para o conflito com a Índia em torno da posse da Caxemira. A Índia, de seu lado, já testa mísseis de interceptação de mísseis, se inscrevendo num clube até agora restrito a EUA, Rússia, Israel e China, O que acontece ultrapassa as fronteiras do Paquistão.
Estamos diante da ruína da arquitetura de segurança mundial, que deveria, pelo contrário, firmar-se com o fim da Guerra Fria. O Paquistão deu curso à proliferação e se tornou segmento de alto risco dessa ruína pelo fato de que podem desintegrar-se as elites política e militar que até agora controlaram um pais que é ninho de islâmicos radicais.
A rachadura inicial aconteceu em 2002, quando os EUA se retiraram do tratado sobre mísseis antimísseis, pedra angular de amplo sistema de segurança e cláusula capaz de conter o “first strike”, a sedução de ser o primeiro a atirar.
Sistemas antimísseis podem absorver ataques e possibilitar contra-ataques e com isso desencorajar “first strikes”. O governo Bush não só eliminou esse elemento de dissuasão como lançou a doutrina dos ataques preventivos e decidiu botar antimísseis na Europa central.
A 12 de dezembro, entrou em vigor a retirada da Rússia do Tratado de Forças Convencionais na Europa, que limita a quantidade de armas pesadas num raio que vai do Atlântico às montanhas Urais. É peça central da arquitetura internacional de desarmamento. A saída da Rússia pode resultar numa corrida às armas na Europa.
O Paquistão nuclear, com riscos de descontrole, se insere num contexto maior de insegurança.

O jornalista NEWTON CARLOS é analista de questões internacionais

Wednesday, 2 de January de 2008

Também quero ser quilombola!

pedro novaes, 5:57 pm
Filed under: Política, meio ambiente
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Junto com votos de um feliz 2008 a todos os leitores e amigos, sugiro fortemente a leitura do artigo “Nossos Bantustões”, escrito por Fábio Olmos, em O Eco, de longe o melhor sítio de notícias sobre meio ambiente na Internet.
O texto desce merecidamente o cacete na reforma agrária clandestina que o governo Lula vem promovendo desde a mudança na regulamentação dos procedimentos de reconhecimento de remanescentes de quilombos no país. Como muitos devem saber, agora basta que uma comunidade se autodeclare “quilombola” para ter direito a território próprio. Não precisa ser gênio para imaginar os prejuízos e desrespeitos que vêm ocorrendo a áreas de proteção ambiental e aos direitos de proprietários.
Em tempo, eu não necessariamente concordo com os pontos de vista dele especificamente sobre o tema da relação entre populações locais e conservação da natureza. Meu documentário “Quando a Ecologia Chegou” trata do tema. Mas isso é outra discussão.
Esta história dos quilombos, como coloca o Fábio, seria mais uma enorme piada na comédia nacional, não fosse trágica de dois pontos de vista: o da conservação da natureza e o do acirramento do racismo e do etnicismo, promovido pelas políticas deste tal ministério da igualdade racial que acredita que racismo de negro com branco vale.
Sobre Reforma Agrária e meio ambiente, sugiro ainda a leitura do meu post “O Dia em que a democracia derrotou o MST”, contando os absurdos cometidos pelo MST no Litoral Norte do Paraná.
Para quem gostar do texto do Fábio, o Paulo já publicou aqui um outro artigo dele sobre as polêmicas e recém-leiloadas hidrelétricas do Rio Madeira.

Thursday, 20 de December de 2007

Mercado ou regulação

pedro novaes, 9:40 am
Filed under: Economia, Política, meio ambiente
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PET

E aí, seus liberais? O Governo de SP apresentou projeto de lei à Assembléia Legislativa propondo a proibição do uso de garrafas PET no comércio de bebidas. A justificativa é a poluição gerada. Vale a medida regulatória, neste caso, ou seria melhor esperar que a mão invisível desentupisse os rios? Abaixo a matéria da Folha de hoje.

Projeto proíbe uso e venda de bebida em garrafas PET em SP

Projeto deve ser enviado para a Assembléia no início de 2008; prazo para empresas se ajustarem à lei é de seis anos

Justificativa é preocupação com ambiente; para o presidente da associação que representa fabricantes, a lei acabará com o setor

AFRA BALAZINA
DA REPORTAGEM LOCAL

Projeto de lei do governo de São Paulo obriga as empresas que produzem e comercializam água mineral, refrigerantes e outras bebidas a abolir o uso das garrafas plásticas, conhecidas como PET, num prazo de seis anos. Fabricantes de cerveja que passarem utilizar o plástico antes de a medida entrar em vigor terão um ano para se adequarem à lei.
O polêmico documento deve ser enviado à Assembléia no início de 2008, segundo o secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano. “A poluição por resinas plásticas é responsável por inúmeros prejuízos ao ambiente, à saúde e à segurança da população. Praticamente todas as áreas urbanas do país convivem com inundações, provocadas pelo assoreamento de valas, rios e canais e pelo entupimento de galerias pluviais, em muito relacionadas diretamente ao descarte irresponsável de lixo plástico”, diz o texto.
Dados da Abir (associação das indústrias de refrigerantes) mostram que o PET domina o mercado, com 79,9% das embalagens (em dezembro de 2006). O vidro tem 12,3% e a lata, 7,8%.
O consumo de plástico para embalar bebidas tem crescido ano a ano. Passou de 80 mil toneladas, em 1994, para 374 mil, em 2005 -367,5% a mais-, segundo a Abipet (Associação Brasileira da Indústria do PET). A reciclagem desse material foi de 18,8%, em 1994, para 51,3%, em 2006 (veja quadro).
Para o presidente da Abipet, Alfredo Sette, a lei acabará com a indústria de PET. Ele diz que o problema não é o plástico em si, que pode ser totalmente reciclado, mas a falta de educação ambiental e a coleta de lixo ineficiente. “A tendência de crescimento da reciclagem não está interrompida. Há pontos ociosos porque não se coletam garrafas suficientes.”
Segundo ele, enquanto, no Brasil, o consumo de embalagens PET é de 2,9 kg/habitante, na Bélgica, chega a 8,8.
Para o ambientalista Fábio Feldman, o uso do plástico precisa ser desestimulado. Mas ele afirma que o governo deveria instituir metas de reciclagem e usar instrumentos econômicos para priorizar os produtos que poluem menos, em vez de simplesmente proibir o uso.
“Não conheço lugar no mundo em que haja proibição tão drástica. Deveria ser feita uma análise do ciclo de vida dos produtos. Quem tiver menor impacto ambiental deveria ser beneficiado com redução de tributos, por exemplo”, diz.
Segundo o governo, a fabricação das resinas plásticas provoca grande quantidade de gases que agravam o efeito estufa. Além disso, o PET demora centenas de anos para se degradar.
Um argumento a favor do plástico é sua leveza. Para transportar um material mais pesado, como vidro, são necessários mais caminhões -e estes também poluem o ambiente.
Para o presidente da Abinam (Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais), o geólogo Carlos Alberto Lancia, a lei vai beneficiar “três ou quatro grandes empresas” e vai concentrar o mercado nas mãos de poucos. “Vamos voltar ao que era na década de 60. Uma fábrica para produzir embalagens de vidro custa milhões. E é preciso muito mais estrutura para coletar garrafas retornáveis.”



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