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Monday, 26 de March de 2007

O chatérrimo aquecimento global

Já que nosso colega Daniel quer mais opiniões e depoimentos de cientistas, segue este vídeo que eu havia esquecido em meio aos meus favoritos do You Tube. (O Pedro Sette já o publicou n’O Indivíduo dias atrás.) Em resumo, os cientistas entrevistados afirmam não apenas que não há provas de que o homem esteja causando o tal aquecimento global - ou mesmo que o CO2 tenha algo a ver com isso (é mais provável que o aumento de CO2 seja um efeito do aumento da temperatura e não uma causa dela) -, mas ainda que tudo não passa dum grande negócio, a “indústria do aquecimento global”, uma vez que toda uma multidão de empregos e cargos burocráticos foram criados em função desse falso alerta. Das intenções político-ideológicas dos defensores do estatismo, que não querem senão mais um pretexto para avançar sobre as liberdades individuais, se fala apenas por alto. Mas os cientistas não deixam de repetir: é propaganda política. E comentam sobre o sofrimento dos países subdesenvolvidos que, com a criminalização da indústria e da produção de energia, são impedidos de crescer.

E olha só que interessante: Nigel Calder, que foi editor da revista New Scientist, faz exatamente a mesma analogia feita pela Ann Coulter, tão criticada pelo Daniel: o “aquecimento global” é como uma doutrina religiosa e quem não concorda com ela é um herege. “Eu sou um herege”, diz Calder.

E, finalmente, alguns cientistas estão convencidos de que o comportamento do Sol é que é o verdadeiro responsável pela coisa toda: o Sol controla os raios cósmicos que controlam as nuvens que regulam o clima. Voilà. (Aliás, eu já havia tratado do Sol aqui.)

This short program, produced and shown in England, destroys the arguments put forward by Al Gore and the human caused Global Warming activists.


Thursday, 22 de March de 2007

A religião do aquecimento global

yuri vieira, 2:22 pm
Filed under: Ciência, Humor, Imprensa, Podcast e videos, meio ambiente
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Da Ann Coulter:

No matter how much liberals try to dress up their nutty superstitions about global warming as “science,” which only six-fingered lunatics could doubt, scratch a global warming “scientist” and you get a religious fanatic.

These days, new religions are barely up and running before they seize upon the worst aspects of the God-based religions.

First, there’s the hypocrisy and corruption.

(…)

As has been widely reported, Gore’s Tennessee mansion consumes 20 times the energy of the average home in that state. But it’s OK, according to the priests of global warming. Gore has purchased “carbon offsets.”

It took the Catholic Church hundreds of years to develop corrupt practices such as papal indulgences. The global warming religion has barely been around for 20 years, and yet its devotees are allowed to pollute by the simple expedient of paying for papal indulgences called “carbon offsets.”

(…)

The moment anyone diverges from official church doctrine on global warming, he is threatened with destruction. Heretics would be burnt at the stake if liberals could figure out how to do it in a “carbon neutral” way.

Climatologist Dr. Timothy Ball is featured in the new documentary debunking global warming, titled “The Great Global Warming Swindle.” For this heresy, Ball has received hate mail with such messages as, “If you continue to speak out, you won’t live to see further global warming.”

I’m against political writers whining about their hate mail because it makes them sound like Paul Krugman. But that’s political writers arguing about ideology.

Global warming is supposed to be “science.” It’s hard to imagine Niels Bohr responding to Albert Einstein’s letter questioning quantum mechanics with a statement like: “If you continue to speak out, you won’t live to see further quantum mechanics.”

(…)

Monday, 19 de March de 2007

Emotiv Systems

yuri vieira, 4:10 pm
Filed under: Games, Second Life, tecnologia
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E a tecnologia não pára. A Emotiv Systems está desenvolvendo um novo sistema para controlar personagens em games e avatares em realidades virtuais. Com ele será possível até mesmo transmitir nossas expressões faciais ao nosso alter ego virtual. Ainda não é o simstim do Neuromancer e da Matrix, mas tá chegando lá. (Via Isto É Dinheiro.)

“O papel é uma prisão!”

E por falar em ambientes 3D na internet, também merece ser lida a entrevista da revista Época #461 (também por Eduardo Vieira) com Theodor Nelson, criador dos conceitos de hipertexto e hiperlink ainda nos anos 1960, e atualmente professor em Oxford. O mau humor dele para com os ambientes 2D chega a ser engraçado. O cara odeia interfaces que copiam o formato do papel. E diz que seu conceito de hiperlink, esboçado no sistema Xanadu, já previa o uso duma interface tridimensional. Veja este trecho:

(…)
Época - Seu sistema de hipertexto criado nos anos 60, o Xanadu, não pegou como o padrão para os links da internet. Esse ódio não é um ressentimento pelo fracasso?
Nelson - Pode até ser. Eu não me importo. Só acho que poderiam ter feito a web de forma mais inovadora. Tudo é muito copiado. Hoje, as pessoas falam em blogs, wikis, redes sociais online. Não são idéias originais, são coisas de que já se falava nos anos 60. Publicar um diário é a coisa mais velha do mundo. E qual é a diferença entre um blog e um site? O blog rola mais para baixo? A colaboração dos wikis também não é algo novo. A novidade é que alguém o aplicou. E o MySpace? Sinceramente, não entendo o que é aquilo. Acho que preciso me tornar adolescente de novo, ter 50 anos a menos, para saber por que acham aquilo interessante. Entrei no MySpace. E me senti noutro planeta, e saí. As pessoas confundem inovação com o conceito de cópia melhorada. Quando não copiam, acham que inovação é caos. Inovação é ruptura. E nada disso é um rompimento.

Época - Antes, as pessoas não viviam em rede como hoje. Isso não é uma ruptura?
Nelson - Isso não é uma inovação. É uma conseqüência de as pessoas estarem mais conectadas. Inovação tem a ver com forma, e as pessoas não conseguem fugir do retângulo nunca. O livro é um retângulo, o papel é um retângulo, a tela do computador é um retângulo. Agora, há iniciativas de papel digital, de criar pranchetas eletrônicas para ler. É provavelmente a idéia mais estúpida que já ouvi. É um retângulo, de novo. Saiam dos retângulos! Por que tudo tem de estar em linha reta, ter um visual quadrado? O papel é uma prisão. A maior prisão da humanidade. A Microsoft imita o papel, a Apple imita o papel. Por quê?

Época - A Apple imita o papel?
Nelson - Sim! O papel é uma tradição que precisa ser quebrada. Tanto o papel em si como o formato que ele representa. Os formatos de documentos não evoluíram. A web é uma simulação do papel, um retângulo que parece uma revista. Ficamos imitando padrões. Não estou falando de tecnologia. Estou falando quase de uma religião. Sou um evangelista, tenho uma maneira diferente de pensar. Qual é a diferença entre o Windows e o Macintosh? Nenhuma. E entre um computador Apple e um da Dell? São idênticos. Duas coisas iguais empacotadas de modos diferentes. Por que a Apple faz tanto sucesso? Porque Steve Jobs tem mais bom gosto que Bill Gates. Só isso. Ele deveria ser diretor de cinema.

(…)

É como se a internet visualizada por ele pudesse derrubar tudo o que veio antes. Ele parece não perceber (ao menos de acordo com a entrevista) que as interfaces caminham de acordo com a capacidade de processamento e transmissão de dados, de acordo com o potencial do hardware. A única crítica que ele faz ao Second Life é que o programa deveria ter gráficos melhores. Mas os computadores de hoje ainda não comportam tanta informação! Imagine ir a um Maracanã virtual com 100 mil avatares na arquibancada. Isso é possível, mas meu pobre laptop não suportaria. Mas ainda vamos chegar lá.

Quanto ao formato retangular, nada o impede de lançar um livro circular. O problema verdadeiro é a palavra escrita, que desde sempre é bidimensional. Não há nenhum código capaz de portar tanta informação quanto a palavra. A única exceção, conforme já escrevi aqui e aqui, são os ideogramas chineses. Que também pouco se incomodam se estão sendo inscritos numa superfície quadrada, circular, oval, etc. É provável que essa provável “escrita 3D” idealizada por ele não exista no planeta ainda. Até os cegos lêem em pontos dispostos em duas dimensões. Não dá pra fugir da palavra. A não ser dando um passo para trás e criando uma interface que não apenas apresente ambientes 3d mas que também atenda à fala. Trê dimensões espaciais e uma temporal, já que a palavra se dá no tempo. Um ambiente 4D, ou seja, o nosso próprio ambiente transposto ao computador. Com a diferença de que os objetos e o ambiente circundante obedeceriam à nossa vontade. Isto tudo foi comentado por Walter Benjamin: algumas idéias, quando se expressam prematuramente, parecem monstruosidades. E ele cita os dadaístas, que faziam uma confusão de colagens, uma mistura de letras e artes plásticas que não fazia outra coisa senão atordoar as pessoas. E um dia eles perceberam, na pessoa de Charles Chaplin, que o verdadeiro veículo para sua arte era o cinema, que era tudo isso - imagem, colagem, desenho, fotografia, música, palavra - mas disposto de modo harmônico. Chaplin, para os cabeças do movimento, realizou o sonho dadaísta.

Esse Ted Nelson deve ter nascido antes do tempo mesmo.

O futuro da Internet

yuri vieira, 11:34 am
Filed under: Imprensa, Second Life, internet, software, tecnologia
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Da matéria de capa da revista Época #461, A segunda vida da Internet, assinada por Eduardo Vieira (meu parente?):

“Pode parecer uma brincadeira para alguns, mas tenho a sensação de que estamos diante do futuro da Internet. O Second Life torna possível fazer tudo o que já fazemos na web, mas de uma maneira mais amigável.”

(Sam Palmisano, presidente mundial da IBM)

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“O Second Life é um exemplo de inovação dos programas de interação entre homens e máquinas. A interface em três dimensões é o futuro da internet. Ela vai provocar uma revolução tão grande quanto a própria criação da World Wide Web. (…) Hoje, se eu quiser, posso comprar uma carruagem e dois cavalos. Mas sei que andar de carro é mais eficiente. Quem vive no Second Life tem exatamente essa sensação. De que, no fundo, está um passo à frente dos outros.”

(Theodor Nelson, professor da Universidade de Oxford, criador dos conceitos de hipertexto e hipermídia nos anos 1960.)

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“O Second Life é um mundo em que tudo é possível. E um universo como esse merece dedicação intelectual integral.”

(Henry Jenkins, professor de Estudos de Mídia do MIT)

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“O impacto do Second Life é semelhante ao do videocassete nos anos 80 e ao da web nos 90.”

(Irving Wladawsky-Berger, vice-presidente de Estratégias da IBM.)

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“O Second Life é só o começo de uma onda de realidade virtual que vai inundar nossa vida.”

(Professor Silvio Meira, fundador do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife.)

Em suma, não sou o único a achar a mesma coisa, não sou o único a clicar com tanta insistência no mesmo ícone. Tenho falado isso repetidas vezes, tanto no blog quanto entre amigos, desde Setembro de 2006, quando “nasci” no SL. “O bicho é revolucionário”, escrevi em meu primeiro post sobre o SL. Mas as pessoas se limitam a responder com sorrisinhos, como quem sente peninha de um maluco. É o que dá não ser professor de Oxford, do MIT, presidente da IBM ou coisas assim. Às vezes é preciso lembrar às pessoas que “ter visão” não é algo entranhado com títulos e cargos. Basta abrir os olhos sem preconceitos. O 3D, via internet, já chegou e o SL é o primeiro capítulo dessa nova fase.

Aliás, a reportagem da revista Época é a primeira abordagem brasileira sobre o assunto a não se restringir ao sensacionalismo (”cuidado com o vício!”, “não troque uma realidade por outra!”, “joguinho novo na área!”, etc.) ou àquela visão a là papai-mamãe que observa o filhinho jogar RPG sem ter a menor noção do que se trata. Tanto que há um depoimento bastante bem humorado do jornalista Marcelo Zorzanelli sobre sua experiência com a “segunda vida”, onde ele confessa que “vagabundeou”, trabalhou como segurança de boate, transou e que, se chorou ou se sofreu, o importante é que emoções ele viveu… (Aposto que ele não conseguirá largar mais, hehehe.)

Thursday, 15 de March de 2007

You Tube e Viacom

yuri vieira, 12:38 am
Filed under: Mídia, internet, tecnologia
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Ah, sim, agora entendi. De fato eu me lembrava de que a Viacom havia feito elogios ao You Tube meses atrás. Daí eu não conseguir entender esse processo de 1 bilhão de dólares, já que a partilha da publicidade entre os produtores e o site nunca passou duma questão técnica a ser viabilizada. Mas é que agora há o anti-pirata Joost, supostamente muito mais apropriado às grandes empresas! Mmmmmm. E os caras já pretendem iniciar enfraquecendo o concorrente… Neguinho é foda!

Monday, 12 de March de 2007

A Resistência do Vinil

yuri vieira, 8:59 am
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E por falar no making of da Mostra Curtas, quero tocar rapidamente no nome do nosso amigo Eduardo Castro, autor das imagens do dito cujo e diretor do divertidíssimo documentário A Resistência do Vinil. Foi ótimo dirigir o Eduardo. Tudo o que eu tinha a fazer era interromper a conversa que ele estava tendo com alguém, em geral comigo mesmo, e lhe pedir para gravar. O resto era praticamente automático. Daí o apelido “piloto automático” e tal. :) Aliás, logo logo o cara vai arrebentar com um documentário bomba que está montando - com dez anos de imagens e entrevistas gravadas (em VHS, miniDV e HDV) - sobre a Guerrilha do Araguaia.

Segue abaixo A Resistência do Vinil, em duas partes de 10 minutos cada. (Tem um bobo lá dizendo que o capitalismo é culpado pelo “fim” do vinil. O problema é que ele adquire seus discos velhos em lojas/sebos, isto é, no mercado. Cada um…)

Segunda parte: (Continua…)

Sobre o Aquecimento Global e etc.

paulo paiva, 8:25 am
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O Pedro me fez quebrar o silêncio de meses aqui. Mas é que meu santo nome foi citado em vão e eu não resisti a escrever algo no intervalo de tempo que ainda tenho antes do cinema de domingo. Tudo começou com uma troca de emails entre os membros do Garganta, iniciada por mim, já citada pelo Yuri neste post. Basicamente eu defendia o seguinte ponto de vista: é provável que estamos passando por um período de aquecimento no planeta, é pouco provável que o motivo sejam as atividades humanas, é altamente provável que, em estando aquecendo, o planeta não vai sofrer as calamidades alardeadas no filme do Al Gore, e, finalmente, é certo que essa história toda está sendo usada politicamente pelos socialistas para atacar os EUA, o capitalismo e a liberdade individual, como fez claramente um representante do Greenpeace num programa Roda Viva sobre o tema, a mais ou menos um mês atrás. Complementando, também disse que há problemas ambientais muito mais graves que o aquecimento global, como a perda da biodiversidade e solo, e que a melhor maneira da comunidade internacional lidar com esse provável aquecimento é se preparar pra ele e não gastar mundos e fundos para combatê-lo. Se for pra gastar é melhor gastar com o combate à AIDS, malária e desnutrição e investir em educação e saneamento básico. Minha argumentação partiu de Tomas Sowell, Bjorn Lomborg e Richard S. Lindzen, tentando demonstrar que a discussão sobre aquecimento global ocorre num nível muito diferente fora do Brasil, onde a mídia é parcial ao extremo. Não vou entrar em detalhes aqui. Quem quiser que leia os originais em latim, linkados acima. Só traduzi um trechinho de Lindzen sobre Al Gore, para que tenham noção do nível de incerteza sobre a questão:

O Sr. Gore nos garante que “o debate na comunidade científica está acabado”. (…) Quando a Newsweek tratou do aquecimento global numa edição de 1988, alegou-se que todos os cientistas concordavam. Daí para frente, periodicamente, era revelado que embora houvessem dúvidas persistentes até aquele momento, agora sim, os cientistas concordavam. Até o Sr. Gore qualificou sua afirmação na ABC minutos após tê-la emitido, clareando as coisas de uma forma muito importante. Quando o Sr. Stephanopoulos confrontou o Sr. Gore com o fato de que as maiores estimativas de aumento do nível do mar são muito menos assustadoras do que as que ele sugere no seu filme, o Sr. Gore defendeu sua afirmação ressaltando que os cientistas “não tem qualquer modelo que lhes dê um alto nível de confiança” e clamou - em sua defesa – que os cientistas “não sabem… eles simplesmente não sabem”.

Depois dessa, passo a abordar um outro ponto da argumentação do Pedro que não entendi mesmo, talvez por eu ser engenheiro ou “de direita”, sei lá. Ele disse que o que define a nossa modernidade é a distância entre o discurso e a prática. Ele criticou negativamente essa nossa característica moderna e ao mesmo tempo a usou como desculpa. Ou seja: minha prática é diferente do meu discurso, portanto criticar essa falha não é um procedimento válido, o Al Gore pode gastar mais energia que todo mundo porque eu sou falho, nós somos falhos e, portanto, todos inimputáveis. O radicalismo desse pensamento me assusta. Nossa imperfeição não pode ser usada como desculpa para fugirmos de uma análise objetiva da realidade. Unir o discurso com a prática é um objetivo civilizatório! Eu poderia resumir minha vida como uma tentativa de atingir esse objetivo, acentuada, inclusive, com a leitura de um livro que o próprio Pedro me deu de presente, chamado “O Monge e o Filósofo” (interessante ele ter citado no post um asceta tibetano como algo inalcançável e caricatural). A prática é a prova de ouro da verdade do discurso e se abandonarmos essa crença, se pararmos de defendê-la, de apontá-la como uma coisa boa e rejeitar conscientemente os hipócritas, estamos todos ferrados. A degeneração será absoluta e só restará a barbárie (Vírra!). Portanto, partindo do pressuposto que a busca da união entre discurso e prática ser um imperativo moral comum entre eu e Pedro, caso contrário eu nem seria amigo dele, é bastante relevante sim sabermos que o Al Gore é um perdulário ao passo que ele defende que a humanidade reduza drasticamente seu padrão de consumo. É um serviço ao bem comum esse texto que o Eduardo Ferreira fez. Mas talvez eu ache isso por também ser chatinho.

Saturday, 10 de March de 2007

Sentando no próprio rabo

Eu não vi o filme do Al Gore e nem quero ver, mas não me confundam com o Paulo Paiva que não acredita no papel humano nas mudanças climáticas, etc. e tal. Acho os ecologistas em geral chatos e chorões, além de herdeiros da tradição política da esquerda, que acha que são as idéias quem define as pessoas e que quem não está do nosso lado está contra nós. Fodam-se.

Mas eu também acho um pé no saco esse escárnio de quem não leu, não viu e não sabe do que se trata e fica com risadinhas, como se falar no efeito das ações humanas sobre o meio ambiente e nas relações entre economia e ecologia ainda fosse realmente coisa de hippie. Tá certo. Então o Nick Stern, o Amartya Sen, o José Eli da Veiga e Miriam Leitão são companheiros em armas de guerrilha e ficam fumando maconha e viajando nessas coisas, né?

Aí eu tava escrevedo outro dia um post sobre a relação entre ciência e política, tendo como base o aquecimento global, pra brigar com o Paulo e depois me deu uma preguiça danada e ele está aqui meio parado, porque eu entrei numa de citações e comecei a estudar e achei tudo isso muito ridículo.

Aí eu vejo um texto como esse no Mídia sem Máscara e me lembro de um texto do Alexandre Soares Silva (não sei cadê, mas procura aí que cê acha nos posts antigos) em que ele dizia que sempre que ouvia alguém falar que não era nem de esquerda, nem de direita, dava um nervoso e ele ficava olhando pros pés da pessoa com medo de que ela fosse começar a sambar.

O Paulo já tinha me falado dessa bobagem da casa do Al Gore ter um consumo imenso de energia e de se configurar em uma hipocrisia muito grande ele viver assim e vir falar do aquecimento global. Eu dei uma risadinha e perguntei se ia chover porque não estava fim de falar dessas coisas. O argumento do texto é bem bobinho. Levado ao limite, ele significa que nenhum de nós, exceto talvez um asceta nas montanhas tibetanas, pode fazer crítica a coisa alguma, porque afinal nosso telhado é sempre de vidro, ou não? Aliás, não há nada que distingua mais a tal da modernidade do que esta separação entre discurso e prática, ou não? Todos os dias, inúmeras vezes, a maioria delas sem que nos demos conta, pregamos coisas que não praticamos ou fazemos coisas que vão contra valores que nós mesmos defendemos.

Eu mesmo, e não apenas o Al Gore, temos modos de vida profundamente insustentáveis em termos ambientais, começando por coisas básicas: entre outras coisas, não separo o lixo do meu lar e trabalho a maior parte do dia em uma ilha de edição com ar condicionado a 19°C gastando preciosos kilowatts de energia produzidos no Brasil num mix que inclui termelétricas a gás, gerando gases estufa, hidrelétricas, alterando radicalmente grandes ecossistemas e emitindo gases estufa, e nuclear, ao risco que brincar com a radioatividade impõe. São apenas singelos exemplos.

Tudo bem. É evidente que o seu Al Gore tem mais responsabilidade que nós pela posição que ocupa e blábláblá. Mas realmente o que me surpreenderia seria ele ter uma casa parecida com um cupinzeiro, construída de adobe, usando técnicas de permacultura, com condicionamento de ar natural, usando técnicas herdadas dos povos pré-colombianos em suas pirâmides, aquecida por células de hidrogênio no inverno e movida a energia solar.

No limite, segundo o raciocínio de Eduardo Ferreyra, ninguém pode falar nada. Sentamos no próprio rabo o tempo todo. Criticazinha besta. Me dá raiva até de ler e gastar minha manhã de sábado escrevendo isso, quando tenho outro post mais engraçado e menos sérião pra fazer. Devo ser tão chatinho quanto esse Eduardo Ferreyra que nem sei quem é.

O Mídia Sem Máscara costuma publicar textos bem melhores.

Saco.

Tuesday, 6 de March de 2007

O Garganta de Fogo em erupção

Eu certamente já esclareci isto em algum post, mas, se ainda não o fiz, faço-o agora: este blog deve seu nome ao vulcão equatoriano Tungurahua (do quechua Garganta de fogo), de 5060 metros, que a duras penas escalei anos atrás, antes que reiniciasse a série de erupções em que se meteu a partir de 1999. (Veja as fotos no meu perfil.) A foto abaixo foi eleita a foto do dia pela Folha de São Paulo. (Isso é o que eu chamo de propaganda subliminar…) Que Deus olhe pelo povo de Baños e de Ambato, Província de Tungurahua, e pela família Naranjo, minha família de intercâmbio, que vive próxima ao vulcão Cotopaxi (5890m), alguns quilômetros mais ao norte, que também escalei, e que ainda é ativo. Viver à base dum vulcão é como viver coletivamente sob a espada de Dâmocles.

tungurahua3.jpg

Sunday, 4 de March de 2007

“Permaneço um racionalista”

daniel christino, 2:55 am
Filed under: Ciência, escritores, este blog, literatura
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Seria psicanalítico demais, depois de postar o texto do Graciliano, citar o José Guilherme Merquior? Acho que não. Ter consciência da crítica do Graça - é… sou íntimo dos meus heróis - aos “intelectuais de miolo mole” faz da minha citação algo mais do que um ato falho freudiano (falho exatamente quando inconsciente). Faz dela justamente uma filiação, apesar do Merquior nada ter a ver com meus devaneios de “sumo pontífice em brochura”.  Ser amigo dos mortos tem esta vantagem. Além disso, ela diz muito sobre minha posição intelectual e pessoal a respeito do meu último debate travado no blog.

Doa a quem doer, permaneço um racionalista - embora firmemente convencido de que o único racionalismo consequente é o que se propõe, não a violentar o mundo em nome de seus esquemas, mas a apreender em seus conceitos, sem nunca render-se ao ininteligível, sem jamais declarar o inefável, a essência de toda realidade, ainda a mais esquiva, mais obscura e mais contraditória. Somente as almas cândidas, os cegos voluntários e os contempladores do próprio umbigo não percebem e não aprovam a virilidade desta Razão; mas ela é apenas a própria e íntima razão de todo verdadeiro conhecimento humano.

Sunday, 25 de February de 2007

O polêmico aquecimento global II

Há uma variável que nunca vejo ser levada em conta nas equações catastróficas, via imprensa, do famigerado aquecimento global: o aquecimento do próprio Sol. Segundo Richard Willson (pesquisador da Columbia University e do NASA’s Goddard Institute for Space Studies), o aumento da temperatura solar contribuiu com algo entre 10 e 30% do aquecimento global registrado apenas entre 1980 e 2002. E, segundo consta, isso vem ocorrendo desde antes do início do século XX. Aí eu me pergunto: qual a conexão entre o comportamento humano e o estado do nosso Sol? O que ficaremos proibidos de fazer para evitar o incremento da atividade solar? Que artigos o futuro Governo Mundial terá em sua Constituição para nos acusar de “acaloradores” da nossa estrela? Porque esse negócio de plantar um bosquezinho de sequóias a cada peido de metano que dermos não irá adiantar muito não. No fundo, imagino que a burrice e a maldade tenham sim algo a ver com a atividade do Sol. Ele deve ficar muito irritado ao iluminar o que se passa por aqui. Se isso for verdade, creo que ya nos jodimos todos. Só com a eleição do Lula várias explosões solares de grande magnitude devem ter ocorrido. Sem contar as burradas de todos os demais políticos e líderes da Terra, seus gurus e seus financiadores. E as minhas burradas. E as suas.

Espero que o tal Jan Val Elan esteja certo…

(Este é um post para reforçar o anterior.)

Monday, 19 de February de 2007

O polêmico aquecimento global

Rolou, no correr da semana passada, uma discussão interna entre os colaboradores deste blog, via email, a respeito do aquecimento global. Na verdade, participei mais enquanto observador - não tenho acompanhado esse tema com a devida atenção -, mas meus colegas de nome bíblico (Pedro, Paulo e Daniel) andaram medindo os bigodes. Paulo e Pedro já trabalharam nessa área por anos, tendo o Paulo sido superintendente do Parque Ecológico de Goiânia e o Pedro, geógrafo e consultor na área, além de cineasta, com documentários tratando do assunto circulando por aí. Ah, vale dizer que ele também traz os genes do pai, o jornalista Washington Novaes, com anos e anos de dedicação ao debate ambiental. Já o Daniel é mais como o autor deste post, imagino: assim como eu fui um militante da Fundación Natura, no Equador, foi ele membro de um grupo de militância ambiental anos atrás. Enfim, na referida discussão, meu único comentário foi: vcs deviam ter escrito isso tudo no blog. Já que ainda não vejo sinais do debate por aqui, aproveito para dar a deixa ao sugerir a leitura do post do Pedro Sette Câmara, Václav Klaus sobre o aquecimento global, no blog O Indivíduo.

Sunday, 18 de February de 2007

Sobre ciência e religião III

daniel christino, 7:20 pm
Filed under: Ciência, Religião, este blog
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Eu deveria gerenciar os temas vinculados à discussão em seus respectivos posts originais e não pentelhar a área principal do blog com comentários sobre comentários dos comentários. Mas fiquei com pregüiça e resolvi colocar tudo num último post - que é último apenas porque não vou mais postar sobre isso, não porque resolvi a questão. Deveria também continuar o post anterior (o nº 2), mas como houve desdobramentos bastante interessantes, optei por comentá-los. Vamos lá. (Continua…)

Saturday, 17 de February de 2007

O DC-6 do John Wayne

yuri vieira, 5:59 pm
Filed under: Economia, Política, cinema, tecnologia
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Dia 28 de fevereiro será reprisado, no Telecine Cult, o filme Um fio de esperança (The High and the Mighty) (1954), protagonizado por John Wayne. Trata-se, salvo engano, do primeiro filme a explorar o drama de passageiros e tripulação de um vôo comercial em pane. Ou seja: é o avô da série de filmes Aeroporto dos anos 70, que, nos anos 80, desembocou em Apertem os cintos o piloto sumiu. Bom, minha intenção não é tratar exatamente do filme, mas sim do avião Douglas DC-6 utilizado nas filmagens.

Esse avião foi comprado em 1957 por uma das maiores empresas brasileiras de aviação à época, a Lóide Aéreo Nacional, da qual meu pai foi funcionário. Em 1961, o presidente Jânio Quadros foi informado de que o coronel Marcílio Gibson Jacques - veterano da Segunda Guerra e um dos proprietários da Lóide - estava contrabandeando motocicletas para o Brasil em caixas que supostamente traziam peças de avião. Filmes como O Selvagem, com Marlon Brando, haviam alavancado o interesse por motos, mas os impostos cobrados pelo governo brasileiro tornavam a compra desse sonho de consumo mais sonho que consumo. Jânio Quadros fez então aquilo que nossos políticos chamam de política, a saber, colocou o coronel Gibson contra a parede: ou ele vendia por uma quantia irrisória a Lóide Aéreo para a Vasp (uma autarquia do governo paulista) ou iria para a prisão por contrabando. Assim, neste mesmo ano, a Vasp, para espanto do mercado, comprou sua rival várias vezes maior e mais cara que ela própria. Mas essa é uma outra história…

O DC-6 do filme tornou-se, pois, propriedade da Viação Aérea de São Paulo, com quem permaneceu até mais ou menos 1968, quando então a Vasp passou a adquirir apenas jatos da Boing. O avião, aliás, tinha uma placa de metal logo à entrada da cabine: “Este avião serviu como palco do filme Um fio de esperança, protagonizado por John Wayne”. Em 1968, já funcionário da Vasp, meu pai tentou vender o avião para uma empresa de Buenos Aires, que preferiu adquirir um dos Vickers Viscount da empresa paulista. Hoje, se o avião ainda existir, deve pertencer a alguma empresa do Peru, Bolívia ou Colômbia - meu pai não se lembra quem ao certo o comprou. Em meio à desordem dos nossos aeroportos, isto talvez signifique que não somente a Vasp, mas também todo um leque de companhias de aviação nacionais, realmente perdeu seu último fio de esperança…

Religião — a parte simples e a parte complexa

ronaldo brito roque, 1:45 pm
Filed under: Ciência, Religião, especulativas
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“and the historical sense involves a perception, not only of the pastness of the past, but of its presence.” (T. S. Eliot)


A parte simples:

O sexo gera filhos. Se você duvidar dessa afirmativa, não será difícil verificá-la. Pegue uma mulher. Durante dez anos, faça apenas sexo anal com ela, e não deixe que nenhum outro homem a penetre. Deixe que os outros a vejam, toquem-na, beijem-na no rosto, na boca, mas não deixe que ninguém faça sexo com ela, e você mesmo só fará sexo anal com a coitada. Você verá que ela não vai engravidar. Depois volte a fazer sexo normal com ela. Se você e ela forem saudáveis, e ela não tomar anticoncepcionais (não a deixe tomar anticoncepcionais!), você verificará que sexo engravida.

Pegue outra mulher. Tranque-a numa cela ou num palácio. Chame-a de “Virgem Divina” se você quiser, (mesmo que ela não seja virgem), mas não deixe que ninguém faça sexo com ela. Durante toda a vida da pobre mulher, faça com que ela permaneça trancada, com acesso apenas a outras mulheres. Você verificará que a pobre nunca vai engravidar. Então ficará provado. A geração de filhos depende do sexo. A mulher que não faz sexo não engravida, a mulher que faz sexo engravida. Depois você vai descobrir que é o sêmen que engravida e não propriamente o sexo, mas isso já é um aperfeiçoamento da experiência; por hora basta o sexo mesmo. O importante é notar que a ciência fala sobre essas coisas: as coisas que podem ser refeitas e verificadas por qualquer ser humano. Podem ser experiências complexas ou simples, mas mesmo quando se especula sobre a velocidade dos quarks ou a expansão permanente do universo, nenhum cientista espera que as experiências que verifiquem suas teorias possam ser feitas apenas por ele mesmo. Muito pelo contrário, em ciência, uma experiência só tem validade se puder ser refeita por outra pessoa e levar aos mesmos resultados que a experiência inicial. A característica da verdade científica é que ela pode e deve ser verificada enquanto estamos vivos. Mesmo que isso exija o manuseio de instrumentos complexos e uma inteligência fora do comum, o fato é que a ciência fala sobre as coisas que todos nós podemos conhecer, e, se conhecermos, conheceremos antes da morte.

Agora, já que falamos em sexo, vamos falar sobre o adultério. O adultério é pecado, quer gere ou não gere filhos. Quando traímos, entristecemos a pessoa amada, e isso é pecar contra a caridade, não apenas no cristianismo, mas também no judaísmo e no islamismo. Maomé disse que podemos ter quatro esposas, mas não que poderíamos trair essas esposas com uma mulher solteira ou com a mulher de outro. O adultério é um pecado relativamente grave (no islamismo é punido com a pena de morte) e, quando reiterado sem arrependimento leva ao inferno. Essa última parte é que é importante para este estudo. O adultério leva ao inferno. O sexo por amor, dentro do casamento, leva ao céu. E onde fica o inferno? Onde fica o céu? Não sabemos nem temos como saber, pois, só os conheceremos depois da morte.

Não sei se vocês estão entendendo onde quero chegar. A diferença radical entre religião e ciência não está no modo como elas dizem as coisas, está no assunto de que elas tratam. A ciência trata de coisas que podemos conhecer enquanto estamos vivos. A religião fala do que vai nos acontecer depois da morte. Não existe religião que não fale no que há depois da morte. Se existe, mostre-ma, por favor.

Então a ciência vai falar coisas como: o sexo gera filhos. A religião fala coisas como: o adultério leva ao inferno. As duas afirmativas falam sobre sexo. Só que a primeira fala sobre algo no sexo que pode ser verificado por qualquer ser humano enquanto ele está vivo. A segunda fala sobre algo no sexo que não pode ser verificado por um ser humano vivo. Não se pode ser adúltero, ir para o inferno, e depois voltar para dizer que os padres tinham razão.

(Atenção: não confunda as coisas. Não venha me dizer: “mas você está partindo do princípio de que o inferno existe, e isso, em si mesmo, não é um princípio verificável”. Não estou partindo do princípio de que o inferno ou o céu existam, estou partindo do princípio de que a morte existe. E isso sim, é verificável. Se você acha que não vai morrer, você é um boboca.)
(Continua…)



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