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Tuesday, 12 de June de 2007

Aquecimento Global para Desinformados

pedro novaes, 10:34 am
Filed under: meio ambiente, tecnologia
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Nada como uma visão equilibrada e bem informada, em meio à enxurrada de burrices que são ditas sobre mudanças climáticas e aquecimento global. No Valor de ontem:

DUAS DÚVIDAS CONVENIENTES

Por José Eli da Veiga

Viva a campanha de Al Gore contra o aquecimento global. Ninguém fica indiferente se assistir a alguma de suas chocantes conferências, ou ao premiado filme de Davis Guggenheim, cujo DVD (Paramount, R$ 40) merece promoção massiva, como as de vacinação. Mais: toda biblioteca deveria receber pelo menos um exemplar do instigante livro “Uma verdade inconveniente” (Ed. Manole, 2006). Afinal, o grande mérito dessas três peças é tornar acessíveis as evidências acumuladas nos impeditivos e indigestos relatórios do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC).

Ao mesmo tempo, nada disso deve impedir que se admita a existência de sérias controvérsias científicas sobre duas questões que Al Gore prefere fazer de conta que seriam “favas contadas”. Como não há nada pior para a propaganda do que alguma “sombra de dúvida”, a campanha só induz à crença de que já existam certezas absolutas sobre o grau da participação humana no aquecimento, e sobre o preço que deverá ser pago para combatê-lo.

Se comparado ao número de cientistas que validam a visão do IPCC, é diminuto o dos que consideram as causas naturais do aquecimento mais influentes que as provocadas pelas atividades humanas. Nem por isso todos os seus argumentos podem ser desqualificados, como mostra o documentário “The Great Global Warming Swindle”, lançado no início de março pelo canal 4 da televisão britânica (http://video.google.com/). Mesmo que no futuro venha a ficar inteiramente confirmado que a razão está com o IPCC, tal probabilidade não anula a atual controvérsia científica. Claro, é compreensível o temor de que essa dúvida sobre o grau da responsabilidade humana atrapalhe o processo de engajamento multilateral. Mas, se tiver êxito, a opção em curso de tentar “tapar o sol com a peneira” engendrará marcos institucionais equivocados, além de vulneráveis, como já ocorreu com o pioneiro Protocolo de Kyoto.

Também é ingenuidade supor que a significativa queda de resistência do governo Bush na recente reunião do G-8 resulte de algum tipo de reconhecimento tardio da gravidade dos alertas do IPCC. Para os dirigentes republicanos, assim como para boa parte dos democratas, a redução da dependência energética americana de fontes fósseis é antes de tudo uma questão de segurança nacional, não de altruísmo global. Ficarão mais inclinados a aceitar acordos internacionais para limitar emissões se os novos arranjos criarem mercados para as tecnologias que engendrem gradual descarbonização de sua matriz energética. E continuarão a brigar por regras que também gerem demanda por tais tecnologias nos emergentes mercados chineses, indianos, mexicanos, brasileiros etc. Daí a condição de só admitir acertos que também comprometam a semiperiferia.

(Continua…)

Friday, 8 de June de 2007

Esse estranho aquecimento global

yuri vieira, 6:13 am
Filed under: Ciência, Cotidiano, meio ambiente
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Durante as últimas semanas, ouvimos que:

1) “Curitiba chega a zero grau no Maio mais frio desde 1997“;

2) “Santa Catarina tem o mês de Maio mais frio em 39 anos“;

3) “Este é o mês de Maio mais frio dos últimos sete anos em SP“;

4) Nevou em Junho na Califórnia.

Pergunta: será o “aquecimento global”?

Bem, segundo o blog Pensadores Brasileiros, os termômetros usados para medir esse tal aquecimento são dispostos em locais bem esquisitos. Aposto que alguns ficam dentro de saunas…

Monday, 28 de May de 2007

A décima primeira solução

ronaldo brito roque, 12:57 am
Filed under: Cotidiano, meio ambiente
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A revista Veja Rio publicou outro dia (domingo, 20/05/2007) uma reportagem abordando os principais problemas do trânsito do Rio, e sugerindo 10 soluções para melhorar a situação. Me chamou a atenção a ingenuidade das soluções sugeridas, por isso resolvi escrever este texto, propondo uma décima primeira solução, que, tenho certeza, não será implementada a curto prazo, mas pelo menos quem for minimamente inteligente vai ver que tenho razão.

Desde que eu fazia arquitetura venho defendendo que a solução para o tráfego de qualquer cidade grande não é espacial. Todas as metrópoles, mesmo as que têm ótimos metrôs, têm engarrafamentos. Quando você estuda história do urbanismo, descobre que na Roma Antiga já existia esse problema. É um erro achar que engarrafamento é coisa moderna. Tem um documentário (infelizmente não lembro o nome) que mostra que, assim que saiu o primeiro Ford vendido a prazo, as cidades abençoadas por essa grande oportunidade comercial passaram a ter engarrafamento em menos de um mês. As pessoas primeiro acharam que o problema se resolveria com o aumento da largura das ruas. Mas depois viram que isso não resolvia, porque quando você faz uma cidade confortável, mais pessoas passam a morar lá, mais pessoas compram carros, e logo a rua já está estreita de novo. Fazer mais metrôs, mais ruas, mais ônibus não vai resolver o problema. Eu não esqueço de um sujeito boboca que eu conheci uma vez que dizia que para solucionar esse problema as pessoas tinham que aprender a deixar o carro em casa e pegar o metrô. Ora, e por acaso o metrô já não está lotado? Alguém quer pegar o metrô, em São Paulo ou no Rio, nos horários de pico? Os ônibus também já estão lotados. E, mesmo que não estivessem, quem ia querer largar o seu carro para pegar um ônibus?! Ônibus é ruim demais, pelo amor de Deus!

O engraçado é que tem um monte de engenheiro (todos pagos pela prefeitura) trabalhando para resolver o problema, mas eles não conseguem achar a solução. Ela está lá, gritando, debaixo do nariz deles, mas eles não conseguem enxergá-la, primeiro porque são cegos, e depois porque querem ir embora às 18h e folgar aos domingos, como todo mundo.
(Continua…)

Friday, 25 de May de 2007

Algumas verdades inconvenientes

1) Sim, Hollywood ficou toda prosa com o filme do Al Gore. Contudo, ninguém me tira da cabeça que o cinema americano - com suas enormes explosões, incêndios e tiroteios - é responsável por pelo menos 50% do efeito estufa. O que quer dizer que, se não fosse o cinema deles, a Terra seria mais fresquinha. Sacou? Sem os filmes do Rambo, do governador Schwarzenegger e, sei lá, sem os filmes sobre a guerra do Vietnã, seria possível até mesmo nevar aqui no Centro Oeste. (Na fazenda da minha saudosa avó materna, geava. O tempo passou, a véia morreu e não geia mais.)

2) O Jornal Nacional mostra uma reportagem falando coisas terríveis sobre a poluição dos rios e a porcaria que são as tais garrafas plásticas e demais dejetos não-degradáveis encontrados em meio à natureza. (São mesmo, principalmente quando muito distantes da possibilidade de serem recolhidos e reciclados.) Em sua locução, a Fátima Bernardes faz a mesma cara de quando o Brasil perde um jogo na Copa, aquele olhar de amiga de defunto recém empacotado. Intervalo comercial: Coca-cola, guaranás x, y, e z. Todos em garrafas PET. Volta o jornal e aparece o William Bonner todo sorridente mostrando uma apreensão de toneladas e toneladas reluzentes de CDs e DVDs piratas sendo esmigalhadas por tratores ou seja lá o que for aquele monstro de ferro e aço. O pátio da polícia federal fica repleto de pequenas montanhas de lixo plástico e… alumínio? Não sei. Sei apenas que não falam nada a respeito do destino de tanto lixo. Por que não? Meu Deus! Por que nããão? À noite, a cabeça cheia de circunferências metálicas de brilhos iriados, os olhos teimam em arregalar-se. Tento dormir. Não consigo.

3) Prosseguindo minha pesquisa no Google, volto a encontrar vários sites se referindo ao aquecimento do próprio Sol. (Sim, basta digitar “solar warming“.) Isso me deixa preocupadíssimo, afinal ninguém parece dar atenção ao tema, o Al Gore não passa nem triscando nele, e o Sol impávido segue sua órbita ao redor do centro da Via Láctea, um colosso a ignorar nossos temores. Porra, penso, cadê a ONU? Alguém precisa multar o responsável pelo Sol, ameaçá-lo com uma comissão de astrônomos e, por que não?, de astrólogos. Caso o Sol prossiga com sua maldade, seria necessário enviar os capacetes azuis para tomá-lo de assalto, invadi-lo e fincar lá a bandeira das Nações Unidas. Hmmm. Sim, sim. É fato, os sacanas dos americanos certamente não cederão os foguetes da NASA. The bastards! Será preciso recorrer à Rússia, um povo muito mais racional…

4) Hugo Chávez acusa os futuros produtores de etanol de roubar terras necessárias à agricultura de alimentação, mas não se dá conta de que, segundo aquele pessoal da ONU que o convidou para xingar o Bush de diabo lá em Nova Iorque, o aquecimento global - responsável pela tal desertificação e pelo desarranjo climático destruidor das hortas das velhinhas camponesas de todo o mundo - é supostamente causado pela queima do petróleo que sustenta seu governo corrupto. Ou será que ele já tem a confirmação de que a culpa é apenas do Sol?

Saturday, 12 de May de 2007

O Garganta de Fogo

yuri vieira (SSi), 1:36 pm
Filed under: Podcast e videos, meio ambiente, montanhismo
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O vulcão Tungurahua (5060m), em erupção desde 1999. (Do quechua, O garganta de fogo.)

Monday, 7 de May de 2007

As hidrelétricas do Rio Madeira

paulo paiva, 10:27 am
Filed under: meio ambiente
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Vejam só o texto à seguir, publicado no oEco por Fábio Olmos. É o mais lúcido e o que melhor resume a discussão que domina as conversas recentes no meio ambientalista, sobre as hidrelétricas do Rio Madeira, Jirau e Sto. Antônio. Ressalto a parte em que o autor se posiciona à favor da energia nuclear, após uma defesa apaixonada dos valentes bagres amazônicos!

Bagres superpoderosos

05.05.2007

E sobrou para os bagres. Se o país viver um novo apagão de energia e o PAC não andar, a culpa será dos bagres do rio Madeira. Por causa deles, diz a versão governamental, técnicos ambientais ecoxiitas deram parecer negativo ao projeto de construir duas hidrelétricas no rio Madeira, Jirau e Santo Antônio, em Rondônia.

(Continua…)

Monday, 26 de March de 2007

O chatérrimo aquecimento global

Já que nosso colega Daniel quer mais opiniões e depoimentos de cientistas, segue este vídeo que eu havia esquecido em meio aos meus favoritos do You Tube. (O Pedro Sette já o publicou n’O Indivíduo dias atrás.) Em resumo, os cientistas entrevistados afirmam não apenas que não há provas de que o homem esteja causando o tal aquecimento global - ou mesmo que o CO2 tenha algo a ver com isso (é mais provável que o aumento de CO2 seja um efeito do aumento da temperatura e não uma causa dela) -, mas ainda que tudo não passa dum grande negócio, a “indústria do aquecimento global”, uma vez que toda uma multidão de empregos e cargos burocráticos foram criados em função desse falso alerta. Das intenções político-ideológicas dos defensores do estatismo, que não querem senão mais um pretexto para avançar sobre as liberdades individuais, se fala apenas por alto. Mas os cientistas não deixam de repetir: é propaganda política. E comentam sobre o sofrimento dos países subdesenvolvidos que, com a criminalização da indústria e da produção de energia, são impedidos de crescer.

E olha só que interessante: Nigel Calder, que foi editor da revista New Scientist, faz exatamente a mesma analogia feita pela Ann Coulter, tão criticada pelo Daniel: o “aquecimento global” é como uma doutrina religiosa e quem não concorda com ela é um herege. “Eu sou um herege”, diz Calder.

E, finalmente, alguns cientistas estão convencidos de que o comportamento do Sol é que é o verdadeiro responsável pela coisa toda: o Sol controla os raios cósmicos que controlam as nuvens que regulam o clima. Voilà. (Aliás, eu já havia tratado do Sol aqui.)

This short program, produced and shown in England, destroys the arguments put forward by Al Gore and the human caused Global Warming activists.


Thursday, 22 de March de 2007

A religião do aquecimento global

yuri vieira, 2:22 pm
Filed under: Ciência, Humor, Imprensa, Podcast e videos, meio ambiente
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Da Ann Coulter:

No matter how much liberals try to dress up their nutty superstitions about global warming as “science,” which only six-fingered lunatics could doubt, scratch a global warming “scientist” and you get a religious fanatic.

These days, new religions are barely up and running before they seize upon the worst aspects of the God-based religions.

First, there’s the hypocrisy and corruption.

(…)

As has been widely reported, Gore’s Tennessee mansion consumes 20 times the energy of the average home in that state. But it’s OK, according to the priests of global warming. Gore has purchased “carbon offsets.”

It took the Catholic Church hundreds of years to develop corrupt practices such as papal indulgences. The global warming religion has barely been around for 20 years, and yet its devotees are allowed to pollute by the simple expedient of paying for papal indulgences called “carbon offsets.”

(…)

The moment anyone diverges from official church doctrine on global warming, he is threatened with destruction. Heretics would be burnt at the stake if liberals could figure out how to do it in a “carbon neutral” way.

Climatologist Dr. Timothy Ball is featured in the new documentary debunking global warming, titled “The Great Global Warming Swindle.” For this heresy, Ball has received hate mail with such messages as, “If you continue to speak out, you won’t live to see further global warming.”

I’m against political writers whining about their hate mail because it makes them sound like Paul Krugman. But that’s political writers arguing about ideology.

Global warming is supposed to be “science.” It’s hard to imagine Niels Bohr responding to Albert Einstein’s letter questioning quantum mechanics with a statement like: “If you continue to speak out, you won’t live to see further quantum mechanics.”

(…)

Monday, 12 de March de 2007

Sobre o Aquecimento Global e etc.

paulo paiva, 8:25 am
Filed under: amigos, meio ambiente
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O Pedro me fez quebrar o silêncio de meses aqui. Mas é que meu santo nome foi citado em vão e eu não resisti a escrever algo no intervalo de tempo que ainda tenho antes do cinema de domingo. Tudo começou com uma troca de emails entre os membros do Garganta, iniciada por mim, já citada pelo Yuri neste post. Basicamente eu defendia o seguinte ponto de vista: é provável que estamos passando por um período de aquecimento no planeta, é pouco provável que o motivo sejam as atividades humanas, é altamente provável que, em estando aquecendo, o planeta não vai sofrer as calamidades alardeadas no filme do Al Gore, e, finalmente, é certo que essa história toda está sendo usada politicamente pelos socialistas para atacar os EUA, o capitalismo e a liberdade individual, como fez claramente um representante do Greenpeace num programa Roda Viva sobre o tema, a mais ou menos um mês atrás. Complementando, também disse que há problemas ambientais muito mais graves que o aquecimento global, como a perda da biodiversidade e solo, e que a melhor maneira da comunidade internacional lidar com esse provável aquecimento é se preparar pra ele e não gastar mundos e fundos para combatê-lo. Se for pra gastar é melhor gastar com o combate à AIDS, malária e desnutrição e investir em educação e saneamento básico. Minha argumentação partiu de Tomas Sowell, Bjorn Lomborg e Richard S. Lindzen, tentando demonstrar que a discussão sobre aquecimento global ocorre num nível muito diferente fora do Brasil, onde a mídia é parcial ao extremo. Não vou entrar em detalhes aqui. Quem quiser que leia os originais em latim, linkados acima. Só traduzi um trechinho de Lindzen sobre Al Gore, para que tenham noção do nível de incerteza sobre a questão:

O Sr. Gore nos garante que “o debate na comunidade científica está acabado”. (…) Quando a Newsweek tratou do aquecimento global numa edição de 1988, alegou-se que todos os cientistas concordavam. Daí para frente, periodicamente, era revelado que embora houvessem dúvidas persistentes até aquele momento, agora sim, os cientistas concordavam. Até o Sr. Gore qualificou sua afirmação na ABC minutos após tê-la emitido, clareando as coisas de uma forma muito importante. Quando o Sr. Stephanopoulos confrontou o Sr. Gore com o fato de que as maiores estimativas de aumento do nível do mar são muito menos assustadoras do que as que ele sugere no seu filme, o Sr. Gore defendeu sua afirmação ressaltando que os cientistas “não tem qualquer modelo que lhes dê um alto nível de confiança” e clamou - em sua defesa – que os cientistas “não sabem… eles simplesmente não sabem”.

Depois dessa, passo a abordar um outro ponto da argumentação do Pedro que não entendi mesmo, talvez por eu ser engenheiro ou “de direita”, sei lá. Ele disse que o que define a nossa modernidade é a distância entre o discurso e a prática. Ele criticou negativamente essa nossa característica moderna e ao mesmo tempo a usou como desculpa. Ou seja: minha prática é diferente do meu discurso, portanto criticar essa falha não é um procedimento válido, o Al Gore pode gastar mais energia que todo mundo porque eu sou falho, nós somos falhos e, portanto, todos inimputáveis. O radicalismo desse pensamento me assusta. Nossa imperfeição não pode ser usada como desculpa para fugirmos de uma análise objetiva da realidade. Unir o discurso com a prática é um objetivo civilizatório! Eu poderia resumir minha vida como uma tentativa de atingir esse objetivo, acentuada, inclusive, com a leitura de um livro que o próprio Pedro me deu de presente, chamado “O Monge e o Filósofo” (interessante ele ter citado no post um asceta tibetano como algo inalcançável e caricatural). A prática é a prova de ouro da verdade do discurso e se abandonarmos essa crença, se pararmos de defendê-la, de apontá-la como uma coisa boa e rejeitar conscientemente os hipócritas, estamos todos ferrados. A degeneração será absoluta e só restará a barbárie (Vírra!). Portanto, partindo do pressuposto que a busca da união entre discurso e prática ser um imperativo moral comum entre eu e Pedro, caso contrário eu nem seria amigo dele, é bastante relevante sim sabermos que o Al Gore é um perdulário ao passo que ele defende que a humanidade reduza drasticamente seu padrão de consumo. É um serviço ao bem comum esse texto que o Eduardo Ferreira fez. Mas talvez eu ache isso por também ser chatinho.

Saturday, 10 de March de 2007

Sentando no próprio rabo

Eu não vi o filme do Al Gore e nem quero ver, mas não me confundam com o Paulo Paiva que não acredita no papel humano nas mudanças climáticas, etc. e tal. Acho os ecologistas em geral chatos e chorões, além de herdeiros da tradição política da esquerda, que acha que são as idéias quem define as pessoas e que quem não está do nosso lado está contra nós. Fodam-se.

Mas eu também acho um pé no saco esse escárnio de quem não leu, não viu e não sabe do que se trata e fica com risadinhas, como se falar no efeito das ações humanas sobre o meio ambiente e nas relações entre economia e ecologia ainda fosse realmente coisa de hippie. Tá certo. Então o Nick Stern, o Amartya Sen, o José Eli da Veiga e Miriam Leitão são companheiros em armas de guerrilha e ficam fumando maconha e viajando nessas coisas, né?

Aí eu tava escrevedo outro dia um post sobre a relação entre ciência e política, tendo como base o aquecimento global, pra brigar com o Paulo e depois me deu uma preguiça danada e ele está aqui meio parado, porque eu entrei numa de citações e comecei a estudar e achei tudo isso muito ridículo.

Aí eu vejo um texto como esse no Mídia sem Máscara e me lembro de um texto do Alexandre Soares Silva (não sei cadê, mas procura aí que cê acha nos posts antigos) em que ele dizia que sempre que ouvia alguém falar que não era nem de esquerda, nem de direita, dava um nervoso e ele ficava olhando pros pés da pessoa com medo de que ela fosse começar a sambar.

O Paulo já tinha me falado dessa bobagem da casa do Al Gore ter um consumo imenso de energia e de se configurar em uma hipocrisia muito grande ele viver assim e vir falar do aquecimento global. Eu dei uma risadinha e perguntei se ia chover porque não estava fim de falar dessas coisas. O argumento do texto é bem bobinho. Levado ao limite, ele significa que nenhum de nós, exceto talvez um asceta nas montanhas tibetanas, pode fazer crítica a coisa alguma, porque afinal nosso telhado é sempre de vidro, ou não? Aliás, não há nada que distingua mais a tal da modernidade do que esta separação entre discurso e prática, ou não? Todos os dias, inúmeras vezes, a maioria delas sem que nos demos conta, pregamos coisas que não praticamos ou fazemos coisas que vão contra valores que nós mesmos defendemos.

Eu mesmo, e não apenas o Al Gore, temos modos de vida profundamente insustentáveis em termos ambientais, começando por coisas básicas: entre outras coisas, não separo o lixo do meu lar e trabalho a maior parte do dia em uma ilha de edição com ar condicionado a 19°C gastando preciosos kilowatts de energia produzidos no Brasil num mix que inclui termelétricas a gás, gerando gases estufa, hidrelétricas, alterando radicalmente grandes ecossistemas e emitindo gases estufa, e nuclear, ao risco que brincar com a radioatividade impõe. São apenas singelos exemplos.

Tudo bem. É evidente que o seu Al Gore tem mais responsabilidade que nós pela posição que ocupa e blábláblá. Mas realmente o que me surpreenderia seria ele ter uma casa parecida com um cupinzeiro, construída de adobe, usando técnicas de permacultura, com condicionamento de ar natural, usando técnicas herdadas dos povos pré-colombianos em suas pirâmides, aquecida por células de hidrogênio no inverno e movida a energia solar.

No limite, segundo o raciocínio de Eduardo Ferreyra, ninguém pode falar nada. Sentamos no próprio rabo o tempo todo. Criticazinha besta. Me dá raiva até de ler e gastar minha manhã de sábado escrevendo isso, quando tenho outro post mais engraçado e menos sérião pra fazer. Devo ser tão chatinho quanto esse Eduardo Ferreyra que nem sei quem é.

O Mídia Sem Máscara costuma publicar textos bem melhores.

Saco.

Tuesday, 6 de March de 2007

O Garganta de Fogo em erupção

Eu certamente já esclareci isto em algum post, mas, se ainda não o fiz, faço-o agora: este blog deve seu nome ao vulcão equatoriano Tungurahua (do quechua Garganta de fogo), de 5060 metros, que a duras penas escalei anos atrás, antes que reiniciasse a série de erupções em que se meteu a partir de 1999. (Veja as fotos no meu perfil.) A foto abaixo foi eleita a foto do dia pela Folha de São Paulo. (Isso é o que eu chamo de propaganda subliminar…) Que Deus olhe pelo povo de Baños e de Ambato, Província de Tungurahua, e pela família Naranjo, minha família de intercâmbio, que vive próxima ao vulcão Cotopaxi (5890m), alguns quilômetros mais ao norte, que também escalei, e que ainda é ativo. Viver à base dum vulcão é como viver coletivamente sob a espada de Dâmocles.

tungurahua3.jpg

Sunday, 25 de February de 2007

O polêmico aquecimento global II

Há uma variável que nunca vejo ser levada em conta nas equações catastróficas, via imprensa, do famigerado aquecimento global: o aquecimento do próprio Sol. Segundo Richard Willson (pesquisador da Columbia University e do NASA’s Goddard Institute for Space Studies), o aumento da temperatura solar contribuiu com algo entre 10 e 30% do aquecimento global registrado apenas entre 1980 e 2002. E, segundo consta, isso vem ocorrendo desde antes do início do século XX. Aí eu me pergunto: qual a conexão entre o comportamento humano e o estado do nosso Sol? O que ficaremos proibidos de fazer para evitar o incremento da atividade solar? Que artigos o futuro Governo Mundial terá em sua Constituição para nos acusar de “acaloradores” da nossa estrela? Porque esse negócio de plantar um bosquezinho de sequóias a cada peido de metano que dermos não irá adiantar muito não. No fundo, imagino que a burrice e a maldade tenham sim algo a ver com a atividade do Sol. Ele deve ficar muito irritado ao iluminar o que se passa por aqui. Se isso for verdade, creo que ya nos jodimos todos. Só com a eleição do Lula várias explosões solares de grande magnitude devem ter ocorrido. Sem contar as burradas de todos os demais políticos e líderes da Terra, seus gurus e seus financiadores. E as minhas burradas. E as suas.

Espero que o tal Jan Val Elan esteja certo…

(Este é um post para reforçar o anterior.)

Monday, 19 de February de 2007

O polêmico aquecimento global

Rolou, no correr da semana passada, uma discussão interna entre os colaboradores deste blog, via email, a respeito do aquecimento global. Na verdade, participei mais enquanto observador - não tenho acompanhado esse tema com a devida atenção -, mas meus colegas de nome bíblico (Pedro, Paulo e Daniel) andaram medindo os bigodes. Paulo e Pedro já trabalharam nessa área por anos, tendo o Paulo sido superintendente do Parque Ecológico de Goiânia e o Pedro, geógrafo e consultor na área, além de cineasta, com documentários tratando do assunto circulando por aí. Ah, vale dizer que ele também traz os genes do pai, o jornalista Washington Novaes, com anos e anos de dedicação ao debate ambiental. Já o Daniel é mais como o autor deste post, imagino: assim como eu fui um militante da Fundación Natura, no Equador, foi ele membro de um grupo de militância ambiental anos atrás. Enfim, na referida discussão, meu único comentário foi: vcs deviam ter escrito isso tudo no blog. Já que ainda não vejo sinais do debate por aqui, aproveito para dar a deixa ao sugerir a leitura do post do Pedro Sette Câmara, Václav Klaus sobre o aquecimento global, no blog O Indivíduo.

Monday, 12 de February de 2007

Procissão

karina vieira, 2:41 pm
Filed under: Cotidiano, fotografia, meio ambiente
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“O Senhor é meu pastor, nenhum passarinho me pegará…”

Procissão de lagartas no corrimão da varanda da casa dos meus pais.
(Clique nas imagens para ampliá-las.)

Giannetti e Aquecimento Global no Roda Viva

pedro novaes, 6:36 am
Filed under: Ciência, meio ambiente
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Por falar em Eduardo Giannetti, ele é um dos convidados do Roda Viva especial de hoje, sobre o tema do aquecimento global, discutindo o recente relatório do IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas -, que traz asserções muito sérias sobre o fenômeno e as mudanças climáticas relacionadas. Além de Gianetti, participam da discussão:

* Marcelo Furtado, diretor de Campanhas do Greenpeace;

* Washington Novaes, jornalista, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e supervisor do quadro Biodiversidade do programa Repórter Eco, da TV Cultura;

* Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e membro do IPCC;

* José Antonio Marengo, pesquisador climatologista do CPTEC INPE - Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais;

* Horácio Lafer Piva, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel;

Apresentação: Paulo Markun.

A partir das 22:30h, na TV Cultura e Rede Pública de Televisão.

Sunday, 4 de February de 2007

From Goyaz to Glauber Rocha - FICA

yuri vieira (SSi), 12:10 pm
Filed under: Podcast e videos, cinema, fotografia, meio ambiente
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Este vídeo é o resultado das oficinas de Fotografia em vídeo digital, ministrada por Dib Lutfi (diretor de fotografia do filme “Terra em Transe”, entre outros), e de Edição de vídeo, ministrada por João Paulo Carvalho (editor da sitcom “Armação Ilimitada”, entre outros trabalhos), oficinas estas que ocorreram durante o VIII Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), na cidade de Goiás-GO, entre 6 e 11 Junho de 2006. Trata-se duma carta dirigida a Glauber Rocha, de autoria do escritor Yuri Vieira e do cineasta Pedro Novaes, texto aliás bastante elogiado pelo escritor Zuenir Ventura e pelo crítico de cinema Ismail Xavier, presentes ao evento. Foi inspirada na carta “From New York to Paulo Francis“, escrita por Glauber no final dos anos 1960. A finalização é da editora Aline Nóbrega, a locução é de Pedro Novaes e a produção, da Cora Filmes. O FICA é uma realização da AGEPEL.



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