Arquivo para a categoria " Arte"




Thursday, June 19, 2008

Na natureza selvagem

daniel christino, 2:07 am
Filed under: cinema, literatura, meio ambiente
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Acabei de assistir ao filme do Sean Penn sobre o livro do Jon Krakauer, Into the Wild. O belo filme parte de uma premissa, para mim, equivocada. A idéia de natureza e, por tabela, de ser humano. A citação de Byron, ao início, é exemplar: There is a pleasure in the pathless woods; / There is a rapture on the lonely shore; / There is society, where none intrudes, / By the deep sea, and music in its roar; / I love not man the less, but Nature more…

Byron é um romântico e sua visão da natureza é igualmente romântica. Que um jovem de 21 anos se sentisse atraído por esta concepção é natural. É exatamente o modo como o personagem  se define, um “viajante estético”. Puro Sturm und Drang. Entretanto, assim como o romantismo, Alexander Supertramp é cego para as revoluções inconscientes de sua afetividade, o verdadeiro subtexto de seu amor pela natureza.

É um filme de formação, sem dúvida. Assim como o Wilheim Meister de Goethe, Supertramp encontra os mais diferentes tipo humanos, desde hippies em crise existencial até o velho viúvo que lhe abre a chave de interpretação para o próprio passado. Mas um século que já conheceu a psicanálise e a psiciologia cognitiva não pode, simplesmente, deixar-se levar pela idéia de uma natureza como caminho para o Deus interior. Infelizmente Alex se embrenha cada vez mais no mato para encontrar, ao final, exatamente aquilo do qual estava fugindo: a humanidade. Pobre menino, andando em círculos atrás de si mesmo, perseguindo uma idéia de natureza há séculos perdida.

Todos que encontra parecem assombrados com sua espontaneidade e sagacidade. Estão, na verdade, apaixonados pela juventude que o tempo lhes roubou. Estão apaixonados pela natalidade, pelo novo começo que ele representa. Alex representa as possibilidades que todos eles não aproveitaram. Mas não vai aí dose alguma de ressentimento, só carinho. Todos o observam com olhos humanos que ele claramente ignora, em sua ainda infantil negação da civilização.

Ao assistir o filme, ao contrário de outros amigos, não me deu vontade de voltar às montanhas ou às trilhas. Na verdade senti um orgulho danado de já ter ido e voltado.

Monday, June 2, 2008

Cunha

rodrigo fiume, 4:39 pm
Filed under: Viagens, fotografia
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Paraty (RJ), longe à dir., vista a partir da Pedra da Macela, em Cunha (SP). Clique na foto para ver outras

Wednesday, May 21, 2008

O Roqueiro Burocrata

ronaldo brito roque, 3:14 am
Filed under: literatura
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Baseado em argumento de Maurício Gouvêa

O Roqueiro Burocrata não começou como burocrata. Ele era muito jovem — treze anos — quando ganhou sua primeira guitarra. Mas já era audacioso. Não comprava revistas com as cifras das canções. Achava que era questão de honra tirá-las de ouvido. Depois já não comprava discos. Queria memorizar os acordes na primeira audição. Nem sempre conseguia, mas fazia progressos vertiginosos, isso era fato.

Quando começou a tocar nas festas de amigos, não aceitava dinheiro. Queria apenas o beijo da garota mais bonita, aquela que sabia interpretar seus olhares e esperar até o fim da festa para ficar com o geniozinho da guitarra. Ele ganhava os beijos, ela ganhava a inveja das amigas. Mas nessa época ele ainda não cantava. Seu coração se apertava quando ele tentava cantar o amor. Sentia que algo dentro dele ainda não era grande o bastante para querer transbordar. Foi só depois do primeiro grande fora — só depois que a mulher mais linda do mundo preferiu um advogado de terno e gravata e contracheque — que ele aceitou que o amor afinal não era assim tão nobre para exigir mais que sua humilde voz. E o curioso é que, depois disso, sua voz melhorou e se elevou à altura do amor. É o mistério da beleza: ela só se entrega a quem se descobre infinitamente menor que ela.

E foi assim que o Roqueiro Burocrata — naquela época ele ainda não era burocrata — se tornou o melhor roqueiro do mundo. Quando ele cantava, era o mundo que cantava a si mesmo pela sua voz. Quando ele tocava, era o que sobrava do mundo que encontrava lugar na sua guitarra. E nada passava indiferente à voz e às mãos do Roqueiro Burocrata, e ele era o melhor, embora só quatro pessoas soubessem disso: seu amigo Lucas, o Carlos, o Marcos Flávio, que era dono do estúdio onde eles gravavam, e a filhinha do Marcos Flávio, que ficava com o papai enquanto ele mixava as gravações. E mais umas cinco ou seis pessoas sabiam do fato quase secreto: eram as pessoas que compraram seu primeiro disco e jamais viram sua cara, nem tinham a menor vontade de conhecê-lo, mas simplesmente sabiam, como sabemos o que é um sorriso e o que é a chuva, que ele era o melhor do mundo no que fazia.

Mas algo obscuro se passou na alma do Roqueiro Burocrata — talvez a falta de dinheiro, talvez outro tipo de desesperança — e ele começou a pensar que o sucesso não era uma questão de ser o melhor. O sucesso tinha algo a ver com contratos, horários, camarins com banheiras e ar condicionado, gravadoras que investiam 30 por cento em publicidade, direitos autorais e turnês. E a música não era mais o único lugar onde ele reencontrava sua fé. A música era um dever de casa que ele fazia em troca do seu quinhão de mundo.

E todos passaram a ouvir o Roqueiro Burocrata. Todos, menos aqueles cinco que haviam comprado seu primeiro disco e sabiam que ele era o melhor do mundo. Agora ele era conhecido do mundo, mas era apenas mais um. E o curioso é que ele mesmo não notara a diferença, porque quando subia no palco, e cumpria seu dever profissional, as pessoas que estavam no show também queriam apenas cumprir algum protocolo. Estavam ali para agradar ao namorado, para esquecer os pais, para encontrar os amigos, para aproveitar a promoção de assinante de jornal, para usar os ingressos que haviam ganhando na campanha da empresa, enfim, tinham ido ali por qualquer motivo, menos pela música. E o Roqueiro Burocrata também não tinha ido lá para fazer música. E de fato sua música não encontrava os ouvidos de ninguém, e quando tudo acabava, ele ligava para a mulher e dizia: “Terminamos mais um amor; em breve poderei voltar para casa.”

E foi assim que o Roqueiro Burocrata deixou de ser músico e se tornou apenas um roqueiro burocrata. Mas até hoje ninguém notou a diferença. Nem mesmo ele.

Monday, May 19, 2008

Metrô — 19

rodrigo fiume, 1:46 am
Filed under: fotografia
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Estação Clínicas, São Paulo

Friday, May 16, 2008

Les petit enfants…

diogo, 6:03 pm
Filed under: Arte, cinema
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Eu sou meio tonto com esses dois filmes: A vida é bela (do Benini) e La Môme (de Olivier Dahan, sobre a vida da minha querida Edithinha Piaf). Claro que Marion Cotillard fez um trabalho magnífíco encarnando La môme Piaf (ficando até feia e ranzinza), mas la petite Pauline Burlet me emociona cantando La Marseillaise.

Já em La Vita è bela, o pequeno Giorgio Cantarini não fez por menos. A controversa cena final, que muitos detestaram (e acusam Benini de ter apelado para ganhar o Oscar, embora os americanos tenham mesmo salvado a Europa do nazismo, mas isso já é outra história). Sem problemas, você pode até achar que o tanque americano dando uma carona para o pequeno Giosuè é um símbolo do imperialismo Yankee ou qualquer bobagem deste tipo, mas não pode negar que, de qualquer forma, o reencontro com a mãe dá aquela umedecida nos olhos.

Monday, May 12, 2008

Metrô — 18

rodrigo fiume, 1:43 am
Filed under: fotografia
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Estação Sé, São Paulo

Tuesday, May 6, 2008

Joss Stone - “Son of a Preacher Man”

yuri vieira, 6:05 pm
Filed under: Podcast e videos, colírio, música
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Oh, my God!!!

Friday, May 2, 2008

Albert Hofmann e Alex Grey

yuri vieira, 5:49 am
Filed under: Arte, Ciência, plásticas
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Dia 29 de Abril, eu estava conversando aqui em casa com o Sérvio Túlio Caetano — que é um excelente desenhista, pintor, ilustrador, etc. — quando decidi lhe mostrar o site do Alex Grey, na minha opinião, um dos grandes artistas plásticos do nosso tempo. Eis uma de suas telas:

Alex Grey - Kissing

Ao entrar em seu site, descobri que Albert Hofmann — o químico que sintetizou o LSD e “curtiu” seus efeitos pela primeira vez — havia falecido naquele mesmo dia. Veja aqui uma foto dos dois ao lado da tela abaixo, pintada pelo mesmo artista.

Alex Grey -Albert Hofmann

Sobre Hofmann e o LSD, se vire. (Não posso falar dessas coisas, cazzo, me dá flashback…)

Albert! Vaya con Dios, hermano!

Saturday, April 26, 2008

Tempo, estudo e coisas cretinas

diogo, 10:20 pm
Filed under: Educação, literatura
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Não me lembro quem disse que a grande diferença entre a literatura que se faz no Brasil e fora dele é somente uma: estudo. Acho que isso é coisa do Polzonoff, mas não tenho certeza. Certeza só na afirmação. Estou fora do país há quase dois meses e nem imaginava que, em tão pouco tempo, aprenderia tanta coisa.  Estou cá a estudar inglês, porque ele ainda é catastrófico. Mas o interessante é que não se aprende somente gramática nas aulas de reading n’ writting, mas sim, como estruturar um texto, como descrever as coisas, como narrar uma estória. E claro que técnicas de escrita não levam o cidadão além dos limites superficiais da literatura, como poeminhas de amor nerudescos ou bobagens místicas coelhonianas. E não é nada senão o estudo que diferencia as coisas, que faz o sujeito ultrapassar a barreira das coisas comuns.Mas a sensação que tenho aqui é que eles (os americanos) podem querer ser tudo. Mesmo que não consigam, têm toda a estrutura e a oportunidades à disposição para tentar. Por isso, é triste vê-los perdendo tanto tempo com coisas cretinas, como, por exemplo, fingir que tocam guitarra num videogame; ou fazendo uma rodinha de amaconhados tocando violão.

Wednesday, April 23, 2008

Novo site oficial de Hilda Hilst

yuri vieira, 8:46 am
Filed under: Avisos, escritores, literatura, sites
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O Instituto Hilda Hilst lançou, neste mês em que a Hilda completaria 78 anos de idade, o novo site oficial da escritora. José Luis Mora Fuentes e Daniel Bilenky, que já vinham fazendo um ótimo trabalho na Casa do Sol, sede do Instituto, estão de parabéns por mais esse projeto. Desejo todo sucesso neste e em futuros empreendimentos. O sonho da Hilda começa a tornar-se realidade…

O site que fiz em 1999 continuará online apenas por razões históricas, uma vez que foi o primeiro site oficial da Senhora H.

Monday, April 21, 2008

Metrô — 17

rodrigo fiume, 1:37 am
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Estação Sé, São Paulo

Monday, April 14, 2008

Metrô — 16

rodrigo fiume, 1:35 am
Filed under: fotografia
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Estação Trianon-Masp, São Paulo

Sunday, April 13, 2008

Dante

rodrigo fiume, 7:59 pm
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Wednesday, April 9, 2008

Tlön, Urântia, Borges, Deus

 

“Não rir, não lamentar, nem detestar, mas compreender.” Baruch Espinosa

Em 1941, Jorge Luis Borges publicou El Jardín de los senderos que se bifurcan e, neste livro, o conto “Tlön, Uqbar, Orbis Tertius”, que mais tarde também apareceu em Ficciones(1944). O conto narra, de início, as supostas peripécias de Borges e de seu amigo Bioy Casares, outro conhecido escritor argentino, em busca do porquê de o verbete “Uqbar” constar na enciclopédia deste último mas não no volume correspondente da de Borges. Uqbar, segundo a Anglo-American Cyclopaedia, seria um país localizado na Ásia Menor, com sua própria história, geografia, literatura, língua, etc. O termo Tlön surge aí pela primeira vez, relacionado a uma “região imaginária” presente com certa freqüência nas epopéias e lendas de Uqbar. No entanto, por mais que os dados do verbete tragam certa verossimilhança, a tal enciclopédia não lhes parece senão uma falaz reprodução da Encyclopaedia Britannica(1902) — certamente criada com o único intuito de divulgar semelhante fraude. Afinal, além desse país não ser mencionado por nenhum atlas oficial, a estranha história de Uqbar e Tlön leva-os tão somente a infrutíferas pesquisas. Assim, anos mais tarde, ainda segundo o próprio conto, tendo esquecido o assunto, o narrador descobre entre os pertences do engenheiro inglês Herbert Ashe — um amigo de seu pai, falecido havia pouco — um livro de 1001 páginas intitulado A First Encyclopaedia of Tlön. vol. XI em cuja primeira página se vê um “óvalo azul” com a inscrição: “Orbis Tertius“. E não pára aí. Aos poucos, toda uma enciclopédia sobre o planeta Tlön vem à luz, magnetizando as atenções gerais. Sim, ao invés de um único verbete perdido numa enciclopédia comum, despontam, ao redor do globo, volumes e mais volumes de uma enciclopédia tratando unicamente da vida num estranho planeta. Borges, então, passa a descrever detalhes minuciosos das crenças, da ciência, da filosofia, da psicologia, da história, da literatura, enfim, dos mais diversos âmbitos da vida inteligente de Tlön. E avisa: com o correr dos anos, todo esse conteúdo chegou a afetar a humanidade a tal ponto que nosso mundo simplesmente passou a ser Tlön, uma vez que, nas escolas, nas universidades e na vida cotidiana, a Terra deixou de ter qualquer importância, não se estudando, respeitando ou vivendo senão os aspectos e atributos desse novo orbe: “El contacto y el hábito de Tlön han desintegrado este mundo”. E então, sem deixar de lembrar que no latim inventar e descobrir são sinônimos, Borges indaga: “¿Quiénes inventaron a Tlön?”

Em 1997, recebi em meu apartamento, na Universidade de Brasília, a visita de uma amiga que me apresentou um livro de 2100 páginas, em inglês, com três círculos azuis concêntricos na capa e o título The Urantia Book. Comecei a folheá-lo distraído e, sem que me apercebesse, acabei virando a noite sobre ele. Quando finalmente me senti cansado, o sol já dourava o lago Paranoá. Minha inclinação pela literatura de cunho fantástico não me permitiria outra atitude: tive a sensação de estar com o Graal dos livros de literatura fantástica em minhas mãos. Do que tratava? Bem, a mera leitura de seu índice me causou vertigens, haja vista suas 59 páginas. Sim, 59 páginas apenas de sumário. Havia capítulos e seções com títulos tais como: “Os níveis espaciais do Universo Mestre”, “O circuito de gravidade mental”, “Os sete Superuniversos do Espaço-Tempo”, “Os mundos Vorondadec”, “A respiração do espaço”, “A energia, a mente e a matéria”, “Os ultimátons, os elétrons e os átomos”, “As Personalidades do Universo Local”, “As sedes centrais das constelações”, “As hostes seráficas”, “A união trinitária da Deidade”, “A natureza da Ilha Eterna”, “Os domínios do Absoluto Não Qualificado”, “O sistema Paraíso-Havona”, “Os artesãos celestiais”, “O superuniverso de Orvonton”, “As Esferas Arquitetônicas”, “Os Serafins Transportadores”, “Os Sete Espíritos Reitores”, “O Espírito Materno do Universo”, “A estabilidade dos sóis”, “A origem dos mundos habitados”, “Os manipuladores da energia”, “Tipos físicos planetários”, “Os mundos dos que não respiram”, “As criaturas volitivas evolucionárias”, “A rebelião de Lúcifer”, “A origem de Monmátia - o sistema solar de Urântia”, “Os níveis da realidade no Universo”, “A associação terciária transcendental da realidade”, “O conceito filosófico do EU SOU”, “A supervisão da evolução”, “O fim da idade dos répteis”, “A origem das raças de cor”, “Os Príncipes Planetários”, “Os Adãos Planetários”, “Os sete Mundos das Mansões”, “O governo de um planeta vizinho”, “Dalamátia — a cidade do Príncipe”, “Os edenitas entram na Mesopotâmia”, “Os adanitas entram na Europa”, “A encarnação de Maquiventa Melquisedec”, “A verdadeira natureza da religião”, “A ciência e a religião”, “A finalidade do destino”, “As auto-outorgas de Cristo Miguel”, “A viagem de Jesus a Roma”, “O significado da morte na cruz”, “O totalitarismo secular”, “O problema do cristianismo”, “O futuro”… Eu lia trechos e mais trechos de arrepiar os cabelos, como, por exemplo, a informação de que, na sede central do Universo Local, mais de um bilhão de seres materiais, “moronciais” e espirituais assistiram, ao vivo, juntos e embasbacados, no anfiteatro em torno ao “Mar de Cristal”, ao martírio e à crucificação do Soberano de Nebadon no mísero planeta Urântia, um dos planetas isolados pela rebelião de Lúcifer, que havia sido escolhido previamente como cenário para a experiência material de seu próprio Criador. Sim, o livro narra a vida de Jesus na Terra — Urântia — sem saltar um dia sequer… Embora a princípio tudo se assemelhasse à mera explanação da excêntrica doutrina de mais uma possível seita de fanáticos cristãos, eu lia aquelas páginas como quem se depara com o guia do mais vasto, completo e coerente mundo de Role Playing Game. O texto parecia elaborado por uma equipe de seis Jorges Luises Borges e quatro J.R.R.Tolkiens juntos. E, no correr dos últimos onze anos, tal impressão não se desvaneceu, ao contrário, amplificou-se, uma vez que uma coesa unidade de conceitos e princípios perpassa toda a obra. O responsável por aquilo tudo não há de ter sido nenhum idiota. A obra traz conhecimentos avançados sobre teologia, religião comparada, filosofia, antropologia, sociologia, política, física, astronomia, biologia e, ousarei dizer?, história. Até mesmo o prêmio Nobel de química Kary Mullis publicou artigos confessando sua surpresa diante de dados científicos exatos apontados pelo livro com décadas de antecedência. Na minha singela opinião, ou o livro é resultado de toda uma vida de elucubrações espantosas — a obra dum anônimo e delirante gênio — ou é a evidência de que alguma sociedade secreta decidiu entrar para valer na guerra cultural que assolou todo o século XX e que continua a agir por trás de todos os grandes conflitos deste novo milênio. As alternativas me assombram. Principalmente porque há também a opção — nem um pouco impossível, vale lembrar — defendida pelo próprio livro: trata-se da “Quinta Revelação Epocal”. Quem enfim teria inventado (descoberto?) O Livro de Urântia?

(Continua…)

Monday, April 7, 2008

Metrô — 15

rodrigo fiume, 1:23 am
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Estação Trianon-Masp, São Paulo

Monday, March 31, 2008

Metrô — 14

rodrigo fiume, 1:21 am
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Estação Trianon-Masp, São Paulo



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