Arquivo para a categoria " Arte"




Wednesday, September 17, 2008

O nosso 11 de setembro

diogo, 3:05 am
Filed under: cinema
Tags: 

A coisa que mais me irrita no Brasil é a falta de senso de proporções. Já não se distingue mais realidade da ficção ou paranóia e pior do que isso só a busca da analogia em coisas completamente diversas, incomparáveis. Porém, às vezes, este disparate comparativo serve mesmo para deixar as coisas às claras — ou às luzes, como preferem os mais espertinhos.

Hoje o cineasta Bruno Barreto, diretor do filme, “Última parada 174”, que ganhou a chance de tentar um Oscar, declarou que “o ônibus 174 é o nosso 11 de setembro”. Coisas deste tipo — principalmente aquela cena patética do final de Carandiru — deixa claro que o Brasil não precisa de cineastas, principalmente quando tungadores do erário. Que tenham lá uma idéia cretina na cabeça e uma câmera na mão, vá lá, desde que seja com o dinheiro deles.

Entretanto, a comparação de Barreto não é lá de toda idiota. Em verdade ela nos mostra o tipo de país que somos — ou que os Barretos queiram que sejamos. Enquanto os americanos se aterrorizam com um grupo milionário de tarados muçulmanos; aos brasileiros basta um simples delinquente que toma um ônibus. Ou quem sabe um navio de ajuda humanitária cobiçando um petróleo que está a 7 mil metros e alguns bilhões de dólares abaixo de nós.

Mas é claro que tal preocupação — e analogia — se dá somente entre pessoas interessadas no “drama humano” por detrás do proselitismo. São daquele tipo de pessoas que conseguem enxergar uma relação muito próxima entre um show da Madona e as eleições americanas, e ainda jurar que isto é racional.

Monday, September 15, 2008

Grafite — 28

rodrigo fiume, 1:02 am
Filed under: Arte, fotografia
Tags: , ,

Monday, September 8, 2008

Grafite — 27

rodrigo fiume, 12:59 am
Filed under: Arte, fotografia
Tags: , ,

Friday, September 5, 2008

Madonna em SP

rodrigo fiume, 6:11 pm
Filed under: música
Tags: 

TROCO:

  • ingressos ARQUIBANCADA VERMELHA
  • ingressos ARQUIBANCADA AZUL, todos para o dia 18/12

POR:

  • ingressos ARQUIBANCADA AZUL ou VERMELHA, para os dias 20/12 ou 21/12

Se tiver interesse, deixe uma mensagem nos comentários com seu e-mail.

Noor

rodrigo fiume, 5:17 am
Filed under: Imprensa, fotografia
Tags: ,

Noor, agência de fotojornalismo criada há um ano, baseada em Amsterdã, Holanda. Tem fotos muito legais de caras muito bem conceituados. Dois fotógrafos da agência estão entre os vencedores do World Press Photo 2008, o principal prêmio de fotojornalismo mundial.

Tuesday, September 2, 2008

Manuelzão relembra Guimarães Rosa

yuri vieira, 8:19 am
Filed under: Podcast e videos, escritores, literatura, livros
Tags: , , ,

Primeira parte:

Segunda parte:
(Continua…)

Monday, September 1, 2008

Grafite — 26

rodrigo fiume, 12:58 am
Filed under: Arte, fotografia
Tags: , ,

Saturday, August 30, 2008

A alma e a dança

daniel christino, 11:55 pm
Filed under: Arte, escritores, literatura
Tags: ,

Erixímaco

- Observei há tempo isto: tudo o que penetra no homem se comporta logo em seguida como apraz aos destinos. Dir-se-ia que o istmo da garganta é o umbral de necessidades caprichosas e do mistério organizado. Ali, cessa a vontade, e o império certo do conhecimento. Eis porque renunciei, no exercício de minha arte, a todas essas drogas inconstantes que o comum dos médicos impõe à diversidade de seus doentes; e atenho-me estritamente ao uso de remédios evidentes, conjugados um contra o outro segundo sua natureza.

Sócrates

- Que remédios?

Erixímaco

- Há oito: o quente, o frio; a abstinência e seu contrário; o ar e a água; o repouso e o movimento. É tudo.

Sócrates

- Mas para a alma só há dois, Erixímaco.

Fedro

- Quais então?

Sócrates

- A verdade e a mentira.

Fedro

- Como assim?

Sócrates

- Não se comportam entre eles como a vigília e o sono? Não procuras o despertar e a nitidez da luz, quando um mau sonho te atormenta? Não nos ressuscita o sol em pessoa, e não nos fortifica a presença de corpos sólidos? - Mas, em contrapartida, não é o sono e aos sonhos que pedimos que dissolvam as aflições e que suspendam as dores que nos agrilhoam no mundo do dia? E, assim, fugimos de um para o outro, invocando o dia no meio da noite; implorando, ao contrário, as trevas enquanto temos luz; ansiosos de saber, felizes demais por ignorar, procuramos, no que é, um remédio ao que não é; e no que não é, um alívio para o que é. Ora o real, ora a ilusão nos recolhe; e a alma, em definitivo, não tem outros meios exceto o verdadeiro, que é sua arma - e a mentira, sua armadura.

Paul Valéry

Otto Lara Resende entrevista Nelson Rodrigues

Primeira parte:

Segunda parte:
(Continua…)

Friday, August 29, 2008

O Rolex e o Celular

yuri vieira, 3:28 pm
Filed under: Política, cinema, literatura
Tags: , , , ,

Digamos, por motivos de pura ironia, que seu nome era Christian, uma vez que se mostrou tão irritado — em outra conversa velha de um ano, que agora não vem ao caso — ao tratar das “desprezíveis” raízes cristãs (the christian roots) do Ocidente. Christian, um diretor de cinema brasileiro, basicamente de curtas-metragens, me foi apresentando como sendo curador de um relevante festival de cinema do Rio de Janeiro. “Não se preocupe”, me disse, “pelo que ouvi falar a respeito do seu filme, com certeza irei gostar muito”. Eu não estava preocupado, mas quis saber o que ele ouvira. “Ué, bróder, me disseram que o filme era uma porrada no estômago. Fiquei curioso. Se eu curtir, ele poderá ser selecionado pro meu festival.” Estávamos na festa de encerramento de mais uma edição da Goiânia Mostra Curtas, taças de vinho à mão, enquanto, ao nosso lado, uma fila se formava para o bufê que já começara a ser servido. Era noite e o pátio da Secretaria de Cultura estava abarrotado de cineastas, atores, políticos, empresários e culturetes em geral, todos muito satisfeitos em participar de um evento do gênero. Era como se uma atmosfera cosmopolitana tivesse subitamente descido sobre a cidade. Nada como testemunhar que o cinema goiano, em particular, e o brasileiro, em geral, parecia ter finalmente tomado impulso — muito embora não se soubesse exatamente em qual direção…

O rega-bofes patrocinado involuntariamente pelo contribuinte seguia seu curso, enquanto eu, Christian e o também cineasta João Novaes prosseguíamos rindo e conversando sobre temas diversos. A certa altura, lembrando-me da polêmica recente a respeito do sucesso do longa “Tropa de Elite”, decidi indagar:

“E aí, Christian, você gostou do Tropa de Elite? Seria interessante saber de um cineasta carioca se o filme afinal é fiel ou não à realidade.”

O cara mudou de cor instantaneamente, ficou branco, em seguida vermelho, então franziu o cenho e começou a disparar mil petardos contra o filme. Falava na velocidade de uma metralhadora, uma dessas que os traficantes costumam usar nos morros. Mais baixo que eu, Christian às vezes me olhava por cima dos óculos, o que tornava suas sobrancelhas mais ameaçadoramente expressivas. Dizia que o “Tropa” era o filme mais mentiroso e ridículo de todos os tempos, uma enganação com DNA hollywoodiano à qual apenas a massa estúpida poderia dar algum crédito.

“Acho que então faço parte da ‘massa estúpida’”, comentei, “porque achei o filme excelente.” (Continua…)

Tuesday, August 26, 2008

Vinicius de Moraes e Tom Jobim bêbados

yuri vieira, 11:17 am
Filed under: Humor, Podcast e videos, escritores, música
Tags: , , ,

Camus vai ao futebol

yuri vieira, 11:02 am
Filed under: escritores
Tags: 

Solzinho bom

rodrigo fiume, 10:42 am
Filed under: fotografia
Tags: ,

Monday, August 25, 2008

Flashbacks of a Fool

rodrigo fiume, 2:23 am
Filed under: cinema
Tags: ,

Vale mesmo pelo tal flashback do título original —Flashbacks of a Fool virou Reflexos da Inocência.

Joe (Daniel Craig; também produtor do longa) é um astro de Hollywood que vive um presente autodestrutivo em meio a drogas, orgias, egocentrismo e muita babaquice (pelo menos o personagem não é um yuppie de Wall Street ou um alto executivo de grande empresa). No momento em que se descobre em decadência, recebe também a notícia da morte de seu melhor amigo de infância e juventude.

Essa primeira parte é um tanto monótona. Quando o filme muda para a adolescência de Joe, as coisas melhoram e muito. A partir daí, o filme ganha beleza e maturidade.

Numa vila no litoral inglês, durante as férias de verão nos anos 1970, Joe descobre o primeiro amor, o sexo e o peso dos acontecimentos —a cena em que ele e Ruth dublam If There Is Something, do Roxy Music, é impagável. São os fatos que o levarão a perder a tal inocência do título brasileiro.

É fácil perceber que algo grave o fará se transformar no babaca do presente, mas a história é muito bem conduzida, sem pieguice, pelo diretor Baile Walsh em sua estréia em longas —ele é autor de videoclipes que tem em seu currículo bandas como Oasis e INXS; no filme, além de Roxy Music, destacam-se músicas de David Bowie.

Quando ela retorna ao presente, perde bastante força —Joe volta à cidade natal para o enterro. E a pequena redenção que ele consegue no final soa irreal e forçada. Reflexos da Inocência poderia muito bem ter se centrado muito mais no flashback.

Grafite — 25

rodrigo fiume, 12:57 am
Filed under: Arte, fotografia
Tags: , ,

Sunday, August 24, 2008

O Poder vermelho

ronaldo brito roque, 3:13 pm
Filed under: literatura
Tags: , ,

Mamãe cortava, lixava, arrancava cutículas. Eu, no meu canto, só podia pensar que aquilo era bobagem. Por que não resolver tudo com um simples cortador de unha? Pele, água quente, esmalte, a dor, sim, era quase nenhuma, mas e o tempo? Porque não gastá-lo com um livro ou filme? Por que o trabalho inútil de criar mais uma superfície onde já havia uma casca bastante eficiente, ainda que dura e fria? E depois, a corrosão. A segunda casca se desfazia e era preciso gastar mais uma tarde para uma nova camada de tinta. Desde cedo eu sabia que seria muito diferente de mamãe. Minhas unhas ficariam expostas, não havia motivo para cobri-las. Os homens que se conformassem. E as mulheres, eu as olhava de cima, não desperdiçava meu tempo e meu dinheiro com cores inúteis. Eu tinha mais o que fazer com minhas tardes de domingo.

Mas, quando ele apareceu, eu vi nos seus olhos alguma coisa mais firme e convicta que minha petulância. Ele parecia satisfeito consigo mesmo, e isso me assustava, eu que tanto tentava me transformar. Eu queria descobrir que força era aquela que o sustentava, que chão ele tinha achado para pisar no meio de tanta onda imprevisível. Mas ele não se revelava, ele apenas me olhava daquele jeito limpo e sereno. E fui aos poucos percebendo que era preciso encontrar outro meio de indagá-lo, era preciso submetê-lo a algum inquérito definitivo e silencioso, e o problema é que eu não tinha nem idéia de como começar. Foi quando aquelas lembranças vieram à minha mente com a força imprevista de um pequeno impacto. Procurei mamãe, vi as suas mãos cruas e pálidas, e senti medo. Pensei em lhe perguntar por que não havia mais cor, mas logo percebi que a resposta não me saciaria. Eu estava inquieta, arisca, obscuramente revoltada. Eu precisava de um ritual, não de uma explicação. Desci as escadas correndo - nem sei por que fui pelas escadas - e confesso que me senti um pouco derrotada quando paguei pelos pequenos vidros vermelhos. Mas depois, trancada no quarto, fui aos poucos recuperando minha confiança e lucidez. O contorno tinha de ser nítido; a cor, uniforme e compacta. Aquela pequena superfície tinha o dever intransferível de atestar toda a minha solidez. Saí do quarto sentindo uma alegria estranha e completamente nova para mim. Acho que pela primeira vez na vida senti vontade de mostrar algo à mamãe. Ela pegou minhas mãos, reparou nelas, contemplou-as como quem contempla de longe o vôo de um pequeno pássaro. Senti que uma nova compreensão, profunda e silenciosa, se instalava entre nós. Quando ele me ligou, não fiquei surpresa. Eu também tinha achado um chão onde pisar. As ondas começavam a se tornar previsíveis, como a órbita da lua, que as gera e justifica. O ritual estava concluído.



Page 2 of 70«12345»...Last »

79 queries. 1.576 seconds. | Alguns direitos reservados.