Música boa é a que me arrepia a espinha. Tentarei explicar a seguir como isso acontece, à la Aldous Huxley. No início, zeros e uns de um CD são transformados em uma onda eletromagnética, que vibra um alto falante de papelão, que, em seu vai-e-vem, cria o som. O som nada mais é do que uma sucessão de ondas de compressão e rarefação do ar, que acabam por se quebrar em nossos tímpanos. Daí, a vibração dos tímpanos move alguns ossinhos finamente encaixados, que cutucam algumas células que, finalmente, carregam a música em revezamento até nosso cérebro. Quando essa música é de qualidade, alguns processos mentais são disparados, fazendo com que a música flua por um “buraco de minhoca”, conectando nosso mundo de quatro dimensões a graus de dimensão maiores, onde vive a Kundaline. A quarta dimensão é o tempo, de acordo com Einstein, e Kundaline é uma serpente que fica enrolada na base de nossa espinha, segundo intuições de um indiano de cinco mil anos atrás. A formação deste “buraco de minhoca” tem dividido os teóricos, mas a teoria mais aceita na Sociedade dos Músicos da Terra Redonda é de que ele começa em um buraco negro microzilézimo, que é a porta de entrada, e “vai” até um buraco branco também zilézimo, que é a porta de saída. Buracos negros, caso não saibam, são engolidores de matéria, e os buracos brancos, seus contrários teóricos, são expelidores. Quando a música de qualidade faz ressoar nossas emoções, os vetores de energia convergem para um ponto sutil e puff! Abre-se um buraco negro em nossa cabeça, que engole a música e a lança em outra dimensão, por um buraco branco, na cara da Kundaline. Esta, por sua vez, chacoalha bem leve, vibrando os fios dourados que a prendem na nossa espinha, cuja ponta sai pelo umbigo. Da vibração deste fio multidimensional vem o arrepio. Se o CD for do Krishna Das então… Putz!
(Originalmente postado em Fios de Ariadne)