Arquivo para a categoria "literatura"




Thursday, October 5, 2006

Detetives no Second Life

yuri vieira, 3:19 am
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As pessoas levam tão a sério seus relacionamentos no Second Life - e ficam tão paranóicas devido ao excesso de liberdade reinante ali dentro - que há inclusive detetives particulares (private investigators) passíveis de serem contratados nessa realidade virtual. Em troca de alguns Linden Dollars, você pode, por exemplo, contratar os detetives Loki Fool e Princess Pierterson, da agência de investigadores Millennium, e descobrir onde afinal anda sua (ou seu) namorada(o) ou esposa(o) virtual. As brigas podem ser homéricas, afinal, as pessoas por trás dos avatares são gente de carne e osso. Aliás, desde criança eu sempre quis ser um detetive. Cheguei a criar a comunidade Manual do Detetive no Orkut. E também a do Manual do Espião. Ambas em homenagem a esses dois livros da editora Abril que eu tanto curti na infância. Bem, no SL eu já sou espião. Tenho tantos avatares… Esse mundinho digital está cada dia mais interessante…

P.S.: Já estou há tanto tempo no SL que minha barba até cresceu…

Wednesday, October 4, 2006

Veadagem de esquerda

Do sempre imperdível Olavo de Carvalho:

Cabeça de comunista é assim. Não se contenta com a perversão. Parte logo para a inversão. E não estou falando de inversão sexual, que é um fenômeno corriqueiro na sociedade. Comunista não se satisfaz com tão pouco: quer praticar veadagem é com o traseiro dos outros. O traseiro da pátria. O traseiro da humanidade.

Leia o artigo completo.

Logo após Shakespeare

yuri vieira, 4:37 am
Filed under: Educação, literatura, livros, sites
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A Tatiana Ribeiro, uma amiga de Brasília, me enviou esse link da página de eBooks do site Universia, “uma rede de 985 universidades”. Aproveite e aprenda a organizar sua biblioteca em ordem alfabética: meu livro vem logo após Shakespeare. (Hehehe.)

Aliás, caso queira baixar meu eBook (PDF), sugiro que o faça de meu próprio site, já que ali se encontra em sua última revisão e com nova capa e ilustrações feitas por Sérvio Túlio Caetano.

Wednesday, September 27, 2006

Oriana Fallaci (1929-2006)

No dia 15 de Setembro, a jornalista italiana Oriana Fallaci encerrou sua missão: partiu desta pra melhor. Bom, melhor em termos, vá lá saber o que é o pós-vida de uma atéia honesta e corajosa, talvez ela preferisse ter deixado de existir, sei lá, mas… enfim, a mulher trabalhou muito por aqui entrevistando, conforme diz a revista Época citando a própria, “os filhos da puta estúpidos que mandam em nossas vidas”. (Faltou entrevistar o Chávez e o Lula, provavelmente.) Eu a li pela primeira vez ainda garoto graças à coleção de revistas Playboy que meu pai mantinha. Sempre que rolava uma entrevista com algum ditador, terrorista, líder revolucionário, aiatolá e assim por diante, lá estava a assinatura dela: Oriana Fallaci. Uma mulher de fibra que, ainda pré-adolescente, participou da resistência florentina contra os alemães na Segunda Guerra. Indignada com a violência e com os ataques à liberdade, tornou-se correspondente de guerra e, por fim, uma entrevistadora que parecia jogar pimenta na cara dos entrevistados. Há uma entrevista com ela, na revista Época, concedida ao jornalista dinamarquês Flemming Rose, o editor do Jyllands-Posten, o mesmo que lançou o concurso de caricaturas de Maomé. Sim, porque seus últimos três livros são alertas contra a islamização da Europa que, conforme me disse o Olavo de Carvalho outro dia, foi prevista por Frithjof Shuon, discípulo de René Guénon, ainda no início do século XX. (Citei alguns dos artigos da Oriana sobre o mesmo tema, por ocasião dum comentário do jornalista Janer Cristaldo.) Bom, leia este trecho da entrevista publicada pela revista Época:

Rose - Você se encontrou com o Papa Bento XVI no ano passado. Sobre o que vocês conversaram?

(Continua…)

Monday, September 25, 2006

Cupins na Casa do Sol

yuri vieira, 8:14 pm
Filed under: Avisos, amigos, escritores
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Do meu amigo José Luis Mora Fuentes, responsável pela Instituição Hilda Hilst:

A Casa do Sol, sede da Instituição Hilda Hilst, foi construída pela escritora em 1966. Trata-se de uma construção diferenciada, estilo colonial mineiro, com 700m2, rodeada por árvores e um paisagismo diferenciado num terreno de 12.000m2. Foi aí que a escritora viveu por quase quarenta anos e onde realizou praticamente 80% do seu trabalho.
É Patrimônio Cultural que deve ser preservado.

PARTE DA MADEIRA E MÓVEIS QUE COMPÕE A CASA DO SOL VEM SENDO DEVORADA POR… CUPINS!

(Continua…)

Monday, September 18, 2006

Borges e a UnB

Talvez eu já tenha escrito sobre isso e, se o fiz, farei de novo. Porque merece. Para mim, o maior exemplo da jequice acadêmica nacional - e sua corrida interna por títulos, salários, regalias, puxa-saquismos, etc. - foi o fato de a UnB não ter aceito o escritor argentino Jorge Luis Borges como professor apenas porque ele não tinha curso superior… Pode uma coisa destas? E o cara já tinha aceito o convite, salvo engano, do Darcy Ribeiro. Bom, não preciso falar mais nada…

A polêmica vida sexual de Dona Renata

ronaldo brito roque, 9:44 pm
Filed under: Humor, literatura
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A dura verdade

Já que é para falar de sexo, então vou falar a verdade. Chega de ser boazinha, chega de compactuar com as convenções. Hoje todas falam de sexo, mas quantas não estão falando essas coisas apenas para agradar ao marido, ao patrão ou às amigas? Sim, porque existem revistas que nos dizem como devemos pensar, existem personagens de novela que devemos imitar. Existe todo esse discurso politicamente correto que diz que a gente deve ser gay ou puta para gozar sem culpa. Mas sexo não é nada disso. Se meia dúzia de mulheres resolvessem dizer a verdade, acho que todo esse discurso cairia por terra. Eu já estou velha, não tenho mais marido e filhos para agradar. Meus filhos me visitam no máximo uma vez por mês. Se este texto for realmente publicado é provável que eles nem tomem conhecimento. Também não tenho muitas amigas, e nem quero ter. Não me interesso por baralho, crochê e televisão. Enfim, cheguei a esse raro momento em que não preciso me preocupar com o que pensam de mim, por isso mesmo posso contar tudo. Vocês conhecem as mulheres, sabem que nunca dizemos a verdade, mas apenas aquilo que é mais conveniente para o momento. No entanto, à beira da morte, até uma mulher pode ser sincera.

Meu primeiro orgasmo

Vou começar por meu primeiro orgasmo.

Meu relacionamento com Fabinho não era muito excitante. Eu já tinha tido outros namorados, já tinha transado com eles, mas também não tinha gozado. A primeira vez doeu. Eu achei que não ia doer, estava muito molhada, mas doeu. Depois de um tempo comecei a pensar que orgasmo não existia, e que todo o prazer da mulher consistia em beijar e se esfregar no namorado. Disso eu gostava, mas não por muito tempo, porque enjoava.

O Fabinho era do interior, e seus pais mantinham um apartamento para ele aqui no Rio. Era lá que passávamos as tardes de sábado e domingo. Meus pais pensavam que estávamos no cinema ou coisa assim. Eles sabiam que nós transávamos, mas eu fazia questão de manter as aparências. Você sabe, eu sou mulher, por que eu diria a verdade se não fosse ganhar nada com isso?
(Continua…)

Friday, September 15, 2006

Frase de cinema — 21

rodrigo fiume, 11:28 pm
Filed under: cinema, escritores
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aspas_vermelhas_abre.gif Porque foi lá que eu tenho a impressão de que quase te perdi  aspas_vermelhas_fecha.gif

Eiji Okada, para Emmanuelle Riva, em Hiroshima, Mon Amour (1959) — homenagem ao lançamento em DVD

Revelação

yuri vieira, 3:37 pm
Filed under: Religião, livros
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Alguns trechos do livro “Fronteiras da Tradição”, do Olavo de Carvalho, que o Bruno Tolentino me emprestou lá na casa da Hilda Hilst:

“O revigoramento periódico do contato entre a inteligência e o infinito, que é a sua origem, denomina-se revelação, quando desse contato surgem um rito e uma norma destinada a possibilitar esse contato para um grande número de pessoas; denomina-se intuição intelectual quando ocorre para um indivíduo em particular. A revelação fornece os meios para que os indivíduos atinjam, quando qualificados para isso, a intuição intelectual. Para os que não tem essa qualificação, ela fornece a norma e o ensinamento para que se aproximem o quanto possível desse limite(…).”

“Não há religião nem esoterismo de espécie alguma sem uma revelação.”

“A revelação origina ao mesmo tempo as técnicas e disciplinas que conduzem à intuição, e as normas e leis que conduzem à vivenciação simbólica e indireta do sentido. A estas duas instâncias dá-se o nome de esoterismo e exoterismo, respectivamente.”

“Toda tradição remonta a uma revelação.”

“A revelação provém da Misericórdia divina, e a Misericórdia é por natureza expansiva.”

“A manifestação da ‘Tradição Primordial’, com uma forma própria e independente das demais, é um contra-senso puro e simples, que vai contra todas as condições de espaço, tempo e número que definem o ‘nosso mundo’, e portanto essa manifestação não ocorrerá antes do término deste mundo, o qual por sua vez deverá ser precedido justamente pela ‘Grande Paródia’ de Tradição Primordial, que será o Reino do Anticristo.”

(Fronteiras da Tradição, Olavo de Carvalho, Nova Stella, 1986.)

Thursday, September 14, 2006

A Montanha Aborrecida

yuri vieira, 2:11 am
Filed under: Cotidiano, escritores, literatura, livros
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Estou na página 311 de A Montanha Mágica, do Thomas Mann, e a sensação que tenho é de que o livro ainda não começou. A única coisa que rolou comigo até agora foi uma pleurisia. Somatização? Creio que não. Inverno seco, só isso. Sei apenas que se fosse Dostoiévski eu já estaria com os cabelos em pé. Os alemães costumam ter a carne literária meio dura mesmo. Demorei a curtir o Goethe, mas até hoje tenho em minha mente as imagens do Fausto, que li há uns dez anos. O Jünger é um excelente pensador, mas sua narrativa empolga tanto quanto uma ida ao dentista. Bem, vou dar um crédito ao mestre Mann, cuja Morte em Veneza muito me tocou. Afinal ainda faltam 675 páginas para o final d’A Montanha…

Monday, September 11, 2006

Meu primeiro podcast

daniel christino, 1:28 am
Filed under: escritores, livros
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Eis aí minha primeira tentativa de fazer um podcast. É um poema do Rilke sobre a história de Orfeu e Eurídice.

Sunday, September 10, 2006

A verdade constrangedora sobre Paulo e Sabina

ronaldo brito roque, 2:40 pm
Filed under: escritores, literatura
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A verdadeira história de Paulo e Sabina é bastante constrangedora. Paulo buscava mulheres mais bonitas e inteligentes que Sabina. Mas elas buscavam homens mais bonitos e ricos que Paulo. Então ele foi ficando com Sabina, que não era assim tão bonita, mas pelo menos beijava bem. Também não era muito inteligente, não gostava de ler, preferia ficar no msn conversando com as amigas. Às vezes esse gosto pela futilidade incomodava Paulo. Ele queria uma mulher culta, que pudesse conversar sobre Dostoievski, Aldous Huxley, sobre as teorias filosóficas que ele tanto apreciava. Sabina não gostava nem de filme de arte. Achava chato, muito parado, e ninguém pedia ninguém em casamento. Filme, para ser bom, tinha que ter pelo menos um pedido de casamento. Paulo tentou, pela internet, conhecer outra mulher. Tinha que haver pelo menos uma que gostasse de ler. E, de fato, havia muitas. Elas liam Clarice Lispector, eram introspectivas, tinham sensibilidade para descrever em detalhes o temperamento de uma pessoa. Paulo ficava encantado, mas quando via as fotos, percebia que não poderia namorar uma garota daquelas — porque eram feias. Acabou se acostumando aos papos chatos de Sabina. Como não tinha nenhuma cultura, ela só sabia conversar sobre o que os amigos e os parentes tinham feito durante a semana. Não falava sobre personagens interessantes de livros. Quando descrevia um filme, dizia apenas que era “muito legal” ou “muito ruim”, era incapaz de se lembrar de detalhes da trama. Se Paulo reclamava, ela respondia “Ai, eu sou burrinha, né? Ha, ha, ha…” Um dia Paulo explodiu, e acabou contando a verdade. (Continua…)

Tuesday, September 5, 2006

Clarividente, eu?

yuri vieira, 12:15 pm
Filed under: Cotidiano, literatura, livros
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Cansei de receber emails e de abrigar comentários como se este blog fosse o site pessoal do clarividente Jucelino Nóbrega da Luz. Tive até mesmo de esclarecer isso ao final dum post. (Nada contra o cara.) Mas ontem recebi um email engraçado, dizendo que - se eu não sou o Jucelino - ao menos sou “um pouco clarividente”. E a pessoa faz alusão às alucinações do protagonista do meu conto Genus irritabile vatum (2001), que vê a cidade de São Paulo ser atacada e aterrorizada por hordas de bandidos. Ora, eu não sou clarividente, apenas tenho uma imaginação um tanto paranóica. Escreveu Clarice Lispector: “Imaginar é adivinhar a realidade”. Logo, imaginar paranoicamente é adivinhar uma realidade ainda pior que a atual. (O contrário é metanóia, estou trabalhando nisso.) Sempre que estou em São Paulo - onde já fui assaltado três vezes e espancado uma - meu radar fica à plena carga. (E ele funciona!) Também me cansei de andar por várias quebradas da zona sul, tendo até mesmo me deparado com cadáveres. Ainda em criança, presenciei perseguições da ROTA e me espantei diversas vezes com aquele indefectível policial dependurado da janela do passageiro, a metralhadora em punho. Já posso dizer que sou do tempo em que as crianças - jogando queimada ou apostando corridas com carros de rolimã - ficavam nas ruas paulistanas até as dez da noite. Aliás, quando escrevi o conto, nunca ouvira falar do PCC. Mas conhecia os “sinais de alerta” dos Racionais MC e semelhantes, o apoio de boa parte da sociedade ao crime (via consumo de drogas ilícitas), o apoio dos políticos (via corrupção e leis politicamente corretas) e a sensação instintiva e cutânea de que São Paulo é sim um barril de pólvora. Só isso. (Continua…)

Sunday, September 3, 2006

Ronaldo no Cronópios

yuri vieira, 9:57 am
Filed under: amigos, escritores, literatura, sites
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Eis alguns contos do Ronaldo Brito Roque no Cronópios.

Saturday, September 2, 2006

Bruno Tolentino e o Cânone Ocidental

Morro de preguiça de ler meus vários diários/cadernos de anotações, mas às vezes abro um deles ao acaso. (Comecei a escrever diários aos 14 anos de idade, isto é, em 1985.) Hoje dei com essa anotação, de quando morava na Casa do Sol da Hilda:

25/08/00 - Hoje, o Bruno me emprestou The Great Divorce de C.S.Lewis. Acha que, de acordo com meus atuais interesses, é o melhor que posso ler. Ontem, aliás, o Bruno ficou lendo professoralmente, para mim, meu próprio exemplar de O Cânone Ocidental, do Harold Bloom. (Não estou com ele aqui agora para confirmar a grafia correta do nome, logo…) Bruno admira esse autor (seu ex-colega de docência), embora creia que não se pode avaliar e fruir completamente livros dos quais não se tem uma profunda vivência do idioma. Discorreu sobre vários escritores que, para ele, não deveriam - ou o contrário, deveriam - estar coligidos ali. Ele assume - por não ter amado, sofrido, pirado, trepado e cagado em alemão ou russo - ser incapaz de dizer se um autor qualquer, dentro dessas línguas, é grande, médio ou irrelevante. (E mais mil papos.)

Thursday, August 31, 2006

“Prefiro o aborrecimento”

rodrigo fiume, 4:03 pm
Filed under: Política, escritores
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Sobre aquela tal democracia:  

Pela chatice

Luis Fernando Verissimo, no Caderno 2 

“Curiouser and curiouser”, dizia a Alice a cada nova surpresa do país das maravilhas em que caíra. Nosso país também fica cada dia mais curioso.

É curiosíssimo, por exemplo, que se chegue simultaneamente a um descrédito quase total da classe política e a uma maturidade política inédita. Que se valorize como nunca a prática democrática e ao mesmo tempo se desespere como nunca dos praticantes. Você pode ter a explicação que quiser para o fato desta campanha eleitoral estar sendo, assim, tão chocha - resignação com a vitória já anunciada do Lula, candidatos insípidos com exceção da Heloísa Helena, etc. além de, claro, o próprio nojo com os políticos - mas o principal significado do aborrecimento generalizado é que, aleluia, o processo democrático se banalizou entre nós. Não é mais uma ruptura da normalidade, é a normalidade.

(Continua…)



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