Arquivo para a categoria "literatura"




Thursday, January 8, 2004

Um só coração

yuri vieira (SSi), 11:13 pm
Filed under: Arte, Mídia, livros
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Ana Paula Arósio continua linda e tão cheia de talento quanto o Tarcísio Meira, mas eita nome de mini-série mais brega, meu! Deveria é se chamar “Celebridades do Passado Paulista”, já que apresenta mil e uma figurinhas, tipo Oswald de Andrade (e demais membros da gangue de 22), Santos Dumont (coloque uma foto ao lado do vídeo: o ator é pura reencarnação do dito cujo!), Assis Chateaubriand, etc. e tal. O enredo, contudo, é mais uma variação sobre o mesmo tema: amor romântico, tiranos sádicos e injustiçados sociais. Em tempo: a idéia de colocar uma governanta alemã iniciando um jovem nos mistérios da sexualidade e da hipocrisia humana foi extraída do romance “Amar, Verbo Intransitivo“, com a diferença de que no livro de Mário de Andrade essa “missão” só é sugerida ao final. A TV não nasceu mesmo para sutilezas.

Tuesday, December 23, 2003

Falando em ridículo…

yuri vieira (SSi), 5:17 am
Filed under: escritores
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“Não há nada em que se manifeste melhor o caráter do homem do que naquilo que ele acha ridículo.” (Goethe, Afinidades Eletivas)

Arte

yuri vieira (SSi), 5:10 am
Filed under: Arte, escritores
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“A Arte é o recurso mais seguro de o homem evitar o mundo e nela está o meio eficaz de se ligar com ele.” (Goethe, Afinidades Eletivas)

Saturday, December 13, 2003

Messianismo

yuri vieira (SSi), 8:48 pm
Filed under: Política, escritores
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“O que me eriçou foi escutar, uma vez mais, um colega fazer angelismo e celebrar, com uma lágrima nos olhos, esse grande sentimento de fantasia: esperar um mundo todo açúcar e homens com asas. Nos lares, bem entendido, pensavam que se tratava de um nobre coração. Para mim, tratava-se de um representante de venenos. A literatura dispõe muitas vezes para esta segunda profissão.”

“O messianismo é uma doença cíclica do espírito.”
(Louis Pauwels)

Atmosfera cultural

yuri vieira (SSi), 8:36 pm
Filed under: Política, Religião, escritores
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“E há apenas um meio pelo qual mudar a vida. Não é que nossa vida comum seja galvanizada por um acontecimento. É que nossa vida comum, por meio da consciência espiritual, deixa de ser vivida de um modo comum. (…) Na realidade, nada nos proíbe de alcançar a serenidade e a plenitude no mundo tal como ele é, a não ser a atmosfera cultural.”

“O materialismo se diz científico, tal como o lobo se dizia avó.”

“Eu acredito que a pior poluição é a dos espíritos que deixam de amar o progresso.”

“Deus acha bem que a Natureza seja moldada para fazer homens.”
(Louis Pauwels)

Soljenitsyn:

yuri vieira (SSi), 8:24 pm
Filed under: Política, Religião, literatura, livros
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“‘Mas, diga-me, acredita que uma ordem social ideal seja possível?’
“Vasonofiev olhou Isaac com uma expressão doce. Sim, aquele olhar fixo, inflexível, desligado, também podia encher-se de doçura, tal como sua voz. Falando em voz baixa, com poses, disse: ‘Há algo de mais importante e de mais fundamental do que a ordem social: trata-se da ordem interior. Não existe coisa alguma, mas nada, nada mesmo, que seja mais precioso para o homem do que sua ordem interior. Nem mesmo o bem das gerações futuras.’”

Louis Pauwels e a educação

yuri vieira (SSi), 8:14 pm
Filed under: Educação, escritores
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“Há professores que transmitem por atacado suas idéias, que se surpreendem pelo fato de a juventude ter pouco apetite intelectual. Eu surpreendo-me menos. Se tivesse de fazer meus estudos sob o peso da ideologia dominante, confesso que preferiria a moto ou o fliperama. Não teria grande pressa em apreender, para aprender que não existo.”

Friday, December 12, 2003

Lin Yutang

yuri vieira (SSi), 8:03 am
Filed under: escritores, literatura, livros
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Estive relendo trechos de um livro imperdível: “A importância de viver”, de Lin Yutang. Embora eu ainda o ache excelente, já não engulo todas as idéias do escritor chinês, principalmente as referentes à religião. (Isso graças à suposta biografia de Lao Tsé, citada anteriormente, cujas idéias me parecem mais verdadeiras.) No entanto, os capítulos que tratam “do senso de humor”, “da dignidade humana”, “da doutrina do indivíduo”, “do sex appeal”, de “envelhecer graciosamente”, ” da arte de estar deitado”, “da arte de sentar nas cadeiras”, “da arte de conversar”, “do chá e da amizade”, “do fumo e do incenso”, “da bebida e dos jogos-de-vinho”, “da curiosidade gratuita”, “do espírito humano”, ” do fato de termos um estômago”, “dos trinta e três momentos felizes de Chin”, “da grandeza”, “das flores e seu arranjo”, de “sair e ver coisas”, da “arte de ler”, da “arte de escrever”, da “volta do senso comum”, etc. e tal são impagáveis. E a tradução é de Mário Quintana.

Primeiro passo

yuri vieira (SSi), 6:52 am
Filed under: Esportes, interiores, livros
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A época que morei em Brasília foi a que mais me aproximou do Real. Provavelmente porque eu nunca me inteirava dos mesquinhos acontecimentos mundiais. Dos fenômenos, apenas o imediato importava. Certa feita, cheguei a passar todo um dia achando as pessoas inexplicavelmente sombrias, depressivas, para só entender o que se passava tarde da noite: Ayrton Senna havia morrido. Da mesma forma, em 1994, passei horas e horas folheando livros e mais livros numa biblioteca estranhamente deserta, toda minha. Na lanchonete do subsolo compreendi o mistério: o Brasil acabava de se classificar pra final da Copa do Mundo! Mas como, se eu nem sabia que a seleção estava na semifinal? A realidade é mais em cima e dentro do próximo. Desligar a televisão é o primeiro passo pra meditação…

Saturday, December 6, 2003

Shakespearzinho?!

yuri vieira (SSi), 5:07 am
Filed under: Humor, escritores, exteriores
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Quando morei no Equador (1989-1990), dei altas risadas assistindo às versões originais das séries criadas pelo Chespirito. “El Chavo del Ocho” (Chaves) tinha atores com sotaques e interpretações impagáveis. Só de ouvir a voz do Quico já passava mal, assim como o choro da “Chilindrina” (Chiquinha). Claro, os roteiros ingênuos e muito bem bolados ajudavam bastante. Mas só agora, não sem espanto, descubro que Chespirito - apelido de Roberto Bolaños - é a forma castelhanizada do diminutivo de Shakespeare! Taí uma coisa que deixará os intelectualóides com insônia…

Alma e propriedade

yuri vieira (SSi), 2:32 am
Filed under: Política, Religião, escritores
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Escreveu Henry Miller em Plexus: “(…) Spengler veicula seu desprezo por Tolstói, que ‘elevou a Cristandade primitiva às raias de uma revolução social’. É aqui que ele faz alusão direta a Dostoiévski que ‘nunca pensou acerca de melhoramentos sociais’. (’De que teria valido à alma de um homem abolir a propriedade?’)”

A alma de uma civilização

yuri vieira (SSi), 1:01 am
Filed under: Arte, Educação, amigos, exteriores, livros
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Um amigo me escreveu de Florença dizendo que já está cansado de apreciar edifícios velhos e obras de arte. Para ele, o passeio já perdeu a graça, tendo confessado já estar com os sentidos embotados. Após lhe receitar uma rave (tratamento de choque), disse a ele que, se eu fosse embarcar semana que vem pra Europa, iria correndo reler pelo menos a “História da Arte” do Gombrich, o básico dos básicos. Sim, porque sair pelas cidades européias sem saber, por exemplo, a diferença entre o estilo românico e o renascentista fará com que tudo pareça uniforme. Seria semelhante à leitura de Proust por um analfabeto funcional. Ele pode até achar curioso, diferente ou, o mais provável, chato, mas não perceberá o que interessa, as sutilezas. A evolução dos estilos na arte - em particular na arquitetura - é pura expressão da alma de uma civilização. A mera apreciação dos sentidos, sem o apuro do conhecimento, só pode mesmo embotar: “ai, mais um prédio velho!” É, amigo, é duro viajar e, já longe, perceber que se deixou algo importante em casa…
PS.: Principalmente se esse “algo importante” for um cobertor de orelha feminino anti-frio europeu tabajara. Nem tudo é cultura…

Thursday, December 4, 2003

Norte-americanos

yuri vieira (SSi), 6:51 pm
Filed under: escritores, literatura
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Eu gosto dos norte-americanos

Honestidade intelectual

yuri vieira (SSi), 6:40 pm
Filed under: escritores, exteriores, interiores
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Foi durante uma conversa em que eu narrava minhas experiências de projeção astral que o Bruno Tolentino me definiu “honestidade intelectual”: nunca dizer que sabe o que não sabe, nem dizer que não sabe o que sabe. E eu lhe disse que aprendi isso com certa “brincadeira do copo”, quando então, em 1995, enganei dois amigos por quase duas horas de conversas com “espíritos”. Desmenti no dia seguinte, mas ainda hoje, sempre que “realmente me afogo”, eles pensam que sou aquele garoto que “finge se afogar”. Não pretendo mais perder meu crédito com ninguém. Aliás, o Waldo Vieira é honestíssimo e discorre acuradamente sobre os vários tipos e níveis de experiências extrafísicas. Acredite, Bruno: essas coisas acontecem.

Tuesday, November 18, 2003

O melhor manual de roteiro

yuri vieira (SSi), 12:14 pm
Filed under: cinema, livros, software
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Recebi o email de um internauta querendo saber qual é, na minha opinião, o melhor manual para confecção de roteiros. Olha, pra ser sincero, acho grande parte dos “manuais” que rolam por aí inúteis, uma vez que a maioria apenas se limita a listar mil e um termos técnicos e mostrar a diferença entre sinopse, argumento, roteiro cena por cena, decupagem técnica, etc. e tal. Tudo isso se aprende simplesmente escrevendo um roteiro, trabalhando. O melhor a fazer é comprar o roteiro de um filme que se curta - como o Pulp Fiction, que é fácil de encontrar - e lê-lo. Se quiser dicas de como estruturar uma história, como envolver o público, causar pathos, etc. leia então o melhor manual já escrito: A Poética, de Aristóteles. Platão dizia que a realidade é uma “mímese” do mundo das idéias, uma imitação. E a arte seria uma imitação da realidade. Na Poética, Aristóteles mostra como se dá a imitação dos “atos” humanos na epopéia, tragédia, comédia, etc. É uma leitura que vale a pena. Claro, se você já se tocou de que não basta imitar os atos, senão também o interior humano, leia os “roteiros” do melhor “roteirista” que existiu: Shakespeare. Quanto à formatação, resolva o problema adquirindo o Final Draft ou o Movie Magic Screenwriter. E pronto. O resto se resume em não esquecer a regra de ouro - “escreva somente o que pode ser visto e, se necessário, ouvido” - e em não encher o saco do diretor escrevendo literariamente, afinal, um roteiro de cinema é como um roteiro de viagem: é preciso dar espaço para que o verdadeiro viajante - o diretor - possa criar. Se um roteiro fosse literatura, seria literatura minimalista.

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P.S.: Não deixe de ler o post “O melhor software para roteiristas“.

[Ouvindo: Manguetown - Chico Science]

Monday, November 17, 2003

Almada Negreiros

yuri vieira (SSi), 12:28 pm
Filed under: escritores
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A entrada anterior me fez lembrar de Almada Negreiros, poeta e pintor, amigo e retratista de Fernando Pessoa, que, ao entrar numa livraria, passou a contar quantos livros ainda precisava ler e quantos anos ainda tinha de vida. Sua conclusão: “Meu anos não dão nem pra metade da livraria…”



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