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Wednesday, October 27, 2004

Felicidade

yuri vieira (SSi), 5:04 am
Filed under: interiores, literatura, livros
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O sol se põe por trás de nuvens negras, carregadas, emitindo reflexos vermelhos, dourados. No parque, alguns caminham, fugindo do enfarte. Quanto a mim, deixo o shopping com três livros na sacola plástica, trocados por um vale-presente: “Maigret e o homem do banco” (Simenon), “O coração das trevas” (Joseph Conrad) e “Meia vida” (V.S.Naipaul). Não é isto a felicidade?

Monday, October 18, 2004

Guimarães Rosa

yuri vieira (SSi), 7:18 am
Filed under: escritores, literatura, livros
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A Hilda Hilst me contou que, quando leu Grande Sertão: Veredas, telefonou pro Guimarães Rosa e disse o quanto achara o livro “deslumbrante”. E ele: “O menino é bãããão, né? o menino aqui é muito bão…”

Thursday, September 9, 2004

Ontem e hoje

yuri vieira (SSi), 5:41 pm
Filed under: Política, livros
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“Na imprensa e nos livros que circulavam em Berlim, Albert Schweitzer notou a mesma disposição para aceitar aquilo que era moralmente inaceitável, como já havia notado nos jornais e livros de Estrasburgo e de Paris; o mesmo senso de fadiga moral e espiritual, aliado ao mesmo otimismo quanto ao futuro.”
O profeta das selvas, de Hermann Hagedorn.
O mais interessante é saber que Schweitzer detectou um futuro sombrio para a Europa não simplesmente antes da Primeira e Segunda Grandes Guerras, mas antes mesmo do final da última década do século XIX. E, caso não fosse trágico, seria engraçado ver como no final do século XX, a imprensa e a intelectualidade brasileiras também apresentavam - e ainda apresentam - o mesmo otimismo babão no messianismo político. A história brasileira, por enquanto, não passa de pura farsa.

Schweitzer e o Estado

yuri vieira (SSi), 4:55 pm
Filed under: Política, Religião, livros
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Albert Schweitzer deixou a Europa para servir a seus semelhantes na África equatorial. Um dos motivos que o levou a tão radical mudança foi o impedimento que sofreu, da parte do Estado alemão, ao tentar levar adiante seus projetos de serviço social voluntário, afinal, já “havia uma repartição do governo encarregada desses assuntos, e isso era suficiente - muito obrigado. Mesmo quando o orfanato de Estrasburgo foi destruído por um incêndio, a espinha oficial permaneceu rígida. Schweitzer ofereceu abrigo para alguns dos que haviam ficado sem teto, mas nem lhe permitiram terminar a frase com que fazia o convite. O Estado não precisava do auxílio do jovem doutor”.
O profeta das selvas, de Hermann Hagedorn.

Schweitzer

yuri vieira (SSi), 4:50 pm
Filed under: Política, livros
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“Aqui e ali, na imprensa, (Schweitzer) notava idéias desumanas apresentadas por homens públicos, e esperava ansiosamente o indignado repúdio do público; mas esperava em vão. Ninguém parecia chocado quando governos e nações propunham e faziam coisas que a geração anterior teria julgado intoleráveis.”
O profeta das selvas, de Hermann Hagedorn.

Monday, August 23, 2004

A alma é livre

yuri vieira (SSi), 6:33 pm
Filed under: Política, escritores, livros
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“Durante seis anos não paguei imposto de capitação. Por conta disso certa ocasião passei uma noite no xadrez; (…), não pude deixar de ficar chocado com a estupidez daquela instituição que me tratava como se eu fosse apenas de carne e osso e pudesse ser fechado à chave. (…) Não me senti confinado em momento algum, e os muros me pareceram um grande desperdício de pedra e argamassa. (…) Vi que o Estado era um imbecil (…). O Estado nunca se confronta intencionalmente com o sentido moral ou intelectual de um homem, mas apenas com seu corpo, seus sentidos físicos. Não se arma de espírito superior ou de honestidade, mas de força física superior. Não nasci para que me forcem a coisa alguma. Respirarei à minha moda. Vejamos quem é o mais forte. Que força tem a multidão?”
A Desobediência Civil, Henry David Thoreau.

Falsa oposição

yuri vieira (SSi), 6:21 pm
Filed under: Política, escritores, livros
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“Aqueles que, ao mesmo tempo que desaprovam o caráter e as medidas de um governo, dão-lhe adesão e apoio são, sem sombra de dúvida, seus mais conscienciosos defensores, e com freqüência os mais sérios obstáculos à reforma.”
A Desobediência Civil, Henry David Thoreau.

Libertarian

yuri vieira (SSi), 6:06 pm
Filed under: Política, escritores, livros
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“Custa-me bem menos incorrer na penalidade de desobediência ao Estado, do que custaria a obediência, pois neste caso me sentiria diminuído diante de mim mesmo.”
A Desobediência Civil, Henry David Thoreau.

Sunday, August 22, 2004

Buracos negros

yuri vieira (SSi), 7:22 am
Filed under: Ciência, Livro de Urântia, livros
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Estive lendo recentemente “O universo numa casca de noz” e relendo “Uma breve história do tempo“, ambos de Stephen Hawking. Entre outras coisas, eu pretendia verificar se determinados detalhes da cosmologia do Livro de Urântia não estariam equivocados. Sim, porque este livro, mesmo tendo sido publicado pela primeira vez apenas nos anos 50, não se referia nunca aos tais “buracos negros”, o que muito me incomodava. E agora vem à baila Mr. Hawking, atual “proprietário” da cadeira de Newton em Cambridge, para dizer que estava enganado, que os buracos negros não engolem realmente tudo que lhes cai na boca e que não são um “atalho através do espaço-tempo”. Isto quer dizer: mais um ponto para o Livro de Urântia, que, como já disse numa entrada anterior, afirmava a existência de um décimo planeta em nosso sistema solar mais de 50 anos antes da descoberta dos cientistas.

Saturday, August 21, 2004

O homem livre

yuri vieira (SSi), 2:46 pm
Filed under: Política, livros
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“A história universal se move mediante a anarquia. Em suma: o homem livre é anárquico, o anarquista, não.”
Eumeswil, Ernst Jünger.

Anarquista

yuri vieira (SSi), 2:44 pm
Filed under: Política, livros
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“O anarquista é o antagonista do monarca. (…) A contrapartida positiva do anarquista é o anarca. (…) O monarca pretende dominar muitos, ou melhor, todos. O anarca, somente a si mesmo.”
Eumeswil, Ernst Jünger.

Lula, o orador

yuri vieira (SSi), 2:38 pm
Filed under: Política, livros
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“O poder não se transmuta totalmente em política; sempre alguns fatores pessoais se infiltram de forma inevitável. Esta é a fronteira na qual tanto os tiranos quanto os demagogos descambam em déspotas. Surge então a obsessão, que ultrapassa o poder e freqüentemente beira o cômico. Apesar de sua voz fraca, Nero queria também ser o primeiro entre os cantores.”
Eumeswil, Ernst Jünger.

Insatisfação

yuri vieira (SSi), 2:33 pm
Filed under: Política, Religião, livros
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“A insatisfação de um homem espiritual é mais perigosa que a de um faminto.”
Ernst Jünger

Igualdade

yuri vieira (SSi), 2:31 pm
Filed under: Política, literatura, livros
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“A obsessão de igualdade dos demagogos é mais perigosa que a brutalidade dos galões… embora para o anarca as duas coisas sejam meramente teóricas, porque igualmente as repele. O oprimido pode voltar a se erguer, caso tenha conservado a vida. O homem igualado fica arruinado física e moralmente. Quem é diferente não é nosso igual. Eis uma das causas das freqüentes perseguições aos judeus.
Iguala-se por baixo, como o barbear, a derrubada de árvores ou a instalação de baterias. Às vezes, o espírito do mundo parece se transformar em um arrepiante Procusto: alguém leu Rousseau e começa a praticar a igualdade cortando cabeças ou, como dizia Mimie le Bon, ‘fazendo rolar os abricós’. Em cambrai, as execuções da guilhotina serviam de aperitivo para a ceia. Os pigmeus encurtavam as pernas dos negros de estatura elevada para igualá-la à sua. Os negros brancos nivelavam as línguas cultas.”
Eumeswil, Ernst Jünger.

Valor do trabalho

yuri vieira (SSi), 2:14 pm
Filed under: Avisos, livros
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“Estavam falando do sentido autêntico do trabalho, daquilo que o Domo denominava seu ‘gênio’. Ele afirmava que o trabalho no qual este gênio aflora, seja o de um entalhador, de um pintor ou de um ourives, valia ’seu peso em ouro’ e deveria ser pago de acordo com este valor.”
Eumeswil, Ernst Jünger.

Soldo e ouro

yuri vieira (SSi), 2:08 pm
Filed under: Economia, Política, livros
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“‘Que o soldo é, não digo fictício, mas efetivo - isto é, está vinculado a uns lucros - nota-se bem no mundo do trabalho. No caso extremo, num blecaute, o soldo carece de valor ao passo que o ouro o conserva e até aumenta.’ (…) O anarca está do lado do ouro, mas não se deve tomar isto como se tivesse sede de ouro. Reconhece no ouro o poder central, imutável. Ama-o, não como Cortés, mas como Montezuma, não como Pizarro, mas como Atahualpa: são estas as diferenças entre o fogo plutônico e o resplendor solar, tal como era adorado nos templos do sol. A qualidade mais apreciada do ouro é sua luz: difunde-se apenas com sua existência.”
Eumeswil, Ernst Jünger.



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