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Monday, March 20, 2006

Literatura e paranóia

yuri vieira, 6:41 am
Filed under: amigos, escritores, literatura
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Nesse final de semana, conversei por um bom tempo com a Andréa Leão e o Paulo Paiva sobre Auster, DeLillo, Pynchon e seus romances noiados. Depois, em casa, reli o ótimo ensaio do Martim Vasques da Cunha, O Triunfo da paranóia. Foi a cereja daquela conversa. Em meio à sua análise sobre Pynchon, ele cita este trecho duma palestra de Eric Voegelin:

“A alienação e a paranóia não são apenas problemas individuais, mas eles dominam a cena contemporânea na forma de várias ideologias, que sempre tentam perseguir alguém, ou sentem-se perseguidas por alguém, ou ambos os casos. E foi nesta ocasião que eu me deparei com o problema da paranóia no sentido teorético, o que não havia ficado claro para mim antes, porque a paranóia é geralmente tratada pelos psicopatologistas. Mas isto não é um problema, uma vez que se você tem várias pessoas em um estado paranóico (em termos práticos), isto é mais do que o caso de um paciente com uma psicopatalogista. Há alguma estrutura fundamental da consciência envolvida nesta situação.

(Continua…)

Thursday, March 16, 2006

Do ofício de escrever

pedro novaes, 11:13 pm
Filed under: Viagens, escritores, especulativas, literatura
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O que mais perturba o ofício de escrever é a vaidade. O maldito desejo de ter nossas palavras aceitas, não tanto em seu conteúdo, mas sobretudo na forma. A pretensão de se igualar à prosa de um Guimarães Rosa, de uma Hilda Hilst, um Lobo Antunes, um Garcia Marquéz ou à poesia de um Fernando Pessoa, de um Manoel de Barros.

Literatura tem que ser cagada ou vomitada, sem qualquer preconceito com esses dois vitais processos fisiológicos. Escrever de verdade se escreve com os intestinos e com o estômago. Nunca com o cérebro ou o ego. (Continua…)

Tuesday, March 14, 2006

Pessoa, o k7 e a sinopse

rodrigo fiume, 5:55 pm
Filed under: escritores, literatura, música, sites
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Desenterrei em casa um k7 genial — isso, uma fita cassete, lembra dela? Eu a ganhei de presente de uma amiga na faculdade, em 1989 ou 1990. E foi gravada de um LP — é, a bolacha. Dá até para ouvir o barulho da agulha ao fim da última música.

Bem, voltando ao k7 em si, é uma cópia de A Música em Pessoa, lançado em 1985, quando se lembrava os 50 anos da morte do poeta português.  (Continua…)

Zeca Baleiro e Hilda Hilst

yuri vieira, 5:37 pm
Filed under: escritores, música
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Depois de dois anos de produção, saiu o CD “Ode descontínua e remota para flauta e oboé — De Ariana para Dionísio” com poemas de Hilda Hilst musicados por Zeca Baleiro (Saravá Discos). São dez poemas extraídos do livro “Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão” - escrito pela Hilda quando estava apaixonada platonicamente pelo Júlio de Mesquita Neto (vide as iniciais) - e interpretados por Rita Ribeiro, Verônica Sabino, Maria Bethânia, Jussara Silveira, Ângela Ro Ro, Ná Ozzetti, Zélia Duncan, Olívia Byington, Mônica Salmaso e Ângela Maria. Ainda não o ouvi, “apenas” li os poemas. (Detalhe: li em voz alta para a própria Hilda, que não parava de repetir: “Nossa, como eu era deslumbrante!”)

Giannetti e o paradoxo do genoma

pedro novaes, 8:31 am
Filed under: Ciência, Viagens, escritores, especulativas, literatura, livros
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Sigo lendo O Valor do Amanhã, do economista Eduardo Giannetti. Subintitulado “Ensaio sobre a Natureza dos Juros”, o livro está longe de ser uma obra meramente econômica. É filosofia. Como mostra ele, os juros financeiros são apenas uma faceta menor de um fenômeno inscrito na natureza darwiniana da vida e em nosso código genético: as trocas intertemporais - desfrutar agora custa, esperar rende. (Continua…)

Monday, March 13, 2006

Capote II

pedro novaes, 8:25 pm
Filed under: cinema, escritores, literatura, livros
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Acabo de assistir a Capote e concordo integralmente com o Fiume. É um grande filme. Absurdamente melhor que Crash e que Brokeback Mountain. Não há dúvida de que todo o seu mérito, além da atuação felizmente premiada com o Oscar de Philip Seymour Hoffman, reside na sutileza com que trata a figura de Truman Capote e a pesada história real de sua obra-prima “A Sangue Frio”. Coisa rara em filme americano: sugerir as coisas, ao invés de explicá-las didadicamente. Meritório também o filme não cair presa da personalidade de Capote – o homossexualismo, o alcolismo, a megavaidade, etc. -, mas exatamente sugerir tudo isso enfatizando suas relações com outras pessoas no processo de se envolver com a história de brutais assassinatos, que resultaria num dos grandes livros norte-americanos.
Mais impressionante ainda por se tratar do primeiro longa de ficção do diretor Benett Miller. Imperdível.

Monday, March 6, 2006

Del vendedor de camisas

pedro novaes, 10:38 pm
Filed under: Política, cinema, escritores, literatura, livros
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Aparentemente nada de muito novo para quem leu as biografias de Che redigidas por John Lee Anderson e Jorge Castaneda. Mesmo a mais oficial delas, para quem não adquiriu tendinite durante a leitura e chegou ao final, não poupa a imagem do grande vendedor de camisetas.
Agora, há também, conforme o Pedro Sette Camara noticia no site do Instituto Millenium, o último livro do Vargas Llosa - “The Guevara Myth and the Future of Liberty” - e um documentário - “Che: Anatomia de un Mito”, daunloudável em formato WMV:

“Fusilamientos, sí. Hemos fusilado. Fusilamos y seguiremos fusilando mientras sea necesario.”

(Via De Gustibus…)

Agenda cultural brasiliense pós-carnavalesca

Alex Cojorian e a Crônica do Caos Brasiliense, 5:28 pm
Filed under: Arte, Cotidiano, escritores, literatura, livros, plásticas
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Agenda cultural da semana:

Terça-feira, 07 de março
19h - As formigas e o Fel, livro de Renato Cunha, e também seu filme O Reinado Nosso de Cada Dia. Show com Miolo de Pote. Exposição fotográfica Reinado: Almir Israel, Ana Borges, Rinaldo Morelli, Suzana Dobal, Usha Velasco. Esquina da Palavra, CLN 406.
20h - lançamento do catálogo de Joana Limongi, com tudo (ou quase tudo) que pintou desde 1999 até agora. Rayuela, 412 sul.

Quinta-feira, 09 de março
18h - Umbigo, de Nicolas Behr, na Entrelivros, CLN 406. Segundo o poeta, “não é um livro: é um equívoco; não vá ao lançamento; se for, não compre, se comprar, não leia, se ler, problema seu; provavelmente o livro será recolhido pelo autor.
19h - Todo Sol Mais o Espírito Santo, de Lima Trindade, no Carpe Diem, CLS 104. Novo livro do escritor revelação baiano-brasiliense e também editor da revista eletrônica verbo21.

TUDO ISSO É IMPERDÍVEL!!

Saturday, March 4, 2006

Juros e meio ambiente

pedro novaes, 8:45 pm
Filed under: Economia, escritores, livros, meio ambiente
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O Vinícius, nosso leitor, chama a atenção para a resenha feita pelo Rodrigo Constantino do livro do Eduardo Giannetti, O Valor do Amanhã, mencionado no post abaixo. Coincidentemente comprei-o hoje e espero, em breve, poder comentá-lo.

Pensador muito completo, Giannetti tem, além de tudo, o dom, raro entre economistas, de se expressar com clareza para iniciados e não-iniciados neste mundo relativamente hermético.

Eu não sei se o livro, cujo subtítulo é “Ensaio sobre a Natureza dos Juros”, trata, em algum momento, da questão ambiental. Se não, mais interessante ainda. A questão ambiental é, em essência, um problema de juros.

Eu gostaria muito de ver o Giannetti comentando o livro do Zé Eli, mas não sei se poderei estar lá.

Friday, March 3, 2006

90min de entrevista com Jorge Luis Borges

yuri vieira, 11:35 am
Filed under: Podcast e videos, escritores
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Para assistir a uma prévia da entrevista realizada em 1976 pelo jornalista espanhol Joaquín Soler Serrano com Jorge Luis Borges, clique em play. Para fazer o download da entrevista completa, siga o link mais abaixo.

(Atenção, ao clicar em download, vc precisa seguir os passos com calma, caso contrário se perderá numa infinidade de janelas de publicidade, inclusive pornográficas. Mas que o arquivo com 90min (140.22Mb) de entrevista está lá isso eu posso garantir. Fique atento à parte superior da janela que abrir e vá clicando. Además, muchas gracias a la bitácora Apirronarse por este gran regalo.)

Thursday, March 2, 2006

Duelo de Titãs

pedro novaes, 11:08 pm
Filed under: Cotidiano, escritores, literatura, livros
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O Alex Castro pergunta qual é o maior romance latino-americano do século XX? Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquéz, Sobre Heróis e Tumbas, de Ernesto Sábato, ou Pedro Páramo, de Juan Rulfo.

Infelizmente os brasileiros estão fora deste páreo. Se não o estivessem, eu diria, sem pestanejar, “Grande Sertão Veredas”. Cem Anos de Solidão perderia por uma cabeça para a obra-prima de Guimarães Rosa - a ousadia linguística. (Continua…)

Mulher do padre 2

yuri vieira, 1:20 am
Filed under: escritores, interiores
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quase um ano já, cansado de tentar convencer meus amigos a lerem o Olavo de Carvalho - de quem li apenas sete ou oito livros (os dois primeiros emprestados pelo poeta Bruno Tolentino em 1999) -, desabafei aqui: “para mim, quem não lê as colunas semanais do O.de C. é mulher do padre”. O irônico é que, sem que eu soubesse de pronto, foi este o único argumento que de fato levou ao menos dois de meus amigos a iniciar a empreitada, o que talvez signifique duas coisas: 1) sou um péssimo dialético, 2) mas um bom retórico, já que apelei com sucesso aos subterrâneos de suas psiques ao utilizar desafio tão primário, tão infantil. E isto, claro, significa uma terceira coisa: embora lhe sinta o cheiro, ainda estou muitíssimo aquém da filosofia…

Mas sem papo furado, quero apenas - diante do excelente artigo do Olavo desta semana, Se você ainda quer ser um estudante sério…, aliás, finalmente um artigo que mostra extensivamente (e não intensivamente, como é o costume dele) aos que nunca tiveram coragem de se aproximar de ao menos um de seus livros qual é o fundo de onde salta esse grande figura - quero apenas repetir: para mim, qualquer intelectual brasileiro que nunca tenha lido sequer um livro do Olavo é mulherzinha do padre. E só. (Ok, agora vá dar pro padre, se é que lhe assentou a carapuça.)

Tuesday, February 28, 2006

Montaigne

daniel christino, 2:19 am
Filed under: escritores, livros
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Sempre adiei a leitura desse cara. Dos franceses em geral. Com excessão de Balzac, Proust e Valéry, não tenho paciência com os franceses. Flaubert também me impressionou, mas já passou. Sempre fui mais alemão nas minhas escolhas. Só que me caiu nas mãos “Montaigne em Movimento” do Starobinski. Comprei num sebo juntamente com “Hamlet - Poema Ilimitado”, do Harold Bloom, provavelmente o único intelectual pós-moderno que o Yuri gosta (é isso mesmo, leitor e admirador de Paul de Man, o papai da crítica literária pós-moderna na América).

(Continua…)

Sunday, February 26, 2006

Adoniran Barbosa e Hilda Hilst

yuri vieira, 11:10 am
Filed under: Podcast e videos, escritores, música
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Acho que foi o compositor José Antônio de Almeida Prado quem apareceu, lá na Casa do Sol, em 1999, com uma fita trazendo duas músicas do Adoniran Barbosa sobre letras da Hilda. Como eu estava acrescentando conteúdo ao site dela, fiz uma dessas gambiarras para poder conectar um walkman ao meu então 486DX100 e passar trechos das canções para .wav, que ainda se encontram por lá. Só estou falando disso porque, ainda hoje, muita gente se espanta quando digo que rolou uma parceria do Adoniran com a Hilda. Incluindo aí a surpresa do nosso colaborador Ronaldo Roque.

Para quem quiser ouvir as músicas, agora em mp3, eis os links. A primeira se chama “Quando te achei” e a outra “Só tenho a ti”. (Isto é para ajudar a divulgar, hem, Zé.)

  • - Interpretada por Elza Laranjeira:
  • - Interpretada pelo próprio Adoniran:

Friday, February 24, 2006

Frenologia

yuri vieira, 7:26 pm
Filed under: escritores, especulativas
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É o estudo da personalidade humana revelada pelos contornos do crânio. Encontrei esta curiosa informação num dos meus inúmeros blocos de anotações (não sei de onde tirei):

Walt Whitman pagou três dólares para que Lorenzo Fowler apalpasse as protuberâncias de sua cabeça. Resultado: “um bom domínio da linguagem” e “escolheria lutar com a boca e a caneta”. Whitman publicou o resultado várias vezes e teve a primeira edição de “Folhas da Relva” (1855) distribuída pela Fowler & Wells.

Uma coisa que não falta é escritor acreditando em teorias estranhas. Pirar é humano. E literário.

Monday, February 20, 2006

Tocando o Vazio

pedro novaes, 7:59 pm
Filed under: cinema, escritores, literatura, livros, montanhismo
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Tocando o Vazio é dessas histórias que nos fazem pensar, em todos os sentidos, sobre limites. Quais são os limites do ser humano, em termos físicos e mentais? Até onde nosso corpo é capaz de nos levar? Até que ponto a mente comanda o corpo? E, mais que isso, onde termina o ser humano? Que estranhas conexões etéricas guardamos com o mundo que nos cerca e com o universo? Como explicar uma saga de sobrevivência que desafia todas as possibilidades? Como dar conta das inexplicáveis intuições que guiam o ser humano numa jornada cara a cara com a morte? Por que certas pessoas, como Joe Simpson, insistem em viver, quando outros submetidos às mesmas situações, já teriam passado desta para melhor? (Continua…)



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