Arquivo para a categoria "escritores"




Friday, November 4, 2005

Interpenetração literária

yuri vieira, 5:23 am
Filed under: Política, escritores, literatura
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No artigo Amigos do Brasil (Na Antevespera, pág. 164), escreveu Monteiro Lobato (com sua grafia própria, sem acentos “inúteis” e etc.):

“A interpenetração literaria é o que há de mais proficuo na aproximação dos povos. Só ela suprime as muralhas que a estupidez dos governos ergue. Só ela demonstra que somos todos irmãos no mundo, com as mesmas visceras, os mesmos defeitos, os mesmos ideais. Se a França tornou-se amada entre nós a ponto de bombardear Damasco e esmagar Abd-el-Krim sem que isso nos arrepie as fibras de indignação, deve-o aos senhores Perrault, La Fontaine, Hugo, Maupassant, Taine, Anatole e quantos mais nos trouxeram para aqui esta sensação da irmandade do homem. Se a Alemanha não se gosou de identicas simpatias é que viamos os atos de violencia dos seus homens de governo e não havia dentro de nós, para atenuar-lhes a repercussão, o coxim de veludo da literatura alemã, bem absorvida como temos a francesa. (…) Os morcegos passam e os livros ficam.”

Thursday, November 3, 2005

Um erro

yuri vieira, 5:11 am
Filed under: Ciência, Religião, escritores
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Num artigo intitulado Krishnamurti, escreveu Monteiro Lobato:

“Erro pensar que é a ciência que mata uma religião. Só pode com ela, outra religião.”
(in Na Antevespera, pág. 199.)

Dias intranqüilos em Clichy

yuri vieira, 4:31 am
Filed under: Cotidiano, Viagens, escritores
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Henry Miller, que viveu alguns de seus melhores anos em Clichy (Dias tranqüilos em Clichy), jamais imaginaria que seu amado bairro viveria uma semana tão intranqüila quanto a presente. Segundo o Le Figaro, no correr desta semana ao menos 228 carros foram queimados na região de Seine Saint-Denis, onde se encontra Clichy. Tudo começou com a morte de dois jovens que fugiam da polícia. A região se levantou e já está há uma semana em meio à quebradeira. Nessas horas fico imaginando: para onde se mudariam hoje Hemingway, Joyce, Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Dos Passos, Henry Miller e demais coléguas, sem falar dos artistas plásticos e outros? Para onde? Embora essa gente tenha se guiado pela estética e pelo hedonismo - Paris era e é uma beleza - o que realmente os movimentou foi o bolso: no período entre-guerras a França era baratíssima e ali era possível sobreviver com um décimo do necessário para se manter, por exemplo, em Nova York. E todos sabem que escritores e artistas são uns duros…
Onde fica a Paris de hoje? Onde é possível passar meus próprios dias tranqüilos? Em Clichy é que não é. E muito menos na Vila Madalena

Mirisola, o demônio

yuri vieira, 12:05 am
Filed under: Religião, escritores, literatura
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Veja abaixo o futuro encontro do escritor Marcelo Mirisola com o Senhor Yama, o Plutão dos hindus, senhor da morte, que encaminha as almas para seus devidos lugares(loka)… ;)
Mirisola diante do Senhor Yama
(Continua…)

Wednesday, November 2, 2005

Cenários de Shakespeare

yuri vieira, 10:41 pm
Filed under: escritores, tecnologia
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Taí uma tarefa levada a cabo por um nerd que curte literatura. Um francês colocou na comunidade Keyhole (Google Earth) - num único arquivo - links que levam a 85 lugares citados em diferentes peças de William Shakespeare.

Do “blog” do Monteiro Lobato

yuri vieira, 6:37 pm
Filed under: escritores, livros
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Trecho do livro Mundo da Lua, no qual Monteiro Lobato reuniu anotações de seu diário (estou mantendo a grafia do autor, sem acentos “inúteis” e outras coisinhas mais):

Quadros da vida

Tarde linda ontem. Conversamos á janela, eu e o Quim, sobre a ação ideologica de Rui neste país e sobre a ascenção ininterrupta da grande figura nacional.
- Sobe sempre…
- Já aquele desce sempre, observou Quim.
Referia-se ao Pedro Inchado, mendigo habitual da nossa rua. Lá vinha ele, todo farrapos, imundo. Ha mendigos decentes, que guardam a compostura da miseria. Este perdeu tudo e é no moral tão roto como no fisico. Sem camisa - um trapo de paletó sobre o couro gafeirento; sem ceroulas - vêem-se-lhe pedaços de perna pelos buracos da calça imunda. Passou por nós e apanhou uma ponta de cigarro.
- Desce sempre. Ha meses pilhei-o querendo apanhar um cigarro; olhava para os lados a ver se era observado. Perdeu já este ultimo pudor…

Loterias

Contou-nos um velho vendedor de loterias coisas curiosas de sua vida de bufarinheiro de esperanças. Desde mocinho só fez aquilo: vender a esperança da riqueza. Já deu duas sortes grandes e varias pequenas. Uma vez…
- Uma vez aconteceu um caso interessante. A sorte andou por cá procurando quem a quisesse. Ninguem a quis. Vendi todos os bilhetes que tinha, menos um, o premiado. Para não ficar com esse encalhe, dei-o a um compadre meu que seguia para S. José. “Venda-o por lá.” Assim foi. Um sitiante comprou-o no caminho, mas achou feio o numero e vendeu-o a um guarda-livros de lá, muito boa peça, rapaz serio, trabalhador, pai de tres filhos. Nesse mesmo dia saiu-lhe a sorte - cem contos.
O moço foi ao Rio receber o dinheiro e lá ficou meses, a meter o pau no cobre.
Voltou um perdido, um bebado, e hoje anda por aqui, rolando…
- Por aqui? Como se chama?
- Pedro. É o Pedro Inchado, não conhece?

Tuesday, October 25, 2005

Hilda Hilst e os cães

yuri vieira, 3:22 pm
Filed under: amigos, escritores
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Érika (Olivier?) me enviou este artigo do poeta e escritor Álvaro Alves de Faria - publicado na Caros Amigos n. 21 -, que descreve com perfeição o estado de espírito da Hilda Hilst quando a conheci em 1998. Depois que me mudei para a Casa do Sol, ela passou a ter um interlocutor diário, mas ainda caía com freqüência nesses dias de tristeza. Melhorou bastante no segundo ano, quando o Mora Fuentes também se mandou de mala e cuia para lá. Com ele, que a conhecia havia mais de trinta anos, aprendi a ampliar os limites da minha relação com a então senhora H. Demos mais jogo de cintura à nossa amizade. Mas, vale dizer, a grande tristeza da Hilda tinha muito a ver com a aproximação da morte, com a suposta indiferença de Deus e, claro, com a falta de grana, corolário de uma brilhante carreira não coroada pelo grande público. Enfim, achei o texto do Álvaro excelente. Para quem não a conheceu pessoalmente, vale como uma visita em pleno ano de 1998. Mas ainda é preciso escrever sobre seus dias de alegria…

Saturday, October 15, 2005

Arte de Amar

yuri vieira, 2:00 am
Filed under: escritores, interiores
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Isto é do Manuel Bandeira:

“Se queres a felicidade de amar, esquece a tua alma.
“A alma é que estraga o amor.
“Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
“Não noutra alma.
“Só em Deus - ou fora do mundo.
“As almas são incomunicáveis.
“Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
“Porque os corpos se entendem, mas as almas não.”

Saturday, October 1, 2005

O Rio de Janeiro, segundo Wordsworth

yuri vieira, 9:39 pm
Filed under: Viagens, escritores
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Ralph Waldo Emerson, a respeito do poeta Wordsworth, que reencontrou durante uma viagem à Inglaterra em 1848:

“Julga o Rio de Janeiro o melhor lugar do mundo, para uma grande capital…”

Contos vingativos

yuri vieira, 7:14 pm
Filed under: Arte, escritores, literatura
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Meus amigos mais próximos - e principalmente duas ex-namoradas - conhecem as circunstâncias em meio às quais se desenvolveram os contos d’A Tragicomédia Acadêmica. Esta semana, ao ler a entrevista concedida por Monteiro Lobato ao jornalista Silveira Peixoto, de uma certa Gazeta Magazine, dou com o seguinte trecho:

Meus contos foram quase todos vingancinhas pessoais, desabafos. Quando eu sentia necessidade de vingar-me de um sujeito qualquer, não sossegava enquanto o não pintasse numa situação ridícula ou trágica, que me fizesse rir.

É exatamente isso. Daí eu dizer a um webamigo, num debate via email, que a raiva pode ser muito bem aproveitada na criação artística. E ele veio com o papo de que isso é feio, de que o que vale é o amor… Claro, há o amor e o frenesi pela palavra, mas não sei se uma ostra tem lá todo esse amor pelo grãozinho de areia invasor que cobre de nácar…

Monday, September 26, 2005

Amigos e bibliotecas

yuri vieira, 11:38 pm
Filed under: amigos, escritores, literatura, livros
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Sempre que me hospedo com meus amigos acabo por também visitar e revirar suas bibliotecas. No apê do Rodrigo Fiume “bati um papo” com o Caio Fernando Abreu, com o Nélson Rodrigues e, principalmente, com o Rubem Braga, que muito me agradou. Fiz questão de ler esse último - do qual conhecia muito pouco - depois que o Alex Cojorian e o Bruno Borges me disseram que sou um bom cronista. Se o sou, devo me remeter a um mestre, pensei, para voltar a me sentir ruinzinho e ter um motivo para continuar melhorando. Dei muita risada com o Rubem Braga, principalmente com as crônicas da borboleta amarela (dica do Rodrigo) e a da viagem a Casablanca. É como ler um irmão mais velho cheio de gênio e humor. É o tipo do cara que, num futuro que fatalmente virá, valerá a pena encontrar do outro lado para saber das novidades do universo.

Na casa do Dante, voltei a curtir um Emerson - seu Homens Representativos, seu relato do encontro com Wordsworth e Carlyle - e as Obras Completas do Monteiro Lobato, da qual escolhi um volume de entrevistas e introduções que ele escreveu para livros alheios. Eu não tinha noção da importância do cara para a indústria editorial brasileira. Antes dele, não havia edições com mais de mil exemplares e as livrarias de todo o país não passavam de quarenta. Essas edições levavam anos e anos para escorrer por aí, num ritmo de conta gota. E o Monteiro Lobato, indignado com essa situação das mais primitivas - sua editora não conseguia crescer - teve uma idéia das mais cibernéticas: escreveu para quase duas mil agências de correio de todo o Brasil, a solicitar endereços das respectivas casas comerciais locais, não importando se fossem livrarias, papelarias, quitandas ou açougues. Redigiu então uma carta (quase um manifesto) na qual propunha a consignação de livros, sublinhando o aspecto de mercadoria do mítico objeto. Assim, em menos de dois meses, as livrarias passaram de quarenta para mil e duzentas e ele chegou a publicar uma tiragem de cinqüenta mil exemplares de “Reinações de Narizinho”, que esgotou em menos de um ano. Daí para frente, o mercado livreiro, no Brasil, nunca mais foi o mesmo.

Tuesday, September 20, 2005

Artistas: os únicos que trabalham?!

yuri vieira, 1:41 pm
Filed under: Arte, escritores, especulativas
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A Hannah Arendt sempre aparece com um “detalhe” conceitual para mudar nossa ótica das coisas. Hoje descobri que os únicos humanos que ainda trabalham, segundo ela, são os artistas, o que deve chocar muita gente. (Vide A Condição Humana.) Os demais ou estão na atividade do labor (a maioria, incluindo os profissionais liberais) ou da ação. Bem, o labor seria a atividade humana condicionada pela necessidade, tendo, portanto, como finalidade única a manutenção da nossa vida biológica. O trabalho seria a atividade que cria o mundo “artificial” em que vivemos, ou seja, a atividade propriamente humana. Já a ação seria a atividade mediada pelo discurso, aquela que ocorre entre humanos sem mediações de ordem material. Para Arendt, depois que a esfera social engoliu a esfera privada e a pública, o consumo - característica própria do nosso corpo, cujo metabolismo é um perene consumo de recursos - o consumo tornou-se regra e, hoje, consumimos bens e serviços tal como um corpo absorve e metaboliza água e comida. Daí a maior parte das atividades humanas estarem representadas pelo labor. Já a arte é, digamos, um luxo, não é necessária à manutenção da vida material. Segundo essa lógica creio que se poderia afirmar que arte não é profissão e que quem tem por ofício “produzir” arte não tem nada de artista. Rilke certamente concordaria com ela. (Bom, poderia entrar em outros aspectos, mas estou viajando e esqueci o livro em casa…)

Saturday, September 10, 2005

Não se irrite!

yuri vieira, 4:20 am
Filed under: Cotidiano, escritores
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Os dois, no boteco:

“Eu sempre sigo o conselho do Fernando Pessoa.”

“Que conselho?”

“Aquele: ‘Irritar é também uma forma de agradar. Toda criatura que gosta de mulheres sabe disso e eu também o sei’.”

“Por que ele diz eu também? Ele era bicha por acaso?”

“Homossexual talvez, bicha não.”

“Pois então! Ele tinha era um caso com o Álvaro de Campos…”

“Eram a mesma pessoa, idiota!”

“Claro que não, eles só inventaram essa história de heterônimo pra não chocar a sociedade. Ficava um sentando no colo do outro.”

“Que absurdo! Você só fala merda.”

“O Ricardo Reis adorava uma suruba gay. Os três não saiam da quinta do Caeiro…”

“Puts, quanta besteira…”

“Que foi? Tá irritado, é? Não posso falar assim do seu mestre?”, disse o outro, colocando a mão no joelho do primeiro.

“Qué isso, meu chapa? Pirou, é?”, e deu um empurrão no companheiro de mesa, que caiu estatelado para trás, um copo na mão, às gargalhadas.

Thursday, September 1, 2005

José Luis Mora Fuentes

yuri vieira, 6:03 pm
Filed under: HQs, escritores, literatura
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Em 1999, eu já morava com a escritora Hilda Hilst (sim, ela de novo) por cerca de um ano, quando veio juntar-se a nós o escritor José Luis Mora Fuentes, amigo dela desde 1968, que, em época pregressa, já havia residido por mais de 15 anos ali na Casa do Sol. Nós dois já nos conhecíamos desde Setembro de 1998, quando também conheci sua esposa, a artista plástica Olga Bilenky, mas eu não imaginava que iríamos dar tantas risadas em comum. Sim, porque, apesar de um excelente primeiro contato, havíamos trocado, via email, não apenas palavras amistosas, mas muitas farpas, advindas não apenas de diferenças de cunho político e do meu trabalho no site oficial da Hilda, mas, sobretudo, de sua preocupação com o bem estar da nossa amiga. Talvez ele achasse um tanto quanto contraproducente eu passar a maior parte do tempo em conversas mirabolantes com a Hilda, ou em leituras, em detrimento dos assuntos práticos da casa. Mas é que meu senso pragmático foi sempre meio ruinzinho mesmo…

Bem, acontece que o mais interessante da coisa toda é que, além de ser um escritor premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), o Zé Luis foi, durante alguns anos, um dos roteiristas responsáveis pelas histórias do Louco, personagem do Maurício de Souza. Minha geração, que nos anos setenta tinha o mundo da Turma da Mônica como uma realidade paralela, da qual os quadrinhos eram as notícias que chegavam, sabe muito bem o quão louco era o Louco. E alguém já imaginou o que seria conviver com um de seus roteiristas? Passei um ótimo segundo ano ali na Casa do Sol. Nunca dou tanta risada como quando converso com o Zé Luis. Basta passar uma tarde juntos e todas as farpas que trocamos são imediatamente esquecidas. Eu dizia pra Hilda: “Poxa, o Zé já tá me dando umas broncas de novo”. E ela: “Por que você acha que dei o apelido de Sapo pra ele? Você já apertou um sapo? O Zé é ótimo e querido, mas não o aperte não, Yuri.” Mas ela não sabia que eu só o apertava cada vez que, de alguma forma inconsciente e involuntária, em geral por omissão em questões de ordem prática, a apertava. O amor deles um pelo outro sempre foi muito grande. Prejudicar a Hilda era o mesmo que ingerir o curare do Zé. Mas sempre terei a vantagem de ser um escorpiano, outro sujeito bem venenoso. E quem se lembra da fábula do Sapo e do Escorpião sabe como ela termina. O famigerado artrópode prefere perder a vida a perder a ironia, prefere morrer a renunciar à oportunidade de dar uma sacaneada.

(Tá vendo, Zé, da primeira vez você não deixou, mas agora contei pra todo mundo: o apelido dele é Sapo, gente!)

Wednesday, August 31, 2005

Filmes de Kung Fu

yuri vieira, 6:10 am
Filed under: Esportes, cinema, escritores
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Quando criança, eu adorava o seriado Kung Fu, com David Carradine, que revi prazeirosamente no Equador, em 1989, durante o programa de intercâmbio estudantil. Eu ainda não sabia que o filme fora um projeto pessoal do Bruce Lee - outro herói da minha infância - o qual, a princípio, estava presente no casting como intérprete do protagonista. (E, se soubesse da troca, em nada seria afetado meu interesse.) Mas os produtores norte-americanos erraram feio ao concluir que um ator chinês não criaria identificação junto ao público ocidental. Logo, descartaram a proposta e Bruce Lee morreu antes de ver realizado o seu sonho.

Outro que curte filmes de Kung Fu é o poeta Bruno Tolentino. “São as minhas novelas”, me disse ele, referindo-se à escritora Hilda Hilst, que costumava assistir telenovelas como forma de “relaxamento”. Na Casa do Sol, em 1999, eu o convenci a assistir “Matrix”, na Direct TV. Assistimos juntos. E ele aprovou as coreografias e a estória. (Refiro-me apenas ao primeiro filme.) Disse ele: “Esse filme certamente faria o Olavo (de Carvalho) escrever umas boas páginas…”

Segundo Li Hongzhi, líder da Falun Dafa, muitos pretensos mestres e professores de Kung Fu são desafiados à noite, enquanto dormem, por verdadeiros mestres já falecidos. Lutam no astral em ambientes tão virtuais e de força de gravidade tão baixa quanto os do filme Matrix. E esses egocêntricos lutadores, após apanhar a noite inteira, despertam na manhã seguinte com os ossos moídos, os músculos doloridos, a memória do sonho embaralhada. Já fizeram algum filme com este argumento? Duvido.

Monday, August 29, 2005

Telenovelas, Hilda Hilst, Mário Prata…

yuri vieira, 2:40 am
Filed under: Arte, escritores
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A última telenovela a que assisti integralmente - acompanhado pela noveleira de carteirinha, Hilda Hilst - foi “Andando nas Nuvens” (1999), do Euclydes Marinho, com o excelente Marco Nanini e a já gatíssima Mariana Ximenes. A Hilda adorava novelas e, nos dois anos em que morei com ela, esta foi a única a que assistimos quase sem reclamar. Sim, porque, tal qual já escrevi uma vez, novela é como futebol: quem gosta assiste mesmo quando está ruim, sem deixar de torcer pela melhora do time, digo, do enredo. (Na verdade, nessa novela em especial, a única coisa que irritava a Hilda eram meus suspiros cada vez que a Mariana Ximenes entrava em cena. Dizia ela: “Ah, não, Yuri, você agora é pedófilo?” E não adiantava argumentar que eu tinha uma grande tendência a ser um padre tarado e que a linda freirinha já devia ter, à época, mais de 18…) Pois é, depois de “Andando nas Nuvens”, eu, que não sou noveleiro, assisti apenas a alguns capítulos de “Laços de Família“, já que, de certa forma, acabei contribuindo com a produção. Manoel Carlos, o autor, quis homenagear a Hilda e, por isso, colocou o personagem de Tony Ramos, um editor, como amigo pessoal da Poeta Hilda Hilst, o qual inclusive mantinha, num porta-retrato, uma foto da “amiga”. Eis portanto minha pequeníssima participação: o Zé Mora Fuentes e eu escolhemos a tal foto que então escaneei e enviei para a Globo. Foi surreal assistir, acompanhado da Hilda, à cena em que Tony Ramos “finge” conversar com ela ao telefone e, em seguida, toma nas mãos o porta-retrato, dizendo algo do tipo “ah, Hilda, que saudade!”
(Continua…)



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