Arquivo para a categoria "escritores"




Wednesday, December 28, 2005

O que aprendi na Casa do Sol

yuri vieira, 6:58 pm - portugues
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  • Não posso evitar. Cada vez que alguém me pergunta o que foi que eu aprendi lá na Casa do Sol, residência da falecida Querhilda Hilst, as primeiras respostas que me vêm à cabeça são as seguintes: com o Mora Fuentes (escritor) aprendi a fazer um ótimo peixe assado; com o Bruno Tolentino (poeta) aprendi que é preciso cortar a couve bem fininha, senão ela não se casa bem com a feijoada (fizemos juntos ao menos umas quatro feijoadas); com o Guttenberg, amigo da Hilda e professor na USP, finalmente descobri como é que se faz um bom café; com o Chico (o caseiro) fiquei sabendo que realmente tem gente comendo rato (assado) no sertão deste país e que não há nada melhor do que um “zoião” frito; e, finalmente, com a Hilda… puts, com a Hilda não aprendi bulufas, afinal, ela não sabe sequer fritar um ovo, isto é, não sabe fazer nem mesmo um zoião…

    Do resto eu falo outra hora.

    Thursday, December 22, 2005

    Meu ex-editor

    yuri vieira, 11:42 pm - portugues
  • espanol
  • Taí uma entrevista com o Ryoki Inoue, escritor que está no Guiness o Livro dos Recordes como o escritor mais prolífico do mundo (escreveu cerca de 1070 livros) e que, de quebra, editou meu primeiro livro em 1998. Ele dizia que o dito cujo venderia como água… (Sei, sei.)

    Friday, December 16, 2005

    Julio D. Borges, Pedro S. Câmara e euzito

    yuri vieira, 1:28 am
    Filed under: Educação, amigos, escritores
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    Em 1997, um relâmpago de indignação cruzou o céu nublado da vida universitária brasileira. No Rio de Janeiro, Pedro Sette Câmara quase foi linchado (leia aqui) ao divulgar seu artigo onde provava que os politicamente corretos da Semana da Consciência Negra é que se comportavam como racistas. Em São Paulo, Julio Daio Borges publicava seu desabafo-manifesto “A Poli como Ela é“, causando polêmica entre seus colegas e professores e o reconhecimento quase solitário do jornalista Luis Nassif. Quanto a mim, em Brasília, eu finalizava o livro A Tragicomédia Acadêmica - Contos Imediatos do Terceiro Grau, iniciado em Outubro de 1996, que não foi senão minha vingança literária contra a modorra e a alienação que nos são incutidas pelas universidades (estudei em três delas). (Continua…)

    Friday, December 9, 2005

    O cangaceiro intelectual

    yuri vieira, 1:49 am
    Filed under: Política, escritores
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    Escreveu Cláudio Humberto, em sua coluna de hoje:

    O escritor Ariano Suassuna roubou a cena, na posse do deputado Eduardo Campos (PE), neto de Miguel Arraes, na presidência do PSB. Contou causos e fez uma revelação: sempre votou e continuará votando em Lula.

    Isto me lembra o que me disse o Bruno Tolentino, em 1999, lá na casa da Hilda Hilst: “O Suassuna é sobretudo um cangaceiro intelectual…” Acho que o Bruno tem razão. Depois de tudo o que já vimos nessa infinita crise política, só mesmo um bandoleiro da moral para revelar algo assim. Votar no Lula?! Errar duas vezes é o que mesmo? E errar sempre? Que a Compadecida se compadeça dele.

    Tuesday, December 6, 2005

    Poetas brasileiros, quantos somos?

    yuri vieira, 4:54 pm
    Filed under: escritores, sites
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    Nossa, que coisa. Estou listado entre os 8.557 poetas brasileiros ainda à solta por aí. (Eu, claro, sou o Yuri V. Santos.) Bem, a lista é fruto duma pesquisa de Leila Míccolis para o Blocos online. Agora só falta o governo adotá-la e começar a nos cobrar impostos por estarmos assim, poetando livremente. (Eu obviamente deveria ser preso, pois enquanto poeta sou uma falcatrua, totalmente 171..)

    Tuesday, November 29, 2005

    A melhor personagem da Lygia Fagundes

    yuri vieira, 5:15 pm
    Filed under: escritores
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    Cá entre nós - não conte para ninguém - a melhor personagem da Lygia Fagundes Telles é a empregada que ela finge ser quando não está afim de atender ao telefone.

    “A dona Lygia num tá! Acho que foi ver o filho dela…”, diz a escritora com uma voz das mais engraçadas.

    “É o Yuri, Lygia, o amigo da Hilda Hilst…”, e aí a gente percebe a figura engolindo em seco. Instantes de hesitação.

    “Seo Yuri, desculpe, eu digo préla que o senhor ligô”, retorna a personagem um tanto quanto sem graça.

    “OK, então. Não se esqueça de mandar um beijão para ela, viu?”

    Ela desliga. Sorrio: “A fama é mesmo uma gaiola de ouro”, já dizia o cantor argentino Facundo Cabral

    Saturday, November 26, 2005

    Uma charada

    yuri vieira, 8:56 am
    Filed under: escritores, especulativas
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    Monteiro Lobato (1882-1948) leu Nietzsche (1844-1900) e sua vida então mudou: finalmente tornou-se ele mesmo. Nietzsche leu Monteiro Lobato e… nunca mais foi o mesmo.

    Wednesday, November 23, 2005

    Nietzsche e Lobato

    yuri vieira, 3:22 pm
    Filed under: escritores, literatura
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    Eis um interessante artigo de Aluizio Alves Filho - Nietzsche e Lobato - que pode servir de ponto de partida para quem quiser estudar a influência que o primeiro exerceu sobre o segundo.

    Friday, November 18, 2005

    A inveja do Père-Lachaise

    yuri vieira, 5:38 pm
    Filed under: escritores, fotografia, memória
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    Tudo bem. O cemitério Père-Lachaise possui os “indícios” de Apollinaire, Balzac, Sarah Bernhardt, Chopin, Delacroix, Saint-Hilaire, Ingres, Kardec, la Fontaine, Méliès, Molière, Édith Piaf, Oscar Wilde, Proust, Pissarro, Yves Montand, Jim Morrison, Rossini, etc. e tal - até Abelardo e Heloísa estão ali, imagine - mas… mas… ele, o Père Lachaise, está morrendo de inveja do cemitério da Consolação, sim, o cemitério paulistano. Simplesmente porque este o impediu de abrilhantar ainda mais sua coleção de figurinhas fúnebres. Talvez seja porque o dono do defunto em questão, isto é, o espírito que o habitou, tenha combatido a influência opressiva da cultura francesa nas letras e nas artes brasileiras do princípio do século XX. Claro, também ele bebeu dela, mas sabia que a monotonia francesa enfraquecia nossa expressão. Quem é a figurinha que o Père-Lachaise perdeu? Ora, quem… Clique aí e veja…
    (Continua…)

    Monday, November 14, 2005

    Grandes homens

    yuri vieira, 4:14 pm
    Filed under: Ciência, Educação, escritores
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    Um trecho do artigo “Artur Neiva”, de Monteiro Lobato, a respeito do cientista de Manguinhos que pôs em prática suas idéias na chefia sanitária de São Paulo:

    Certo dia, na universidade de Leipzig, um estudante japonês abordou o eminente Ostwald com esta pergunta estranha:

    - Haverá meios de distingüirmos cedo os homens que um dia se notabilizarão nas ciências?

    Esta pergunta, encomendada pelo governo nipônico, embaraçou deveras o grande professor alemão e ficou a verrumar-lhe os miolos por muitos dias. Mas ao cabo de longo matutar ele apreendeu finalmente o traço característico dos futuros grandes homens, o primeiro a revelar-se em anos verdes: horror à escola! Os alunos mais bem dotados nunca se mostram satisfeitos com o que lhes oferece o ensino, conformado sob medida para a mentalidade e o caráter do maior número, isto é, dos medíocres. As criaturas de exceção, essas sofrem a asfixia do ambiente estreito e revoltam-se. Passam a constituir a classe dos maus alunos, dos vadios, dos indisciplinados, e acabam, não raro, expulsos da escola.

    (Continua…)

    Saturday, November 12, 2005

    Cabrera Infante e Fidel Castro

    yuri vieira, 2:25 pm
    Filed under: Política, escritores
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    O Alex Cojorian me enviou o link dessa entrevista com o escritor cubano Guillermo Cabrera Infante, na qual há um comentário que justifica os três milhões de dólares que Lula ganhou de Fidel:

    GMN: Entre suas admirações, alguém lhe decepcionou quando visto pessoalmente ?

    Cabrera Infante: “Uma das pessoas com quem tive uma enorme decepção depois de vê-lo pela televisão e pelos jornais foi Fidel Castro. Tivemos contato íntimo. Em abril de 59, fomos a Washington, Nova Iorque, Montreal e ao Brasil, antes de seguirmos para Montevideu e Buenos Aires. A intimidade de estar num avião para apenas vinte pessoas em companhia de Fidel Castro durante tantos dias me convenceu de que aquele indivíduo era um horror. Era um avião de hélice. Em direção ao Rio, o avião baixou para que víssemos a floresta amazônica. O piloto disse : “Comandante, estamos voando sobre a floresta!”. Eu estava sentado no banco logo atrás de Fidel Castro. O que foi que aconteceu? Fidel ficou olhando a floresta não sei por quanto tempo. De repente, disse : “Que grande país!”. Eu pensava que era admiração pelo Brasil. Mas ele disse: “Aqui é que deveríamos ter feito a nossa Revolução!”. Neste momento, entendi que Cuba era pequena para ele. Fidel se achava um lider tão grande que necessitava de um continente, não de uma ilha…”

    GMN: Se, num acaso digno de uma das páginas de Garcia Marquez, o senhor se encontrasse com Fidel Castro hoje, num saguão de aeroporto, o que é que o senhor diria a ele ?

    Cabrera Infante: “Eu só diria uma frase : ‘Você não acha que já chega?’”.

    (Fonte: http://www.geneton.com.br)

    A língua

    yuri vieira, 6:03 am
    Filed under: Humor, escritores
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    Como já disse dias atrás, tenho me debruçado, aqui em São Paulo, sobre a obra de dois grandes escritores: Rubem Braga e Monteiro Lobato. Este leio quando na casa do Dante e da Joana, aquele quando no apê do Rodrigo Fiume. Tanto como Lobato, Rubem Braga também tem altos causos, alguns muito engraçados. Veja este, intitulado A língua:

    “Conta-me Cláudio Mello e Souza. Estando em um café de Lisboa a conversar com dois amigos brasileiros, foram eles interrompidos pelo garçom, que perguntou, intrigado: - Que raio de língua é essa que estão aí a falar, que eu percebo tudo?”

    Friday, November 11, 2005

    Monteiro Lobato contra os impostos

    yuri vieira, 5:22 am
    Filed under: Podcast e videos, Política, escritores
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    Ouça agora, em meu podcast, uma crônica do escritor Monteiro Lobato - Novo Gulliver - na qual ele discorre, de modo atualíssimo, sobre o sanguessuga que é o Estado brasileiro…

    Governo Brasileiro (cuspe!)

    yuri vieira, 12:44 am
    Filed under: Política, escritores
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    Depois de ter sido preso pelo “crime de sinceridade” - escreveu uma carta esperançosa ao Getúlio Vargas cheia de conselhos e reclamações contra o Conselho Nacional de Petróleo -, Monteiro Lobato finalmente perdeu as esperanças para com o futuro do Brasil sob tão terrível governo. Já nos anos 1920 falava dos “trinta governos militares” que sobrevinham um após o outro desde 1889 e do perene estado de sítio que o Brasil vivia. Falava dos impostos absurdos que sangravam a indústria, o comércio, sua editora e matava o produto brasileiro que se via assim impedido de competir com os produtos estrangeiros. (Um livro português era mais barato que um livro em branco feito no Brasil.) Ficou horrorizado quando o Poço Lobato, na Bahia, primeiro jorro de petróleo em terras brasileiras, foi fechado pelo governo - o qual aliás havia declarado que naquela região não havia hidrocarbonetos - e, em seguida, enfeitado com um obelisco e os dizeres: “O Primeiro Campo Onde Jorrou Petróleo no Brasil - Organização do Conselho Nacional do Petróleo no Governo do Dr. Getúlio Vargas”. Ao acusar o roubo estatal, foi preso. Mais tarde, descobriu que a Standard Oil Company, dos Rockefeller, já mapeara todas as áreas petrolíferas do país, isso desde o início do século, e por isso comprava políticos para manter o monopólio. Enquanto nos EUA eram abertos poços de petróleo particulares numa taxa de 20.000 ao ano - desde meados do século XIX - no Brasil, o primeiro poço era então tomado pelo governo, e os demais impedidos de funcionar por contradições legais: enquanto uma lei do famigerado Conselho proibia estrangeiros de participar como acionistas das companhias petrolíferas nacionais, um artigo da constituição proibia os diretores de empresa de excluir sócios devido à sua nacionalidade… Logo, a burocracia travou a livre iniciativa. (Não é à toa que o corolário de todo esse processo, a Petrobrás, seja aquilo que é - uma financiadora de politiqueiros malandros.)

    Em 1932, quando os paulistas tentaram se livrar da opressão do governo federal, a cidade de São Paulo foi bombardeada por tropas legalistas. Segundo Lobato, morreram mais civis e foram destruídas mais casas em São Paulo, durante esse bombardeio, do que em Paris, na Primeira Guerra, que recebeu canhonaços alemães. Dizia o telegrama presidencial: “S.Paulo desrespeitou o princípio da minha autoridade; que S.Paulo deixe de existir”. Não fosse o milionário Macedo Soares - hoje nome do trecho que une a Marginal Tietê à Marginal Pinheiros - e os paulistas teriam perecido de fome, frio e sede. Soares bancou tudo, comida, água, cobertores, roupas, abrigos para os feridos e desalojados.

    No artigo Os tratados com a Bolívia, Lobato finalmente desabafa e joga a toalha:

    Chega. Não quero nunca mais tocar neste assunto de petróleo. Amargurou-me doze anos de vida, levou-me à cadeia - mas isso não foi o peor. O peor foi a incoercível sensação de repugnância que desde então passei a sentir sempre que leio ou ouço a expressão Governo Brasileiro

    Thursday, November 10, 2005

    Lobato se despede

    yuri vieira, 1:36 am
    Filed under: escritores, especulativas
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    “Adeus, Rangel! Nossa viagem a dois está chegando perto do fim. Continuaremos no Além? Tenho planos logo que lá chegar, de contratar o Chico Xavier para psicógrafo particular, só meu - e a 1ª comunicação vai ser dirigida a você. Quero remover todas as tuas dúvidas.
    Do Lobato.”

    Este é o último parágrafo da última carta escrita por Monteiro Lobato - duas semanas antes de morrer - a seu amigo Godofredo Rangel, com quem se correspondeu por mais de quarenta anos. Tais cartas se encontram nos dois tomos de A Barca de Gleyre. Segundo li por aí, Lobato “realmente” se comunicou com Rangel através de Chico Xavier. Infelizmente a morte fez com que se esquecesse da palavra código que haviam combinado…

    Monday, November 7, 2005

    Mais Monteiro Lobato

    yuri vieira, 10:16 pm
    Filed under: escritores, literatura, livros
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    Nos últimos dois meses já li “Miscelânea”, “America”, “Na antevéspera”, “Onda verde”, “Mundo da Lua”, “Prefácios e entrevistas”, “Problema vital”, “A barca de Gleyre” e “Idéias de Jeca Tatu”, todos do Monteiro Lobato, uma verdadeira overdose de leitura, livro sobre livro, algo que costumo fazer sempre que me apaixono pelas palavras dum escritor. E já fazia tempo que não me apaixonava literariamente. Todos esses títulos fazem parte da “obra para adultos” do José Renato - ele passou a assinar José Bento apenas para usar a bengala do avô, cujo castão trazia as iniciais JBML. E estou chocado: o cara é certamente o maior escritor da primeira metade do século XX e só falam nele como se fosse “apenas” o pai da Emília. O cara foi um gênio incansável, um visionário, e metia o bedelho em tudo: política, economia, indústria, ciência, comércio, filosofia, artes, literatura, etc. e isso não apenas pela palavra como também pela ação, tendo lançado a primeira grande editora do país, procurado petróleo e estimulado a mineração de ferro, a construção de estradas e o saneamento. Perto dele, a obra do Mário de Andrade é uma sujeirinha sob a unha do dedão do pé da cultura local. E olha que a li quase toda, a obra do Mário, isto é, seus dois únicos romances: Macunaíma e Amar, verbo intransitivo. (Continua…)



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