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Wednesday, 23 de April de 2008

Novo site oficial de Hilda Hilst

yuri vieira, 8:46 am
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O Instituto Hilda Hilst lançou, neste mês em que a Hilda completaria 78 anos de idade, o novo site oficial da escritora. José Luis Mora Fuentes e Daniel Bilenky, que já vinham fazendo um ótimo trabalho na Casa do Sol, sede do Instituto, estão de parabéns por mais esse projeto. Desejo todo sucesso neste e em futuros empreendimentos. O sonho da Hilda começa a tornar-se realidade…

O site que fiz em 1999 continuará online apenas por razões históricas, uma vez que foi o primeiro site oficial da Senhora H.

Wednesday, 9 de April de 2008

Tlön, Urântia, Borges, Deus

 

“Não rir, não lamentar, nem detestar, mas compreender.” Baruch Espinosa

Em 1941, Jorge Luis Borges publicou El Jardín de los senderos que se bifurcan e, neste livro, o conto “Tlön, Uqbar, Orbis Tertius”, que mais tarde também apareceu em Ficciones(1944). O conto narra, de início, as supostas peripécias de Borges e de seu amigo Bioy Casares, outro conhecido escritor argentino, em busca do porquê de o verbete “Uqbar” constar na enciclopédia deste último mas não no volume correspondente da de Borges. Uqbar, segundo a Anglo-American Cyclopaedia, seria um país localizado na Ásia Menor, com sua própria história, geografia, literatura, língua, etc. O termo Tlön surge aí pela primeira vez, relacionado a uma “região imaginária” presente com certa freqüência nas epopéias e lendas de Uqbar. No entanto, por mais que os dados do verbete tragam certa verossimilhança, a tal enciclopédia não lhes parece senão uma falaz reprodução da Encyclopaedia Britannica(1902) — certamente criada com o único intuito de divulgar semelhante fraude. Afinal, além desse país não ser mencionado por nenhum atlas oficial, a estranha história de Uqbar e Tlön leva-os tão somente a infrutíferas pesquisas. Assim, anos mais tarde, ainda segundo o próprio conto, tendo esquecido o assunto, o narrador descobre entre os pertences do engenheiro inglês Herbert Ashe — um amigo de seu pai, falecido havia pouco — um livro de 1001 páginas intitulado A First Encyclopaedia of Tlön. vol. XI em cuja primeira página se vê um “óvalo azul” com a inscrição: “Orbis Tertius“. E não pára aí. Aos poucos, toda uma enciclopédia sobre o planeta Tlön vem à luz, magnetizando as atenções gerais. Sim, ao invés de um único verbete perdido numa enciclopédia comum, despontam, ao redor do globo, volumes e mais volumes de uma enciclopédia tratando unicamente da vida num estranho planeta. Borges, então, passa a descrever detalhes minuciosos das crenças, da ciência, da filosofia, da psicologia, da história, da literatura, enfim, dos mais diversos âmbitos da vida inteligente de Tlön. E avisa: com o correr dos anos, todo esse conteúdo chegou a afetar a humanidade a tal ponto que nosso mundo simplesmente passou a ser Tlön, uma vez que, nas escolas, nas universidades e na vida cotidiana, a Terra deixou de ter qualquer importância, não se estudando, respeitando ou vivendo senão os aspectos e atributos desse novo orbe: “El contacto y el hábito de Tlön han desintegrado este mundo”. E então, sem deixar de lembrar que no latim inventar e descobrir são sinônimos, Borges indaga: “¿Quiénes inventaron a Tlön?”

Em 1997, recebi em meu apartamento, na Universidade de Brasília, a visita de uma amiga que me apresentou um livro de 2100 páginas, em inglês, com três círculos azuis concêntricos na capa e o título The Urantia Book. Comecei a folheá-lo distraído e, sem que me apercebesse, acabei virando a noite sobre ele. Quando finalmente me senti cansado, o sol já dourava o lago Paranoá. Minha inclinação pela literatura de cunho fantástico não me permitiria outra atitude: tive a sensação de estar com o Graal dos livros de literatura fantástica em minhas mãos. Do que tratava? Bem, a mera leitura de seu índice me causou vertigens, haja vista suas 59 páginas. Sim, 59 páginas apenas de sumário. Havia capítulos e seções com títulos tais como: “Os níveis espaciais do Universo Mestre”, “O circuito de gravidade mental”, “Os sete Superuniversos do Espaço-Tempo”, “Os mundos Vorondadec”, “A respiração do espaço”, “A energia, a mente e a matéria”, “Os ultimátons, os elétrons e os átomos”, “As Personalidades do Universo Local”, “As sedes centrais das constelações”, “As hostes seráficas”, “A união trinitária da Deidade”, “A natureza da Ilha Eterna”, “Os domínios do Absoluto Não Qualificado”, “O sistema Paraíso-Havona”, “Os artesãos celestiais”, “O superuniverso de Orvonton”, “As Esferas Arquitetônicas”, “Os Serafins Transportadores”, “Os Sete Espíritos Reitores”, “O Espírito Materno do Universo”, “A estabilidade dos sóis”, “A origem dos mundos habitados”, “Os manipuladores da energia”, “Tipos físicos planetários”, “Os mundos dos que não respiram”, “As criaturas volitivas evolucionárias”, “A rebelião de Lúcifer”, “A origem de Monmátia - o sistema solar de Urântia”, “Os níveis da realidade no Universo”, “A associação terciária transcendental da realidade”, “O conceito filosófico do EU SOU”, “A supervisão da evolução”, “O fim da idade dos répteis”, “A origem das raças de cor”, “Os Príncipes Planetários”, “Os Adãos Planetários”, “Os sete Mundos das Mansões”, “O governo de um planeta vizinho”, “Dalamátia — a cidade do Príncipe”, “Os edenitas entram na Mesopotâmia”, “Os adanitas entram na Europa”, “A encarnação de Maquiventa Melquisedec”, “A verdadeira natureza da religião”, “A ciência e a religião”, “A finalidade do destino”, “As auto-outorgas de Cristo Miguel”, “A viagem de Jesus a Roma”, “O significado da morte na cruz”, “O totalitarismo secular”, “O problema do cristianismo”, “O futuro”… Eu lia trechos e mais trechos de arrepiar os cabelos, como, por exemplo, a informação de que, na sede central do Universo Local, mais de um bilhão de seres materiais, “moronciais” e espirituais assistiram, ao vivo, juntos e embasbacados, no anfiteatro em torno ao “Mar de Cristal”, ao martírio e à crucificação do Soberano de Nebadon no mísero planeta Urântia, um dos planetas isolados pela rebelião de Lúcifer, que havia sido escolhido previamente como cenário para a experiência material de seu próprio Criador. Sim, o livro narra a vida de Jesus na Terra — Urântia — sem saltar um dia sequer… Embora a princípio tudo se assemelhasse à mera explanação da excêntrica doutrina de mais uma possível seita de fanáticos cristãos, eu lia aquelas páginas como quem se depara com o guia do mais vasto, completo e coerente mundo de Role Playing Game. O texto parecia elaborado por uma equipe de seis Jorges Luises Borges e quatro J.R.R.Tolkiens juntos. E, no correr dos últimos onze anos, tal impressão não se desvaneceu, ao contrário, amplificou-se, uma vez que uma coesa unidade de conceitos e princípios perpassa toda a obra. O responsável por aquilo tudo não há de ter sido nenhum idiota. A obra traz conhecimentos avançados sobre teologia, religião comparada, filosofia, antropologia, sociologia, política, física, astronomia, biologia e, ousarei dizer?, história. Até mesmo o prêmio Nobel de química Kary Mullis publicou artigos confessando sua surpresa diante de dados científicos exatos apontados pelo livro com décadas de antecedência. Na minha singela opinião, ou o livro é resultado de toda uma vida de elucubrações espantosas — a obra dum anônimo e delirante gênio — ou é a evidência de que alguma sociedade secreta decidiu entrar para valer na guerra cultural que assolou todo o século XX e que continua a agir por trás de todos os grandes conflitos deste novo milênio. As alternativas me assombram. Principalmente porque há também a opção — nem um pouco impossível, vale lembrar — defendida pelo próprio livro: trata-se da “Quinta Revelação Epocal”. Quem enfim teria inventado (descoberto?) O Livro de Urântia?

(Continua…)

Wednesday, 26 de March de 2008

Arthur C. Clarke morreu*

paulo paiva, 4:24 pm
Filed under: Avisos, Humor, escritores
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Fontes humanóides declararam que nosso enviado especial ao Planeta Terra, Bzork Lorg, atuando sob o pseudônimo de Arthur C. Clarke, voltou de sua missão de preparação do Planeta Terra para O Que Há De Vir. Em sua missão ele se encontrava em estado de semi-consciência. As mesmas fontes reportaram que o seu retorno à sua Personalidade Original foi mais engraçada que o comum, o que fez com que seu registro rendesse vários programas de alta popularidade no YouWormTube.

*Fragmento captado por mim no dia 20 de março de 2008, um dia após a morte de Clarke, direto do rádiotelescópio instalado no fundo do quintal de minha casa, feito de uma bacia de alumínio, uma pilha amarelinha, fios de cobre e um Hamster. A demora na postagem foi em decorrência das dificuldades de tradução (tenho dificuldades com os estalos emitidos pelo locutor). Os termos e nomes foram adaptados para melhor entendimento dos falantes de português.

Monday, 17 de March de 2008

Se eu não sei quem é, não presta!

pedro novaes, 10:01 am
Filed under: Imprensa, Mídia, escritores
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Francis

Quem perdeu ontem, ainda tem a chance de pegar as reprises hoje. Comemorando seus 15 anos, o Manhattan Connection exibiu quase uma hora de opiniões, chistes, bravatas e xingamentos de Paulo Francis. Lindo. Deu muita saudade dele. O homem faz muita falta em tempos de petismo. Hoje, o programa é reexibido às 14h00 e às 22h30, no GNT.

É claro que dá também pra se divertir bastante com o que há no You Tube.

Wednesday, 12 de March de 2008

Na Natureza Selvagem

pedro novaes, 10:15 am
Filed under: Viagens, cinema, escritores, exteriores, extraordinárias, interiores, literatura, livros
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Livro

Sempre gostei dos livros e do estilo de escrita de Jon Krakauer. Foi em 1999, logo depois de traduzir seu “Sobre Homens e Montanhas” para a Companhia das Letras, que li “Na Natureza Selvagem”, seu relato sobre a história de Chris Mccandless, o jovem que abandonou sua família na Virgínia por uma vida na estrada e de aventuras ao estilo dos personagens de Jack London e inspirado por Thoreau e John Muir.

Ontem, fuçando nas minhas coisas, encontrei um artigo que à época escrevi para o jornal “O Popular”. Seu título é “Selvagem é o Concreto”. Tem um tom nostálgico e meio melodramático que dá uma certa vergonha. Infelizmente, só o tenho em papel, mas se tiver saco vou redigitá-lo para algumas reflexões. Pensar se ainda acredito no que dizia há quase dez anos - afinal, em outros campos, mudei radicalmente. Afinal, todo o mundo se encantou e ainda se encanta com as idéias de Thoreau e com uma certa visão romântica da vida liberta na estrada e junto à natureza.

Outro dia, meu amigo Nelson me ligou no meio da tarde. Saía da sessão de “Na Natureza Selvagem”, o filme de Sean Penn baseado na novela de Krakauer (trailer aqui). Quase fora atropelado na Paulista de tão atordoado. Dizia que saíra do cinema pensando em mim. Vá saber por quê.

Cartaz

O livro me causou forte impacto em 1999, e ontem, na expectativa da estréia do filme aqui no sertão, comecei a relê-lo e já não o consigo largar. As perguntas são sempre as mesmas e seguem essenciais, penso: o que realmente vale à pena? Vale trocar as montanhas pela segurança do cotidiano? Em tempo, eu não considero que tenha abandonado as montanhas, mas por ora tenho outras prioridades, antes de retornar a elas.

Chris largou tudo e foi viver no Alaska, depois de rodar metade dos Estados Unidos - a pé, de carona, de canoa. Morreu de inanição em meio ao inverno rigoroso.

Tuesday, 11 de March de 2008

Na América Latina, a vida imita a arte

pedro novaes, 10:12 am
Filed under: Política, escritores, literatura
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A Folha de hoje noticia que o exército equatoriano tem um serviço de garotas de programa para “aliviar a barra” dos soldados em operações na selva. Vargas Llosa inspirando a vida.

Até soldados carregaram “lembranças”

DA ENVIADA ANGOSTURA

A cena do bombardeio visitada ontem pela comissão da OEA já era o resultado das intervenções pós-ataque das forças colombianas e equatorianas e ainda das caravanas de jornalistas que passaram pelo local desde 1º de março. Os próprios militares carregavam “lembranças”.
Na quarta-feira, primeiro dia em que a Folha visitou a área, um soldado se esforçava para arrancar um aplique com o rosto de Che Guevara de uma tenda militar. Destroços foram movidos de lugar e a chuva modificava as crateras deixadas pelas bombas. A OEA minimizou as alterações, dizendo que sua vistoria era “política” e não técnica.
O Exército equatoriano fez um esforço para dar à imprensa acesso ao local. A repórter pernoitou em um acampamento militar. Os soldados queriam contar as agruras da selva e seus atenuantes. Um deles é um “serviço de garotas”, gerido pelo Exército, mas pago com desconto no soldo, como em “Pantaleão e as Visitadoras”, de Mario Vargas Llosa.
Ex-responsável pelo serviço, o capitão Pablo Cortéz aceitou o satisfeito o apelido de “Pantaleão equatoriano”. “Católico que sou, vivia xingando as prostitutas. Agora sei que elas têm um trabalho difícil e muito útil”, justificou. As mulheres recrutadas pelo Exército ganham US$ 4 por programa, disse Cortéz, e há as que saem com até US$ 3.000 depois de 15 dias de serviço. “O nosso salário em média é de US$ 600.” (FLÁVIA MARREIRO)

Tuesday, 8 de January de 2008

Isaac Bashevis Singer

Li meu segundo livro desse ganhador do Nobel de 1978, a coletânea de contos “Um amigo de Kafka”. Simplesmente nota dez! Isaac Bashevis Singer é uma prova de que talento, humor, imaginação e religiosidade podem se fundir num mesmo autor e mexer fundo com nossa cabeça. A genialidade desse cara, sublinhada por uma tensão dialética entre fé e despudor, deixaria o judeu “esclarecido” Woody Allen morrendo de inveja. Veja o que ele diz, em poucas palavras, durante seu discurso ao receber o Nobel, sobre o porquê de insistir em escrever numa língua quase morta, o iídiche.

Friday, 4 de January de 2008

Saudade dos Mineiros

pedro novaes, 6:00 am
Filed under: escritores, literatura
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4 Mineiros

Na foto acima, já incluída em outro post de dois anos atrás, troco idéia com os quatro mineiros - Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e meu padrinho, Hélio Pellegrino - na Praça da Liberdade em Belo Horizonte.

Completaram-se, no último dia 28, 15 anos da morte do Otto.

Este Brasil tão bagunçado sente muita falta destas quatro figuras brilhantes e generosas.

A propósito, reproduzo abaixo artigo do meu pai publicado ontem em O Popular.

A falta que o Otto faz

Washington Novaes

Passou desapercebido da comunicação, na última semana de dezembro, o 15º aniversário da morte do escritor e jornalista Otto Lara Resende, vítima de uma inacreditável infecção hospitalar no pós-operatório de uma cirurgia banal na coluna. Pena que tenha sido assim. Deixou-se de trazer à memória dos mais antigos e ao conhecimento dos mais novos algo da carreira de uma figura que faz falta – seja como escritor (O Braço Direito, Tabuleiro de Damas, Bom Dia para Nascer, Lado Humano, Boca do Inferno, O Retrato na Gaveta, As Pompas do Mundo, a Testemunha Silenciosa, entre outros), como jornalista, como conversador brilhante.

Otto transformou-se em figura mitológica na imprensa do Rio de Janeiro logo que para lá se transferiu, quase à mesma época em que seus inseparáveis amigos Hélio Pellegrino, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos, que já haviam assombrado Belo Horizonte com seu talento e suas estripulias. Corriam de boca em boca as histórias e façanhas do Otto, como a capacidade de escrever editoriais para o Diário de Notícias, onde trabalhava de manhã, e respondê-los no dia seguinte em O Globo, onde trabalhava à tarde, e que tinha posições políticas diferentes. Essa capacidade ficou ainda mais evidente quando, na Rede Globo, escreveu a carta com o pedido de demissão do diretor-geral, Walter Clark, e a resposta do proprietário, Roberto Marinho, num episódio muito difícil.

(Continua…)

Thursday, 20 de December de 2007

O Poder da Atração do Fiofó

pedro novaes, 6:19 pm
Filed under: escritores, literatura, livros
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Sexo Anal

Olhaí, eu falo e ocêis não m’iscuta.

Se depois eu fizer um filme desse livro e ficar famoso, não vão dizer que eu não avisei. Saiu a edição de bolso do Sexo Anal pela Os Viralata. São só 50 exemplares. Garanta o seu porque daqui a uns anos vai valer ouro. Além de tudo, um excelente presente pro Natal em família.

Friday, 14 de December de 2007

Porque eu não escreveria Virgínia Berlim

pedro novaes, 3:29 pm
Filed under: escritores, literatura, livros
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VB

Conforme prometido, li anteontem o Virgínia Berlim, último livro do Biajoni, autor do já incensado Sexo Anal. Servi-me de um copo de uísque e deitei no sofá. O primeiro detalhe bacana é o CD que acompanha o livreto, que conta ainda com as letras, originais e traduzidas, das canções prensadas no disco: uma trilha sonora para a própria história, que tem Bing Crosby, Lou Reed e outros. Uma linda seleção, perfeita para acompanhar o affair de um camarada imobilizado em seu apartamento por um pé cortado e a escriturária Virgínia que irrompe em sua vida e dá título ao livro.

A leitura transcorre fácil, menos de 50 páginas, ao longo de meia hora ou pouco mais. Que não se espere outro Sexo Anal porque VB é bem diferente. Como já se disse por aí, é como se nos fosse permitido espiar um fragmento de uma vida durante algum tempo. É bonito e impactante. Termina-se a leitura com uma tristezinha. Enquanto o Sexo Anal mexe com a gente pelo que tem de cru, violento e libidinoso, Virgínia Berlim emociona de verdade por uma outra crueza, relacionada ao sentido e à banalidade de nossas vidas e das vidas dos outros, e por falar de arrependimento e de falta de respostas. Sexo Anal é irônico e de um excelente humor negro. VB é composto de notas tristes e meio perplexas.

Eu não escreveria VB porque sou idiota e volta e meio tenho uma estúpida tendência à idealização e ao melodramatismo, à autocomiseração e para colocar nos personagens a pena que sinto de mim mesmo, vítima do mundo. O Bia, ao contrário, não tem pena dos seus personagens: eles são feios, têm espinhas e hemorróidas, estrias, peitos caídos, trabalham em repartições e têm vidas comuns e tacanhas. Se isso soa meio Bukowiskiano, o Biajoni se separa do mestre californiano porque suas histórias não passam qualquer rancor. Não há ressentimento com a humanidade. Estão mais pra Almodóvar.

Compra lá.

Wednesday, 12 de December de 2007

Com Biajoni, no Rio (II)

pedro novaes, 4:08 pm
Filed under: baladas, escritores
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Biajoni e Pedro

O Biajoni - vulgo Camarão - e eu, testando a qualidade dos serviços no Rio de Janeiro.

No Rio, com o Biajoni

pedro novaes, 11:18 am
Filed under: baladas, escritores, literatura
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SA

Domingão, umidade a 105% e calor de 57 graus, tive o enorme prazer de desfrutar do excelente serviço dos bares cariocas (post sobre isso brevemente) na companhia de ninguém mais, ninguém menos, que o Luiz Biajoni, autor do imperdível Sexo Anal - Uma Novela Marrom, sobre o qual já falei aqui, e agora de Virgina Berlim que, se nenhum chato vier me pentelhar, vou ler hoje à noite, tomando um whiskey e ouvindo o CD de trilha sonora que o acompanha. Todo o mundo que leu, diz que é do caralho. Aliás, se você não baixou Sexo Anal, meio que se ferrou porque o livro não está mais disponível pra daunloudi. Em comemoração aos 10 mil daunloudis e 16 recusas por editoras, a Os Viralata vai lançar uma edição comemorativa de bolso. Corre lá e encomenda o seu (são só 100 exemplares): excelente presente pro Natal em família.

Enfim, o Biajoni é uma besta: depois de 51 chopps (uma vitória conseguir esta marca com o mau humor e excelente serviço dos garçons cariocas), tínhamos tudo tramado para dominar o mundo, mas nem minha prima doida conseguiu convencer o Bia a dar o rabo, pois ela tem certeza de que a fixação dele com a Analtomia dos outros significa que, no fundo, ele quer doar o seu.

Furthermore, atesto, conforme já dito por aí pelo Alex Castro, que o Bia, decepção geral, é o cara mais normal do mundo, a despeito das evidências contrárias. Uma figuraça. Agora, sempre que for a São Paulo, vou ter que dar um jeito de parar em Americana.

Saturday, 1 de December de 2007

“Literatura é para parasitas”

yuri vieira, 9:02 am
Filed under: Imprensa, escritores, literatura
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Diogo Mainardi, em entrevista ao Digestivo Cultural:

“Literatura é para desocupados e parasitas. Por muito tempo, fui um desocupado e um parasita. Eu era mantido por meus familiares e por minha mulher. Quando precisei ganhar dinheiro para sustentar meus filhos, arrumei um emprego e larguei os livros. Pode parecer uma explicação prosaica demais, mas foi o que aconteceu. Abandonar a literatura não foi uma decisão literária. E não teve nenhuma conseqüência, exceto para mim. Não sou um Rimbaud. Quanto ao comichão literário, não sei o que é isso. Nunca escrevi porque tinha a necessidade de escrever: escrevia porque era o que me interessava fazer.”

Tuesday, 2 de October de 2007

J. Toledo se despede

yuri vieira, 8:23 pm
Filed under: amigos, escritores, livros, memória, plásticas
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O escritor e artista plástico paulista J. Toledo, com quem costumava conversar ao telefone menos do que deveria, faleceu sábado passado. Eu o conheci quando eu ainda morava com a escritora Hilda Hilst, na Casa do Sol (1998-2000). Naquela época, falávamos quase todas as manhãs. Cheguei inclusive a contribuir com alguns dos verbetes de seu Dicionário de Suicidas Ilustres, editado pela Record. (Ele também publicou livros de crônicas e uma biografia sobre o artista plástico Flávio de Carvalho, a quem conheceu, e que traz um prefácio de Jorge Amado.) Toledo era um amigo extremamente atencioso e tinha um excelente senso de humor. Aliás, como costumo dizer, ele ainda o é e ainda o tem. Está vivo em algum lugar, dando risadas com a Hilda.

Logo mais colocarei em meu podcast uma gravação que fizemos juntos por telefone. Nada de mais, apenas para dar uma idéia de sua personalidade.

Vaya con Dios, hermano!

Thursday, 20 de September de 2007

Provincianismo

yuri vieira, 2:16 pm
Filed under: escritores, literatura
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Do blog do Martim Vasques:

Segundo T.S. Eliot, ser “provinciano” não significa “não possuir a cultura ou o requinte da capital”, muito menos ser “estreito no pensamento, na cultura e no credo”. É algo além – e muito mais trágico para a cultura de uma nação que se pretenda saudável. Refere-se “também a uma distorção de valores, à exclusão de alguns, ao exagero de outros, que resulta, não de uma falta de ampla circunscrição geográfica, mas da aplicação de padrões adquiridos dentro de uma área restrita, para a totalidade da experiência humana, que confundem o contingente com o essencial, o efêmero com o permanente. Em nossa época, quando os homens parecem mais do que propensos a confundir sabedoria com conhecimento, e conhecimento com informação, e a tentar resolver problemas da vida em termos de engenharia, começa a emergir na existência uma nova espécie de provincianismo que talvez mereça um novo nome. É um provincianismo, não de espaço, mas de tempo, aquele para o qual a história é simplesmente a crônica dos projetos humanos que têm estado a serviço de suas reviravoltas e que foram reduzidos à sucata, aquele para o qual o mundo constitui a propriedade exclusiva dos vivos, a propriedade da qual os mortos não partilham. A ameaça dessa espécie de provincianismo é que podemos todos, todos os povos do mundo, ser provincianos juntos; e aqueles que não estiverem satisfeitos podem apenas tornar-se eremitas” (ELIOT, T.S. “O que é um clássico”, in: De Poesia e Poetas, págs. 96-97).

Monday, 10 de September de 2007

Joana D´arc

daniel christino, 11:59 pm
Filed under: escritores, literatura, livros
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Joana D´arc - Jules Michelet

Quem estiver com o tempo livre e com algum sobrando eu gostaria de indicar um livro. Não porque a personagem é uma das principais figuras da história francesa, nem porque fui eu quem escreveu a introdução. Indico porque é uma boa leitura e uma excelente oportunidade de penetrar no universo do genial Michelet.

Até mesmo seus exageros são extraordinários. Michelet é o primeiro historiador a desenvolver um método de compreensão da história a partir do modo de vida das pessoas, buscando a ressurreição total de uma época na compreensão de fatos ou personagens até então desconsiderados pela historiografia clássica. A edição é muito bem cuidada, a tradução é excelente e a introdução não comete nenhum grande pecado. Leiam.



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