Friday, May 16, 2008

Les petit enfants…

diogo, 6:03 pm
Filed under: Arte, cinema
Tags: 

Eu sou meio tonto com esses dois filmes: A vida é bela (do Benini) e La Môme (de Olivier Dahan, sobre a vida da minha querida Edithinha Piaf). Claro que Marion Cotillard fez um trabalho magnífíco encarnando La môme Piaf (ficando até feia e ranzinza), mas la petite Pauline Burlet me emociona cantando La Marseillaise.

Já em La Vita è bela, o pequeno Giorgio Cantarini não fez por menos. A controversa cena final, que muitos detestaram (e acusam Benini de ter apelado para ganhar o Oscar, embora os americanos tenham mesmo salvado a Europa do nazismo, mas isso já é outra história). Sem problemas, você pode até achar que o tanque americano dando uma carona para o pequeno Giosuè é um símbolo do imperialismo Yankee ou qualquer bobagem deste tipo, mas não pode negar que, de qualquer forma, o reencontro com a mãe dá aquela umedecida nos olhos.

Mais posts:

« « Metrô — 18| Metrô — 19 » »




13 Comments »

  1. filipe escreveu,

    diogo,

    la mome, sobre piaf, é muito belo. mas quanto ao do benigni, nem acho um bom filme. ele (benigni) tem alguns (não muitos) melhores que a vida é bela. inclusive, devido a toda conjectura hitórica, sempre que ouço falar de a vida é bela, sinto uma sensação de injustiça tremenda. central do brasil, que deu renome internacional pro walter, na minha concepção, é infinitamente melhor. mas quem levou o prêmio nos eua foi o filme do italiano. como se não bastasse, a fernanda montenegro ainda perdeu o oscar pra gwyneth paltrow (que trabalhou noutro filmizinho mixuruca na época, cujo título e história são ridículos)…esses americanos sao estranhos demais.

    Comentário de 22-5-2008 @ 9:06 am

  2. Diogo escreveu,

    Bom, Filipe, não era essa a discussão que eu pretendia. Mas voilà, até tens aguma razão. O cinema nacional nunca prestou - e aquela coisa de Cinema Novo foi uma idiotice total. Depois, a partir de O Quatrilho, começou-se a produzir algo que preste e hoje tem gente que sabe o que está fazendo. Claro, embora eu tenha um certo preconceito quanto aos filmes nacionais que falam de pobreza.

    Talvez seja uma idiotice da minha parte, mas esse tipo de filme explorando o coitadismo do subdesenvolvimento, lembra-me o caso, relatado pelo Janer Cristaldo, sobre um gaúcho ter sido convidado para dar aulas sobre cultura brasileira na Sorbone, se não me falha a memória. Ele era dado a fazer churrascos memoráveis, até que o reitor o chamou para uma conversa:

    - Temos que parar com o tal do “churrascô!”
    - Ué, mas por quê? O sr. não gostou?
    - Não é isso, o churrascô est magnifique! Mas lembre-se, o senhor está aqui para mostrar a pobreza da América Latina, e com essa ambundância de carnes, quem é que vai lhe acreditar?

    Comentário de 22-5-2008 @ 12:29 pm

  3. filipe escreveu,

    bom diogo,

    seu argumento poderia me servir tão bem quanto a vc. qual tema foi mais explorado pelo cinema europeu e norte-americano do que “judeus-coitados-diante-do-nazifascismo?

    contudo, não acho que o problema seja o tema abordado pelo filme, mas a forma como pode-se abordá-lo. grandes gênios do cinema já o fizeram de formas tao originais que parecem nunca antes “debatidos”, haja visto dr. strangelove(…) e full metal jacket do kubrick (que nao tratam absolutamente da segunda grande guerra européia mas, sobretudo, do tenso período vivido logo em seguida, início da guerra fria); ou mesmo algum do oliver stone e vários outros que não me vêem na cabeça agora. e, no meu entender, isso é o q ocorreu com o filme do walter salles e não com o do benigni. inclusive, após central do brasil, o walter fez um filme que, talvez na sua concepção, seja outra exploração do coitadismo subdesenvolvido: abril despedaçado, possivelmente melhor q o central station. no entanto, sao filmes riquíssimos em inovaçoes técnicas bem como na linguagem assumida.

    nesse ponto, o benigni perde feio pro walter.

    Comentário de 23-5-2008 @ 7:20 pm

  4. Diogo escreveu,

    O filme de Benini é bem água-com-açúcar, mas não deixa de ser emocionante. Mas nessa comparação coitadismo-judaico (que parece pejorativa, mesmo porque o coitadismo é algo exagerado e no caso do Holocausto não há exageiros) versus coitadismo-nordestino, há a questão da proporção. O horror sofrido pelos judeus é incomparavelmente superior ao coitadismo (no sentido de ser exagero) dos famintos com pança do nordeste. Mas aí já é outro assunto e não vem ao caso.

    A única coisa que acho bom em Central do Brasil é a questão humana - talvez o único ponto forte. O drama, ou talvez seja melhor dizer a tragédia que envolve os personagens. Mas por outro lado cai no lugar comum do Cinema Novo, aquela crença boboca que o cinema tem que retratar a realidade do povo - e eu nunca entendi o porquê dessa insistência de que nossa realidade é a miserabilidade do povo. Ao o meu ver, com isso se perde a coisa poética para se estabelcer uma posição política. E isto, o filme do Benini, mesmo sendo “água-com-açúcar”, não tem, porque abominar o nazismo não é uma posição política, mas um dever de todas as pessoas sensatas.

    Comentário de 24-5-2008 @ 2:09 am

  5. daniel christino escreveu,

    filipe, você já assistiu a uma versão de Ricardo III com o Ian Mackellen situada numa Londres fictícia ocupada pelo Nazismo? Muito boa. Vale a pena.

    Comentário de 25-5-2008 @ 12:00 am

  6. filipe escreveu,

    diogo,

    eu discordo completamente de vc. daonde vc tirou essa comparação entre coitadismo-judaico e coitadismo-nordestino? essa distinção, pra mim, é equivocadíssima. são assuntos tão universais quanto a exploração dos garimpeiros no pará, dos diversos povos africanos e dos nativos da america latina, dos indianos, ou mesmo dos tibetanos. o único diferencial é o montande de dinheiro envolvido, se é q vc me entende (para maiores detalhes: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=311).

    não existe essa de “horror incomparavelmente superior”. e se fosse levado em consideração essa idéia de proporções, o q seria do bergman no início da carreira, dirigindo filmes como a fonte da donzela?

    eu apenas acho q o filme do benigni é muito fraco pro estrago q fez, independente do nazismo, do holocausto ou do pirralho chato q trabalha no filme. por outro lado, o filme do walter me enche os olhos pelo roteiro, pela linguagem/direção e pelas interpretações. não consigo enchergar cb como um posicionamento preponderantemente político. paralelamente, concordo contigo sobre o benigni ser sensato. aliás, isso é o máximo q ele consegue no filme: abominar o nazismo.

    Comentário de 25-5-2008 @ 11:06 pm

  7. filipe escreveu,

    diogo, ja ouvi falar sobre esse filme do Mackellen mas nao tive a oportunidade de vê-lo. mas, assim q puder, irei conferi-lo. valeu e abraço!

    Comentário de 25-5-2008 @ 11:08 pm

  8. Diogo escreveu,

    Filipe, você de novo muda de assunto. E agora com esse papo bocó de “organizações judaicas internacionais” cuspidas por um discípulo do Noam Chomsky que justifica a Al Quaeda e o terrorismo islâmico. Daqui a pouco tu citas o Protocolo dos Sábios de Sião e aquela babaquice de revisionismo histórico.

    O coitadismo do Nordeste acontece por culpa do próprio nordestino. Ninguém alí foi jogado em campos de concentração e privado de seus bens e familiares. Ninguém alí foi exterminado em câmaras de gás. O Holocausto é com H maiúsculo mesmo, porque entrou para a história como uma das coisas mais covardes e horrorosas da humanidade. Enquanto isso o coistadismo-nordestino é o quê na História mundial? No máximo a impotência de um povo indolente, como diria Paulo Prado. Não distingüir é equivocar-se! Ou você tb pretende negar o Holocausto? Quem sabe tratá-lo como uma extorsão e propaganda das organizações judaicas internacionais? Quem sabe não vai além e compara Israel com os nazistas, como faz o autor do livro que citaste?

    Voltando ao cinema: pra mim os filmes do Walter são bem feitos tecnicamente. Mas não me emocionam nenhum pouco. Nem o garotinho órfão saído de uma favela qualquer; nem a carteira pilantrona que se regenera (clichê dos filmes da sessão da tarde); tampouco os ataques de asma do Che Guevara antes de se tornar o maior assassino da América Latina (quão humano ele era!). E sabe o porquê? Porque não passam de enganações.

    A mim, o cinema nacional só vai pra frente, quando enterrarem aquela porcaria de Cinema Novo. Não consigo entender essa coisa de que mostrar a realidade é mostrar pobres, pretos e favelados. Isto parece mais um complexo de inferioridade ou auto-flagelação. Como se no Brasil não existissem pessoas inteligentes, mas só analfabetismo; como se não existisse realidade além da favela.

    Explorar pobreza é coisa exclusiva de marxistas filiados ao PT. E negar o Holocausto ou a sua importância histórica, é coisa de gente doente.

    Comentário de 26-5-2008 @ 1:43 am

  9. filipe escreveu,

    diogo,
    vo tentar sintetizar meus argumentos para q vc perceba q nao estou fugindo do assunto.

    eu realmente nao quero discutir sobre as causas da mazela nordestina nem do holocausto.

    meu primeiro contra-argumento baseava-se na sua intençao de afirmar que o filme cb nao passava de mais uma apelaçao do tema “coitadismo do subdesenvolvimento”, caracteristico do cinema novo, segundo suas proprias palavras. no meu entender, a otica do filme vai muito alem dessa sua caracterizaçao. mas se vc iniste em argumentar dessa forma, minha replica baseia-se no fato de que o filme do benigni trata de um assunto tao apelativo quanto: a miseria judaica pela exploraçao nazista, um tema bastante recorrente quando se almeija cativar publicos e juris de premiaçoes internacionais.

    no entanto e ainda assim, menciono q, ao contrario de vc, nao acho q o problema do filme italiano seja o tema escolhido pelo roberto. o principal agravante, pra mim, é q o filme utiliza de uma linguagem e direçao muito fraquinhas pra tratar sobre esse assunto. por isso, exemplifiquei com stanley kubrick sobre filmes q, na minha opiniao, conseguem debater temas muito recorrentes nas telas de cinema, mas com uma originalidade extracomunal.

    em contrapartida vc acha que o filme do benigni é mais merecedor de boas criticas por tratar de um assunto supostamente de maiores proporçoes como o holocausto. vc chega a sugerir, inclusive, uma comparaçao entre coitadismos. isso soa quase como um pecado mortal. e nao signigica q estou negando o holocausto. ambos os filmes tratam de mais uma faceta da exploraçao do homem pelo homem, mais uma como a exploraçao do povo nordestino, dos indios, dos africanos, dos tibetanos ou mesmo dos palestinos pelos proprios israelenses (pq nao?). assim como o ingmar bergman discutia sobre religiosidade e violencia atraves de lendas medievais suecas. acho q esse ponto vc nao entendeu ainda: a universalidade a partir da peculiaridade.

    depois vc sugere q o cb tem um posicionamento politico e, por isso, é menos poetico. discordo completamente na causa e no efeito. em seguida, vc acha q o benigni é sensato por abominar o nazismo. parabens pra ele! mas, como eu disse, isso é tudo o q ele consegue fazer.

    por fim, vc aceite ou nao, as organizaçoes judaicas utilizam o holocausto como um ferramenta para extorsao (nas tuas proprias palavras) de diversas formas, nao somente financeira. outro dia, me recordo bem, o yuri discutia aqui mesmo no blog sobre o fato de q nao conhecemos nenhuma familia japonesa q seja indenizada ou cobre vantagens por ser descendentes de vitimas das bombas de hiroshima e nagasaki. alias, nao consigo me lembrar de filmes q retratem a tragedia japonesa com tanta facilidade como os filmes q retratam o holocausto. o filme rapsodia em agosto, do kurosawa, fez referencia a esse assunto de uma forma tao sutil e original q nao chega nem perto dos estilos explorados pelo spielberg ou polanski (soldados alemaes matando judeus de manha cedo como atividade de recreaçao). isso é uma verdade, diogo, e eu nao sou nenhum anticristo por reconhe-la.

    nao vo discutir aqui sobre os demais filmes do walter salles pq eu realmente acho desnecessario, embora discorde redondamente de vc (de novo, olha!). e vc fica insistindo em cinema novo, cinema novo, cinema novo.
    que chatice, rapaz! quem nao gostar, assista aos filmes e novelas da globo, q so falam de socialaite fofoqueira, intrigas amorosas fajutas e classe media repleta de idiotas.

    nao irei me alongar mais sobre esse assunto.

    continuo curtindo muito teus posts e adorando dicuti-los. espero q vc nao me entenda mal.
    forte abraço e tudo de bom

    Comentário de 26-5-2008 @ 4:56 pm

  10. filipe escreveu,

    o “marxista filiado ao pt” machucou mais do q o “doente”…

    Comentário de 26-5-2008 @ 5:07 pm

  11. Diogo escreveu,

    Filipe,
    em primeiro lugar, nada aqui é pessoal! E sinta-se à vontade para esculhambar meus posts se assim vc achar necessário. Se quiser elogiar, melhor, claro! rs

    Bom, mas acho que é razoável concluir que o filme do Benini não é lá essas coisas. Eu devo ter dito isto em algum dos posts anteriores, mas se não disse, registre-se! Comparado aos clássicos do cinema italiano (Fellini, Bertolucci, Tornatore - os poucos que assisti), é um nada. No entanto, não acho lá grande coisa o Central do Brasil. Para mim, ambos são filminhos bem mediocres, infinitamente distante de uma obra de arte ou algo que possamos suspirar e enchugar lágrimas. Depois, ganhar Oscar ou não, pouco importa. O próprio Oscar nada mais é do que uma politicagem e extensão de negócios.

    O post é sobre crianças no cinema. Se você sugerisse incluir o trombadinha do walter salles, quem sabe não acharia uma boa cena para incluí-la no post. Mas abriu-se diversas fontes de discussão, chegando à citação de alguém que justifica o terrorismo islâmico para sustentar que o Holocausto é usado para extorquir as pessoas (tu deves concordar que é uma idéia bem idiota).

    Já quanto ao problema da Palestina a coisa é complexa e não dá pra resumir num chavão marxista de explorador-explorado. E nem cabe nesta discussão que já se dissipou demais.

    Fora isso, “marxista filiado ao pt” foi aos exploradores de pobreza, de forma alguma a você. Afinal não chegamos ao ponto de golpes baixos… ainda! rs…

    Abraços e tudo de bom tb!

    Comentário de 26-5-2008 @ 5:53 pm

  12. filipe escreveu,

    embora vc tenha me provocado com a história do “trombadinha do walter salles”, diogo, eu prefiro sugerir a cena a seguir:

    http://www.youtube.com/watch?v=ZqsEukxL6QY

    trata-se de um trecho crucial do filme kramer vs kramer, onde a personagem do dustin hoffman conta para seu filho (interpretado pelo justin henry) que este terá q morar com sua mãe após o divórcio. quem já assistiu o filme sabe o quão tensa é a cena.

    um clássico do gênero, dirigo pelo robert benton e com atuações memoráveis do dustin hoffman, da meryl streep e do pirralho justin henry.

    uma das melhores atuações infantis do cinema.

    Comentário de 27-5-2008 @ 9:08 pm

  13. Diogo escreveu,

    Filipe,

    bela cena! Se é para competir com as que postei, ok, você venceu de goleada! Mas continuo gostando dos pirralhos supracitados.

    Ademais, desconte as escorregadas gramaticais do meu último comentário!

    Comentário de 28-5-2008 @ 12:33 am

Leave a comment

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

    RSS feed for comments on this post.
    TrackBack URI


    82 queries. 2.806 seconds. | Alguns direitos reservados.