Thursday, March 20, 2008

O dragão chinês

diogo, 10:07 pm
Filed under: Política, Religião
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Certa vez, falando sobre a situação do Tibete, causada pela tirania chinesa, um cidadão me replicou dizendo que o governo tibetano, antes da invasão chinesa (e vale lembrar que o assunto iniciou-se na invasão do Iraque pelos americanos), era uma teocracia corrupta,  etc e tal. O meu oponente não se dava conta que ao mesmo tempo que repudiava a invasão americana ao Iraque, endossava invasão chinesa no Tibete. Pior, usando os mesmos argumentos que justificavam a derrubada de Saddam Hussein.

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Esta semana os tibetanos se rebelaram. A China acusa o Dalai Lama de ser o responsável pelos protestos. Muitos o criticaram por isso. Já minha crítica, sempre foi quanto ao líder budista não usar sua influência (de popstar, inclusive) para lutar contra a tirania chinesa. Sempre achei ridículo a sede do governo tibetano, lá da Índia, assistir inerte as tragédias dos que não tiveram a mesma “sorte” do exílio.

Ainda assim, mesmo parecendo evidente a responsabilidade do “Oceano de Sabedoria” em relação aos protestos, ele se põe naquela posição odiosa de diplomacia da bundamolice, e responde à acusação chinesa com um punhado de palavras sem sentido:

“Não estamos querendo independência ou secessão! Estou totalmente comprometido com a estabilidade, unidade. Isto é essencial. Mas a estabilidade e a unidade devem vir do coração.”

O que o “seo Oceano” quer dizer com essa papagaiada toda? Já passou da hora de um enfrentamento. Os chineses não respeitam os tibetanos e, tampouco, o próprio Dalai Lama. Porque haveria ele de ter respeito aos chineses? E que diabos é essa coisa de estabilidade? O Tibete foi invadido e, cada vez mais, tem sua cultura e população reduzidas a pó. Acovardar-se, esperar a boa vontade vir do coração do algoz, é muita cretinice junta, além de conspirar contra a própria razão do Budismo: a iluminação.

Não consigo acreditar que a ascensão de um capitalismo meia-sola possa trazer a liberdade e a democracia efetiva aos chineses. A começar pela forma como agem no Tibete, é razoável concluir que o dragão chinês está sendo alimentado para nos queimar depois.

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2 Comments

  1. Pedro Novaes escreveu,

    Caro Diogo,

    Como você e qualquer pessoa inteligente, abomino a invasão chinesa ao Tibete. Penso, entretanto, que você não deve conhecer muito bem o Budismo e, desta forma, as razões que o Dalai Lama tem para não pregar a confrontação. Não acho que ele espera necessariamente “boa vontade do coração do algoz”, mas que busca uma solução de compromisso, por crer sensatamente que, em termos pragmáticos, por mais triste que seja, falar em independência do Tibete é pueril. Ele busca um mínimo de distensão que propicie ao menos liberdade religiosa e um futuro para a cultura tibetana.

    Além disso, há certos princípios do Budismo que pautam o comportamento do Dalai Lama, entre eles a não-violência. Ele evidentemente mede seus gestos por temer que eles possam incitar violência de qualquer dos lado, o que seria muito ruim do ponto de vista de sua filosofia e crenças.

    Não entendi, além disso, o que vc quis dizer quando fala que “acovardar-se, esperar a boa vontade vir do coração do algoz, é muita cretinice junta, além de conspirar contra a própria razão do Budismo: a iluminação.” Não compreendi a relação de uma coisa com a outra.

    Abs.

    Comentário de 22-3-2008 @ 6:42 pm

  2. diogo chiuso escreveu,

    Pedro, falar em libertação do Tibete não é somente pueril, mas impossível. Há um bom tempo o Tibete nem existe mais. Os chineses, a exemplo do que fizeram com a própria cultura, destruíram a cultura tibetana.

    Conheço alguma coisa de Budismo, principalmente o conceito da da Ãhimsa. No entanto, essa não-violência chega a ser irracional no momento em que, no caso dos tibetanos, estão sendo agredidos.

    Iluminação, grosso modo, é adquirir perfeitamente a sabedoria, a ponto de compreender sem erros a vida e saber distingüir entre o que é verdadeiro e o que é falso. A mim parece que falta razão nessa atitude de não-agressão quando estão sendo agredidos. É algo como falsear a verdade buscar esse “mínimo de distensão que propicie ao menos liberdade religiosa e um futuro para a cultura tibetana.”

    Você está certo, é mesmo um atentado à doutrina budista, mas só os caramujos se encolhem quando cutucados. E o incidente da revolta dos monges contra o exército chinês na semana passada, talvez me dê alguma razão…

    Comentário de 23-3-2008 @ 12:22 am

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