Como acabar com a pirataria?
Resposta a uma questão atual
Como acabar com a pirataria?
Antes de responder essa pergunta, precisamos responder outras.
Você quer acabar com a pirataria? Existe vantagem na pirataria?
Não sou cineasta, nem produtor de cinema, por isso gosto muito da pirataria. Adoro poder ir à esquina ao lado e comprar alguns dos meus filmes favoritos. Na locadora eu pagaria mais caro e ainda teria o trabalho de devolver. No pirata eu pago mais barato e não preciso me preocupar com o dia da devolução. E o que é melhor: o filme vem sem aquelas capinhas ridículas. Sempre achei as capinhas desnecessárias, porque (1) fazem o DVD ocupar mais lugar e (2) toda informação que vem nelas pode muito bem vir dentro do DVD. Compro um DVD interessado no filme que está lá dentro, a capinha não me interessa. Se ela for substituída por um envelopinho de plástico, tanto melhor. Menos matéria e menos espaço a ocupar.
Então eu pergunto: você quer acabar com a pirataria? A resposta é não. Queremos um DVD mais barato e não queremos voltar para devolver.
O pirata nos presta um bom trabalho, e queremos lhe pagar pelo trabalho, como fazemos a qualquer profissional. Não queremos que o pirata acabe. Se as pessoas se preocupassem mais em criar e menos em perseguir, o mundo estaria melhor.
Por outro lado, queremos que o cineasta ganhe algum dinheiro, do contrário ele não poderá sobreviver e fazer mais filmes legais. Também queremos que os donos de locadora sobrevivam de alguma forma. Eles são nossos amigos e estamos cansados de ouvir suas lamentações.
Então surge a solução total!
Vamos transformar as locadoras em centros de distribuição de filmes. Você vai lá com um DVD e eles copiam para você! Assim os dois saem ganhando. Ele ganha porque vai poder cobrar pelo trabalho, e você ganha porque não precisará voltar para devolver. Ele também pode vender o DVD virgem, o que o levaria a ganhar um troquinho a mais.
Depois o estado vai lá e cobra os direitos autorais dos donos de locadoras! Notem que isso é infinitamente mais fácil e viável, pois é mais fácil fiscalizar e punir um sujeito que está sempre no mesmo lugar que um nômade. A fiscalização só existe sobre um determinado espaço, é por isso que os ciganos não querem ter um lugar fixo. Se um sujeito tem um lugar fixo, você pode reunir um grupo e puni-lo (esse grupo, na modernidade, se chama polícia). Se um sujeito não tem lugar fixo, fica mais difícil puni-lo. Assim fica dada a solução. Não se deve acabar com a pirataria, pois gostamos do bem que ela nos faz. Devemos é legalizar a pirataria, ou seja, cobrar os direitos autorais depois que o sujeito fez a cópia. E o melhor jeito de fazer isso é nomeando o sujeito que faz a cópia, sabendo onde é o lugar que ele trabalha, onde é a casa dele, etc.
O estado não existe para proibir a atividade criativa, ele existe para cobrar um troquinho do cara depois que ele criou.
Se eu fosse dono de locadora, lutaria pela implementação desse sistema.







ronaldo,
tuas ponderações sao sempre interessantes.
outra ideia muito legal foi a do radiohead. eles disponibilizaram no site da banda o cd novo in rainbows pelo preço q o internauta quizesse pagar. 55% dos downloads foram de graça (claro, a maioria quer da uma de esperto). teve muita gente q ainda pagou 20 conto no descarregamento. no fim das contas, o lucro da banda “por cd” foi proximo ao dos albuns anteriores (distribuidos pela EMI). com in ranbows eles lucraram 3 dolares por cd, ao passo que, quando contratualmente ligados a editora, ganhavam entre 3-5 dolares.
particularmente, nao vejo tanta vantagem em comprar dvds no camelo. claro, os preços! mas, pelo menos aqui na minha cidade, nao consigo encontrar os filmes que me interessam com tanta facilidade no mercado pirateiro. dvds da banda calypso, da ivete sangalo, calcinha preta, filmes do veloses e furiosos e tropa de elite sao o maximo q eles conseguem me fornecer por aqui. por tanto, prefiro mesmo baixar meus filmes na net (mesmo que isso me tire semanas de paciencia). isso nao deixa de conjecturar um ato pirata (eu nao pago os direitos autorais).
nao sou contra a pirataria. acho apenas q, infelizmente, eu nao faço parte do publico alvo dos camelos.
nao sei tambem se as locadoras sao elementos tao importantes na discussao. as locadoras de jogos para video game quebraram geral e, mesmo assim, esse mercado nunca esteve tao bem.
todavia, conceituando-se pirataria como a copia, venda ou distribuição de qualquer material sem o pagamento dos direitos autorais, a gente automaticamente sobrepuja os fatores sociais que estao enraizados.
Comentário de 27-12-2007 @ 1:46 pm
Ronaldo,
sou dono de locadora. Se eu pudesse implementaria sua idéia agora mesmo! Teríamos as capinhas nas prateleiras apenas para os clientes escolherem o filme que querem levar. Depois que eles escolhessem, faríamos a cópia, e o cara não precisaria voltar para devolver. Menos trabalho para os clientes e para nós. Não precisaríamos manter cadastro de cliente, pegar CPF, identidade e o caralho. Também não levaríamos prejuízo com o cara que não devolvesse o filme. E não gastaríamos tanto espaço armazenando os filmes! Seria ótimo!
Agora só falta criarmos os meios jurídicos para executarmos a idéia, pois em termos práticos ela já é possível e desejável.
Parabéns!
RenBarb
Comentário de 27-12-2007 @ 6:56 pm
nas “entrelinhas” de um bloco e outro nesse carnaval, me deparei com a notícia de que os ingressos pro show de dylan em sp já estão à venda. ando pesquisando a carreira do cara há algum tempo e meu lado “baba-ovo” pediu estericamente por mais uma confirida no google sobre notícias a respeito. daí, me deparei com essa página
http://www.gardenal.org/trabalhosujo/2006/03/bob_dylan_clandestino.html
dando uma interessante pincelada sobre uma das mais conhecidas estórias míticas (entre tantas) envolvendo a figura do bob dylan: the basement tapes ou como dylan “inventara” a pirataria audiovisual.
o termo estória mítica pode ser desapropriado, tendo em vista a veracidade do fato. mas insisto no mesmo, fazendo referência à possibilidade da invenção desse tipo de mercado pirata por parte das “fitas de porão”.
o texto é do alexandre matias, do blog trabalho sujo.
Comentário de 2-2-2008 @ 5:53 pm