Frase de cinema — 22
You make me want to be a better man ![]()
You make me want to be a better man ![]()
Acabo de chegar duma baita caminhada após ter deixado o carro sem combustível numa esquina qualquer dessa cidade. (Nunca ande ao mesmo tempo sem dinheiro e com o marcador escangalhado, um dia sua intuição irá falhar.) A caminhada numa cidade brasileira ordinária traz sempre a mesma paisagem entediante, por mais zen que você seja e por mais que acredite, como Thoreau, que não há lugar deserto o bastante para o poeta. Pouco importa: se você não está numa praia do Rio de Janeiro, no centro antigo de São Paulo, Salvador ou em algum lugar como Ouro Preto, Trancoso ou Parati, desista, entregue-se ao seu ócio locomotico e tente não dormir enquanto caminha, o que, aliás, teria sido excelente hoje. Bocejei tantas vezes que comecei a rir comigo mesmo, imaginando que seria ótimo ter um piloto automático atrás da nuca. Tudo isso porque buscava a terra perdida do Citybank, onde eu deveria - mas não consegui - receber minha grana da publicidade da Google. Não consegui pois, segundo o porteiro do prédio, a atual localização desse banco é um “mistério”. E ele tem razão: até a lista telefônica online traz o endereço e o telefone errados. É nessas horas que a gente fica com vontade de sair divulgando, a plenos pulmões, aquele filme do Mel Brooks: Que droga de vida! Contudo, ainda resta uma esperança. Se o Indiana Jones encontrou a Arca da Aliança, por que eu não poderia encontrar o Citybank? Um dia eu chego lá. Sim, um dia.
Outro pensamento que me assolou durante todo o trajeto foi: qual será a resolução do mundo? Digo, a resolução gráfica, porque é tudo tão bem definido. A gente vê os mínimos detalhes das flores e das árvores, uma coisa fascinante. (Continua…)
Descobri hoje um bicho de pé que trouxe lá do Xingu.
Estou utilizando um programa ótimo para Backup on-line, com 2 GB de espaço grátis. Dica do Bruno, nosso leitor sempre convidado a se tornar um de nossos “articulistas”. ãh, ãh? Gostou do termo? E da onomatopéia? Pois então, o programa é o Mozy. Eles possuem servidores instalados em uma espécie de Bunker anti incêndio e anti terremoto, cercados de um exército paramilitar armado até os dentes, tipo naquele filme do Shvartz… Swartski… Schafavsneeeger (como um cara com um nome desses ganhou pra governador?) Schwarzenegger, pronto (viva o Google!). É muito simples de usar: instalou, pode esquecer, ele faz o resto automaticamente, com criptografia e tudo, sem repetir backup já feito.
Cada vez que vejo a Heloísa Helena, sinto exatamente as mesmas náuseas que sentia quando entrava uma comissãozinha do DCE na sala de aula, lá na UnB, com ao menos três estudantes metidos em camisetas do PT ou do PC do B. A conversa deles era - e ainda deve ser - exatamente a mesma dessa figura dinossáurica. Sempre a mesma “inteligência emocional” escondendo a velha e horrorosa “burrice intelectual”. Uma figura que só vive de impressões e percepçõezinhas, enfim. Por mais corretas e exatas que estas sejam, não darão em nada. Bem, por outro lado, como sinto coisas piores ao ouvir o Lula - aliás, cá entre nós, sempre tenho vontade de seguir à risca o conselho da banda punk Os Garotos Podres e, enquanto de paletó e gravata o presidente sobe no palanque pra tentar enganar todo mundo, ir fazer cocô - enfim, por outro lado, não posso deixar de citar a eterna presidente de DCE Heloísa Helena (claro, apenas suas agudas percepções, suas soluções seriam muito piores do que o atual estado de coisas):
“Eu não tenho dúvida de que o presidente Lula é o grande comandante dessa estrutura, que é uma organização criminosa, capaz de roubar, matar e liquidar quem pela frente passar, ameaçando seu projeto de poder”, disse Heloísa, após encontro com lideranças da Força Sindical, em São Paulo.
Na opinião da candidata do PSOL, uma vitória de Lula - como indicam as pesquisas - além de legitimar a corrupção, mostraria a fragilidade da nossa democracia. “Para mim, o banditismo político ganhar a eleição é um mecanismo de golpismo da democracia frágil representativa brasileira”, afirmou.
Segundo o excelente critério utilizado pelo Paulo Paiva para avaliar esquerdistas de bom coração, eu diria que a Heloísa Helena levaria uns três anos para sucumbir ao Estado revolucionário e ir para o paredão. Não porque ela seja uma figura assim tão utopista, mas porque é “nordestina, sertaneja, mãe, mulher macho”, sim senhor. Resistiria uns três anos, sim, como quem perambula pelos sertões ideológicos do poder totalitário, sem água que sacie a consciência, mas com a mesma perseverança cega que leva o pobre retirante às periferias da cidade grande e a seus paredões de concreto. Heloísa Helena é antes de tudo uma forte. Pena que seja tão fraca da cabeça…
“Eu vou comer macarrãozinho. O que você vai comer?”
Débora tem uma boneca nos braços e olha para o homem à sua frente, que parece levemente surpreso com a pergunta.
Estamos num restaurante, esperando nosso pedido de almoço chegar. Assim que nos sentamos, Débora pediu: “Papai, vou querer macarrãozinho… (pausa)… farofinha… (pausa)… ou arrozinho”.
Pedido feito, saiu de nossa mesa e foi até a do nosso lado, não sei bem por quê. Abordou o cara, bem-vestido, com a família — mulher e dois filhos, mais velhos do que ela. Também aguardam o pedido. Ouve então a resposta.
“Vou comer casquinha de truta, salada de alcachofra e quiche de alho porró.”
Silêncio.
O homem continua sorrindo.
Silêncio.
Débora parece intrigada.
Silêncio.
“Moço, que língua você fala?”
Origens do Totalitarismo e seus atores
No artigo que escrevi há quase três semanas na Veja, citei Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt, um estudo emblemático de como as sociedades podem caminhar rumo à degenerescência, ao horror. Um coleguinha achou um exagero, um despropósito. Porque poderia haver subentendido um paralelo entre, digamos, o nazismo e o petismo. Fatos históricos muito marcantes, com o tempo, tornam-se símbolos. A República de Weimar, que assistiu à ascensão nazista, é um símbolo de como as instituições democráticas podem ir cedendo espaço ao assalto autoritário. Até que não mais resistam. E então morrem. É claro que eu torço para que a democracia brasileira sobreviva ao petismo. De maneira mais imediata, torço para que ele seja derrotado nas urnas. Mas os ingredientes de uma rendição estão todos dados.
No último final de semana, enquanto eu discutia a relação com Pelagia, my wife - além de bons argumentos tive de usar dos meus poderes de metamorfose e provar que sou apenas um príncipe convertido em sapo (e não o contrário) - recebi uma mensagem do Daniel Ahmed, avatar do colaborador deste blog, o professor de filosofia Daniel Christino. Depois de acertar nossas diferenças - Pelagia perdoou minha infidelidade e reatamos - fui me encontrar com Ahmed que, segundo imaginei, deveria estar em algum anfiteatro grego dialogando socraticamente com algum alemão. Qual nada! Ele estava no Barbie Club - acho que é esse o nome - dialogando platonicamente com uma stripper norte-americana. Veja as fotos do nosso primeiro encontro:

Quem conhece o Daniel Christino - tal como o Yuri Vieira - verá que há grande semelhança entre ele e seu avatar. Veja mais de perto: (Continua…)
DOS PARICIPANTES DO 4º FORUM MUNDIAL DE UCRANIANOS (KYIV,24.08.06) PARA A COMUNIDADE INTERNACIONAL, GOVERNOS E PARLAMENTOS DOS PAISES DO MUNDO, INSTITUIÇÕES MUNDIAIS
A Grande Fome (Holodomor) de 1932-33 na Ucrânia não é um simples passado histórico, é antes de tudo uma maciça ação terrorista do regime comunista contra a pacífica população, a qual não possui características de antiguidade e de esquecimento.
Foram 10 milhões de ucranianos mortos pela fome artificialmente organizada, a fim de um criminoso objetivo político – enfraquecer e destruir a laboriosa e amante da paz classe camponesa, a base social da nação ucraniana.
Essa tragédia espanta não tão somente pelo número de suas vítimas, principalmente entre as crianças. Espanta, antes de tudo, pelo frio, criminoso e insistente silenciamento, negação do acontecido, motivados pelos princípios ideológicos e políticos. Os ucranianos assassinados nunca foram reconhecidos pelo regime comunista como vítimas do terror político.
Amnésia moral de certas forças políticas, que herdaram a criminosa ideologia comunista, retardam o reconhecimento da Grande Fome de 1932-33 como genocídio do povo ucraniano. O número de testemunhas do crime está diminuindo, ficando como prova documentos; a memória histórica está se apagando; sobrando nos cemitérios placas e, destruídas pelo tempo, as cruzes de madeira.
Eu tinha uns 11 anos de idade quando nossa linda professorinha de inglês - lá no Colégio Spinosa, em São Paulo - teve a ótima idéia de nos fazer cantar I’s raining again, do Supertramp. A princípio, com a letra em mãos, parecia uma tarefa impossível. Mas ela conseguiu: no final da aula já éramos um côro infantil afiadíssimo. Tanto que o todo-poderoso e temido Marco César Spinosa, capitão-aviador reformado e diretor do colégio, veio à nossa sala presenciar o fenômeno. Todos se calaram e ficaram de pé. A professora ficou branca, sem saber se receberia ou não uma bronca. Já o Marco César, na época ainda solteiro, cravou uns olhos inesquecíveis sobre a linda maestra e nos mandou continuar. Pintou um clima. Toda a sala percebeu e as risadinhas das meninas foram constrangedoras. O diretor, um ex-militar, era fã de hinos e estava sempre nos fazendo cantar o Hino à Bandeira, o Nacional, o da Independência, do Aviador, da Liberdade, etc., etc. Mas ele nunca vira seus alunos cantarem em inglês. Seus olhos brilhavam. Ah, as mulheres…
Dica da querida Cássia Queiroz: clique sobre os músicos individualmente e dirija esse grupo de sambistas.
De Mônica Tavares - O Globo:
Na sua coluna de domingo, na nota com o título “Demônio golpista”, Elio Gaspari informa que Lula, durante jantar com empresários, na última quinta-feira, ao responder ao empresário Eugênio Staub sobre como pretendia fazer as reformas necessárias ao país, durante o segundo mandato, teria dito:
“Staub, não acorde o demônio que tem em mim, porque a vontade que dá é fechar esse Congresso e fazer o que é preciso”.
Leia a matéria completa no Alerta Total:
O uso da polícia política, para censurar a livre difusão de informações ou idéias no Brasil, é a mais recente tática de um governo que vira sinônimo de crime organizado, pois viola, sistematicamente, a Segurança do Direito. Sob o pretexto de zelar pela honra dos candidatos a presidente da República, a Polícia Federal desperdiça seu tempo na caça a internautas que publicam ofensas pessoais aos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). As assessorias jurídicas dos candidatos pediram à PF que retire do ar 32 blogs e dezenas de comunidades do orkut que atacam o petista e o tucano.
A Polícia Federal também está à procura de internautas que enviam e-mails coletivos para até 800 mil pessoas ofendendo a honra dos candidatos. Nessas mensagens, eles chamam os políticos de ladrão, corruptos e outras ofensas impublicáveis. O governo acionou todo o aparato da Unidade de Repreensão à Crimes Cibernéticos da PF, comandada pelo delegado Adauto Martins, para reprimir a liberdade de expressão. Um dos principais alvos é a comunidade “Fora Lula 2006”, que tem 170 mil membros e defende que o petista não deve permanecer no governo. Na mira da PF também está a comunidade “Alckmin nem morto!”, que tem 12.500 mil membros.
A usar o aparelho repressivo do Estado para praticar a censura, mesmo com as melhores das intenções, o governo atenta contra a Constituição e pode ser legalmente responsabilizado por tal crime. A censura é caracterizada pelo fato de ser aplicada por agente da administração pública, de ter caráter incontrastável, e não admitir recurso, defesa ou contraditório, e de ser baseada em critérios vagos como a ordem moral e política. O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de dezembro da 1949, deixa claro: “Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão”. (…)
Talvez eu já tenha escrito sobre isso e, se o fiz, farei de novo. Porque merece. Para mim, o maior exemplo da jequice acadêmica nacional - e sua corrida interna por títulos, salários, regalias, puxa-saquismos, etc. - foi o fato de a UnB não ter aceito o escritor argentino Jorge Luis Borges como professor apenas porque ele não tinha curso superior… Pode uma coisa destas? E o cara já tinha aceito o convite, salvo engano, do Darcy Ribeiro. Bom, não preciso falar mais nada…
Meu amigo Ricardo Calaça, antropólogo e documentarista com quem dividi um apartamento na UnB, pode ter, na minha humilde opinião, péssimas opiniões políticas - acha que o Evo Morales está certo em roubar a Petrobrás, que devemos votar nulo, que os EUA são uns imperialistas do mal, etc. - mas é impossível negar: o Ricardo é um ótimo patafísico. Na Unb, por exemplo, ele vivia esquecendo o leite no fogão. Várias vezes, ao sentir cheiro de gás, tive de descer do mesanino para desligar a boca cujo fogo já havia sido apagado pelo leite derramado. Eu não ligava muito quando o leite era dele. Mas ficava grilado quando era comprado em sociedade. Um dia, ele fez de novo: quase metade do leite fugiu pelas bordas da leiteira, apagando novamente a chama. E olha que eu acabara de dizer: “Ricardo, deixe esses discos e não se esqueça do leite que você botou pra ferver, cara. Que mania de leitinho quente..” Depois, ele já botando o leite que sobrou numa caneca e eu puto de raiva: “Pô, meu, precisa ferver o leite? É pasteurizado, não é de fazenda.” E ele, com aquele seu sorriso cínico típico: “Yuri, você não entende nada de leite, rapaz. A gente precisa deixar derramar sempre. Você e a indústria dos laticínios acham que os germes morrem com a mudança de temperatura, mas eles morrem mesmo é na queda…” E tecia mil teorias a respeito da enorme altitude que a lateral duma leiteira tem diante das pequeninas bactérias e semelhantes.
Pois é, lembrei desse caso porque, neste último final de semana, as bactérias voltaram à baila. (Continua…)