Após a conclusão do discurso de despedida feito aos onze, Jesus conversou informalmente com eles e relatou novamente muitas experiências que lhes diziam respeito como grupo e como indivíduos. Afinal, esses galileus estavam começando a perceber que o seu amigo e instrutor iria abandoná-los e, nas suas esperanças, eles agarravam-se à promessa de que, após um curto período de tempo, ele estaria de novo com eles, no entanto estavam propensos a esquecer que essa visita de volta era também por pouco tempo. Muitos dos apóstolos e principais discípulos realmente pensavam que essa promessa de voltar por um período curto (o curto intervalo entre a ressurreição e a ascensão) indicava que Jesus estava indo embora para uma breve visita ao seu Pai, após o que ele voltaria para estabelecer o Reino. E tal interpretação do seu ensinamento conformava-se tanto às suas crenças preconcebidas, quanto às suas esperanças ardentes. Posto que, desse modo, as suas crenças de toda uma vida e esperanças de ver os desejos satisfeitos estavam de acordo, não era difícil para eles encontrarem uma interpretação para as palavras do Mestre que justificasse as suas aspirações intensas.
Depois de terem analisado o discurso de despedida e de terem começado a assimilá-lo nas suas mentes, Jesus chamou novamente os apóstolos à ordem e começou a fazer-lhes exortações e a dar-lhes os seus conselhos finais.
1. ÚLTIMAS PALAVRAS DE CONFORTO
Quando os onze tomaram seus assentos, Jesus permaneceu de pé e dirigiu-se a eles: “Posto que eu esteja convosco na carne, não posso ser senão um indivíduo em meio a vós ou no mundo inteiro. Mas, quando eu tiver sido libertado dessa veste de natureza mortal, serei capaz de retornar como um espírito que residirá em cada um de vós e em todos os outros crentes deste evangelho do Reino. Desse modo o Filho do Homem tornar-se-á uma encarnação espiritual nas almas de todos os verdadeiros crentes.
“Quando eu tiver voltado para viver em vós e trabalhar por vosso intermédio, eu poderei conduzir-vos melhor nesta vida e guiar-vos pelas várias moradas na vida futura, nos céus dos céus. A vida na criação eterna do Pai não é um descanso sem fim, de indolência e sossego egoísta, mas é, antes, uma progressão incessante na graça, na verdade e na glória. Cada uma, entre tantas estações na casa do meu Pai, é um local de permanência para uma vida destinada a preparar-vos para a próxima, que está à frente. E assim os filhos da luz irão, de glória em glória, até que alcancem o estado divino no qual estarão espiritualmente perfeccionados, como o Pai é perfeito em todas as coisas.
(Continua…)