Gnod
Neste site você encontrará interessantes “mapas” de livros, filmes, músicas e, claro, de pessoas…
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O falsário era poeta — e dos bons, como lhe diziam —, só que falso. Seus amigos, no entanto, não o distinguiam de um poeta veraz, e graças a isso ele pôde conquistar um pequeno círculo de admiradores. Nas festas, em que só comparecia sob súplicas, todos louvavam a verve que produzia alternadamente versos melancólicos e frases originais. Também dominava razoavelmente alguns idiomas estrangeiros e fazia citações curtas de Nietzsche, Sartre ou qualquer outro arrogante, impressionando os convivas com sua cultura filosófica forjada. É certo que não o fazia por mal. Era um fruto das circunstâncias e conquistara seu posto inadvertidamente, por vias que ele próprio desconhecia. E como não era estúpido, tratou de encarnar um personagem sutil e distante, de forma que sua popularidade, não remitindo nem crescendo, permitisse-lhe apenas o suficiente para gostar de si mesmo.
(Continua…)
Para mim, outro dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos é quase que absolutamente desconhecido (outro dos melhores porque há alguns dias fiz um post dizendo que LavourArcaica era um dos melhores filmes nacionais já feitos). Trata-se de O Diabo Mora no Sangue, realizado em 1967. É essencialmente um filme do genial cineasta mineiro-goiano João Bennio, pai de seu roteiro, produtor e também ator principal. Digo essencialmente porque, por motivos que desconheço, Bennio à época convidou Cecil Thiré para dirigir o filme, também estrelado por Ana Maria Magalhães. (Continua…)
Duro não é defender a liberdade de expressão. Duro é defendê-la quando implica no direito de neguinho falar burrice. Porque, puta que o pariu, o que não falta é gente burra! E quando eu falo de burrice, o problema não é falta de estudo. Aliás, outro dia estive lá no sertão mais cafundó de Goiás e conheci um punhado de gente inteligente que não sabe nem assinar o nome. Aliás, 110 vezes mais inteligentes do que eu, que sou tão mané que, se me soltarem no mato, não sobrevivo uma semana. Não sei fazer nada sozinho. Tudo tenho que comprar feito. OK, não é isso. Burrice é quando o sujeito tem a mente tão limitada que não vê problema em tirar conclusões definitivas sobre todas as coisas baseado na sua experiência tacanha de quem conhece três ruas da cidade e uma vez foi a Sumpaulo, descobriu as respostas definitivas pra tudo, e vocifera isso sem medo na farmácia e na fila do banco. Ai, meus sais… Do tipo coisas sobre a melhor dieta para emagrecer, automedicação ou relações entre a personalidade do mineiro ou do carioca e o funcionamento do trânsito nas cidades: “o trânsito tá ficando engarrafado porque as pessoa tá parando demais nas faixa de pedestre, mesmo quando nem vem carro atrás”. E assim prosseguem as coisas, as pessoas tomam decisões e orientam suas vidas. Não pode rolar um paredón pelo menos nos casos de burrice terminal? Seria um bem pra essas pessoas.

Esse aí é o Henry Miller. É mais ou menos com essa idade que os escritores começam a ser abordados pelas fãs. Tarde demais…
Por um motivo ou por outro estou lendo A última tentação de Cristo do Nikos Kazantzakis. Livro indexado pelo Vaticano como herético e blasfêmico. Ainda não vi motivo. Mas o trecho que transcrevo a seguir pareceu-me relevante neste imbróglio sobre criaturas e caricaturas. (Continua…)
Tradução de “Brokeback Mountain” em português: Chapada dos Veadeiros.
Se mudar a órbita do planeta favorecer a reeleição do Mula, eles mudam.
O vôo espacial do orgulho da nação, primeiro astronauta tropical, foi antecipado para março a pedido do governo brasileiro. Em princípio marcado para outubro, não poderia ser capitalizado para as eleições pelo PT. O próprio Tenente-Coronel Pontes teme que o novo prazo não seja suficiente para ele se familiarizar com os experimentos científicos que terá que conduzir na Estação Espacial Internacional. Mas e daí? Quem disse que se trata de Ciência. Na Folha.
Não considero desproporcional a relação entre o Holocausto e a crença muçulmana feita pela Liga Árabe Européia (ver A maometização das consciências). Ao que parece, a condenação (parecer ser algo como um mandamento) da adoração de imagens, sobretudo de Maomé, é proporcional ao tabu que o Holocausto representa no mundo ocidental. (Continua…)
“Credo, gente, que maomezeira, hem?”
“É a maometização da imprensa, diria o Zé Simão”.
“Não, é a das consciências”, diria eu.
Porque, cá entre nós, acho uma ingenuidade ver algo de positivo nessa reação dos iranianos, essa de criar um concurso que premiará as melhores charges tendo como tema “o Holocausto”. Pois é desproporcional. (!) Bem menos do que antes, claro, mas ainda é. Eu sei, não parece, afinal reagir com caricaturas é melhor que responder com bombas, está no mesmo plano de realidade e tal. Mas se os Ocidentais tiraram o sarro do Maomé, o mais lógico seria os caras, tal como na caricatura do France Soir, tirarem o sarro ou de Jesus ou de Moisés, não do Holocausto. Ao optar por este último, só mostram o quanto são malucos perigosos. É covardia contrapor um ser pretensamente divino a meros mortais. No fundo, sabem que os Ocidentais sabem rir de si mesmos e que, se eles, muçulmanos, tirassem o sarro do Senhor do Universo, ficaria tudo na mesma. Se Jesus não se deixou abalar nem mesmo por uma crucificação, uma caricatura então seria fichinha.
(Continua…)
Caros e nobres leitores,
Para o dia 10, dentro do projeto cultural para 2006, Menezes y Morais convida e eu vos convoco:
Poesis 1ª edição
O Coletivo de Poetas, a livraria Entrelivos e o Cybercafé (CLN 406, Bl. B, fone 3202.0010), convidam para a 1ª edição do sarau Poesis, a realizar-se nesta sexta-feira, 10/02, a partir das 19 horas, com encerramento às 24 horas. Escritores homenageados : José Carlos Oliveira (1934-1986), por Jason Tércio, com a participação especial de Alaor Barbosa. E Mário Quintana (1906-1994), por Menezes y Morais e o Coletivo de Poetas.
Poetas convidados : Theodoro Gontijo; Nicolas Behr; Ivan Monteiro e José Edson dos Santos. Theodoro Gontijo vai projetar num telão os vídeos poéticos de sua autoria. Minipalestras: Rua da Cultura, uma Utopia Possível, por Valter Silva. E Por que não elegermos os nossos juízes?, por Laurence Raulino, da AGU-Advogacia Geral da União.
(Continua…)
Em pleno coração da Cidade, sob o azul acachapante de um céu que nunca mais vai terminar, eu tentando identificar, numa grande placa de cimento, em frente ao CNB – “Conjunto Nacional Brasília” –, junto do Snob’s, o único bar-restaurante que sobrou nesse antigo shopping, eu tentando reconhecer a EPCT no grande mapa estampado nessa placa de cimento, um mapa pra lá de desatualizado, há anos sob a ação dos elementos, mas igualmente indelével, e que só vai acabar quando o cimento armado apodrecer…
O que é a EPCT??
A EPCT é uma estrada a que eu nunca tinha prestado atenção. Mas ela já está no mapa há muito tempo, está inteirinha nesse mapa velho. E enquanto eu estou lá, tentando identificar o seu trajeto, por onde ela passa, aonde ela quebra, aonde retoma, aonde emenda, é incrível, mas ninguém deixa a gente em paz um momento que seja: em dois minutos que estou ali, até menos, já passou um mala, alto, moreno, cabelo (Continua…)
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