Waking life
Ontem assisti a esse filme excelente: Waking life. O engraçado foi a intimação que recebi - para assistir ao dito cujo - de um amigo que vive querendo me empurrar o livro “O mundo assombrado pelos demônios”, do Carl Sagan, toda vez que lhe falo de minhas projeções astrais e sonhos lúcidos. Quando eu tocava no assunto era apenas conversa fiada do Yuri. E olha que tentei convencer vários diretores de cinema (aliás, um bando de video-clipeiros e publicitários desmiolados) a rodar um filme ou animação com o que agora está se transformando no meu livro Eu odeio terráqueos!!, que não é senão uma variação do mesmo tema desenvolvido pelo filme supracitado. Como neste nosso país praticamente não há produtores independentes - com ou sem visão - a vanguarda tem de ficar para os americanos. (Na verdade, o assunto já é mais que batido, mas a forma como é colocado, nem tanto.) E meu amigo, que torcia o nariz quando lhe falava de técnicas para adquirir a lucidez durante o sonho, só foi pensar seriamente no assunto após ficar chapado com tudo o que os personagens falam no filme. Perguntei: “peraí, você não leu meu livro, né?” E ele: “não”. “Pois é”, eu disse, “se tivesse lido você sacaria por que é que não achei esse filme uma coisa doutro mundo. Eu também vivo meus sonhos…”
Num próximo post entrarei mais demoradamente nesse tema - sonhos lúcidos - e comentarei o filme. (Assista ao trailer. Mas atenção: Você precisa ter o QuickTime instalado.)
Outro dia, alguém me enviou um texto sobre idolatria que fez com que me lembrasse novamente do Li Hongzhi, aquele da Falun Gong (óia eu com o cara de novo). Ele diz, em um de seus livros (cito de memória), que, após o assassinato pelo governo comunista chinês dos mestres ortodoxos budistas - segundo ele, os verdadeiros guardiões do esoterismo da “Escola Buda” - os novos templos ficaram vulneráveis a um certo tipo de “vampirismo astral“. Ele afirma que, enquanto a tradição era mantida, toda estátua de Buda de um templo recém inaugurado era, digamos, “linkada” ao mundo astral budista (ou etérico, como queiram) por um desses mestres ortodoxos, o qual detinha o conhecimento de como estabelecer a tal ligação. Isto significa que, sempre que uma pessoa se ajoelhasse diante daquela imagem, sua intenção seria canalizada para os altos planos. (Uma espécie de pára-raios invertido…) Após a morte desses mestres e a conseqüente interrupção dos ensinamentos (rompimento da cadeia mestre-discípulo), os novos templos ficaram com imagens de Buda desprotegidas. Desprotegidas de que? Li Hongzhi afirma ter ouvido de muitos de seus discípulos: “mestre, eu estava meditando no templo blablablá e então meus ‘olhos celestiais’ se abriram e eu vi Buda caminhando por entre os crentes…”
“Richard Wilhelm encontrava-se em um longínquo vilarejo chinês que sofria com a estiagem. Um fazedor de chuva foi mandado de um vilarejo distante. Pediu uma cabana nos arredores da vila e ali ficou por três dias. Caiu, então, uma forte chuva, seguida de neve - uma ocorrência jamais verificada naquela época do ano. Wilhelm perguntou ao velho homem como ele fizera aquilo; o velho respondeu que não havia feito. ‘Veja o senhor’, disse ele, ‘venho de uma região onde tudo está em ordem. Chove quando deve chover, o que é muito agradável quando se precisa. As próprias pessoas estão bem. Mas as pessoas neste vilarejo estão fora do Tao e de si mesmas. Logo que cheguei fui imediatamente afetado por este estado; por esta razão, pedi uma cabana nos arredores da vila, para que pudesse ficar sozinho. Quando retornei ao Tao, a chuva caiu.”





