Monday, 12 de May de 2008

Metrô — 18

rodrigo fiume, 1:43 am
Filed under: fotografia
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metro-se.jpg

Estação Sé, São Paulo

Friday, 9 de May de 2008

NYC - Bryant Park - estátua de Jose Bonifácio

diogo chiuso, 11:29 pm
Filed under: Política
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Em 1945 a Sexta Avenida em Nova Iorque passou a ser chamada de Avenida das Américas. A idéia do então prefeito Fiorello LaGuardia (1882-1947) era homenagear os líderes americanos, lembrando sempre dos ideais de liberdade e independência. Entre os homenageados, José Bonifácio de Andrada e Silva, homem de estado, professor, cientista e Patriarca da Independência do Brasil.

picture-1.png

Tuesday, 6 de May de 2008

Joss Stone - “Son of a Preacher Man”

yuri vieira, 6:05 pm
Filed under: Podcast e videos, colírio, música
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Oh, my God!!!

Friday, 2 de May de 2008

Carta a uma jovem suicida

yuri vieira, 7:53 pm
Filed under: Cotidiano, Religião, Umbigo, este blog, interiores
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O texto que virá mais abaixo é minha resposta ao seguinte comentário:

A new comment on the post #3306 “Amigos suicidas” is waiting for your approval:

Author : Jane (IP: 189.94.67.32 , 189.94.67.32)
E-mail : minina_jane@[XXXXXXX]
URL :
Whois :
Comment:
Há alguns dias, me acometi de uma tristeza imensa…
Domingo dia 27 de abril eu resolvi, me vi com minha família completa e quis levar aquela imagem feliz, tomei uns anti-depressivos muito fortes, ouvindo uns flash backs, com copos e mais copos de um bom vinho, me senti leve e fui adormecendo e achei que seria o fim, em minhas mãos só escrevi tudo em letras maíusculas, pedindo PERDÃO a meus pais, na tarde do dia seguinte, me vi em um hospiral com minha mãe com o mesmo sorriso que creio eu que tenha sido o mesmo ao qual ela me viu pela primeira vez, hoje me sinto melhor, estou na minha casa meu pai reagiu de uma forma calma, só que não sei se ainda tenho certeza que vou continuar com minha vida !!!

Carta a uma jovem suicida

Cara Jane, eu tenho andado com uma preguiça de rachar o chão tanto no que se refere a escrever neste blog quanto a responder a comentários em geral e a provocações bobas de listas de discussão. Mas este seu comentário no blog — assimilado junto com o café forte que acabo de fazer — me causou um sentimento de urgência pungente. Talvez eu até precise dar uma pausa para ir ao banheiro, entende?, mas… enfim. Você está realmente pensando em se matar? Quer mesmo tentar de novo? Bom, tenho então algumas coisas a lhe dizer:
(Continua…)

Albert Hofmann e Alex Grey

yuri vieira, 5:49 am
Filed under: Arte, Ciência, plásticas
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Dia 29 de Abril, eu estava conversando aqui em casa com o Sérvio Túlio Caetano — que é um excelente desenhista, pintor, ilustrador, etc. — quando decidi lhe mostrar o site do Alex Grey, na minha opinião, um dos grandes artistas plásticos do nosso tempo. Eis uma de suas telas:

Alex Grey - Kissing

Ao entrar em seu site, descobri que Albert Hofmann — o químico que sintetizou o LSD e “curtiu” seus efeitos pela primeira vez — havia falecido naquele mesmo dia. Veja aqui uma foto dos dois ao lado da tela abaixo, pintada pelo mesmo artista.

Alex Grey -Albert Hofmann

Sobre Hofmann e o LSD, se vire. (Não posso falar dessas coisas, cazzo, me dá flashback…)

Albert! Vaya con Dios, hermano!

Tuesday, 29 de April de 2008

Critérios

ronaldo brito roque, 8:48 pm
Filed under: Cotidiano, Esportes, Humor, Política
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Declaração de Ronaldinho à imprensa:

“Posso curtir um traveco de vez em quando, mas nunca matei meu filho”.

Declaração do ex-prefeito de Nova Iorque:

“Pelo menos eu tenho bom gosto”.

Declaração de Ronaldinho ao ver o traveco sem roupa:

“Nossa, que clitóris grande”.

Monday, 28 de April de 2008

Bye-bye Obama

diogo chiuso, 6:09 pm
Filed under: Política
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A desculpa mais esfarrapada dos esquerdistas é sempre culpar a mídia pelas bobagens que fazem. Para o pessoal do PT, o mensalão é uma criação da imprensa, assim como os gastos do cartão corporativo.Hoje, aqui nos EUA, os jornais estampam a desculpinha do reverendo Wright: - Estou sendo crucificado pela mídia, que não quer me atacar, mas sim, atacar a Igreja dos negros!Ok, ele quer virar a mesa. Não se trata mais dos insultos aos brancos que ele faz em suas pregações; tampouco todo aquele proselitismo anti-americano. A repercussão se dá em função da imprensa (que, vale lembrar, é pró-Obama) não quer um negro presidente. Mais cara de pau, impossível! Tinham que exigir uma explicação sobre o porquê de tanto ódio ao país que lhe dá liberdade para ser um cretino e falar asneiras.Já Obama desconversa. Diz que não conhecia as idéias do seu pastor e não acredita que deve uma explicação ao povo americano sobre o que pensa a respeito. Afinal, Obama compartilha ou não das idéias daquele que o casou e batizou suas duas filhas? Ainda é uma incógnita…Mas ao contrário do Brasil, o povo americano quer respostas. Essa é a razão pela qual a campanha de Obama afunda cada vez mais e dá fôlego para Hillary disputar a Casa Branca com MaCain.O fenômeno Obama acabou! Só a imprensa brasileira ainda acredita nele. 

Saturday, 26 de April de 2008

Tempo, estudo e coisas cretinas

diogo chiuso, 10:20 pm
Filed under: Educação, literatura
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Não me lembro quem disse que a grande diferença entre a literatura que se faz no Brasil e fora dele é somente uma: estudo. Acho que isso é coisa do Polzonoff, mas não tenho certeza. Certeza só na afirmação. Estou fora do país há quase dois meses e nem imaginava que, em tão pouco tempo, aprenderia tanta coisa.  Estou cá a estudar inglês, porque ele ainda é catastrófico. Mas o interessante é que não se aprende somente gramática nas aulas de reading n’ writting, mas sim, como estruturar um texto, como descrever as coisas, como narrar uma estória. E claro que técnicas de escrita não levam o cidadão além dos limites superficiais da literatura, como poeminhas de amor nerudescos ou bobagens místicas coelhonianas. E não é nada senão o estudo que diferencia as coisas, que faz o sujeito ultrapassar a barreira das coisas comuns.Mas a sensação que tenho aqui é que eles (os americanos) podem querer ser tudo. Mesmo que não consigam, têm toda a estrutura e a oportunidades à disposição para tentar. Por isso, é triste vê-los perdendo tanto tempo com coisas cretinas, como, por exemplo, fingir que tocam guitarra num videogame; ou fazendo uma rodinha de amaconhados tocando violão.

A ciência avança

daniel christino, 5:34 pm
Filed under: Ciência, Humor, Mídia, Religião
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Esta notícia vem direto do blog do Pedro Doria. Ao que parece, alguns cientistas gays conseguiram isolar o gene da cristandade (positivamente associado ao sentimento religioso universal). As repercussões podem ser devastadores para os cristãos de todo o mundo. Confiram.

Thursday, 24 de April de 2008

Use as drogas certas, bicho.

daniel christino, 10:23 am
Filed under: Ciência, Humor, extraordinárias, internet
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Quer ser o centro das atenções ao decifrar um complicado teorema matemático entre um gole e outro de cerveja? Entender completamente as letras do Djavan? Não foi, entretanto, favorecido com uma estrutura genética apropriada para a inteligência? Não tema. Se os antidepressivos são uma farsa, as drogas cognitivas chegaram para ajudar a realizar o sonho de todo grande jogador de futebol. Chega de se alienar com mulheres, fama e dinheiro. De agora em diante, apenas matemática, computadores e Star Wars. Viva a vida intensamente.

Mas antes, um aviso: “Cérebro + drogas = ovos fritos! Nem sempre. Algumas pílulas podem incrementar sua performance cognitiva. Mas nós aqui do Garganta não somos médicos. Qualquer um que tome uma batelada de remédios baseado em nossos palpites só pode estar chapado”.

Aqui o link para a deliciosamente bem-humorada matéria da Wired.

Wednesday, 23 de April de 2008

Novo site oficial de Hilda Hilst

yuri vieira, 8:46 am
Filed under: Avisos, escritores, literatura, sites
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O Instituto Hilda Hilst lançou, neste mês em que a Hilda completaria 78 anos de idade, o novo site oficial da escritora. José Luis Mora Fuentes e Daniel Bilenky, que já vinham fazendo um ótimo trabalho na Casa do Sol, sede do Instituto, estão de parabéns por mais esse projeto. Desejo todo sucesso neste e em futuros empreendimentos. O sonho da Hilda começa a tornar-se realidade…

O site que fiz em 1999 continuará online apenas por razões históricas, uma vez que foi o primeiro site oficial da Senhora H.

Enquanto isso, em Brasília…

ronaldo brito roque, 4:08 am
Filed under: Cotidiano, Política
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Entreouvido no Congresso Nacional:

“Posso ter desviado 100 milhões, mas nunca matei um filho meu!”

Tuesday, 22 de April de 2008

Diga-me com quem andas

diogo chiuso, 1:46 am
Filed under: Política
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Não é à toa que o “quase candidato” democrata à Casa Branca, Barak Hussein Obama, vive metido em escândalos. O que mais se comenta por aqui é como suas más companhias arruinam sua campanha. Primeiro o pastor Jeremiah Wright, com seu antiamericanismo radical mesclado com um racismo idiota. Depois, o líder do grupo Nação do Islã, Louis Farrakhan, e ninguém mais acredita que Obama é cristão de verdade. Agora, para alegrar a festa ele recebe o apoio do maior sem-vergonha norte-americano: Michael Moore. Nesta altura do campeonato, receber o apoio do maior charlatão e mau caráter americano é meter os pés na lama de vez. Os grande jornais americanos (que obanaram) nem deram lá muita atenção ao fato. Só foi notícia mesmo na França. Parece que a campanha de Obama só vai bem no Brasil. Por aqui é vergonha atrás de vergonha, mentira sobre mentira.

Monday, 21 de April de 2008

Tempos para Otimismo ou Pessimismo

pedro novaes, 8:32 pm
Filed under: Economia, Imprensa, meio ambiente, tecnologia
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Você acha que os tempos são para otimismo ou pessimismo? Eu sinceramente não sei.

Por um lado, discordo do catastrofismo ambientalista por achá-lo iminentemente imobilizador e calcado num deletério idealismo que, no limite, nos proíbe de viver hoje. Por outro, por mais liberal em termos econômicos que me considere, não compartilho a fé cega da economia clássica na inovação tecnológica. Parece-me evidente que há limites físicos reais ao crescimento, não apenas num futuro distante.

Pela sua importância, traduzi o ótimo artigo abaixo do economista Paul Krugman, publicado no New York Times de hoje. Sua pergunta básica é a de se a atual alta nos preços das matérias-primas refletem especulação, descompasso temporário entre oferta e demanda ou se efetivamente significam que estamos atingindo limites planetários.

Se preferir ler o artigo em inglês, clique aqui.

Sem planeta para explorar

PAUL KRUGMAN

Há nove anos atrás, a The Economist estampava uma grande história sobre o petróleo, então à venda a 10 dólares o barril. A revista avisava que isso poderia não durar. Diferentemente, sugeria que o petróleo poderia muito bem cair para cinco dólares o barril.

De qualquer maneira, a The Economist asseverava que o mundo se encontrava diante “da perspectiva de petróleo abundante e barato no futuro visível”.

Na semana passada, o petróleo atingiu 117 dólares.

Não é somente o petróleo que contradiz a complacência de poucos anos atrás. Os preços dos alimentos também dispararam, assim como os preços dos metais básicos. A escalada global nos preços de commodities faz renascer uma questão de que já não se ouvia muito falar desde os anos 70: estoques limitados de recursos naturais representarão um obstáculo para o futuro crescimento econômico mundial?

A forma pela qual se responde a esta pergunta depende essencialmente daquilo que se acredita estar impulsionando o aumento nos preços das matérias-primas. Falando de forma ampla, há três visões rivais.

A primeira é a de que se trata basicamente de especulação: investidores, em busca de altos retornos numa época de taxas de juros baixas, correram para os mercados futuros de commodities, levando para cima os preços. Segundo esta visão, em algum momento a bolha estourará e os altos preços das matérias-primas seguirão o caminho da Pets.com*.

A segunda visão é a de que os altos preços das matérias-primas têm de fato uma base em fundamentos econômicos, sobretudo a demanda rapidamente crescente dos chineses que agora comem carne e dirigem carros, mas que, com o tempo, perfuraremos mais poços, plantaremos mais hectares e a oferta maior puxará novamente os preços para baixo.

A terceira visão é a de que a era de matérias-primas baratas realmente chegou ao fim: estamos ficando sem petróleo, sem terras para a expansão da produção de alimentos e, de modo geral, sem uma planeta para explorar.

Eu me encontro em algum lugar entre a segunda e a terceira visão.

Há algumas pessoas muito inteligentes, George Soros entre elas, que crêem estarmos vivenciando uma bolha de commodities (apesar de o Sr.Soros dizer que a bolha ainda está em sua “fase de crescimento”). Meu problema em relação a esta visão é o seguinte: como estão os estoques?

Normalmente, a especulação impulsiona os preços das commodities por meio da formação de estoques camuflados. Não há, entretanto, qualquer sinal de estocagem camuflada de recursos nas estatísticas: os inventários de alimentos e metais estão próximos de seus pontos mais baixos na história, ao passo em que os inventários de petróleo estão absolutamente normais.

O melhor argumento para a segunda visão, a de que o momento crítico para as matérias primas é real, porém temporário, é a forte semelhança entre o que vemos agora e a crise das matérias primas nos anos 70.

O que os americanos mais se lembram a respeito dos anos 70 são os preços crescentes do petróleo e as filas nos postos de gasolina. Houve também, entretanto, uma severa crise alimentar global, que gerou bastante angústia nas filas dos caixas de supermercados – lembro-me de 1974, como o ano do Hamburger Helper** – e, muito mais importante, ajudou a provocar fomes devastadoras em países mais pobres.

Em retrospecto, o boom das commodities entre 1972 e 1975 foi provavelmente resultado de um rápido crescimento econômico mundial, superando a oferta, somado aos efeitos de um clima ruim e do conflito no Oriente Médio. Por fim, a má sorte acabou, novas terras passaram a ser cultivadas, novas fontes de petróleo foram descobertas no Golfo do México e no Mar do Norte, e as matérias-primas se baratearam novamente.

As coisas podem ser diferentes desta vez, entretanto: a preocupação em relação ao que poderia acontecer quando uma economia em constante crescimento força os limites de uma planeta finito soam mais reais hoje que nos ano 70.

Uma das razões para tanto: não creio que o crescimento chinês venha a diminuir de forma significativa em breve. Isso representa uma enorme diferença em relação ao que se passou nos anos 70, quando o crescimento no Japão e na Europa, as economias emergentes da época, declinou, retirando com isso muito da pressão que pairava sobre as matérias primas do planeta.

Neste meio tempo, as matérias-primas estão cada vez mais difíceis de encontrar. Grandes descobertas de petróleo são hoje poucas e cada vez mais espaçadas entre si. Nos últimos anos, a produção de petróleo a partir de fontes novas mal superou o decréscimo da produção nas fontes já estabelecidas.

E o clima ruim afetando a produção agrícola desta vez começa a parecer mais fundamental e permanente que o El Niño e a La Niña, que quebraram safras 35 anos atrás. A Austrália, em particular, se encontra agora no décimo ano de uma seca que se parece cada dia mais com uma manifestação de longo prazo de mudanças climáticas.

Suponha que realmente estejamos nos confrontando com limites globais. O que isso significa?

Mesmo que se revele que de fato estamos passando pelo ápice da produção de petróleo, isso não quer dizer que um dia iremos dizer “Oh, meu Deus? Acabou o petróleo!” e assistir ao colapso da civilização rumo a uma anarquia ao estilo Mad Max.

Mas os países ricos enfrentarão pressões constantes sobre suas economias oriundas de preços crescentes de matérias-primas, tornando mais difícil elevar os padrões de vida. E alguns países pobres se verão vivendo perigosamente próximos da borda do abismo ou cairão nele.

Não olhe agora, mas pode ser que os bons tempos tenham acabado de acabar.

*A Pets.com foi uma empresa online símbolo da bolha especulativa em torno das ações de empresas da Internet no final da década de 1990.
**Marca de comida semi-pronta nos EUA.

UPDATE: uma tradução do artigo acima foi publicada em 22/04/08 na Folha de S. Paulo (para assinantes UOL/Folha).

Pela janela

daniel christino, 2:59 am
Filed under: Cotidiano, Imprensa, especulativas
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Da janela da minha sala na Universidade eu vejo um recorte geométrico do bosque. De vez em quando passam guinchando alguns macacos-prego, como num documentário do Discorevy Channel. Olham-me com urgência, assustados. Desacostumados ao pasmo sempre renovado de ver, em seu aquário de aridez, um ser humano, parecem interrogar-se sobre a possibilidade evolutiva de um animal tão estranho. E eu observo de volta. Um deles, uma fêmea, traz nas cócoras seu filhote. O macacaquinho se agarra firmemente ao pêlo da mãe, enquanto ela salta de árvore em árvore, agilmente, tentando encontrar alguma lata de refrigerante ou restos de um salgado comido pelas metades.

Numa outra janela piscam anúncios em flash. Dentro dela (ou fora daqui!) alguém me diz que uma menina foi atirada pelo pai e pela madrasta do apartamento onde moravam, no sexto andar. Eu observo os acusados jurarem inocência. Estou espantado. Noutra reportagem o apresentador se pergunta porque o caso mobilizou tanto a atenção das pessoas. Assisto a matéria. Fala um psicanalista, um sociológo e outro psicanalista. Nenhum deles diz nada sobre o repórter nem sobre o programa. O interesse das pessoas é tratado como um fato natural e a peça jornalística que nos convoca a atenção não é tematizada. É como se não estivesse lá, como se fosse transparente.

Sinto-me dentro de um cubo geométrico translúcido. A metáfora das janelas se desdobra em várias faces. Eu vejo os macacos, que me vêem, e vejo os pais da menina que não me vêem e vejo a forma de expressão da manipulação dos interesses, que não quer ser vista. Só não vejo a inocência, só não vejo o humano. A inocência atravessou a janela e se espatifou no gramado úmido.

Talvez o combustível da emoção seja o pathos da morte. Não uma morte qualquer. Não uma boa morte, coroação de uma vida plena. Mas a morte da inocência, o terror. Um pathos egóico, sem dúvida, porque vivido na tensão interior do expectar. Não o pathos da vida, a compaixão, mas o pathos associado, desde Aristóteles, às narrativas trágicas. Muitos de nós vivenciamos a morte de Isabella Nardoni pelas narrativas elaboradas pela mídia, embora ela se esforce para nos convencer de que é apenas uma janela, um meio através do qual algo nos vem ao encontro. Por que esta tragédia - assim como várias outras - nos mobiliza a atenção? Exatamente porque é uma tragédia. Porque o drama nos é apresentado num esquema estruturado de compreensão, cujos elementos nos exigem uma determinada emoção, como num script cognitivo vivenciado milhares de vezes.

Mas o terror, por outro lado, é real. A própria idéia de que a inocência está sob constante ameaça no mundo nos enche de pavor verdadeiro. Quanto mais repassamos, auxiliados pelas reconstituições minuciosamente ilustradas dos portais da Web, o que pode ter acontecido no apartamento, mais nos assustamos com o que nós somos. A forma nos ajuda e nos afasta desta disposição para o terror. Ela trai e adia esta experiência fornecendo um esquema conhecido de interpretação, ela nos torna expectadores; põe grades na janela, nos impendindo uma “queda em si”.

Na verdade se pudéssemos atravessar o palco e espiar as coxias do teatro do simbólico, perceberíamos o caráter farsesco de todo este drama. No jogo absurdo de janelas, caro leitor, algo nos elude. Na transparência entrevemos algo opaco, brumoso, adiáfano. E o que encontramos - perdidos na vertigem do olhar - não é outra coisa senão um enorme e polido espelho. E nele, a nos fitar, nossos olhos enormes de macaco.

Metrô — 17

rodrigo fiume, 1:37 am
Filed under: fotografia
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Estação Sé, São Paulo



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